
Ela Mereceu: A Amante Promovida
Capítulo 3
O dia seguinte era o aniversário de casamento deles. Cinco anos. Marcelo pareceu se lembrar disso no último minuto, porque quando Laura acordou, havia uma pequena caixa de uma loja de departamento barata na mesa de cabeceira. Dentro, um colar de bijuteria que parecia algo que uma adolescente usaria. Era um gesto tão vazio, tão impessoal, que doeu mais do que se ele não tivesse dado nada.
Ela se levantou e foi direto para o banheiro, sentindo uma onda de náusea. Ela se ajoelhou na frente do vaso sanitário, o corpo tremendo. Era a terceira manhã consecutiva que isso acontecia. O colar barato, a náusea matinal... era uma combinação cruelmente irônica.
Quando ela saiu do banheiro, pálida e exausta, Marcelo estava de pé na porta, observando-a.
"Você está bem? Você parece doente."
Havia um tom de preocupação em sua voz, mas era uma preocupação superficial, a preocupação de alguém que está sendo inconvenientemente perturbado.
Laura olhou para ele, seu rosto uma máscara sem expressão.
"Estou grávida, Marcelo."
A notícia o pegou de surpresa. Ele piscou, processando a informação. Um sorriso lento e falso se espalhou por seu rosto.
"Grávida? Isso é... isso é ótimo! Um bebê! Nós temos que ter cuidado. Você precisa descansar."
Ele se aproximou para abraçá-la, mas Laura deu um passo para trás, estendendo um envelope para ele.
"O que é isso?" ele perguntou, a confusão voltando.
"É o acordo de divórcio", disse ela, sua voz plana. "Eu já assinei. Só preciso da sua assinatura."
O rosto de Marcelo passou do choque para a fúria em um piscar de olhos. Ele arrancou o envelope da mão dela, rasgando-o ao meio.
"Divórcio? Você ficou completamente louca? Você está grávida do meu filho! Você não pode se divorciar de mim agora! Que tipo de jogo é esse?"
Ele a agarrou pelos ombros, sacudindo-a levemente.
"Você está fazendo isso por causa de ontem? Por causa da Patrícia? É isso? Você está tentando me punir?"
A dor em seus ombros era aguda, mas a dor em seu coração era insuportável. Ele ainda achava que aquilo era sobre uma promoção. Ele não entendia nada.
Laura olhou diretamente nos olhos dele, e pela primeira vez em muito tempo, ela não sentiu nada além de um vazio gelado.
"Que filho, Marcelo?"
A pergunta o silenciou. Ele a olhava, sem entender.
"O que você quer dizer com 'que filho'?"
"Não existe filho nenhum", disse ela, cada palavra caindo como uma pedra no silêncio da sala. "Eu fiz um aborto ontem à tarde, enquanto você estava no palco, celebrando com sua amante."
O choque no rosto de Marcelo foi total. Sua boca se abriu, mas nenhum som saiu. Suas mãos caíram dos ombros dela, como se tivessem perdido toda a força. Ele a encarou, horrorizado, incrédulo.
Para Laura, aquela era a verdade mais dolorosa e libertadora que ela já havia dito. Ela não traria uma criança para um mundo com um pai como ele, para uma vida construída sobre mentiras e traição.
Ela se virou, pegou a mala que havia preparado na noite anterior e caminhou em direção à porta.
"Você vai se arrepender disso, Laura", ele finalmente conseguiu dizer, sua voz um sussurro ameaçador cheio de veneno. "Eu vou garantir que você se arrependa."
Ela não parou. Abriu a porta e saiu, fechando-a atrás de si, deixando para trás cinco anos de sua vida e um homem que havia se tornado um monstro. O som da porta batendo foi o ponto final mais definitivo de sua história.
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