
Destino Crusaders
Capítulo 2
O ar fresco da tarde me envolveu ao sair da cafeteria. Meus sentidos pareciam ter se aguçado de repente, como se durante todos aqueles anos eu tivesse estado congelada no tempo. O riso das crianças brincando na praça soava ao longe, e o murmúrio das conversas flutuava no ar, mas nada se comparava à presença de Alejandro ao meu lado, meu amor secreto.
Caminhar ao seu lado era como retornar a um lugar familiar, um refúgio perdido no tempo. No entanto, havia uma fricção no ambiente, uma tensão que podia ser cortada com uma faca. Alejandro e eu havíamos compartilhado tantas risadas, tantas confidências, que era estranho esse silêncio que agora nos envolvia; pareciamos dois estranhos.
Demos alguns passos antes que ele rompesse o silêncio, algo pelo qual eu agradecia.
— Você se lembra da última vez que estivemos aqui, neste parque? — Sua voz era suave, como um sussurro familiar.
— Como eu poderia esquecer? — respondi, meu coração palpitando mais rápido ao pensar no dia que nos separou. — O sol estava se pondo, e você tinha aquele sorriso de 'tudo ficará bem', que equivocados estávamos.
— E agora? — perguntou ele, parando para olhar em meus olhos. — Está tudo bem?
Não consegui responder imediatamente; meus pensamentos se amontoavam em minha mente. A verdade é que nem tudo estava bem. A vida me ensinou lições difíceis. Mas naquele momento, tudo o que eu queria era aproveitar sua companhia, embora no fundo soubesse que cada instante era um lembrete do que eu havia perdido por não ter me confessado antes.
— Estou tentando seguir em frente — respondi finalmente, escolhendo minhas palavras com cuidado. — A vida tem sido... diferente.
Preferi usar essas palavras para não perder o controle.
Ele assentiu lentamente e, em seu olhar, vi um mar de angustia; eu o conhecia como a palma da minha mão, mas aquele homem que estava à minha frente não era mais a mesma pessoa.
— Às vezes, o caminho que escolhemos não é o que imaginamos — disse ele, e sua voz se tornou melancólica. — Estive distante, perseguindo meus próprios sonhos, os quais agora devo abandonar; a única constante na minha vida sempre foi sua valiosa amizade.
Essa afirmação me atingiu. As palavras caíam com um peso que eu não esperava, como uma adaga que dilacerava os sentimentos que havia guardado.
— Eu também pensei na nossa amizade; fomos inseparáveis — admiti, sentindo o calor em minhas bochechas. — Muitas vezes me perguntei... o que teria acontecido se...
Estive prestes a dizer-lhe, mas algo em seu olhar me paralisou.
Seu olhar se intensificou, e por um instante, acho que ambos soubemos que havia algo mais que amizade em jogo. A conexão entre nós era palpável. No entanto, a realidade se interpunha; a vida não é tão simples.
— Preciso te dizer algo — continuou ele, rompendo o feitiço do nosso momento. — Estou comprometido.
As palavras ressoaram na minha cabeça como um trovão. Um batimento cardíaco parou, meu mundo balançou por um instante. Não podia acreditar que havia outra pessoa na vida dele.
— Eu não sabia — murmurei, tentando manter a compostura. — Fico feliz que você tenha encontrado alguém.
Senti-me uma verdadeira hipócrita, fingindo alegria enquanto o amor da minha vida ia se casar com alguém que não era eu. Mas era lógico; ele foi embora há tanto tempo, nunca me insinuou que sentia algo por mim, e aqui estava eu, querendo-o mesmo após tanto tempo.
Ele parou e me olhou com uma mistura de tristeza e sinceridade.
— As coisas têm sido complicadas. Nunca pensei que as decisões que tomamos poderiam nos levar a caminhos tão diferentes.
Assenti lentamente, sentindo que uma parte de mim afundava.
Enquanto caminhávamos novamente, um silêncio incômodo se instalou entre nós. Eu me perguntava se ele estava pensando em tudo o que não dissemos, em todos aqueles anos perdidos que agora pesavam sobre nossos ombros.
— E você, Sofía? — perguntou finalmente. — Você ainda está naquele relacionamento com... como era mesmo o nome? Daniel? Acredito que foi esse o nome que você me escreveu naquela última carta.
A pergunta me pegou de surpresa. Eu havia feito um esforço para seguir em frente, para encontrar estabilidade, mas meu relacionamento com Daniel não era como eu havia sonhado.
— Sim — respondi, tentando soar casual. — As coisas não são perfeitas, mas pelo menos há... tranquilidade.
— Você sente que é o que deseja? — Alejandro questionou com intensidade, e seu interesse fez meu coração disparar.
A que jogo ele estava jogando? O que estava realmente tentando saber?
— Não sei — respondi, sentindo que a verdade escapava de meus lábios. — Às vezes, acho que estou tentando preencher um vazio, mas não sei se isso realmente me faz feliz.
A expressão em seu rosto mudou, e por um momento, vi um vislumbre de vulnerabilidade.
— Às vezes, escolhemos o seguro em vez do que realmente queremos. Você é mais corajosa do que pensa, Sofía.
Suas palavras me atingiram em cheio. Ele estava dizendo uma grande verdade.
— E se não formos o que precisamos? — murmurei, me sentindo frágil ao contemplar o que essa pergunta significava.
Alejandro parou novamente, olhando para mim com aquela intensidade que só ele tinha.
— Talvez o que realmente precisamos é enfrentar o que temos evitado todos esses anos.
Mas antes que eu pudesse responder, o som do meu telefone vibrando em meu bolso me tirou de meus pensamentos. Era uma mensagem de Daniel. Olhei para a tela, vi seu nome piscando e uma pontada de ansiedade atravessou meu peito.
— Desculpe — disse, certas dúvidas voltando com a ferocidade de recordações reprimidas. — Preciso responder.
Tentei terminar a chamada o mais rápido possível, mas quando finalmente desliguei, Alejandro já havia ido embora.
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