Capa do romance A Pegadinha Que a Destruiu

A Pegadinha Que a Destruiu

8.9 / 10.0
Grávida e grata ao namorado Caio por salvá-la no passado, uma jovem descobre que seu resgate foi uma farsa cruel orquestrada por ele e sua irmã, Kaila. Após sofrer abusos extremos, perder o filho e ser coagida a doar um rim, ela revela sua verdadeira face. Longe de ser uma órfã indefesa, ela herda uma fortuna bilionária de uma tia secreta e agora usará todo o seu novo poder para destruir aqueles que transformaram sua vida em um pesadelo absoluto.

A Pegadinha Que a Destruiu Capítulo 1

Eu estava a caminho de contar ao meu namorado, Caio, que eu estava grávida. Ele era meu salvador, o homem que me resgatou depois que um ataque brutal me deixou órfã.

Mas quando cheguei à sua cobertura, ouvi-o conversando com a irmã, Kaila. Minha vida inteira era uma mentira. O ataque não foi aleatório; foi uma "pegadinha de mau gosto" que eles orquestraram para que ele pudesse bancar o herói.

E só piorou. Kaila torturou e matou meu cachorro para "prática de cirurgia", e Caio a defendeu. Eles vazaram um vídeo íntimo meu, destruindo minha reputação na faculdade. Quando tentei escapar, Kaila mandou capangas atrás de mim, e o ataque me fez perder nosso filho.

Enquanto eu sangrava no hospital, Caio me culpou por perder o bebê. Ele então me disse que o aborto espontâneo me deixou permanentemente infértil.

Sua exigência final foi a mais cruel. Ele disse que eu tinha que "compensar" sua irmã por todo o problema que causei, doando um dos meus rins para ela.

Mas eles cometeram um erro fatal. Eles pensaram que eu era uma órfã indefesa.

Eles não sabiam que eu tinha acabado de herdar um império bilionário de uma tia secreta. E eu estava prestes a usar cada centavo para queimar o mundo deles até as cinzas.

Capítulo 1

Eu segurava a pequena caixa embrulhada para presente com força em minhas mãos. Dentro, um teste de gravidez positivo. Uma surpresa para o Caio. Meu coração batia rápido, um ritmo nervoso, mas feliz, contra minhas costelas. Imaginei a expressão em seu rosto, o jeito que seus olhos se iluminariam. Nós seríamos uma família.

Usei minha chave para entrar em seu luxuoso apartamento de cobertura. Música e risadas vinham da sala de estar. Parei, meu sorriso vacilando. Ele estava dando uma festa. E não tinha me contado.

"Se livra dela logo, Caio. Já faz tempo demais."

Era a voz de Kaila, aguda e mimada. A irmã mais nova de Caio.

Eu congelei na entrada do corredor, escondida nas sombras.

"Ela está tão sem graça agora", outra voz, uma amiga deles, comentou. "A graça foi quebrar ela. Agora ela é só... um bichinho de estimação."

Minha respiração falhou. Encostei-me na parede fria, a caixa de presente de repente parecendo pesada e gelada.

Esperei que Caio me defendesse. Ele iria. Ele sempre defendia. Ele era meu salvador, o homem que me tirou da escuridão depois do ataque que me deixou órfã. Ele não deixaria que falassem de mim daquele jeito.

Meu celular vibrou no bolso no exato momento em que ouvi a voz dele, suave e calma.

"Eu sei, Kaila. Não se preocupe, eu vou resolver isso."

Foi um acordo gentil. Uma promessa para a irmã dele.

A tela do meu celular acendeu com uma mensagem dele.

*Oi, amor, surgiu um imprevisto no trabalho. Vou ficar preso aqui por um tempo. Não precisa me esperar.*

Uma mentira. Uma mentira casual e sem esforço.

Olhei da tela brilhante para a fresta da festa visível no corredor. Risadas. Música. E o homem que eu amava, escolhendo eles em vez de mim.

Um frio se espalhou por mim, tão profundo que parecia que meu sangue tinha virado gelo. Meus dedos tremiam enquanto eu digitava uma resposta.

*Ok. Se cuida. Não trabalhe demais.*

Um momento depois, um celular tocou dentro da sala.

"Aff, que garota grudenta", reclamou Kaila. "'Se cuida, não trabalhe demais.' Me dá vontade de vomitar."

"Bloqueia o número dela só por hoje", sugeriu outra pessoa. "Não aguento olhar para aquela cara de coitada dela."

A voz de Caio era leve, divertida. "Tudo bem. Vamos nos livrar dela em breve."

Então ele mencionou o ataque. O meu ataque. Aquele que destruiu minha vida, do qual ele me salvou.

"Você realmente exagerou naquela pegadinha, Kaila", disse ele, mas não havia raiva em seu tom. Apenas um toque de repreensão fingida. "Você quase a matou."

Meu mundo girou. Pegadinha?

Ele estava falando da noite em que fui atacada, deixada para morrer em um beco. A noite em que meus pais morreram em um acidente de carro correndo para o meu lado. Pegadinha?

"Não foi minha culpa ela ser tão fraca", Kaila retrucou, sua voz cheia de indignação. "Além disso, valeu a pena. Fez de você um herói. Você adora isso, não é? Bancar o salvador."

"Ele adora", riu outro amigo. "Especialmente porque foi você quem realmente o salvou daquele incêndio quando eram crianças. Ele te deve essa."

A sala explodiu em concordância. Todos eles sabiam. O tempo todo.

Minha mente ficou em branco. Os sons da festa se transformaram em um zumbido abafado. A base da minha vida, a única verdade à qual eu me agarrei por anos — que Caio era meu salvador — se desfez em pó.

Era tudo uma mentira.

Um jogo doentio e perverso.

Meu estômago se revirou e uma dor aguda atravessou meu corpo. Eu não conseguia respirar. Sentia como se estivesse sufocando.

Isso era real? Alguma coisa disso era real?

"Chega", a voz de Caio cortou o barulho, firme e final. "Não vamos mais falar sobre isso." Houve uma pausa. Então, sua voz baixou, tingida com uma diversão arrepiante que eu confundi com afeto por tanto tempo.

"Ela estava um caco quando a encontrei. Tão quebrada. Foi divertido montá-la de novo, torná-la exatamente o que eu quero."

Ele me descreveu.

"Como uma bonequinha. Ou um bichinho de estimação. Ela faz tudo o que eu digo. Ela acha que eu sou o mundo inteiro dela."

Eu podia ouvir o sorriso em sua voz.

"E o casamento?", perguntou Kaila, com um tom provocador. "Você não vai realmente se casar com essa coitadinha, vai?"

Caio riu. Um som frio e feio.

"Não seja ridícula. Ela não é material para a família Monteiro. Ela é só um passatempo. Algo para matar o tempo."

Uma risada amarga e sufocada escapou da minha própria garganta. Parecia um soluço.

Virei-me e saí tropeçando, meus movimentos bruscos e descoordenados. Eu não sabia para onde estava indo. Meu cérebro era uma névoa de ruído branco. O mundo era uma piada doentia e absurda, e eu era o alvo.

Minhas pernas cederam e eu desabei contra a parede no corredor vazio, deslizando até o chão.

Suas palavras ecoavam na minha cabeça, cada uma uma nova onda de agonia.

Bichinho de estimação. Bonequinha. Passatempo.

Pensei na noite do ataque, no sangue, no terror. Pensei nos meus pais, que se foram para sempre. Pensei em Caio chegando como um anjo, seus braços ao meu redor, prometendo me manter segura.

Tudo uma mentira. Uma mentira meticulosamente elaborada.

A náusea subiu pela minha garganta e eu tive um espasmo, mas nada saiu.

Ele me encontrou naquele galpão, quebrada e aterrorizada. Ele me abraçou enquanto eu chorava por meus pais mortos. Ele ficou ao meu lado quando tentei acabar com minha própria vida, sussurrando palavras de esperança e um futuro. Ele me deu um anel lindo, não de casamento, mas como um símbolo de sua "proteção eterna".

Cada ato de salvação era apenas mais um elo na corrente que me mantinha cativa.

Minha mão foi para o meu estômago, para a pequena vida secreta dentro de mim. A surpresa que eu estava tão animada para compartilhar. Agora, parecia a piada final e mais cruel de todas.

Eles tinham tirado tudo de mim. Minha família, minha segurança, minha sanidade. Eles não levariam esta criança.

Peguei meu celular, meus dedos tremendo tanto que mal conseguia discar. Liguei para meu orientador acadêmico, o Professor Almeida.

"Professor", sussurrei, minha voz falhando. "Preciso da sua ajuda. O programa de intercâmbio... ainda é possível eu ir?"

"Alice? O que aconteceu?", sua voz estava cheia de preocupação. "Sim, claro. Podemos resolver isso. Você está bem?"

"Eu preciso ir embora", eu disse, as palavras saindo em uma torrente. "Preciso ir embora agora."

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