
Destino Crusaders
Capítulo 3
Regressei ao hotel depois daquele encontro inesperado com Alejandro, sentindo-me mais confusa do que nunca. A conversa me deixou com um vazio, mas eu sabia que precisava seguir com a minha vida. Apelei à ideia de que o trabalho me ajudaria a clarear a mente.
Ao chegar, uma das minhas colegas me parou na entrada.
-Sofía, você precisa preparar a suíte imperial para o novo presidente. Ele acabou de chegar – me informou rapidamente.
Assenti sem dizer nada, o nó no meu estômago crescendo. Dirigi-me à suíte imperial, tentando não pensar em como tudo parecia estranho. Ao chegar, coloquei as mãos à obra, tentando me concentrar na minha tarefa. O quarto estava perfeito, e eu sabia que tudo precisava estar impecável.
Terminei de arrumar a cama e fui para o banheiro limpar. Estava concentrada quando, de repente, a porta se abriu de golpe. O susto foi tão grande que, por reflexo, tapei os olhos.
-Desculpe! – disse rapidamente, com o coração a mil por hora.
Fiquei parada, com as mãos ainda sobre os olhos, e a única coisa que consegui ver foi um peito nu diante de mim. Minha mente ficou nublada imediatamente. **Quem entra assim?**
-Sofía? – disse uma voz que reconheci na hora.
Tirei lentamente as mãos dos meus olhos e, quando levantei a cabeça, o vi. Era Alejandro. Meu coração parou por um segundo. **O que ele estava fazendo aqui? E sem camisa?**
Ficamos nos olhando, ambos surpresos. Não conseguia processar o que estava acontecendo. Alejandro me observava como se também estivesse tentando entender a situação.
-Você é... o novo presidente? – perguntei em voz baixa, ainda sem acreditar.
-Sim – respondeu com uma mistura de surpresa e um sorriso desconfortável. – Cheguei há pouco, mas parece que as notícias não chegaram a tempo.
Não consegui falar, o choque de encontrá-lo novamente, naquela situação, me deixara sem palavras. Olhei para baixo, sentindo minhas bochechas queimarem.
-Desculpe por... isso – murmurou ele, apontando para seu peito nu. – Não sabia que havia alguém aqui.
Assenti, ainda sem palavras, e girei para sair do banheiro o mais rápido possível.
Tentei sair do banheiro o mais rápido que pude, mas antes que pudesse dar mais um passo, senti a mão de Alejandro segurando suavemente meu braço.
-Espera, Sofía – disse em voz baixa, quase como um pedido.
Parei, ainda com o olhar fixo no chão, sem me atrever a vê-lo. O calor da mão dele em minha pele me fazia tremer, não de medo, mas de nervosismo. Tudo isso era demais, e o último que eu precisava era um interrogatório da parte dele.
-Desde quando você trabalha aqui? – perguntou, e seu tom me forçou a levantar o olhar.
Olhei para ele por um segundo, sua expressão era sincera, mas havia algo em seus olhos que me incomodava, como se estivesse tentando decifrar algo que não entendia.
-Faz alguns anos – respondi, evitando detalhes. Sabia que, conhecendo-o, não o deixaria assim.
-Não me leve a mal, mas... sempre pensei que você teria conseguido terminar a universidade. O que aconteceu, Sofía? – A pergunta era direta, mas não soava como uma crítica, e sim como uma verdadeira curiosidade.
Mordi o lábio, tentando decidir o quanto contar. Não queria parecer fraca nem me fazer de vítima, mas também não podia ignorar o que havia acontecido.
-As coisas não foram fáceis desde que você foi embora – comecei, minha voz um pouco mais firme do que esperava. – Tive que deixar a universidade para ajudar minha família. Minha mãe adoeceu e, depois... bem, tudo desmoronou.
Alejandro ficou em silêncio, processando minhas palavras. Via-o franzindo a testa, como se não pudesse acreditar no que estava ouvindo.
-Sofía, eu não sabia... – começou a dizer, mas o interrompi.
-Claro que você não sabia. Paramos de nos escrever, as cartas se tornaram menos frequentes e, de repente... tudo mudou. Você foi viver sua vida, a perseguir seus sonhos. E eu... – Fiz uma pausa, sentindo que a emoção me dominava. – Eu tive que esquecer os meus.
Me arrependi de ter dito isso assim que as palavras saíram da minha boca, mas não podia parar agora. Alejandro me olhava, completamente em silêncio, seu olhar fixo em mim.
-Sofía, não sabia que você estava passando por tudo isso. Se eu soubesse...
-O que você teria feito? – o interrompi, desta vez com mais força. Sabia que não deveria ser tão dura, mas estava farta de fingir que tudo estava bem. – Você teria deixado tudo para vir me ajudar? Não, Alejandro. Você tinha seus próprios sonhos, e não o culpo por isso. Mas eu... eu tive que enfrentar a minha realidade.
Ele olhou para baixo, claramente afetado pelas minhas palavras. O ar entre nós estava tenso, carregado de uma verdade que ambos havíamos evitado por muito tempo.
-Sofía, não era minha intenção... – começou, mas novamente não o deixei terminar.
-Sei. Você não precisa se explicar – disse, suavizando meu tom. – Só... só que as coisas não saíram como eu esperava. Nem para você, nem para mim.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, e pude sentir a incomodidade entre nós. Nunca havia imaginado ter essa conversa, e muito menos dessa forma. Ele, sem camisa, eu com um pano de limpeza na mão.
-Ainda assim – disse, rompendo o silêncio –, estou impressionado. Você fez muito mais do que eu teria imaginado. Tem sido forte.
Essas palavras me surpreenderam. Demorou um segundo para eu processar o que ele estava dizendo, mas não pude evitar sentir uma pequena chama de orgulho.
-Não foi fácil – admiti, sentindo-me um pouco mais aberta –, mas fiz o que tinha que fazer.
Alejandro assentiu lentamente, como se entendesse, mesmo que não o fizesse completamente.
-Deveríamos conversar mais, Sofía – disse finalmente. – Não quero que as coisas fiquem assim entre nós.
Não sabia como responder. Tudo que eu havia reprimido durante anos estava vindo à tona, mas não tinha certeza se queria enfrentar tudo isso exatamente agora.
-Talvez – murmurei, sem me comprometer com nada.
Soltei seu abraço e dei um passo para trás, sentindo a distância física entre nós, que não era nada comparada à emocional.
-Eu deveria terminar meu trabalho – disse, tentando recuperar um pouco de controle na situação. – E você deveria... colocar uma camisa.
Alejandro soltou uma pequena risada, aquela que costumava me desconcertar na nossa juventude, e por um instante, o ambiente desconfortável se dissipou um pouco.
-Você tem razão – respondeu, sorrindo. – Vou voltar a me vestir. Mas essa conversa ainda não terminou, Sofía.
Olhei para ele por um segundo antes de voltar ao banheiro. Ele se virou, caminhando em direção ao quarto, e quando fechei a porta, sentei no chão.
Por que isso tinha que acontecer comigo?
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