
Desejo Inesperado: A Aluna que quebrou todas as Regras
Capítulo 3
O apartamento de Pietro é o reflexo milimétrico de seu dono: linhas retas, tons de cinza profundo e vinho escuro, sofás de couro sem uma única ruga fora de lugar. Prateleiras altas exibem legiões de tratados de Direito Penal, entrecortadas por raras primeiras edições de clássicos da literatura.
No centro da sala, uma mesa de madeira maciça sustenta o notebook aberto, cercado de pastas e planilhas coloridas que Pietro preenche à mão: notas, matrículas, pautas de semestre, tudo catalogado como um arquivo confidencial.
Vestindo camisa branca com as mangas dobradas até a metade do antebraço e óculos de leitura, Pietro digita o último código no campo de notas quando ouve o tilintar de gelo num copo de cristal. Vira o rosto apenas o suficiente para confirmar que Paulo Sipriano, moreno, olhos castanhos, camisa azul-clara aberta nos dois primeiros botões, estava recostado de pernas cruzadas no sofá, sorrindo com um copo de whisky que reflete as luzes baixas da sala.
- Você precisa transar, Pietro.
Pietro inspira sem tirar os olhos da planilha.
- Paulo, eu transo seu idiota, só não tenho o seu dom de não manter o pau dentro das calças.
- Que bom que reconhece meu dom - brincou o moreno, gargalhando. - Mas, fala sério... você tá precisando de uma foda selvagem, de preferencia com uma garota mais nova.
Pietro revira os olhos e bufa.
Paulo gargalha, batucando o copo contra o joelho e continua:
- Garotas novas, lindas, ousadas... - ele deixa a frase pairar como promessa pecaminosa. - É disso que você precisa, meu caro. A boate nova, Pulse, abriu hoje a três quadras do campus. Eu juro que vi de relance umas estudantes que fariam o Papa repensar o celibato.
Pietro tira os óculos devagar e passa as mãos pelos cabelos, os assanhando. Um típico gesto que faz quando está nervoso ou irritado.
- Não vou dormir com uma aluna, Alessandro. Você sabe que eu não suporto esse tipo de coisa.
- Cara, as suas alunas só faltam arrancar a roupa na sua frente. - Paulo ergue as sobrancelhas. - Aquela loirinha... como é o nome dela mesmo?
- Jessica. - o nome saiu num suspiro exausto.
- Isso! Porra, Pietro, ela apareceu sem calcinha na última aula. Eu estava passando no corredor, vi a cena: ela cruzando e descruzando as pernas como se apresentasse um trabalho de anatomia! Quase precisei de óculos escuros.
Os olhos de Pietro endurecem.
- Não adianta. Eu não durmo com garotas mais novas e muito menos com alunas.
Paulo se inclinou, apoiando o cotovelo no encosto do sofá, estudando o amigo como um experimento raro.
- Então você prefere atualizar planilhas numa sexta-feira, ouvindo o tique-taque do seu relógio Bennet, em vez de ouvir música alta e gemidos verdadeiros? - Ele sorri torto. - Integridade profissional é bonita... mas não aquece a cama.
Pietro abre uma gaveta, ignorando o comentário do amigo, pega outra pasta e começa a folhear papéis só para se ocupar.
- Minha integridade mantém meu cargo. - Sua voz traiu um leve tremor, quase imperceptível.
- Seu cargo vai te levar pra cama hoje? - Paulo dá um gole no whisky e balança a cabeça. - Você vive como se tivesse oitenta anos. Uma noite, Pietro. Uma noite não vai manchar a sua reputação perfeita. Vamos lá, cara?!
O silêncio que segue é grosso como fumaça. Pietro fita a tela do computador, mas vê apenas a sugestão tentadora do amigo e, lá no fundo, aquele brilho desconfortável de quem sabe que toda regra pode ruir se o desejo certo bater à porta.
Paulo levanta-se, ajeita a gola da camisa e ergue o copo num brinde preguiçoso.
- Pietro, pelo amor de Deus, você vai virar monge. Sai dessa clausura, cara! Vamos pra Pulse. É a inauguração, as mulheres estão um espetáculo! - disse o amigo, recostado no batente da porta, camisa meio desabotoada e sorriso de quem já tinha bebido o suficiente para perder a noção do ridículo.
Ele passa a mão pelo cabelo, exasperado consigo mesmo, antes de murmurar ao vazio:
- Uma noite não muda nada... muda?
- Sabe o que você precisa? Uma mulher que te tire do eixo. Daquelas que fazem você esquecer a porra da planilha.
- Não preciso de distrações. Preciso de foco.
- Ah, claro. Aulas, código penal, moralidade acima do prazer. - Paulo riu alto. - Mas vamos fazer assim: uma cerveja. Só uma.
Você me acompanha, e depois volta pro seu mosteiro particular.
Pietro hesitou por um instante longo. Depois, resmungou:
- Só uma cerveja.
Paulo ergueu os braços como se comemorasse um gol.
- Eu sabia! Professor Ferrara vai sair da caverna! Vou te dar vinte minutos pra ficar apresentável, porque se você aparecer com essa
camisa abotoada até o pescoço, vão te confundir com o segurança do lugar.
Pietro lançou-lhe um olhar fulminante, mas se levantou.
No quarto, trocou a camisa por uma preta de algodão de corte justo, abriu dois botões e usou um blazer leve por cima. Ao se olhar no espelho, suspirou. Aquilo não era ele, mas, por algum motivo, estava indo.
Pulse era exatamente o que Paulo prometera: Um antro de sedução moderna. Luzes coloridas varriam o ambiente ao ritmo da batida eletrônica que fazia o chão vibrar. O bar exalava sofisticação com bancos de couro e coquetéis servidos como obras de arte líquidas.
- Eu amo esse lugar - murmurou Paulo, já cumprimentando duas mulheres no caminho.
Pietro manteve a postura ereta, os olhos varrendo o ambiente com uma mistura de desprezo e fascínio contido. Aquilo estava longe de ser seu habitat natural. Estava prestes a pedir a tal "uma cerveja" e planejar a retirada estratégica, quando algo o fez congelar.
Um olhar...
Do outro lado da pista, entre reflexos de luz vermelha e o vaivém dos corpos, uma jovem de vestido preto colado, com um decote ousado e olhos intensos, dançava.
O coração de Pietro deu um salto involuntário. Sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha e, por um instante, o ar ao seu redor pareceu rarefeito. Ele desviou o olhar, tentando se recompor. Mas já era tarde, algo dentro dele tinha mudado.
Talvez Paulo estivesse certo. Talvez fosse hora de tirar o paletó da moralidade e... apenas viver.
Ou talvez... tudo aquilo fosse um erro.
E se a regra mais rígida do professor Ferrara estiver prestes a se quebrar por completo?
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