
Da zombaria à majestade: sua ascensão após o divórcio
Capítulo 2
Jase ficou completamente imóvel.
Rena tinha um pai?
Ele se lembrava vagamente de que, quando se casaram, ela havia mencionado casualmente que seu pai estava num país estrangeiro, em algum lugar remoto e de difícil acesso.
No entanto, nos últimos cinco anos, seu pai nunca apareceu, ligou ou enviou uma única mensagem.
Para Jase, durante esses cinco anos, o mundo de Rena parecia girar inteiramente em torno dele, a ponto de ele ter se esquecido de que ela tinha uma família.
Então o pai que sumiu por anos agora estava de volta?
Num instante, Jase imaginou um homem de meia-idade, mal-vestido e calculista, com olhos gananciosos e a aparência desgastada de alguém que havia chegado ao fundo do poço.
Que tipo de pai respeitável abandonaria a própria filha na casa de outra pessoa por cinco anos e nunca entrou em contato? Provavelmente, o pai dela descobriu de alguma forma que ele agora era o presidente bilionário do Grupo Bailey e cogitava uma parte da sua fortuna.
Nada o deixava mais enojado do que oportunistas que tentavam se apegar a ele por status e dinheiro.
No entanto, o olhar frio de Rena era tão penetrante e distante que, por algum motivo, o coração dele deu um salto repentino e inquietante.
Após uma breve pausa, Jase acenou com a cabeça relutante e rígida. "Tudo bem. Amanhã às três da tarde. Vou te buscar."
Sem sequer olhar para o marido, Rena se virou e foi embora.
...
No dia seguinte, às 15:05, Rena estava sozinha na esquina da rua, com os olhos fixos na tela do seu celular.
Quando deu 15:15, seu celular finalmente acendeu com uma ligação.
"Rena." A voz tensa de Jase ecoou do outro lado da linha. "Não poderei buscar seu pai hoje."
"Por quê?"
"Elyse acabou de receber notícias sobre um acidente de carro. Ela tem que ir para o hospital imediatamente e ajudar no atendimento de emergência. Vou buscar seu pai outro dia. Por enquanto, você terá que ir buscá-lo sozinho, está bem?"
Ao fundo, a voz trêmula de Elyse suplicava: "Jase, dirija mais rápido... eles estão me esperando para salvá-los..."
De repente, a tensão no tom dele se transformou num calor suave. "Calma. Estou aqui."
Com o celular na mão, Rena ficou parada na calçada lotada enquanto o trânsito passava.
Do outro lado da rua, um Maybach preto estava estacionado no meio-fio.
Perto dele, Jase se abaixava para tirar Elyse de dentro.
Aninhada em seus braços, Elyse parecia totalmente calma, sem qualquer sinal de urgência.
Acidente de carro?
Salvar vidas?
Era apenas uma encenação bem ensaiada para fazê-la parecer uma idiota naquele dia importante.
Em silêncio, Rena observou o Maybach preto percorrer a rua e desaparecer.
Tudo o que estava preso no seu peito durante todos esses anos parecia ter se soltado de uma só vez, restando apenas uma dor vazia, tão entorpecida e vaga que até o vento que passava por ela não trazia nenhum frio.
"Jase", ela murmurou para a linha morta, com a voz fraca e firme, "terminamos."
Sem hesitar, ela se virou, abriu a porta do carro, deu partida no motor e pisou fundo no acelerador.
...
Quando Rena chegou à Mansão do Céu, uma faixa preta com desenhos dourados estava pendurada na entrada — o emblema da família Shaw, que todos os poderosos do submundo de Qremvale reconheciam à primeira vista.
Em qualquer outro dia, apenas veículos autorizados eram permitidos, e todos os outros eram barrados sem questionamentos.
Desta vez, porém, os guardas deram uma olhada na placa dela e deixaram o veículo passar sem dizer uma palavra, como se não tivessem visto nada.
Com um movimento firme, a porta do carro se abriu e Rena saiu, sua presença carregando um peso silencioso e imponente.
À distância, duas fileiras de homens de preto estavam postados — eram mais de cem homens, uma muralha negra que exalava perigo, com cada um deles armado com uma pistola.
No instante em que o salto de Rena tocou o chão, todos os cem homens se moveram como um só, se curvando profundamente.
"Bem-vinda à casa, senhorita Shaw!"
Com um rangido metálico, os imponentes portões de ferro se abriram.
Diante das vastas janelas do chão ao teto, uma figura estava de costas para a multidão, imóvel como uma sombra esculpida em pedra.
Ao ouvir o movimento atrás de si, ele se virou lentamente. Então, ele avançou um passo de cada vez, enquanto os seguranças atrás dele paravam a vários passos de distância, sem que nenhum deles ousasse se aproximar. "Você emagreceu."
Quando parou diante da filha, Archie Shaw ergueu a mão como se quisesse tocar o rosto dela, mas ela ficou pairando no ar, congelada, como se ele estivesse com medo de que ela pudesse se quebrar sob seus dedos. "Rena, cheguei em casa!"
Nesse momento fugaz, o líder da família Shaw — o homem que poderia fazer todo o submundo de Qremvale tremer com uma única palavra — não conseguiu esconder a dor e o remorso estampados no seu rosto.
Diante desse homem que não via há cinco anos, uma emoção repentina subiu ao nariz de Rena.
"Pai", ela o chamou.
Um pedido de desculpas rouco escapou de Archie enquanto ele a puxava para um abraço forte e protetor. "Sinto muito, querida. Eu deveria ter voltado antes."
Pouco a pouco, a rigidez nas costas de Rena cedeu nos braços dele.
Nos últimos cinco anos, ela quase se convenceu de que nunca mais veria seu pai.
"Pai...", ela murmurou.
Archie segurou o rosto da filha com as duas mãos, e exigiu num tom baixo e tenso: "Me diga quem te machucou assim. Foi aquele homem? Você não precisa ter medo mais. Estou aqui agora. O Grupo Bailey não é nada. Mesmo que eu tenha que destruir Qremvale pedaço por pedaço, ainda serei eu quem estará ao seu lado."
Uma breve hesitação surgiu no rosto de Rena antes de ela perguntar: "E minha mãe?"
Ao ouvir isso, a mão de Archie parou no ar, e o brilho aguçado e letal nos seus olhos se apagou instantaneamente, substituído por uma tristeza vazia e dolorosa que era profunda demais.
Após um momento de silêncio, ele enfiou a mão no casaco e tirou uma foto antiga, cujas bordas estavam levemente amareladas pelo tempo, a colocando na mão dela.
Na foto, os três estavam juntos, congelados num passado mais feliz.
Sua mãe usava um jaleco branco impecável, com uma expressão suave e calorosa, segurando um relatório de pesquisa nas mãos enquanto sorria com um orgulho silencioso.
"Sua mãe nunca nos abandonou. Naquela época, quando a família estava se desintegrando por causa do poder, os membros secundários cobiçaram a fórmula genética que ela carregava porque queriam o controle da família. Ela desapareceu de propósito, afastando os assassinos para que eles não viessem atrás de nós."
Os dedos de Rena apertaram a foto, amassando a borda, e só então entendeu por que Clara havia desaparecido — foi para mantê-los seguros.
O olhar de Archie se intensificou, ficando frio e impiedoso num instante. "Não voltei por cinco anos porque havia coisas que eu precisava resolver em silêncio. Cada lixo que destruiu nossa família já foi eliminado. Desta vez, vou trazer sua mãe para casa comigo."
Seu olhar se fixou em Rena, carregado de uma proteção feroz. "Rena, venha para casa comigo. Nossas portas estarão sempre abertas para você. E quem ousar te fazer sofrer... será eliminado da face deste mundo."
O silêncio se estendeu entre eles antes de Rena balançar a cabeça lentamente. "Pai, quero fazer isso sozinha."
Ela pretendia retirar cada pedacinho de amor que havia desperdiçado durante esses cinco anos perdidos com suas próprias mãos.
Archie observou a filha por um momento, mas preferiu não discutir. "Vá, então. Só não se esqueça de que, não importa o que aconteça, esta família estará sempre ao seu lado."
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