
Da zombaria à majestade: sua ascensão após o divórcio
Capítulo 3
Enquanto isso, na casa da família Bailey, Cassie Bailey, irmã mais nova de Jase, falou com um sorriso de escárnio: "Mãe, Elyse tem elegância e prestígio, e está fazendo seu doutorado. Já Rena, é insuportavelmente chata. Basta olhar para ela que já perco a vontade de comer."
Ao lado, Maggie Bailey, mãe de Jase, respondeu com uma voz fria e distante: "Pelo que sei, uma mulher como ela pertence à cozinha. Ela foi encontrar aquele pai patético dela hoje, não foi?"
Com uma risada doce e zombeteira, Cassie se recostou e disse: "Ouvi dizer que ele acabou de voltar do exterior. Ele provavelmente não conseguiu continuar sobrevivendo com trabalhos duvidosos em algum lugar esquecido por Deus, então agora voltou rastejando para depender da filha."
Jase apenas franziu as sobrancelhas, como se não houvesse nada de errado em uma única palavra que elas disseram.
Nesse momento, Rena abriu a porta e entrou.
No instante em que Maggie a viu, o desdém no seu rosto se manifestou sem o menor esforço para escondê-lo.
"Ora, ora", ela comentou com os olhos estreitos. "Olhe só quem finalmente decidiu voltar. Por que está parada aí? Vá para a cozinha e prepare o jantar."
Sem responder, Rena manteinha seu rosto impassível e foi direto para as escadas.
"Ei!", Cassie gritou. "Que merda é essa? Minha mãe está falando com você. Por acaso é surda? Não venha com essa atitude mal educada! Você foi ver aquele seu pai inútil e agora, do nada, tem a coragem de se fazer de durona?"
No meio do caminho, Rena parou e encarou Cassie com um olhar gélido, bloqueando o caminho. "Saia da minha frente."
Pega de surpresa, Cassie recuou instintivamente, mas se enrijeceu de humilhação no segundo seguinte. "Está me encarando assim? Pelo que sei, esta casa é minha. Você está vivendo às custas do meu irmão, comendo debaixo do nosso teto. Então qual é o problema de você cozinhar?"
Um sorriso agudo e zombeteiro surgiu nos lábios de Rena enquanto seus olhos percorriam a sala. "Sua casa?"
Anos atrás, quando eles estavam desesperados por um lugar para morar, Jase havia acabado de sair da favela. Foi ela quem os levou para uma das propriedades da família Costa.
Como queria poupar o frágil orgulho dele, ela até mentiu, dizendo que a casa pertencia a um dos seus parentes e que eles poderiam ficar ali por enquanto.
Em voz baixa, Rena soltou um suspiro baixo e arrepiante. "Jase, por que não esclarece isso para elas? Esta casa pertence a você mesmo?"
A cor se esvaiu do rosto de Jase imediatamente quando ele respondeu: "Rena! Que merda está dizendo?"
"Merda?", ela repetiu, o encarando como se estivesse olhando para um homem que nunca conheceu de verdade. "Então por que não pode dizer isso em voz alta?"
"Já chega!", Jase rosnou, com um aviso ameaçador brilhando nos seus olhos. "Tudo bem, admito. Não fui buscar seu pai. Essa parte foi culpa minha, e peço desculpas se é isso que você quer. Mas pare com essas frescuras, pois não quero escândalo. Se estiver cansada, vá para o quarto e descanse um pouco."
"Não estou cansada." Atravessando a sala, Rena parou ao lado da mesa de centro, com uma expressão fria e firme. "Só quero que todos aqui entendam uma coisa."
Já furiosa com a mudança de atitude de Rena, Maggie se levantou tão abruptamente que as almofadas do sofá se moveram atrás dela. "Isso é um absurdo! Sua vadiazinha nojenta, como ousa falar com Jase desse jeito? Não é à toa que sua mãe acabou fugindo com um homem qualquer."
Diante dessas palavras, o olhar de Rena se tornou letal. "O que disse?"
"Eu disse algo errado?", Maggie retrucou, colocando as mãos na cintura enquanto o veneno escorria de cada palavra. "As pessoas podem dizer que ela desapareceu o quanto quiserem, mas todos sabem que ela fugiu com algum homem! Que vadia sem vergonha! E olhe para você, chegando em casa tão tarde. Você provavelmente estava se divertindo com algum homem também, assim como sua mãe."
"Cale a boca!" Com um estrondo violento, a mão de Rena bateu na mesa, fazendo todas as xícaras sobre ela tremerem.
Não havia como ela ficar parada e permitir que alguém desrespeitasse sua mãe — o único limite que ninguém tinha permissão para ultrapassar!
Quem ousasse fazer isso seria esmagado!
Por um segundo, Maggie foi abalada pela força explosiva na voz dela, mas o choque logo se transformou em uma raiva mais intensa e cruel. "Jase! Olha essa sua esposa preciosa!"
Com uma carranca profunda estampada no rosto, Jase perguntou: "Por que está gritando com ela? É com a minha mãe que você está falando! Ela é mais velha e tem que cuidar da saúde. Ela só disse isso sem pensar. Você precisava mesmo explodir por causa de algo assim? Peça desculpas a ela agora mesmo!"
Pedir desculpas?
Depois de Maggie ter chamado sua mãe de vadia?
Enquanto Rena olhava para o rosto que amou por cinco longos anos, uma dor gélida invadiu seu peito. Pela primeira vez, a dúvida a consumiu, e ela se perguntou se o homem que quase morreu para salvá-la era realmente Jase.
Com um passo cauteloso, Rena recuou e aumentou a distância entre eles. "Jase, vou te perguntar isso pela última vez — você acha que minha mãe é o tipo de mulher que elas estão chamando? E em todos esses anos, nunca passou pela sua cabeça me ajudar a procurá-la?"
Ao invés de responder, Jase olhou para Rena, depois desviou os olhos para Maggie e Cassie, que o encaravam com indignação.
Ciente de que Maggie transformaria essa briga em uma cena ainda mais feia se não a apoiasse, Jase decidiu ignorar Rena, já que não importava o que acontecesse, ela não conseguiria deixá-lo, e no fim, bastaria algumas palavras carinhosas para acalmá-la.
Incapaz de encarar o fogo nos olhos da esposa, Jase baixou o olhar e optou não dizer nada.
Mais uma vez, o silêncio se instalou entre eles.
Sempre que a família Carvalho a pisoteava, era assim que ele respondia — com o mesmo silêncio covarde.
De repente, uma risada baixa, frágil e quase zombeteira saiu da garganta de Rena.
Então a verdade estava bem ali, à vista de todos, não estava?
Durante todos esses anos, sempre que ela falava em procurar sua mãe, Jase evitava a conversa ou insinuava sutilmente que ela deveria desistir e parar de desperdiçar sua energia, o que significava que, no fundo, ele também acreditava que Clara era realmente o tipo de mulher sem vergonha que eles a acusavam de ser.
"Ótimo!", Rena murmurou, com a voz gélida e firme. "Jase, você se esqueceu de que quando o fluxo de caixa da sua empresa caiu há três anos, fui eu quem te ajudou a conseguir a primeira rodada de financiamento? Você realmente achou que foi sorte? Engoli meu orgulho e implorei ao meu ex-mentor para te apresentar àqueles investidores! E quando as úlceras estomacais da sua mãe pioraram tanto que os médicos disseram que ela precisava de cirurgia, fui eu quem sobreviveu com apenas três horas de sono todos dias, preparando refeições medicinais para a recuperação dela?"
"Isso foi há muito tempo e...", Jase tentou retrucar.
Interrompendo-o friamente, Rena encarou Cassie com um olhar severo. "E você também, Cassie! Você realmente acha que a família Bailey foi convidada para os círculos de elite de Qremvale porque vocês tinham dinheiro? Se eu não tivesse escolhido seus vestidos e te informado sobre os gostos de todos com antecedência, você nem teria conseguido entrar. Dediquei tudo o que tinha à família Bailey e tratei cada um de vocês como se fossem meus. E como vocês me retribuíram?"
"Já chega!", Maggie gritou, avançando em direção a Rena com os olhos em chamas enquanto erguia a mão em direção ao rosto dela. "Sua pirralha ingrata, como ousa agir assim? Se não tivéssemos te acolhido, você já teria morrido nas ruas! Se você não estivesse por perto, eu já teria me recuperado desses problemas estomacais há anos! Eu deveria te espancar até a morte e acabar com você!"
A mão cortou o ar a segundos de atingir o rosto de Rena — que se desviou no último instante, mas viu Maggie arrebatar-lhe a sacola de papel pardo dos braços. "Que tipo de lixo você está carregando? Me entregue!"
Nesse momento, a foto da família dela caiu, flutuando impotente até o chão.
Sem sequer olhar para ela, Maggie se abaixou e a rasgou em pedaços.
"Lixo revoltante!", ela cuspiu. "Assim como sua mãe sem vergonha! Você não deveria colocar os pés nesta casa novamente!"
Empurrando Maggie para longe, Rena se abaixou para pegar a foto rasgada e saiu correndo com as mãos trêmulas, desesperada para salvá-la.
Jase não teve tempo de impedir nada, e tudo o que pôde fazer foi observar Rena se soltar do seu aperto e desaparecer de vista.
Você pode gostar





