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Capa do romance Confidentes

Confidentes

Após a morte da esposa, Anthony Donovan sucumbiu ao alcoolismo e à ruína. Seis anos depois, já recuperado, ele se apaixona por Sarah Davis, sua terapeuta. Sarah tenta resistir à conexão, enquanto lida com o próprio passado. Embora ela se torne o motivo de uma nova recaída, Sarah também é a força que o impulsiona a lutar. O que começa como amizade evolui para um laço inabalável e profundo, transformando a dor em um amor implacável e resiliente.
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Capítulo 2

Anthony

Richard parecia realmente cansado. Ele estava suado, e eu me perguntava o porquê de ele estar tão destruído por causa de algumas flexões e polichinelos no intervalo da nossa corrida matinal. Adotamos o hábito de correr todos os dias porque Rich implicava comigo. " Você nunca sai de casa" insistia, ou " Trepar não é exercício". Por que justo meu irmão tinha que bancar o médico atencioso comigo?

Bom, parecia que eu estava inteiro, pelo menos.

Ele dormiu em casa ontem. Veio do terror de Nova York para a calmaria de Connecticut. Sempre vinha me ver nos finais de semana, e ficava aqui por 3 ou 4 dias antes de voltar para Nova York e esquecer que eu existo — por 4 ou 3 dias. Sempre corríamos todas as manhãs antes das 8. No começo era difícil levantar cedo e acompanhar o pique de Rich, mas depois de um tempo, eu quem assumi a sua posição.

— Mais dois minutos — eu disse, correndo sem sair do lugar. — Vamos, Rich! — Insisti, e ele me lançou aquele olhar que dizia " me deixa em paz, porra". Ele ofegava como se tivesse acabado de carregar três toneladas. O tom dourado natural de sua pele estava pálido e o suor brilhava à luz do sol. Os meus fones de ouvido quicavam em meu peito, a música cochichava em espaços de tempo. Ele apoiou as mãos nos joelhos, praticamente exausto. — Fracote. — Era muito bom irritá-lo para variar, e deu certo, porque ele revirou os olhos.

— Estou cansado. — Admitiu. — Mas não sou fracote.

Ele nunca dava o braço a torcer.

Parei de correr sem sair do lugar. Pus as mãos na cintura e pausei a música no meu IPhone.

O vizinho acenou do outro lado da rua. Eu retribuí com um sorriso. Aposto que se descobrisse que sua esposa adorava ficar de quatro na minha frente não iria se comportar desse jeito — no mínimo. Eu tinha uma boa relação com meus vizinhos, embora não passasse de sorrisos simpáticos ou apertos de mão não muito demorados. Mas aquele cara… eu queria descobrir quanto demoraria para um homem como ele descobrir que sua esposa o traía. Tommy Cavanaugh, o engomadinho que cheirava a grana e poder. Sua esposa me contou uma vez que ele a fez dormir enquanto a chupava.

Sorri de canto.

Tommy cruzou a rua.

Rich pareceu se recompor e me olhou. Ele franziu a testa, como se soubesse que meu sorriso podia significar uma única coisa: eu fiz besteira. De novo.

Eu não tinha culpa se a esposa dele adorava me cavalgar, tinha?

— Tommy! — Eu cumprimentei. Ele sorriu, um sorriso exagerado demais. Colocou a mão na testa para proteger os olhos. — Como vai a Anna? Soube que ela não compareceu à última reunião que Dana fez. — Ele assentiu.

Dana era uma velha bastante amigável que adorava fazer reuniões em sua casa e convidar todas as pessoas do bairro — ou melhor: todas as mulheres. Por algum motivo, Anna não havia ido à última reunião do bairro, o que me fez pensar que provavelmente estava tentando fugir de alguém. Como todos os vizinhos sabiam basicamente da vida uns dos outros, a única saída era ignorar e torcer para que a fofoca não se espalhasse.

Os malditos podem até parecer legais, mas estão esperando o momento certo para que você vire o novo assunto do momento.

— Ela está doente — disse. Não senti firmeza na sua voz. — Parece que estava com dor de barriga e não pôde ir.

Eu não engoli a mentira.

— Ah. — Eu disse. Essa é nova… não sabia que Tommy sabia mentir. Na verdade, não. Ele não sabe. — Que pena. Diz pra ela que desejei melhoras. — Eu pisquei.

Tommy fez que sim com a cabeça.

— Tchau, Tommy! — Eu disse. Ele acenou com a cabeça e voltou a cruzar a rua, dessa vez para sua casa.

— O que fez dessa vez? — Rich disse, me fazendo olhar para ele. — Transou com a Anna Cavanaugh de novo? — O tom de acusação por trás de sua voz era ridiculamente firme.

Era disso que eu estava falando!

Coloquei a mão no peito, como se sua acusação fosse uma ofensa.

— Você sabe que eu nunca faria isso. — Eu disse, mas ele não pareceu acreditar, porque levantou uma sobrancelha. Eu sorri. — Qual é! Foi só uma rapidinha. — Admiti — quer saber de um segredo? Não foi uma rapidinha —, virei e comecei a andar na direção da entrada da minha casa. — Não tenho culpa se ela ama o meu pau.

— Você é tão ridículo. — Ele disse.

Deixei sua voz ser afogada pela música nos fones de ouvido que coloquei em cada orelha. Apertei o play na tela do celular e abri o portão da cerca branca.

***

— Cheguei — gritei e joguei a garrafa e o celular no sofá. Não demorou até George aparecer do outro lado da sala, correndo na minha direção.

— Papai! — Ele gritou. Vestia um pijama azul. A babá, Alice Alguma Coisa, apareceu atrás dele segurando um livro. Quando George chegou mais perto, agarrou minha cintura. — Senti sua falta.

Eram 8 da manhã. Fazia exatamente uma hora e meia que havia saído para correr com Rich. Tecnicamente, ele deveria estar dormindo, mas parece que alguém não fez seu trabalho direito. Olhei sério para Alice, que quando notou meu olhar, encolheu dois centímetros.

— Oi, garotão! — Eu disse, abraçando-o. — Por que está acordado? — George coçou o olho e baguncei seus cabelos castanhos. Ele não respondeu. — George? — Insisti.

— Ele pediu para que eu não dissesse nada, mas… — Alice começou.

— Mas...?

Alice parecia uma daquelas garotas boazinhas pelas quais garotos bonzinhos se apaixonam. A contratei por este motivo, embora não soubesse que sua cara de anjo era disfarce para suas atitudes de demônio. Na última vez que a deixei como babá, flagrei ela transando com o entregador de pizza. Eu quase a chutei para fora de casa, se soubesse que George não iria ficar arrasado; depois de mim, Alice era a coisa que mais amava, porque a primeira era Bonnie, o lagarto traidor. No mês passado, quando ela ficou doente, George chorou por quase uma hora. Aos 9 anos, ele se apegava a tudo e a todos. Infelizmente, não posso me livrar de Alice, mas deixei bem claro que se a flagrasse fazendo alguma coisa inapropriada, iria experimentar o caos que só eu sei causar.

...

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