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Capa do romance Confidentes

Confidentes

Após a morte da esposa, Anthony Donovan sucumbiu ao alcoolismo e à ruína. Seis anos depois, já recuperado, ele se apaixona por Sarah Davis, sua terapeuta. Sarah tenta resistir à conexão, enquanto lida com o próprio passado. Embora ela se torne o motivo de uma nova recaída, Sarah também é a força que o impulsiona a lutar. O que começa como amizade evolui para um laço inabalável e profundo, transformando a dor em um amor implacável e resiliente.
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Capítulo 3

...

Ela pigarreou.

— Fizemos isso para o senhor, Sr. Donovan — ela mostrou o livro que tinha nas mãos e me entregou. George pareceu eufórico de repente. Começou a dar pulinhos. — George me ajudou a fazer. Era para ser uma surpresa.

Eu verifiquei a capa dura, de cor azul feita com papel e decorada com glitter e tecido, tinha escrito: " Anthony Donovan ". Abri, folheei cada página. A fascinação acendeu meus olhos.

Uau.

Era um livro de recortes cheio de fotos, poemas e pequenos textos escritos à mão.

Isso fez meu coração ficar quente.

— Gostou, papai? — George perguntou. Eu olhei para ele e não encontrei palavras.

— Ficou incrível! — Eu consegui dizer. Poucas coisas me faziam calar a boca, e uma delas era George.

Eu era forte quando estava perto dele.

A emoção tomou conta de mim, explodindo do meu coração e se apossando do meu cérebro. Era o melhor sábado da minha vida!

— Obrigado, George. — Eu fiquei de sua altura, beijei seu cabelo e o abracei com força. — Eu também tenho uma surpresa pra você, sabia? — Desviei os olhos para Alice, que nos observava orgulhosa. Sorri para ela.

— É? — Ele perguntou, animado.

Eu assenti, fazendo que sim com a cabeça.

Rich não tinha avisado que vinha para cá, e eu não tive tempo de contar para George que seu tio estava em casa. George o adorava. Ele carregava o quarto lugar da coisa mais amada por George. Perdia para mim e Alice. Bonnie continuava no primeiro lugar — lagarto idiota.

— Seu tio está aqui — George arregalou os olhos, mais que animado. Rich apareceu atrás da porta. Combinamos antes de entrar em casa para fazer uma surpresa para George. Eu tinha certeza que ele ia ficar feliz. — Vai lá abraçar ele! — Não precisei dizer uma segunda vez. O garoto correu na direção do tio. Agachado, olhei os dois por cima do ombro. Alice chamou minha atenção, falando:

— Que bom que ele conseguiu vir. George está muito feliz.

Eu fiz que sim.

Ele estava muito feliz.

Era muito bom saber que desta vez eu conseguia vê-lo ficar tão feliz. Sem dúvida foi um dos momentos que mais me arrependi de ter perdido quando fui internado 6 anos atrás. 3 anos dividido em pequenos períodos de tratamento na reabilitação. 3 anos! Eu sempre voltava aos velhos hábitos quando saía da clínica. E morar em Nova York me incentivava a afundar naquele maldito inferno.

Eu havia perdido muita coisa. Rich me ajudou a melhorar e eu devo tudo a ele. Por conta do que aconteceu na noite do bar, quando um cara quase me estrangulou, a guarda de George passou para Rich. Foi melhor assim. George ainda tem pesadelos com o pai sendo espancado, ainda tem medo de que um dia eu retorne ao que era. Não o culpo. Por conta daquele erro, ferrei com sua mente. Não consigo me perdoar por isso. Mas vê-lo durante os três anos, quando me visitava semanalmente, me fazia ficar forte o suficiente para persistir e querer continuar limpo. Nosso acordo, de que eu sempre estaria cuidando dele e ele de mim, era inquebrável. Enquanto existisse nós, eu teria força.

Rich e George andaram na minha direção, cada um com um sorriso no rosto e falando sobre como Alice havia ajudado George a fazer o livro. O meu livro. Eu sorri. Passaram por mim, e Rich me lançou um olhar, que eu interpretei como: " Você conseguiu". Não tinha outra coisa que me deixasse mais feliz que isso.

Acompanhei os dois.

George o levou para a cozinha, empolgado. E pegou o livro que estava nas minhas mãos. Ele mostrou ao tio, que parecia encantado com o que via. Rich sentou-se na banqueta do balcão da cozinha, e eu os observei. George mostrava todo o conteúdo do livro, animado.

— Eu também quero um pra mim. Aposto que vai ficar melhor que o dele — Rich disse, a voz suave. E olhou para mim, segurando o livro. — Seu pai é um bebezão! — George riu do seu comentário e Alice passou por mim.

— Não escute o Rich, George. Ele está meio confuso ultimamente — eu disse, sentando na banqueta à frente deles. Rich abriu a boca para falar alguma coisa, mas George falou por ele.

— A srta. Montgomery me disse que é muito feio xingar o coleguinha — George disse. — E você não pode xingar o titio, porque ele não xingou você. — Sua voz alterou, passando a um tom mais alto. Ele me olhou com cara feia e cruzou os braços.

Franzi a testa.

— A srta. Montgomery? — A professora de arte de George, a que quase quebrou meu pau por eu ter dito que apenas estava transando com ela por distração. Eu não tinha percebido que tinha sido babaca até ela dizer que fui, mas não ligo. Agora, sempre que ela tem uma oportunidade, me mostra o dedo do meio quando vou levar George para a escola. Fingi não saber de quem ele estava falando. — O que tem ela?

— Ela disse que você é grosseiro e trata mal todo mundo. — Ele disse, com sua indignação de criança de 9 anos. Fez biquinho e juntou as sobrancelhas, assim como… Rachel fazia. — Peça desculpas para o tio Rich.

— Ela disse, foi? — Perguntei. Ele fez que sim com a cabeça.

Claro que disse.

Aquela mulher me odeia.

Mas não odiava quando estava sobre mim.

Olhei para Rich e pedi desculpa por ter sido grosseiro. George amarrou a sua melhor cara de vitória por ter conseguido o que queria, e disse:

— Bom menino.

Eu e Rich rimos. George não ficou para trás e também gargalhou.

Eu não deixava minha vida amorosa — se é que posso chamá-la assim — interferir na minha vida pessoal. Deixei bem claro para todas que dividiam a cama comigo que não queria nada sério. Elas não passavam de uma diversão oportuna. Eu sempre frequentava um bar quando ia para a cidade, o The Mystic Fairy, e conhecia algumas mulheres que procuravam o mesmo que eu. Sexo. Metade da diversão de estar num bar — a bebida —, era limitada a apenas água. Mesmo assim, não perdia tempo. As levava para um apartamento que comprei para quando estivesse na cidade, o que acontecia bastante, visto que eu trabalhava todos os dias da semana. George ficava com a avó ou com Rich quando eu não podia, e até que Christine não rugia mais para mim quando me aproximava dela. Agora tínhamos um motivo para nos aproximar. Por outro lado, não compartilhava do mesmo "bom relacionamento" com seu filho, Scott, que pegava no meu pé. Ele ainda achava que eu não era bom o bastante para cuidar do meu filho.

Para mim, sexo era apenas uma consequência do desejo, e eu admito que já não sentia isso com tanta frequência quanto antigamente, mas nos últimos dois anos, larguei o bom moço que insistia em acreditar que o amor verdadeiro existia e todas aquelas baboseiras que te contam para você não ver que alguém nunca pode ser tão feliz quanto de fato se diz ser e virei o cara que maltratava as pessoas, como a srta. Montgomery disse. Ela estava certa. Eu era um baita babaca, porque não queria que ninguém nunca mais fizesse do meu coração uma coisa feia e sem vida. Você pode escolher ser alguém perfeito porque quer ser, mas a verdade é que essa pessoa não existe. Foda-se. Eu tento chegar perto disso com George. Ele merece que eu seja o oposto do que sou para o resto do mundo. E foda-se a srta. Montgomery. Ela e suas baboseiras!

...

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