Capa do romance Como eu poderia não te desejar?

Como eu poderia não te desejar?

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Morar com minha melhor amiga parecia o plano ideal, mas o irmão dela, Octavio, mudou tudo. Doze anos mais velho e ex-astro do futebol, ele agora é meu treinador na faculdade. Entre a arrogância dele em casa e as regras rígidas no campus, eu deveria me afastar. No entanto, a tensão entre nós é inegável e perigosa. Apesar de proibido, o desejo que arde em cada olhar silencioso me atrai para o homem que eu jamais deveria querer, mas que não consigo ignorar.

Como eu poderia não te desejar? Capítulo 1

O cheiro de papelão úmido e tinta fresca me atingiu assim que atravessei a porta da casa.

Cada passo ecoava sobre o piso de madeira polida, lembrando-me de que eu já não estava no meu antigo apartamento.

A crise havia destruído meus planos, a segurança de ter um lugar próprio onde pudesse respirar, estudar e... existir sem me sentir vigiada.

Agora eu estava aqui, na casa da minha melhor amiga, com algumas malas que pareciam pesar mais do que minha própria tristeza.

- Bem-vinda! - a voz dela soou alegre atrás de mim. Mariana parecia genuinamente feliz em me ver, mas eu não conseguia ignorar a tensão no ar, o contraste entre o entusiasmo dela e a tempestade que se formava na minha cabeça.

- Obrigada... - murmurei, incapaz de sorrir de verdade.

Mariana segurou minha mão e me conduziu pelo corredor, falando da universidade, dos cursos, dos dormitórios que já não existiam e das mudanças que eu teria de enfrentar. Eu a escutava pela metade, mais atenta aos ruídos da casa: as escadas rangendo a cada passo, o tique-taque de um relógio antigo que parecia medir minha ansiedade e um silêncio que me incomodava mais do que eu poderia admitir.

Foi então que o vi.

De pé na cozinha, com as costas eretas, ombros largos e a expressão mais séria que eu já tinha visto, estava Octavio.

O cabelo escuro, perfeitamente penteado, olhos intensos que pareciam me atravessar e aquele maxilar firme que não precisava sorrir para impor respeito.

Podia sentir a aura dele antes mesmo de ouvir sua voz: autoridade, controle, poder.

Doze anos mais velho, ex-jogador de futebol com a carreira interrompida por um acidente e agora treinador na universidade.

E eu, com apenas dezoito anos, de repente me senti pequena diante dele.

- Então esta é a famosa convidada - disse ele, com a voz grave, deixando-me sem reação.

Tentei manter a calma. Sorri fracamente, consciente de que não era suficiente. Ele me observava como se avaliasse cada detalhe: postura, gesto, jeito.

Cada segundo daquele olhar era um julgamento silencioso. E eu me sentia péssima, principalmente porque não queria ser uma obra de caridade na vida deles.

- Oi... - sussurrei, e minha voz saiu ainda menor do que eu imaginava.

- Oi - respondeu ele, sem mover um músculo da expressão rígida. - Sou Octavio. E suponho que você vá morar aqui por um tempo.

Meu coração disparou. A surpresa se misturava a algo mais sombrio, um medo primitivo de não me encaixar, de ser vigiada a cada movimento, de me tornar um fardo.

Não era apenas a presença dele; era a autoridade que emanava, como se um simples erro meu pudesse provocar sua desaprovação.

- Sim... eu sou a Virginia - disse, tentando lembrar que ainda sabia respirar.

Ele arqueou a sobrancelha e deu um passo em minha direção, encurtando a distância sem sequer me olhar diretamente.

Cada centímetro que avançava aumentava minha ansiedade.

O medo e a curiosidade se misturavam: como alguém podia ter tanta presença?

Por que eu sentia um calor estranho no peito apesar da tensão?

- Muito bem - disse finalmente, cruzando os braços. - Há algumas regras nesta casa. Não vou atrapalhar sua estadia, mas preciso que saiba que não tolerarei... comportamentos infantis.

- Comportamentos infantis? - perguntei, indignada, sentindo a raiva borbulhar dentro de mim. Era impossível não reagir diante de alguém que me tratava como uma garotinha incapaz.

- Exato - respondeu ele, imperturbável. O tom não admitia réplica. Era um desafio, um aviso e um lembrete de quem estava no controle ali.

Eu ainda nem tinha tirado as roupas da mala e já queria sair correndo. O primeiro choque de olhares foi elétrico. Um fogo que eu não sabia nomear começava a se formar entre nós, misturando irritação com uma atração que me deixava confusa.

Quis desviar o olhar, fugir daquela intensidade, mas era impossível. Os olhos dele não deixavam espaço para escapar, e cada músculo do meu corpo se enrijecia sob sua avaliação silenciosa.

Mariana, sem notar a corrente que se formava entre nós, riu e disse:

- Virginia, deixa eu te mostrar seu quarto, já está pronto - interrompeu, tentando aliviar a tensão, mas eu mal ouvi suas palavras.

Segui atrás dela, tentando ignorar a presença de Octavio às minhas costas, mas era inútil.

Sempre que eu achava que havia espaço suficiente entre nós, sentia um calor, um mínimo roçar da aura dele, que me lembrava que ele estava ali.

Uma mistura de medo, desejo e desafio se instalava no meu peito.

Meu quarto era espaçoso, com janelas grandes que deixavam entrar luz suficiente para iluminar cada canto.

Tentei organizar minhas coisas, espalhar minhas roupas, meus livros, meu laptop.

Mas nada conseguia me distrair da sensação de que Octavio estava sempre por perto, invisível e dominante, como um guardião severo que não confiava em me deixar ocupar, sem supervisão, um único centímetro de seu território.

De repente, a voz dele ecoou atrás de mim:

- Preciso que você saiba de uma coisa, Virginia.

Girei rápido, encontrando novamente aqueles olhos.

Desta vez havia algo diferente: não apenas julgamento e autoridade, mas também uma curiosidade contida.

Algo inesperado, que me desarmou.

- Sim? - consegui dizer, tentando soar mais firme do que me sentia.

- Serei seu treinador na universidade - afirmou, firme e definitivo.

O mundo pareceu parar. A surpresa me atingiu como um soco.

Não apenas teria de conviver com ele sob o mesmo teto, como também estaria sob sua supervisão no ambiente acadêmico e esportivo.

Um turbilhão de medo, incredulidade e... outra emoção que eu não conseguia nomear me envolveu.

Eu não poderia escapar dele, nunca. O que estava acontecendo?

- Treinador? - murmurei, sentindo minha garganta secar.

- Sim. Você vai estar sob minha supervisão nos treinos e atividades esportivas.

O olhar dele não se suavizou em nenhum momento.

Cada palavra parecia reforçar minha falta de controle.

Meu coração batia forte, enquanto a raiva e a frustração se misturavam com algo mais: uma centelha de desafio, de rebeldia.

Eu não permitiria que alguém me controlasse por completo, nem mesmo ele, ainda que fosse doze anos mais velho, ex-jogador, treinador e dono de uma autoridade quase impossível de questionar.

- Certo... - consegui dizer, tentando soar desafiadora. - Não acho que vou ter problemas em seguir as regras. Não vou te dar dor de cabeça... - menti.

Ele sorriu levemente, um gesto quase imperceptível, mas que fez meu estômago revirar.

Foi um lampejo de mistério, de perigo. Um instante que durou apenas um segundo, mas que acendeu algo dentro de mim.

- Espero que sim - murmurou, virando-se para a porta. - Porque não estou disposto a tolerar mais erros do que o necessário.

O silêncio voltou a cair.

Tentei me concentrar em desempacotar, mas cada som, cada sombra, cada movimento de Octavio me mantinha em alerta.

Eu me sentia presa em um jogo que não podia controlar, e a ansiedade se misturava com uma curiosidade proibida.

Caminhei até a janela, observando como a cidade começava a se iluminar com as luzes da noite.

Respirei fundo, tentando acalmar a tempestade de emoções dentro de mim: medo, surpresa, desafio e um desejo inesperado que eu não podia ignorar.

A presença de Octavio era um ímã, mesmo que eu quisesse resistir.

E enquanto o vento balançava os galhos das árvores lá fora, soube que essa mudança não seria apenas um simples ajuste de residência.

Seria uma batalha emocional diária.

Cada olhar, cada palavra, cada silêncio de Octavio teria consequências que eu ainda não podia imaginar.

Quando finalmente deixei a janela, um arrepio me percorreu: ele não era apenas um irmão mais velho, um treinador ou um ex-jogador.

Era um desafio, um perigo e uma tentação que não deveria existir.

E mesmo assim... eu não conseguia desviar dos sentimentos que surgiam, nem ignorar a eletricidade que queimava entre nós a cada encontro de olhares.

Eu estava destinada a esse homem, ainda que um milagre acontecesse e eu conseguisse pagar uma residência.

Octavio seria meu treinador.

E não haveria como escapar.

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