Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Cinzas no Atlântico: A Promessa Final

Cinzas no Atlântico: A Promessa Final

Após cinco anos na prisão de Linhó, saio com um diagnóstico terminal e o sonho de ser enterrada onde planeei casar. Ao trabalhar como empregada, reencontro Diogo, o ex-amor que me traiu e agora está noivo da minha melhor amiga. Ele torna-me sua assistente para me humilhar, sem saber que assumi a culpa de um crime para o proteger. Entre crueldades e segredos, sacrifico a minha vida para o salvar num acidente, deixando uma verdade que destruirá o seu mundo.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

Os portões da prisão de Linhó abriram-se com um rangido metálico.

Cinco anos.

O ar frio de Sintra atingiu-me o rosto, um ar que já não me pertencia.

Peguei na minha pequena mala, que continha apenas algumas roupas velhas e as cinzas da minha dignidade.

A primeira coisa que fiz não foi procurar um lugar para ficar, mas sim encontrar um café com internet.

Com as minhas poupanças, que mal chegavam para sobreviver, paguei o depósito de um serviço online chamado "Última Viagem". Eles espalhariam as minhas cinzas no mar dos Açores.

No local exato onde eu e o Diogo prometemos casar.

O médico tinha sido claro. Cancro terminal. Restavam-me poucos meses.

Esta era a única coisa que eu queria.

Para pagar o resto, precisava de dinheiro.

Encontrei um anúncio para empregada de mesa numa famosa casa de fados em Alfama. Era um sítio caro, frequentado por gente rica.

A dona, uma senhora de idade com olhos tristes, olhou para os meus papéis de libertação da prisão.

"Não me importo com o teu passado," disse ela. "Só preciso de alguém que trabalhe."

Fui contratada.

Naquela noite, o som do fado enchia o ar. Melancólico, pesado. Como a minha vida.

Enquanto servia uma mesa, ouvi uma voz que me fez gelar o sangue.

"Querida, este anel é perfeito."

Era ele. Diogo Almeida.

O herdeiro do império do Vinho do Porto. O homem que eu amava mais do que a minha própria vida. O homem que me odiava com a mesma intensidade.

Ele não tinha mudado nada. O mesmo cabelo escuro, os mesmos olhos profundos que antes me olhavam com amor, agora olhavam para a mulher ao seu lado com uma ternura que me rasgava por dentro.

Sofia. A minha melhor amiga.

"Diogo, é lindo," disse ela, a voz doce como veneno. "Quando nos casarmos, quero que toda a Lisboa saiba o quanto me amas."

O meu coração parou.

Casamento.

Uma promessa que ele me fez, num penhasco sobre o mar azul dos Açores.

Tínhamos dezassete anos. Estávamos sentados na relva, a olhar para a Lagoa das Sete Cidades.

"Lara, quando formos mais velhos, vamos casar aqui," disse ele, a voz cheia de sonhos. "Só nós, o mar e o céu."

Eu ri e encostei a cabeça no seu ombro. "Prometes?"

"Prometo."

Esse amor, essa promessa, tudo foi destruído no dia em que a mãe dele morreu.

Eu encontrei-a no seu escritório. Uma carta de suicídio na mesa, revelando um caso com um empregado e dívidas de jogo que arruinariam o nome dos Almeida.

Quando o Diogo chegou, o desespero nos seus olhos era algo que eu nunca poderia esquecer.

Para o proteger, para proteger o legado da sua família, fiz a única coisa que podia.

"Fui eu," disse-lhe, a voz fria, vazia. "Discutimos. Eu empurrei-a."

O amor nos olhos dele transformou-se em puro ódio. Ele próprio me entregou à polícia.

Cinco anos na prisão foram o meu castigo. O cancro foi a sentença final do destino.

Agora, o meu único desejo era cumprir a nossa promessa, mesmo que fosse apenas em cinzas.

De volta à casa de fados, a realidade atingiu-me com força.

Os meus olhos encontraram os dele.

O reconhecimento foi instantâneo. O choque, depois a raiva pura.

Ele levantou-se, caminhou na minha direção. Cada passo era uma ameaça.

"O que fazes aqui?", a sua voz era um sussurro perigoso.

Antes que eu pudesse responder, ele pegou num copo de vinho da minha bandeja e entornou-o deliberadamente no chão.

O vinho tinto espalhou-se pelo chão de pedra como sangue.

"Limpa," ordenou ele, alto o suficiente para que todos ouvissem.

Os murmúrios começaram. "É ela, a assassina." "Que descaramento, aparecer aqui."

A humilhação era um fogo que me consumia por dentro, mas o meu rosto permaneceu uma máscara de gelo.

Ajoelhei-me, os joelhos a protestarem na pedra fria, e comecei a limpar a nódoa com um guardanapo.

Senti o seu olhar sobre mim, um misto de ódio e algo mais, algo que me assustava.

Quando terminei, o gerente aproximou-se, o rosto pálido.

"Senhorita, o prejuízo... o chão de pedra manchado... vai custar-lhe todo o seu salário."

"Não se preocupe," a voz de Diogo cortou o ar. Ele virou-se para mim, um sorriso cruel nos lábios. "Ela pode pagar de outra forma."

Ele agarrou-me pelo braço, arrastando-me para um corredor escuro.

"Queres dinheiro, não é?", sibilou ele. "Precisas de dinheiro para sobreviver neste mundo que te despreza."

Ele atirou um maço de notas para o chão, aos meus pés.

"Torna-te a minha assistente pessoal. Fica ao meu lado, 24 horas por dia. Faz tudo o que eu mandar. Eu pago-te."

Era um pretexto. Uma forma de me manter por perto, de me torturar.

Eu sabia-o. E ele sabia que eu sabia.

"Porque farias isso?", perguntei, a voz um fio.

Ele riu, um som sem alegria. "Porque olhar para a tua cara de sofrimento é o único prazer que me resta. Porque ver a assassina da minha mãe a rastejar aos meus pés é a minha vingança."

Eu olhei para o dinheiro no chão. Depois para os seus olhos.

O dinheiro significava os Açores. Significava paz.

Inclinei-me e apanhei as notas.

"Aceito."

Ele sorriu, um sorriso vitorioso. Puxou-me de volta para a sala principal, a tempo de ver Sofia a beijá-lo apaixonadamente.

"Vês? Esta é a tua vida agora. Vais assistir à minha felicidade, todos os dias."

E assim começou o meu sacrifício final.

Você pode gostar

Capa do romance A Segunda Chance de João Pedro
8.3
João Pedro, um arquiteto de sucesso, descobre que seu casamento perfeito com Sofia é uma farsa letal. Após despertar no passado, ele carrega memórias de vinte anos de sofrimento e de uma traição cruel: Sofia e seu amante, Ricardo, planejaram sua morte para herdar sua fortuna. Agora, ciente das mentiras e do plano do iate, ele abandona a ingenuidade. Consumido por uma raiva gelada, João decide virar o jogo contra a esposa e buscar vingança por cada falsidade vivida.
Capa do romance CAMINHOS DO DESTINO.
8.8
Após dezoito anos como uma Murphy, Arabella descobre ser uma falsa herdeira. Rejeitada pela família rica, ela retorna à sua cidade natal, apenas para revelar um segredo impressionante: o local é o reduto mais exclusivo do país. Agora, como legítima sucessora de uma linhagem de elite, ela recebe fortunas, carros de luxo e mimos ilimitados de seus pais biológicos. Entre mimos e poder, Arabella decide se quer estudar ou gerir o império da família.
Capa do romance Ele escolheu a ex, eu escolhi vingança.
8.3
No altar, Giovanni Moretti me humilhou ao me rotular como mulher de seu irmão para reatar com Sofia, sua ex amnésica. Enquanto eu era mantida como refém emocional na mansão, descobri que ele escondia a cura dela para prolongar o romance. Giovanni acredita que pode possuir ambas, mas seu excesso de confiança será sua queda. Decidi transformar a mentira dele em realidade: procurei o temido Dom Domenico Moretti com uma proposta de casamento para selar minha vingança.
Capa do romance Me Traiu? Casei com um Magnata
8.2
Após três anos moldando a reputação de Axel Farrell, Ayla descobre a traição brutal do marido. Além do adultério, o magnata a humilha publicamente, bloqueia suas contas e tenta interná-la à força em um hospício para proteger suas ações. Axel só não contava que o intelecto por trás do seu império era o de Ayla. Após expor o escândalo e destruir o valor da empresa, ela se alia ao maior rival dele em Wall Street para concretizar sua vingança implacável.
Capa do romance Minha Doce Mia - A verdadeira história de um amor de mentira
9.0
Mia e Dylan viviam um conto de fadas até James destruir esse sonho. Após um acidente trágico, Dylan morre e Mia perde a memória enquanto espera um filho. Aproveitando o caos, James assume a identidade do falecido melhor amigo para conquistar a mulher que deseja. Presa em uma farsa cruel, Mia descobre que sua felicidade é uma encenação orquestrada pelo próprio marido. Conheça os segredos sombrios por trás dessa união baseada em mentiras e manipulação.
Capa do romance O amor não tem idade
9.4
Larissa é uma jovem de 17 anos que, apesar de ter enfrentado um trauma profundo, demonstra uma coragem admirável moldada pelos ensinamentos de sua irmã policial. Jonathan, parceiro de Rebeca na corporação, sempre admirou a beleza e o talento da aspirante a detetive, mantendo apenas uma forte amizade. Contudo, ao ser apresentado a Larissa, ele sente uma atração avassaladora e inexplicável que desafia sua lógica e coloca seus sentimentos à prova.