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Capa do romance Cicatrizes da Traição: A Herdeira que Tentaram Apagar

Cicatrizes da Traição: A Herdeira que Tentaram Apagar

Após sumir por dias, a herdeira é capturada em uma blitz por Justino, seu marido e autoridade implacável. Levada à força para casa, ela descobre mensagens suspeitas de uma tal "A". O homem que sempre evitou a paternidade agora tenta engravidá-la para silenciá-la. A verdade é vil: Justino é obcecado pela meia-irmã, Angele. Cansada de ser o disfarce de um incesto emocional, ela expõe o segredo sujo diante da família, declarando guerra contra o tirano.
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Capítulo 2

- Isso é assédio - Kátia disparou, as mãos apertando o volante com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. - Você não pode simplesmente ordenar que ela saia do veículo.

Justino a ignorou. Olhava para a traseira do carro de Kátia.

- Sua lanterna traseira esquerda está queimada, Srta. Sena. Isso é uma infração. O Guarda Meireles vai preencher a autuação. Pode demorar um pouco.

Ele sinalizou para o novato.

- Cuide da motorista. Eu cuido da passageira.

Era uma mentira. Kelly sabia que o carro de Kátia estava em perfeitas condições. Kátia era meticulosa com a manutenção. Mas discutir com um Capitão em uma blitz era uma batalha perdida.

Justino abriu a porta de Kelly. A luz interna inundou a cabine, expondo-a.

- Para fora - disse ele. Duas palavras. Nenhuma inflexão.

Kelly agarrou o cinto de segurança sobre o peito.

- Não.

Justino se curvou mais. O rosto dele estava a centímetros do dela. Ela podia ver a barba por fazer no queixo, as linhas de exaustão ao redor dos olhos.

- Não faça uma cena, Kelly. Não me obrigue a te tirar desse carro na frente da sua amiga e dos meus oficiais.

O calor subiu ao rosto de Kelly. Vergonha. Ele sabia exatamente qual botão apertar. Sabia que ela odiava conflito, odiava ser um espetáculo.

Ela soltou o cinto. O som foi como um tiro no espaço pequeno.

Kelly saiu para o asfalto molhado. Suas pernas pareciam fracas, feitas de água.

Kátia começou a abrir a porta.

- Kelly...

O Guarda Meireles entrou no caminho dela.

- Senhora, por favor, permaneça no veículo.

Justino não esperou. Sua mão se fechou ao redor do braço de Kelly, logo acima do cotovelo. O aperto era firme, beirando o doloroso. Não o suficiente para deixar marca, mas o suficiente para guiar. O suficiente para controlar.

- Me solta - sibilou Kelly, tentando se desvencilhar.

Ele não soltou. Marchou com ela passando pelas viaturas, pelas luzes piscantes, em direção a um SUV preto estacionado nas sombras do acostamento. Não era uma viatura marcada. Era o veículo pessoal dele.

- Eu posso chamar um Uber - disse Kelly, fincando os saltos no chão.

Justino parou. Virou-se para ela, o corpo bloqueando o resto do mundo.

- Você não vai entrar no carro de um estranho a essa hora da noite.

- Não vou entrar no seu também. - Kelly enfiou a mão no bolso do casaco para pegar o celular. Precisava chamar uma carona. Precisava fugir dele.

A mão dele disparou. Arrancou o telefone das mãos dela antes que ela pudesse desbloquear a tela.

- Ei! - Kelly tentou pegar de volta.

Ele deslizou o aparelho para o bolso, bem ao lado da carteira de motorista dela.

- Eu sou seu marido. Estou te levando para casa.

- Estamos separados - disse Kelly, a voz subindo o tom.

- Estamos tendo uma briga - corrigiu ele. - Entra.

Ele abriu a porta do passageiro do SUV preto. Não a empurrou, mas sua presença era uma parede que a impelia para trás até ela cair no banco de couro.

Ele bateu a porta.

Antes que Kelly pudesse alcançar a maçaneta, ouviu o baque das travas centrais sendo acionadas.

Justino deu a volta pela frente do carro. Sua silhueta cortou os feixes dos faróis. Ele se movia com a graça de um predador, calmo e letal.

Subiu no banco do motorista. O interior do carro cheirava a ele. Era avassalador.

Ligou o motor. O V8 rugiu ganhando vida. Saiu para o trânsito, entrando agressivamente, cortando um táxi.

Kelly sentou com os braços cruzados, olhando pela janela. A cidade passava em um borrão de néon e chuva.

Sua mente vagou de volta para três dias atrás. A cozinha. O azulejo frio sob seus pés descalços.

Flashback.

- Não podemos continuar esperando, Justino - Kelly dissera, segurando o folheto da clínica de fertilização. - O Dr. Chagas diz que meus níveis estão caindo. Se quisermos fazer isso, tem que ser agora.

Justino nem tinha levantado os olhos do arquivo.

- Agora não, Kelly. O momento não é certo.

- Nunca é o momento certo! - Kelly gritara, jogando o folheto no balcão. - Já faz cinco anos. Por que você não quer um filho comigo?

Ele olhara para ela então, os olhos frios.

- Porque você não está estável o suficiente agora. Você é emotiva demais.

Então o telefone dele tocara. Ele olhara para a tela, a expressão mudando instantaneamente de aborrecimento para preocupação. Pegara o telefone e caminhara para o escritório, trancando a porta atrás de si.

Fim do Flashback.

Kelly estremeceu. A memória era mais fria do que o ar da noite.

Justino estendeu a mão e ajustou o botão do ar-condicionado. Ar quente explodiu das saídas.

- Você está com frio - disse ele. Não era uma pergunta. Ele notava tudo. Fazia parte do trabalho, parte da natureza dele. Conseguia identificar um suspeito tremendo a cinquenta metros de distância.

- Estou bem - disse Kelly, embora seus dentes estivessem batendo.

- Para com isso - disse ele suavemente. - Para de lutar comigo em tudo.

- Você me sequestrou - disse Kelly.

- Eu te resgatei de uma parada na estrada.

- Você causou a parada.

Ele não negou. Apenas manteve os olhos na estrada.

Kelly olhou para as placas de rua. Estavam indo para o oeste. Para o subúrbio. Para a casa.

- Não vou voltar para lá - disse Kelly, o pânico explodindo novamente. - Me leva de volta para a casa da Kátia.

- Não - disse Justino. - Você já provou seu ponto. Ficou longe por três dias. Me assustou. Agora vamos para casa.

- Te assustei? - Kelly riu, um som amargo. - Você nem ligou.

O maxilar dele se contraiu. Um músculo saltou em sua bochecha.

- Eu sabia onde você estava. Estava te dando espaço. Até hoje à noite.

- O que mudou hoje à noite?

Ele não respondeu. Apenas pisou mais fundo no acelerador.

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