
Cativeiro do Sheik
Capítulo 2
Lorena despertou assustada com o som metálico da porta sendo destrancada.
Por alguns segundos permaneceu imóvel na enorme cama, tentando entender onde estava. O teto alto adornado por detalhes dourados, as cortinas pesadas de seda e o perfume amadeirado impregnado no quarto trouxeram a lembrança de volta com crueldade.
O palácio.
O deserto.
Rashid Al-Hassan.
Seu estômago se revirou imediatamente.
A porta abriu lentamente, revelando uma mulher vestida com tecidos claros e véus delicados sobre os cabelos escuros.
— O sheik ordenou que se preparasse — disse, sem emoção.
Ordenou.
Mais uma vez aquela palavra.
Lorena apertou os dedos contra o lençol.
Ainda parecia um pesadelo estranho do qual acordaria a qualquer momento. Desde que chegara ali, ninguém explicava nada. Apenas davam ordens.
Comiam em silêncio.
Andavam em silêncio.
Observavam.
Quando saiu do quarto algum tempo depois, acompanhada pela mulher silenciosa, o desconforto voltou a crescer dentro do peito.
Os corredores eram enormes, revestidos por mármore claro e lustres dourados que brilhavam mesmo durante o dia. Tudo transbordava riqueza.
Poder.
Mas havia algo sufocante escondido sob o luxo.
Os olhares.
Os sussurros baixos pelos corredores.
Mulheres do palácio diminuíam a voz quando ela passava. Algumas demonstravam curiosidade aberta. Outras nem tentavam esconder o desprezo.
Lorena sentiu o desconforto crescer dentro do peito.
Era estranho como alguém podia se sentir tão exposta sem ouvir uma única acusação direta.
Ela abaixou os olhos, abraçando discretamente os próprios braços.
Nunca se sentira tão deslocada.
Nem tão sozinha.
Do outro lado do palácio, Rashid observava o deserto através das enormes janelas do escritório.
Imóvel.
As mãos atrás do corpo.
Zara permanecia próxima, silenciosa como sempre.
Diferente de Lorena, Zara compreendia aquele mundo. Sabia quando falar. Quando obedecer. Quando desaparecer.
Ainda assim...
Os pensamentos de Rashid insistiam em voltar para a americana.
Aquilo o irritava.
Lorena era apenas uma dívida paga.
Nada além.
Então por que lembrava do medo nos olhos dela?
Do tremor quase imperceptível na voz?
Rashid fechou a mandíbula.
— Ela já acordou?
Zara percebeu imediatamente.
Sempre percebia.
— Sim, meu sheik.
Silêncio.
Alguns segundos longos demais.
Então:
— Tragam-na.
Lorena sentiu o coração acelerar quando as enormes portas douradas do escritório se abriram.
O ambiente parecia ainda mais intimidador que o restante do palácio.
Escuro.
Luxuoso.
Frio.
E ele estava ali.
Sentado como se tivesse nascido para comandar homens.
Ou destruí-los.
Os olhos castanhos percorreram Lorena lentamente.
Sem pressa.
Ela odiou a maneira como aquilo a deixou nervosa.
Como se estivesse sendo avaliada.
— Aproxime-se.
Não foi alto.
Nem agressivo.
Pior.
Foi uma ordem dada por alguém acostumado a ser obedecido.
Lorena hesitou por um instante antes de avançar.
Rashid observou as roupas dela.
A saia simples.
Parte das pernas aparecendo quando caminhava.
Algo endureceu em seu semblante.
Irritação.
Ou outra coisa.
— Você continua se vestindo como uma ocidental vulgar.
Lorena ergueu os olhos imediatamente.
Ferida.
Não pela bronca.
Pelo desprezo.
— Eu não sou vulgar...
A voz saiu baixa.
Quase insegura.
Mas sincera.
Rashid levantou-se devagar.
Sua presença pareceu consumir o ambiente enquanto caminhava até ela.
— Aqui, seguirá minhas regras — disse friamente. — Aprenderá como deve agir. Como deve falar. Como deve se vestir.
Lorena engoliu em seco.
Aquilo não parecia aprendizado.
Parecia apagamento.
— Por favor... — sussurrou, incapaz de conter o desespero. — Me deixa voltar para casa.
Por um segundo muito breve...
Algo vacilou no olhar dele.
Assustada.
Perdida.
Pequena demais para aquele lugar.
Mas desapareceu rápido.
Como se nunca tivesse existido.
— Você pertence a mim agora.
A frase atingiu Lorena com violência.
Seu peito apertou.
As lágrimas vieram antes que pudesse impedir.
Ela odiou aquilo.
Odiou chorar diante dele.
Odiou parecer fraca.
Rashid aproximou-se mais.
Perto demais.
Os dedos tocaram seu queixo com firmeza, obrigando-a a encará-lo.
— Pare de chorar.
Frio.
Baixo.
— Suas lágrimas não mudarão nada.
Lorena tentou recuar instintivamente.
A mão dele permaneceu.
Firme.
O toque deveria causar apenas medo.
E causava.
Mas havia outra coisa.
Confusa.
Estranha.
Como se o mesmo homem que aprisionava fosse incapaz de ignorá-la.
Aquilo a assustou ainda mais.
Rashid soltou seu rosto devagar.
— Amanhã receberá roupas adequadas. E começará a aprender como mulheres deste palácio se comportam.
Lorena respirou fundo.
Tentando não desmoronar.
— Eu não pertenço a este lugar.
Os olhos dele sustentaram os dela por tempo demais.
— Talvez não.
Pausa.
— Mas continuará aqui mesmo assim.
Silêncio.
Pesado.
Lorena sentiu as pernas fraquejarem.
Então abaixou os olhos e saiu antes que ele percebesse o quanto estava perto de quebrar.
Ou talvez tivesse percebido.
Rashid observou a porta fechar lentamente.
Permaneceu imóvel.
Alguns segundos.
Muitos.
O escritório voltou ao silêncio habitual.
Ainda assim, algo parecia fora do lugar.
Os dedos dele tocaram distraidamente o braço da poltrona.
Impaciência.
Inquietação.
Irritação.
Porque Lorena deveria ser apenas uma dívida.
Uma estrangeira.
Um problema temporário.
Então por que, pela primeira vez em anos, o choro de uma mulher permanecia em sua cabeça depois que ela ia embora?
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