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Capa do romance Cativeiro do Sheik

Cativeiro do Sheik

Vendido pelo próprio tio para quitar dívidas de jogo, Lorena, uma jovem americana, torna-se propriedade de Rashid Al-Hassan. O implacável sheik e líder mafioso a despreza por sua origem ocidental, submetendo-a a humilhações constantes no deserto. Enquanto Rashid tenta quebrar o espírito de sua prisioneira, uma tensão perigosa surge entre o ódio e a atração. Em um mundo de luxo e crueldade, Lorena luta para sobreviver e desafiar o coração frio do seu captor.
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Capítulo 3

Lorena ainda tentava se acostumar com o silêncio daquele lugar quando bateram à porta.

Não um toque gentil.

Uma notificação.

Como tudo no palácio.

Ela demorou alguns segundos para sair da cama. Dormira mal. Sempre dormia desde que chegara.

O medo parecia permanecer acordado mesmo quando fechava os olhos.

A porta abriu e uma serva entrou carregando um vestido cuidadosamente dobrado nos braços.

- O sheik ordenou que use isto hoje.

Ordenou.

Mais uma vez.

Lorena observou o tecido azul-escuro adornado por bordados dourados.

Era lindo.

Rico.

Sofisticado.

Parecia algo pertencente a uma mulher importante.

Mas suas mãos hesitaram ao tocar o vestido.

Porque começava a perceber uma verdade desconfortável:

Naquele lugar, até presentes podiam parecer correntes.

---

Algum tempo depois, Lorena caminhava pelos corredores tentando ignorar os olhares que a acompanhavam.

O vestido marcava delicadamente sua cintura. Os cabelos castanhos ainda guardavam a umidade do banho.

Ela se sentia deslocada.

Como alguém vestindo uma vida que não era sua.

Quando entrou no salão principal, encontrou Rashid imediatamente.

Ele estava próximo às grandes janelas abertas para o deserto.

Imóvel.

Vestido de preto.

Como se o próprio ambiente tivesse sido construído para combinar com ele.

Mas não estava sozinho.

Ao lado dele permanecia uma mulher de postura impecável.

Linda.

Elegante.

Os olhos escuros carregavam algo pior que arrogância.

Experiência.

Como alguém que sobrevivera tempo suficiente para aprender crueldade.

O olhar da mulher deslizou lentamente sobre Lorena.

Demorado.

Avaliando.

- Esta é Zara - disse Rashid. - Minha primeira concubina.

A palavra atingiu Lorena de maneira estranha.

Primeira.

Como se existissem posições.

Hierarquia.

O estômago apertou.

Zara aproximou-se devagar.

- Então você é a americana.

A voz era suave demais.

- Achei que seria diferente.

Lorena piscou.

- Diferente como?

Um pequeno sorriso surgiu nos lábios de Zara.

Sem humor.

- Menos delicada.

Menos perdida.

Lorena sustentou o olhar alguns segundos.

Poucos.

- Eu não queria estar aqui.

Zara soltou uma risada baixa.

Ela começou a caminhar ao redor de Lorena lentamente.

Como alguém estudando um animal recém-chegado.

- Algumas apenas entendem mais rápido qual é o próprio lugar.

O silêncio de Lorena pareceu incomodá-la.

Porque submissão e silêncio nem sempre são iguais.

Então Zara ergueu a mão discretamente para uma serva próxima.

A mulher hesitou antes de se aproximar carregando um pequeno balde.

Lorena franziu o cenho.

Confusa.

Até Zara murmurar:

- Ensine boas-vindas.

A serva congelou por um instante.

Os olhos foram imediatamente para Rashid.

Ele não disse nada.

Não impediu.

Também não autorizou.

Permaneceu imóvel.

E, naquele lugar, silêncio podia significar permissão.

A água gelada atingiu Lorena antes que pudesse reagir.

O choque roubou sua respiração.

O vestido azul aderiu imediatamente à pele.

Os cabelos escureceram.

Gotas escorreram pelo pescoço.

Pelos braços.

O salão mergulhou em silêncio.

Ninguém desviou.

Ninguém ajudou.

Lorena sentiu o rosto queimar.

Humilhação.

Vergonha.

Mas algo endureceu junto da dor.

Ela permaneceu de pé.

Tremendo.

Sem abaixar a cabeça.

Os olhos de Zara estreitaram minimamente.

Como se aquela resistência silenciosa fosse mais irritante que lágrimas.

- Bem-vinda ao deserto - disse.

Rashid observava.

Os olhos castanhos fixos nela tempo demais.

Ela parecia pequena.

Fora do lugar.

E ainda assim...

Não quebrava.

Aquela resistência silenciosa destoava do restante do palácio.

Rashid percebeu.

E ignorou imediatamente.

- Chega, Zara.

A voz baixa cortou o ambiente.

Não alta.

Não agressiva.

Pior.

Definitiva.

Pela primeira vez, Zara pareceu surpresa.

Pequena.

Recuou.

Lorena desviou os olhos rapidamente.

Porque odiava perceber que uma parte dela esperava aquela interrupção.

---

Mais tarde, Lorena servia chá no salão das concubinas.

As mãos ainda tremiam.

Não pelo frio.

Pela lembrança.

Além de Zara, outras duas mulheres observavam em silêncio.

Laila parecia jovem demais para carregar olhos tão cansados.

Amina desviava o olhar às vezes.

Como se sentisse pena.

Mas pena também era impotência.

E impotência não ajudava ninguém.

Então aconteceu.

Um pequeno vacilo.

Quase nada.

O chá derramou parcialmente sobre Zara.

Silêncio.

Imediato.

Pesado.

Zara levantou devagar.

- Você é desastrada...

Lorena engoliu em seco.

- Eu sinto muito-

A presença de Rashid mudou o ambiente antes mesmo de falar.

Ele aproximou-se sem pressa.

Todos ficaram em silêncio.

Até Zara.

- Foi um acidente - Lorena disse depressa.

Os olhos dele desceram até suas mãos.

Ainda tremendo.

Depois voltaram ao rosto.

Impassíveis.

- Acidentes possuem consequências.

A voz grave caiu sobre ela como sentença.

Lorena abaixou os olhos.

O peito apertou.

Não pela punição.

Mas porque, por um segundo idiota, esperou outra reação.

- Ficará em seus aposentos até amanhã.

Pausa.

- Sem jantar.

Lorena apenas assentiu.

Devagar.

Porque começava a aprender algo difícil naquele lugar:

Às vezes sobreviver significava engolir a própria dor e permanecer em pé.

Rashid sustentou o olhar nela por alguns segundos.

Os dedos dele bateram uma única vez na mesa de mármore.

Impaciência.

Ou outra coisa que ninguém ali ousaria interpretar.

Então desviou o olhar primeiro.

Como se o assunto já estivesse encerrado.

Mas, enquanto Lorena deixava o salão tentando esconder o tremor nas mãos, Zara percebeu.

Percebeu o segundo exato em que o sheik acompanhou sua saída por tempo demais.

E sorriu discretamente.

Porque homens como Rashid raramente repetiam olhares sem motivo.

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