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Capa do romance Cativeiro do Sheik

Cativeiro do Sheik

Vendido pelo próprio tio para quitar dívidas de jogo, Lorena, uma jovem americana, torna-se propriedade de Rashid Al-Hassan. O implacável sheik e líder mafioso a despreza por sua origem ocidental, submetendo-a a humilhações constantes no deserto. Enquanto Rashid tenta quebrar o espírito de sua prisioneira, uma tensão perigosa surge entre o ódio e a atração. Em um mundo de luxo e crueldade, Lorena luta para sobreviver e desafiar o coração frio do seu captor.
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Capítulo 1

Lorena apertou os dedos contra o tecido do vestido enquanto o avião pousava.

O coração batia rápido demais.

Desde que o tio surgira desesperado no pequeno apartamento onde ela morava nos Estados Unidos, dizendo que precisava da ajuda dela para resolver um problema, algo parecia errado. Estranho.

Mas ele era seu tio.

Família.

Ela não tinha feito perguntas suficientes.

Agora estava ali.

Em outro país.

Em um lugar que não conhecia.

E, desde o desembarque, a sensação ruim só aumentava.

Assim que saíram do aeroporto, homens vestidos de preto aguardavam próximos aos carros escuros. Nenhum sorriso. Nenhuma cordialidade.

Apenas olhares rápidos.

Silêncio.

Lorena diminuiu o passo instintivamente.

O tio segurou seu braço.

Forte demais.

— Vamos — murmurou ele.

Ela o encarou.

O suor em sua testa não combinava com o ar-condicionado do aeroporto.

O desconforto apertou seu peito.

Entrou no carro.

As portas travaram automaticamente com um clique baixo.

Seu estômago revirou.

— Tio… — falou devagar. — O que está acontecendo?

Ele demorou alguns segundos.

Segundos demais.

— Só faz o que mandarem, Lorena.

Ela franziu a testa imediatamente.

— O quê?

O homem desviou os olhos para a janela.

Como alguém evitando encarar a própria culpa.

E aquilo…

Aquilo fez um medo pequeno nascer dentro dela.

Ainda sem nome.

O restante do caminho aconteceu em silêncio.

Do lado de fora, o deserto parecia infinito.

Quente.

Cruel.

A paisagem dourada contrastava violentamente com o nó crescendo em seu estômago.

Lorena tentou pegar o celular discretamente.

Sem sinal.

Seu polegar congelou sobre a tela.

Respirou fundo.

Tudo bem.

Devia haver explicação.

Precisava haver.

Então o carro desacelerou.

Ela ergueu os olhos.

E prendeu a respiração.

A mansão diante deles era gigantesca.

Luxuosa.

Imponente.

Não parecia uma casa.

Parecia um reino.

Homens armados permaneciam espalhados pela entrada, atentos a qualquer movimento.

Não havia leveza naquele lugar.

Só controle.

O carro parou completamente.

Antes que Lorena perguntasse qualquer coisa, um dos homens abriu a porta.

— Desça.

A voz firme fez seu coração falhar por um segundo.

Ela saiu devagar.

O calor atingiu sua pele imediatamente.

Pesado.

Sufocante.

Então viu ele.

Parado no alto da escadaria.

Imóvel.

Rashid Al-Hassan.

Mesmo distante, sua presença parecia esmagar tudo ao redor.

Alto.

Elegante.

Dominante.

Os olhos castanhos escuros estavam fixos nela desde o instante em que saiu do carro.

Sem desviar.

Sem pressa.

Como alguém avaliando algo que já lhe pertence.

Um arrepio percorreu sua espinha.

Instinto.

Perigo.

Seu corpo percebeu antes da mente.

O tio surgiu logo atrás, limpando discretamente o suor da testa antes de forçar um sorriso nervoso.

— Sheik Rashid… como prometido.

Prometido?

Lorena virou rapidamente.

O cenho franzido.

— Tio…?

Mas ele não conseguiu sustentá-la com os olhos.

Pela primeira vez em toda vida…

Ele parecia menor.

E o medo dentro dela cresceu.

De verdade.

— Sua dívida… — Lorena murmurou devagar, juntando peças que não queria compreender. — O que você fez?

O homem fechou os olhos por um instante.

Covarde.

A palavra surgiu antes que pudesse impedir.

— Eu não tive escolha.

Ela deu um passo para trás.

Pequeno.

Instintivo.

— Não…

— Ela pagará o que devo — disse rapidamente.

Como quem arranca um curativo.

Lorena ficou imóvel.

O vento pareceu desaparecer.

O som ao redor desapareceu.

— O quê…?

Sua garganta queimou.

Piscou uma vez.

Outra.

Como se tivesse entendido errado.

— Você… está me vendendo?

A pergunta saiu baixa.

Quebrada.

O tio fechou os olhos.

Não negou.

Isso doeu mais.

— É a única maneira.

As lágrimas vieram imediatamente.

Sem aviso.

— Não… por favor…

Sua voz falhou.

Porque, no fundo…

Ela percebeu.

Ninguém iria ajudá-la.

Rashid começou a descer os degraus lentamente.

Sem pressa.

Sem emoção.

Cada passo aumentava o desespero dela.

Quando finalmente parou diante dela, Lorena percebeu o quanto ele era intimidador de perto.

Bonito.

Assustadoramente bonito.

Mas havia algo frio demais em seu olhar.

Algo vazio.

Como alguém acostumado a possuir coisas.

E perder pessoas.

Os olhos dele percorreram seu rosto.

Depois seu corpo.

Demoradamente.

Observando.

Analisando.

Lorena segurou o próprio pulso para impedir que as mãos tremessem.

Não queria demonstrar medo.

Mesmo estando apavorada.

Conseguiu sustentar o olhar dele.

Um segundo.

Dois.

No terceiro, abaixou os olhos.

O instinto venceu.

— Você entende o acordo feito pelo seu tio? — Rashid perguntou.

A voz baixa causou mais medo do que um grito causaria.

Lorena apertou os dedos contra o vestido.

— Eu… eu não fiz nada.

Odeio parecer fraca.

O pensamento surgiu rápido.

Amargo.

Ela engoliu em seco.

— Posso trabalhar… posso pagar… Eu—

Rashid inclinou levemente a cabeça.

Então ergueu a mão.

Lorena congelou.

Os dedos dele tocaram seu queixo.

Firmes.

Obrigando-a a encará-lo novamente.

O toque não machucava.

Mas dominava.

Como uma corrente invisível.

Ela odiou perceber que seu corpo parou imediatamente.

— A dívida será paga — ele disse calmamente.

Calmo demais.

Como quem decide negócios.

Não destinos.

Os olhos dela arderam.

— Por favor…

Dois guardas seguraram seus braços.

O pânico finalmente explodiu.

— Não! Espera! Me solta—

Tentou se afastar.

Tentou.

Mas seus movimentos pareciam ridículos perto da força deles.

O peito queimava.

A respiração falhava.

— Me solta… por favor…

Sua voz saiu baixa.

Humilhante.

Lorena odiou aquilo.

O medo.

As lágrimas.

O desespero.

Odiou implorar.

Rashid apenas observava.

Frio.

Impassível.

Aquilo aterrorizava mais do que violência.

Porque parecia indiferença.

— Levem-na para dentro.

Lorena virou desesperadamente para o tio.

Esperando qualquer coisa.

Arrependimento.

Culpa.

Um pedido de desculpas.

Mas ele já entrava novamente no carro.

Indo embora.

Deixando-a.

Sozinha.

Algo dentro dela rachou naquele instante.

As lágrimas escorreram enquanto era conduzida até a entrada da mansão.

As enormes portas se abriram lentamente diante dela.

Como se aquele lugar já esperasse por sua chegada.

Como uma prisão preparada antes mesmo do prisioneiro.

Lorena respirou fundo.

Tentando conter o choro.

Falhando.

E, pela primeira vez desde que tudo começara…

Uma verdade cruel surgiu dentro dela:

Sua vida jamais voltaria a ser a mesma.

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