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Capa do romance Casamento por Contrato - A Redenção de Gabriel

Casamento por Contrato - A Redenção de Gabriel

Gabriel e Clara firmam um matrimônio de conveniência para expandir os negócios familiares, ocultando um pacto secreto: o divórcio viria logo, sem herdeiros, para que ele voltasse à namorada em Nova York. Contudo, uma gravidez inesperada surge, e Gabriel, sentindo-se traído, abandona Clara à própria sorte. Anos depois, após criar o filho sozinha com determinação, uma reviravolta do destino força o reencontro do casal, trazendo à tona mágoas e novas chances.
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Capítulo 2

POV Clara.

Enganei ele direitinho. Na verdade eu não sou virgem, o que acontece é que eu transei apenas uma vez e o hímem não rompeu.

Eu descobri quando fui no médico fazer o exame ginecológico. O médico me falou que eu ainda era virgem e eu falei não, pois tinha transado dois dias antes. Ele explicou que o hímem nem sempre rompia na primeira vez, e eu decidi não vacilar mais. A transa não foi boa e eu me senti usada. Então só iria fazer aquilo de novo quando realmente sentisse que o cara não era um idiota que só queria me comer.

Mas calma que burra eu também não sou. Quando eu era adolescente até fiz algumas vezes aqui na roça mesmo. Sim, lá atrás pra não “me perder”.

Depois quando fui pra faculdade também fiz, mas como eu sabia que meu casamento seria arranjado eu optei por não romper o negocinho, já que teria que voltar pra cá e aqui a virgindade é muito valorizada.

Eu nasci aqui em Ji-Paraná, em 20 de Junho de 1995. Fui criada aqui pelos meus pais, e sempre tive do bom e do melhor. Ji-Paraná é uma cidade grande e importante em Rondônia, mas tem a parte mais moderna e a parte roceira, e minha família se encaixa na última. A parte roceira ainda tem conceitos bem ultrapassados, como casamento arranjado, casar virgem, mulher ser dona de casa e tudo mais. Meu pai acha que eu devia estudar, mas jamais trabalhar fora. Ainda mais que meus sogros são milionários.

Somos donos de uma grande propriedade às margens do rio Ji-Paraná, e de mais uma fazenda que fica na direção de Ouro Preto do Oeste. Papai é dono de uma fazenda de gado, que é criado lá e vendido para grandes frigoríficos de todo o país. Além disso ainda temos uma pequena pousada no centro da cidade, que modéstia parte é muito bem avaliada tanto no Google quanto no TripAdvisor.

Nas casas à volta da nossa há extrema pobreza, e a desigualdade social grita. Somente a nossa propriedade e mais algumas de gente rica e poderosa é que se destacam.

Eu sou filha única e a minha mãe faleceu quando eu tinha 9 anos. Depois meu pai se casou novamente. Durou três anos e eu tive mais uma irmã, mas ela está com a mãe na Flórida.

Papai é tão arcaico que a coitada da Gisele não aguentou. Pudera, uma advogada renomada ter que ficar só em casa cuidando da filha? É claro que não ia rolar. Eu vou três vezes ao ano para lá visitar ela e a Bárbara, que é a minha irmã. Eu me dou muito bem com a minha madrasta, e foi vendo ela ser uma brilhante advogada, e não deixar meu pai matar seus sonhos que me inspirei no que queria para meu futuro.

POV Gabriel.

Insisti no jantar mesmo, pois aquela safada tinha cara de queria dar. Foder um pouquinho com ela não seria de todo ruim, afinal ela tinha que servir pra alguma além de posar como minha esposa.

Eu estava hospedado no melhor quarto do hotel, e deixei encomendado na recepção que assim que eu descesse eles viessem arrumar tudo. Avisei para decorarem com pétalas de rosas, champagne e essa balela toda que mulher gosta. Se ela for virgem mesmo vai se derreter toda, e é capaz até de querer liberar a porta de trás.

Me arrumei bem e desci. Clara já estava me esperando no restaurante.

Ao me ver fez aquele sorriso de novo, e ergueu a taça como se me convidasse discretamente para um brinde.

- Boa noite.

- Boa noite. Está hospedada aqui?

- Não. No hotel em frente.

A observei. Clara tinha um jeito sensual de vestir, mas nada de vulgar. Se mostrava em cima escondia embaixo, e vice versa. Ela vestia uma blusa branca com decote grande mas que não revelava muito, e logo abaixo do pescoço a blusa estava atada em um laço.

- Vamos direto ao ponto. - Ela interrompeu minha observação. - Eu vim propôr uma coisa a você. - E tirou uma pastinha debaixo da mesa.

- E o que é? Traga o cardápio por favor. - Me dirigi ao garçom.

- Tenha a bondade de olhar.

- Abri a pasta e lá havia outro contrato, até melhor redigido do que o feito por nossos pais.

- Que isso?

- O que eu vim propôr. Esse contrato é para ser assinado por nós dois à portas fechadas.

Senti um quase duplo sentido naquele "À portas fechadas" , mas a encarei e vi que mantinha uma expressão séria. Devia ser só um devaneio da minha cabeça, já que eu estava pirado na buceta daquela garota, querendo comê-la desde o beijo no quintal da fazenda.

Voltei a olhar aquele documento, e quanto mais via mais me espantava. Era muito bem estruturado, e com cláusulas tão especificadas que eu jamais pensaria em escrever, além do português impecável.

- Como assim "portas fechadas"?

- Meu pai e seus pais escolheram que ficaremos casados por no mínimo dez anos, teremos três filhos, que postaremos regularmente em revistas etc. Eu quero ficar casada somente até me formar em Direito, e estou em dúvidas quanto à filhos.

Caralho! Que mulher! Bonita, gostosa, e além de tudo decidida! Ela estava disposta a bater de frente com nossos pais e ficar casada comigo apenas por três ou quatro anos, mesmo sabendo que eles ficariam loucos quando aquilo acontecesse. A olhei nos olhos novamente, e não havia nenhum sinal de recuo da parte de Clara. Pensando bem não tinha que por que isso acontecer, já que a ideia partiu dela.

Me recuperei do susto e tratei de assumir uma postura mais séria, pois não podia demonstrar de cara o quanto fiquei babando por ela.

- Eu não quero filhos. Já pode adicionar isso ao contrato.

Foi a vez dela se surpreender.

- Tudo bem. Quero colocar também a data exata em que nosso divórcio deve acontecer, pois não quero me ver presa nesse casamento nem por um dia a mais. Além é claro, de outras coisas. Na verdade não precisamos decidir tudo hoje. Trocamos telefones e você vai me mandando WhatsApp com o que for se lembrando. O mais importante é que isso fique em completo segredo.

Senti algo abrasar dentro de mim, e sabia bem o que significava: eu queria, precisava, tinha que foder. E tinha que ser naquela noite, tinha que ser com a Clara.

- Sim, claro. - Só pude responder assim, de tão bobo que estava por ela.

Fomos conversando e vendo o que queríamos, mas após a refeição eu tratei de mudar de assunto. Eu queria estar transando no quarto com ela, e até achei que nem precisaria de muita lábia. Mas quando soube o que Clara queria com aquele jantar, e o jeito decidido dela - que eu ainda não havia conhecido - fiquei confuso. Sabe como é, nenhum homem quer demonstrar que não sabe o que fazer, mas era exatamente assim que eu estava. Completamente perdido diante daquele mulherão.

- Agora que já terminamos eu vou indo. Não se esqueça de me mandar os adicionais no WhatsApp.

Clara já foi levantando, mas eu pedi que esperasse. Paguei a conta sob o olhar curioso de minha noiva, e pedi à ela que fôssemos dar um passeio. Ela negou, e eu então disse que iria acompanhá-la até a saída do restaurante.

Podia chamar algumas garotas e fazer uma festinha, como fiz tantas vezes no exterior. Podia abusar da liberdade que tinha por ser homem e filho de um milionário, mas naquele momento eu queria Clara. E só pude ficar desesperado quando percebi que ela não me dava sinais favoráveis.

- Não precisa se incomodar em me acompanhar. Estou no hotel em frente, é só atravessar a rua. - Mencionou enquanto já estávamos descendo no elevador.

Não respondi, simplesmente a beijei. Um beijo bem lascivo para não deixar dúvidas das minhas intenções.

- Gabriel, a gente está num elevador. Aqui tem câmeras. - Me alertou após pararmos o beijo.

- Mas eu vou te levar numa parte onde não tem câmeras.

Sorri safado diante da tremedeira dela.

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