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Capa do romance Casamento por Contrato: A Herdeira e o CEO

Casamento por Contrato: A Herdeira e o CEO

Ao retornar ao Maranhão, Isabela Almeida é surpreendida por uma cláusula no testamento da avó: ela deve se casar em um ano para não perder sua herança. Para salvar o legado familiar, ela propõe um matrimônio de fachada a João Pedro Santana, um CEO em crise financeira e antigo conhecido. Entre farsa e dever, manter as aparências na cidade pequena torna-se um desafio, enquanto a hostilidade mútua dá lugar a sentimentos reais e perigosos.
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Capítulo 2

O calor em Santa Luzia do Norte era quase uma entidade viva. Assim que desci do ônibus, senti o ar abafado grudando na minha pele como uma segunda camada de roupa. Fazia anos que eu não pisava aqui, mas parece que nada mudou. As ruas ainda eram estreitas, o asfalto ainda parecia derreter sob os pés, e o cheiro de terra quente misturado ao de cuscuz e café vindo das casas ainda era o mesmo.

Olhei ao redor e vi os rostos familiares. Não porque eu os conhecesse, mas porque todos eram iguais ao que eu lembrava, olhos curiosos e julgadores, o tipo de olhar que só uma cidade pequena sabe ter.

É claro que ninguém da minha família veio me buscar. Eu sabia disso antes mesmo de pegar o ônibus. Não é como se eles estivessem ansiosos para me ver, e, honestamente, o sentimento era recíproco. Mas não pude evitar aquele aperto irritante no peito ao perceber que não havia absolutamente ninguém esperando por mim na rodoviária. Nem uma mensagem no celular.

Nada.

Puxei minha mala para fora do bagageiro e ajeitei a alça da bolsa no ombro, sentindo o peso dela mais do que deveria. Meu corpo ainda estava cansado da viagem longa, mas minha mente estava ainda mais exausta. Tudo que eu queria era pegar um táxi – se é que isso já existe aqui – e me enfiar no hotel mais próximo. Eu não estava nervosa por ter que ver minha mãe ou qualquer outra pessoa da família, mas ouvir o testamento da vovó Benedita significava enfrentar todo mundo mais cedo ou mais tarde.

Enquanto caminhava até o pequeno saguão da rodoviária, percebi os olhares se fixando em mim. Alguns disfarçados, outros nem tanto. Mulheres cochichavam entre si, homens me olhavam com aquela curiosidade descarada, como se nunca tivessem visto alguém de fora antes.

Ou talvez não fosse porque eu era "de fora". Talvez fosse pelas minhas roupas. A saia de couro preta com fenda, o cropped ­­­vermelho e a jaqueta jeans oversized provavelmente gritavam "cidade grande". E eu sabia que o salto das minhas botas chamava atenção a cada passo, ecoando pelo chão de azulejo desgastado. Eu era uma pessoa chamativa, sem dúvidas. Essa era uma visão que eles não estavam acostumados a ver.

Ou quem sabe fossem os cabelos. Longos, ruivos e soltos, caindo como uma cortina até quase a cintura. Sempre fui apaixonada pelo meu cabelo, mas sabia que ele tinha um efeito hipnótico em lugares assim, onde as pessoas ainda cochichavam sobre as escolhas alheias como se fosse um esporte local.

- Olha só, voltou. - Ouvi alguém murmurar atrás de mim, e um riso abafado veio logo depois.

Fingi que não ouvi. Não valia a pena. Eu estava cansada demais para começar meu retorno com um escândalo – por mais que a ideia fosse tentadora. Engoli o comentário e continuei andando, a cabeça erguida, as costas retas. Nunca deixo que eles vejam qualquer fraqueza. Foi uma das lições que aprendi na marra vivendo aqui.

Caminhei até a saída e puxei o celular da bolsa para chamar um carro. Claro, que nenhum aplicativo de transporte funcionaria aqui. Eu ri, mas não porque era engraçado – era puro desespero. Essa cidade não mudou mesmo. O mesmo atraso de sempre.

Suspirei e olhei em volta, procurando alguma alternativa. Tive que chamar um dos taxistas que estavam parados ali, encostados em seus carros, olhando a movimentação como se fossem parte da mobília.

- Ei, moça! Vai para onde? - gritou um deles, ajeitando o boné na cabeça.

Respirei fundo e caminhei até ele, tentando ignorar o jeito como ele me analisou de cima a baixo antes de abrir a porta do carro.

- Centro. Um hotel. O mais perto de preferência. - respondi, cruzando os braços.

- Não quer ir para casa? - ele perguntou, curioso.

A risada escapou antes que eu pudesse evitar.

- Nem um pouco.

O taxista deu de ombros e colocou minha mala no porta-malas. Entrei no carro e me afundei no banco, sentindo o cansaço pesar ainda mais. Lá fora, Santa Luzia do Norte passava pela janela, a mesma cidadezinha que eu jurei que nunca mais pisaria.

Se eu pudesse, jamais colocaria os pés aqui novamente. Mas a vida tem um jeito cruel de nos arrastar para onde mais dói. Voltar para Santa Luzia do Norte nunca esteve nos meus planos, mas quando se trata de vovó Benedita, eu não tenho escolha. Ela foi a única que acreditou em mim, mesmo quando todos os outros me descartaram.

O que quer que ela tenha deixado no testamento, não é só sobre dinheiro ou bens. É sobre honrar a memória dela. E, por mais que me doa enfrentar o passado, é por isso que estou aqui.

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