
Casamento arranjado com o Ceo e a faxineira rebelde
Capítulo 2
Chego em casa exausta. O apartamento pequeno no Queens está silencioso. Meu pai está sentado no sofá da sala, com a televisão ligada no volume baixo. Ele parece cansado, mas sorri quando me vê.
- Marcela, chegou cedo hoje - diz ele com a voz fraca.
- Sim, pai. O dia foi longo. Como você está se sentindo?
Sento ao lado dele e seguro sua mão. Ele respira devagar.
- Estou igual, filha. O peito ainda aperta um pouco, mas tomei o remédio. E você? Trabalhou muito?
- Trabalhei. O Sr. Roberto me chamou para limpar a sala dele. Derramei café no terno dele sem querer. Ele ficou bravo.
Meu pai franze a testa.
- Tomara que não te dê problema, Marcela. Precisamos desse emprego.
- Eu sei, pai. Vou ter mais cuidado. Não se preocupe. Vou esquentar o jantar para nós.
Jantamos juntos. Conversamos sobre o dia dele e sobre as contas do mês. Ele me agradece por tudo e vai dormir cedo. Fico um tempo na cozinha lavando a louça, pensando no dia ruim. Meu celular toca. É Clara, minha amiga.
- Marcela, vamos ao bar da esquina? Eu, você e a Sofia. Só para relaxar um pouco.
Aceito. Preciso sair um pouco da cabeça.
Chegamos ao bar simples da esquina. O lugar é pequeno, com luzes amarelas, música alta e mesas de madeira. Pedimos cerveja e petiscos. Sentamos num canto e bebemos devagar.
- Meninas, o dia foi péssimo - conto. - Derramei café no chefe e ele quase me matou com o olhar.
Estamos rindo quando a porta do bar abre. Roberto entra com dois seguranças grandes atrás dele. Ele olha ao redor, vê o balcão e se senta. Pede uma cerveja. Fico parada com o copo na mão.
- Olha só - sussurro para as meninas. - É ele. O Sr. Roberto.
Clara arregala os olhos.
- O CEO bilionário aqui nesse bar simples? O que ele está fazendo?
Sofia ri baixo.
- Talvez tenha se perdido. Um homem tão rico num lugar desses...
Ficamos olhando de canto de olho. Ele bebe a cerveja devagar, sem falar com ninguém. Depois de um tempo, vamos para o espaço aberto do bar e dançamos. A música é animada. Conversamos enquanto dançamos.
- Ele continua bonito, mas é um grosso - diz Clara.
- Muito - respondo, rindo.
Preciso ir ao banheiro. Depois, vou até o balcão pegar mais drinks. Ao me levantar com as garrafas na mão, esbarro direto nele. A cerveja dele derrama um pouco na camisa.
Ele olha para baixo e depois para mim. O rosto fica sério.
- Você de novo? Parece que tem o dom de estragar minhas roupas, Marcela.
- Foi sem querer, senhor. O bar está cheio - respondo.
Ele inclina a cabeça.
- Sem querer? Você parece fazer muitas coisas sem querer. Primeiro na minha sala, agora aqui. Por acaso está me seguindo?
Cruzo os braços.
- Seguindo? Eu venho nesse bar toda semana. O senhor que apareceu do nada num lugar simples como esse. Não combina com terno caro.
Ele ergue uma sobrancelha.
- E você entende muito de onde eu devo ou não estar?
- Entendo que o senhor parece perdido aqui. Não tem um bar de luxo para ir?
Ele dá um meio sorriso frio.
- E você não tem um uniforme para usar em vez de ficar dançando e bebendo?
- Eu trabalho o dia inteiro, senhor. Tenho direito de beber uma cerveja depois. O senhor devia experimentar relaxar um pouco. Talvez assim não parecesse tão... tenso.
Clara aparece do meu lado e me puxa pelo braço.
- Marcela, vamos embora daqui.
Ela me leva para longe. Quando estamos perto da mesa, ela fala baixo:
- Você ficou louca? Discutindo com o chefe desse jeito?
- Não tô nem aí - respondo. Faço uma careta e pego meu copo. - Ele que não me provoca.
Bebemos mais, dançamos e rimos. Aproveitamos o resto da noite. Volto para casa de táxi, cansada mas mais leve.
...
No dia seguinte, chego ao trabalho no horário. O prédio está agitado como sempre. Estou limpando o corredor quando vejo Roberto passar. Ele me olha com cara feia e continua andando sem dizer nada.
Mais tarde, a supervisora me manda limpar a sala dele de novo. Entro e começo o trabalho em silêncio. Passo o pano na mesa com cuidado. Ele chega alguns minutos depois. Fecha a porta e fica me observando.
- Bom dia, Marcela. Dormiu bem depois de tanto dançar e discutir ontem?
Continuo limpando sem olhar para ele.
- Bom dia, senhor. Sim, dormi.
Ele se aproxima da mesa.
- Que bom. Porque eu não dormi tão bem. Fiquei pensando como uma funcionária consegue ser tão desajeitada no trabalho e tão corajosa para responder o chefe num bar.
- Desculpe pelo esbarrão ontem, senhor.
Ele senta na cadeira grande.
- Desculpe? Você me chamou de tenso. Disse que eu não combinava com o lugar. Tem mais alguma opinião sobre mim que queira compartilhar agora?
- Não, senhor. Foi só conversa de bar.
Ele apoia os braços na mesa.
- Conversa de bar. Entendi. Então, quando você está de uniforme, é calada e incompetente. Quando está de jeans, vira especialista em julgar onde eu devo beber.
Concordo com a cabeça e continuo o trabalho.
- Entendi, senhor.
Ele continua com tom debochado.
- Se eu voltar naquele bar, você vai derrubar mais cerveja em mim?
- Vou tomar mais cuidado, senhor.
- E vai me chamar de tenso de novo?
- Não, senhor.
Ele fica em silêncio por alguns segundos, me observando.
- Você é interessante, Marcela. Fala pouco aqui dentro e fala demais fora. Tome cuidado para não misturar as coisas.
- Sim, senhor.
Vai se lascar, sujeito chato.
Termino de limpar a prateleira e empurro o carrinho para a porta. Meu coração bate rápido, mas mantenho o rosto neutro. Ele me observa sair sem dizer mais nada.
Volto ao trabalho normal, com o peso do olhar dele ainda na cabeça. O dia mal começou e eu já sinto que as coisas estão ficando mais complicadas.
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