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Capa do romance Casamento arranjado com o Ceo e a faxineira rebelde

Casamento arranjado com o Ceo e a faxineira rebelde

Roberto, herdeiro de um império tecnológico, só terá acesso à sua fortuna de 10 bilhões de dólares se cumprir uma condição: casar-se. Distante e frio há uma década, ele vê na faxineira Marcela a solução ideal. Ela aceita o matrimônio de fachada para custear o tratamento do pai enfermo. Embora o desprezo mútuo dite o início dessa união por conveniência, a rebeldia de Marcela promete virar a vida do CEO de cabeça para baixo, mudando o destino de ambos.
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Capítulo 3

Estou limpando os corredores do último andar. O aspirador faz um barulho baixo enquanto passo no carpete cinza. O ar-condicionado mantém tudo gelado como sempre. Empurro o carrinho devagar, troco o pano do chão e limpo as maçanetas das salas.

Ouço passos elegantes. Uma mulher de uns sessenta anos, bem vestida, com cabelo escuro curto e um casaco caro, caminha pelo corredor. Ela para na frente da sala do Sr. Roberto. A secretária abre a porta para ela entrar. É a mãe dele. Eu já a vi uma ou duas vezes no prédio.

Continuo meu trabalho. Alguns minutos depois, a supervisora aparece.

- Marcela, volte para limpar a sala do Sr. Roberto. A mãe dele está lá, então faça tudo com calma.

Suspiro baixo e empurro o carrinho até o elevador. Meu estômago aperta um pouco. Entro na sala grande. As paredes de vidro mostram Nova Iorque cheia de sol da manhã. Roberto está sentado atrás da mesa. Ele me olha sério, sem sorrir. A mãe dele está de pé ao lado dele, com uma xícara de café na mão.

- Bom dia - digo baixo.

A mãe dele vira para mim e sorri com gentileza.

- Bom dia, querida. Não é? Pode continuar seu trabalho, não se preocupe conosco.

- Obrigada, senhora - respondo, com a voz mais calma.

Roberto não diz nada. Só me observa enquanto começo a limpar. Passo o pano na estante de livros, depois na mesa lateral. Tento ficar longe dele, mas preciso limpar a parte da mesa onde ele está. Estico o braço com cuidado para pegar uma caneca vazia. Meu cotovelo bate na xícara de café dele.

O café quente derrama direto na frente do terno escuro dele.

Ele faz uma careta. Fecha os olhos por um segundo, aperta os lábios e respira fundo, como quem já esperava exatamente isso acontecer de novo. A careta é tão clara que parece que ele está pensando "de novo não". Ele abre os olhos e me encara.

- Desculpe, senhor. Foi sem querer. - falo rápido, pegando o pano.

A mãe dele ri baixo e coloca a mão no braço do filho.

- Não se preocupe, Marcela. Isso acontece. Roberto, não faça essa cara. É só café.

Ele fica nervoso. O maxilar fica tenso e ele me mata com o olhar, mas não diz uma palavra. O silêncio na sala fica pesado. Sinto o rosto esquentar. Meu coração bate forte. Limpo o que consigo do terno dele, mas o estrago já está feito. As mãos tremem um pouco enquanto guardo o pano.

- Pode sair agora. - diz ele, a voz baixa e controlada.

Saio da sala empurrando o carrinho. Minhas pernas estão fracas. No corredor, respiro fundo várias vezes. Sinto vergonha e raiva de mim mesma ao mesmo tempo. Por que sempre eu? Preciso do emprego, mas parece que tudo conspira para me fazer derrubar algo nele.

Vou até o banheiro das funcionárias. O lugar é pequeno, com azulejos brancos e cheiro de desinfetante. Tranco a porta de uma cabine, sento no vaso e pego o celular para tentar me acalmar.

A tela acende com uma mensagem nova do grupo da faculdade de Direito.

"Meninas, as aulas começam HOJE à noite. Não esqueçam. É obrigatório ir porque teremos a presença de um convidado importante da área. Quem faltar perde ponto."

Leio duas vezes. Suspiro e encosto a cabeça na parede fria do banheiro. Pensei que as aulas fossem começar só na semana que vem. Trabalhar o dia inteiro e estudar à noite vai ser pesado. Mas Direito é o meu sonho. Quero me formar para poder ajudar meu pai e ter uma vida melhor.

Respondo no grupo: "Estarei aí."

Guardo o celular, lavo o rosto com água fria e me olho no espelho. Os olhos azuis estão cansados. Ajeito o coque ruivo e saio do banheiro. O resto do dia passa devagar. Limpo salas de reunião, banheiros e corredores. Roberto não aparece mais no meu caminho, mas sinto que o olhar sério dele ainda está na minha cabeça.

À tarde, quando termino meu turno, troco de roupa no vestiário. Visto jeans e uma blusa simples. Pego o metrô lotado de volta para o Queens. Em casa, meu pai está assistindo televisão.

- Chegou, filha? Como foi o dia?

- Normal, pai. Derramei café no terno do chefe de novo. A mãe dele estava lá e foi gentil.

Ele balança a cabeça.

- Tenha cuidado, Marcela. Não quero que você perca esse emprego.

- Eu sei. Vou tomar banho e depois tenho aula à noite. As aulas da faculdade começaram hoje.

Ele sorri fraco.

- Que bom. Estude bastante.

Janto rápido, arrumo a mochila com cadernos e vou para a faculdade. O ônibus está cheio. Chego na sala de aula dez minutos antes do horário. Sento numa cadeira do meio. Algumas colegas chegam e conversamos baixo sobre as expectativas do semestre.

O professor entra. Atrás dele, um homem de terno. Meu estômago dá um nó quando reconheço o rosto.

Não. Não pode ser.

Roberto Monteiro entra na sala e senta na cadeira reservada para o convidado especial. Ele olha para os alunos e, quando os olhos dele param em mim, ergue uma sobrancelha levemente. O mesmo olhar sério de antes.

Sinto o rosto esquentar. Baixo a cabeça e abro o caderno, fingindo anotar algo. O professor começa a falar sobre a importância da aula de hoje e apresenta Roberto como um dos maiores empreendedores do setor tecnológico que também tem formação em Direito.

Fico quieta no meu lugar, com o coração acelerado. O dia que começou com café derramado agora termina com meu chefe sentado na mesma sala de aula que eu.

Penso que as coisas estão ficando cada vez mais complicadas.

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