
Casada Seis Vezes: Minha Vingança
Capítulo 2
Sofia se casou pela sexta vez. Ela sabia que isso soava estranho para a maioria das pessoas, mas para ela, era apenas um fato da vida, como o sol nascer todo dia. Ela não era uma viúva negra, nem uma mulher azarada no amor, pelo contrário, ela amava com intensidade e se casava com a mesma intensidade. O problema nunca foi o marido, o problema sempre foi a sogra.
Suas cinco ex-sogras foram, uma a uma, neutralizadas e "expulsas" de sua vida conjugal. A primeira, uma mulher que criticava sua comida, foi presenteada com um restaurante falido que a enterrou em dívidas. A segunda, que a chamava de gastadeira, foi exposta por seus próprios casos de fraude fiscal que Sofia descobriu por acaso. A terceira, uma fanática religiosa, teve seus segredos mundanos revelados para toda a congregação. A quarta, uma hipocondríaca, foi internada em uma clínica de repouso de luxo paga por Sofia, um presente que a isolou completamente da família. A quinta, uma intelectual esnobe, foi humilhada publicamente em um debate sobre culinária portuguesa, a especialidade de Sofia.
Sofia não era má, ela era apenas uma estrategista. Ela considerava o casamento um território a ser defendido, e a sogra, uma potência invasora. Agora, ela enfrentava seu sexto desafio: Dona Isabel.
Dona Isabel era a mãe de Tiago, seu novo marido, um homem bom e gentil, mas completamente dominado pela mãe. A fama de Dona Isabel a precedia, ela era uma lenda no bairro, a sogra que nenhuma nora sobreviveu. Ela já tinha destruído os três casamentos anteriores de Tiago. A primeira ex-nora, Carolina, foi acusada de roubo e expulsa de casa, sua reputação destruída por fofocas que Dona Isabel espalhou como um veneno. A segunda, Juliana, foi levada à depressão com constantes críticas e manipulações, até que desistiu do casamento para salvar sua saúde mental. A terceira, Patrícia, foi vítima de uma armadilha, acusada de traição em um plano orquestrado pela própria sogra. Todas elas eram agora mulheres marcadas, exemplos vivos do que Sofia precisava evitar.
Sua melhor amiga, Clara, ligou no dia seguinte ao casamento.
"Sofia, você tem certeza disso? É a Dona Isabel! A mulher é o diabo em pessoa."
"Eu sei", respondeu Sofia, enquanto picava alho com precisão cirúrgica em sua cozinha impecável. O cheiro encheu o ar.
"Ela acabou com a vida daquelas três moças. Tiago é um anjo, mas é cego. Ele acredita em cada palavra que a mãe diz."
"É por isso que ele precisa de mim", disse Sofia. O som da faca batendo na tábua era rítmico, quase musical.
"Ela vai tentar te destruir. Ela vai te acusar de coisas horríveis, vai virar o Tiago contra você, vai fazer da sua vida um inferno."
Sofia parou de picar o alho. Ela olhou pela janela, para o jardim bem cuidado da sua nova casa.
"Clara, eu não sou as outras. Eu lidei com cinco sogras antes dela, ela é apenas a sexta. Ela acha que vai me expulsar, mas é ela quem vai sair. Desta vez, a batalha será na minha cozinha, com minhas regras."
Havia uma calma assustadora em sua voz. Não era arrogância, era certeza. Ela não estava entrando em uma guerra despreparada, ela era uma chef renomada, acostumada a comandar cozinhas caóticas e equipes difíceis, e via essa nova relação familiar como mais um desafio a ser vencido.
Ela desligou o telefone e sentiu um arrepio. Não era medo, era antecipação. O jogo estava para começar. Ela sabia que Dona Isabel já estava planejando seu primeiro movimento, provavelmente um almoço de "boas-vindas" que seria, na verdade, o primeiro round da luta. Sofia sorriu. Ela já estava pensando no contra-ataque, e o ingrediente principal seria a paciência.
Você pode gostar





