
Casada Seis Vezes: Minha Vingança
Capítulo 3
O convite para o almoço de domingo chegou na sexta-feira, como Sofia previu. A voz de Dona Isabel no telefone era doce como mel, mas Sofia podia sentir o veneno por baixo.
"Sofia, querida! Estou preparando um almoço especial para receber você na família. Quero que se sinta em casa."
"Que amável da sua parte, Dona Isabel. Estaremos lá", respondeu Sofia, com a mesma falsidade.
No domingo, Sofia e Tiago chegaram à casa dos pais dele. A casa era impecavelmente limpa, mas de uma forma estéril, sem vida. Sr. Carlos, o sogro, cumprimentou Sofia com um aperto de mão fraco e um olhar cansado, ele parecia um homem que tinha desistido de lutar há muito tempo.
Dona Isabel, por outro lado, estava radiante. Ela usava um vestido florido e um avental, o retrato da dona de casa perfeita. Ela abraçou Sofia com força, um abraço que parecia mais uma forma de medir a força do oponente.
"Entrem, entrem! Preparei tudo com tanto carinho."
A mesa estava posta com a melhor louça, mas algo estava errado. O cheiro que vinha da cozinha era estranho, uma mistura de temperos que não combinavam. Sofia, com seu olfato de chef, sentiu imediatamente.
"O que a senhora está cozinhando? O cheiro está... interessante", comentou Sofia, escolhendo a palavra com cuidado.
"Ah, é a minha famosa bacalhoada! Uma receita de família", disse Dona Isabel, com um sorriso orgulhoso. "Tiago adora."
Tiago sorriu, ingênuo. "É verdade, amor. A bacalhoada da minha mãe é a melhor do mundo."
Sofia duvidou. Quando se sentaram à mesa, a travessa de bacalhau foi colocada no centro com grande cerimônia. A aparência era horrível. O bacalhau estava seco, as batatas, mal cozidas, e havia uma quantidade absurda de coentro, uma erva que Sofia sabia que muitas pessoas detestavam. Era uma sabotagem culinária. Um ataque direto à sua identidade como chef.
Sofia sentiu uma pontada de suspeita. Ela olhou para o prato e notou algo estranho, um brilho oleoso que não deveria estar ali. Ela pegou um pequeno pedaço com o garfo e o cheirou discretamente. Óleo de rícino. Era uma dose pequena, não o suficiente para causar um dano grave, mas o bastante para provocar um desconforto intestinal terrível. Era um plano cruel e infantil.
Dona Isabel a serviu com um pedaço generoso, seus olhos brilhando de expectativa. As tias e primas, que também foram convidadas para o espetáculo, observavam Sofia com curiosidade maliciosa. Elas eram o coro grego de Dona Isabel, prontas para espalhar a fofoca de que a nova nora era "fresca" ou "ingrata".
"Coma, querida. Fiz especialmente para você", insistiu Dona Isabel, com sua voz falsamente gentil. "Quero sua opinião de especialista."
Sofia sentiu a pressão. Recusar seria uma ofensa direta. Comer seria cair na armadilha. Ela estava encurralada. Tiago olhava para ela com expectativa, sem perceber a maldade no ar. Ela teve que engolir, não só o bacalhau, mas o orgulho.
Ela levou o garfo à boca, mastigou lentamente e forçou um sorriso. O gosto era tão ruim quanto a aparência. O óleo deixava uma sensação rançosa na boca.
"Está... delicioso, Dona Isabel. Uma receita única", disse Sofia, sua voz firme apesar da náusea.
Ela comeu mais uma garfada, sentindo o estômago revirar. A bile subiu à sua garganta, mas ela a engoliu de volta. A humilhação era física. Ela olhou para o rosto triunfante de Dona Isabel e sentiu uma raiva fria tomar conta de si. A sogra achava que tinha vencido o primeiro round, mas Sofia sabia que aquilo era apenas o começo. Ela não seria uma vítima. Ela não seria levada à depressão como Juliana, ou expulsa como Carolina. Naquele momento, sentindo o desconforto se espalhar por seu corpo, Sofia não sentiu desespero. Sentiu determinação. A guerra tinha sido declarada, e ela iria lutar com todas as armas que possuía.
Você pode gostar





