
Casada com o Dono do Cartel
Capítulo 2
ELENA NARRANDO
— Senhorita Ryans? — Um homem ruivo de terno disse meu sobrenome. Eu o olhei rapidamente e sorri de forma simpática.
— Sim, sou eu.
— A senhorita é a noiva do meu chefe, Nikolai? — Eu não sabia o que responder.
Estava irritada com isso, mas não tinha escolha. Meu pai me arranjou um casamento e eu tive que terminar com meu namorado, agora, estou sozinha e com o coração partido... Em breve estarei com um desconhecido, que tentará ir pra cama comigo a todo tempo. Mas eu não posso dizer não, não depois que meu pai enfiou todo o dinheiro da família no único cassino ilegal da cidade.
— Sim.
Entramos em um carro preto muito bonito. Observei a paisagem pela janela e percebi que estamos indo para a rua de lojas mais caras da cidade, não esperava menos de um homem como Nikolai. Ele quer uma esposa troféu, e está disposto a gastar com isso. Eu pareço ser a esposa troféu perfeita. Os negócios do meu pai serão super beneficiados com esse casamento, então, eu estou tentando não ser otária e concordar. Estou fazendo isso pelo bem da família, sabe? Mas é difícil controlar meu gênio. Eu não sou uma pessoa muito dócil.
— Gosto daquela loja. — Apontei para o lado de fora, enquanto estávamos parados no semáforo.
— Querido, estacione o carro, vamos em uma loja. — Otto disse.
Estava ansiosa. Ao entrarmos na loja, vi todos os tipos de vestido que imaginei. Um específico me chamou atenção, era simples, verde e longo.
— O que acha desse. — Ele logo negou com a cabeça.
— Não faz o tipo do Nikolai. — Dei os ombros. Um atendente da loja se aproximou, Otto o olhou de cima a baixo. Se seu olhar mordesse, teria arrancado um pedaço. Não o culpo, o homem é bonito.
— Posso ajudá-los? — Questionou.
— Com certeza. — Otto respondeu. — Queremos um vestido muito sensual e inesquecível, essa moça vai sair com o noivo no restaurante Palácio hoje. — O homem sorriu. — O preço não importa, o noivo dela é Nikolai das empresas NK enterprise. — Seu sorriso aumentou mais ainda.
— Já tenho um em mente. Você, com esse corpo, garota... Vai ficar um arraso.
Alguns minutos depois, o atendente me trouxe um vestido vermelho, de comprimento midi, uma fenda lateral enorme e as costas nuas. Seu decote era em formato de V, porém, não profundo.
— Meu Deus, que coisa linda. — Abri um grande sorriso e toquei no tecido do vestido, tão macio que parecia estar tocando em uma nuvem. Eu amei, sinceramente.
— É de seda pura. Tecido delicioso... Vai servir em você como uma luva. Vamos ao provador, querida. — Ele disse eu o acompanhei. Otto estava vendo alguns vestidos na arara, distraído.
Removi minhas roupas dentro do provador. Coloquei o vestido no corpo e arregalei os olhos, realmente, parecia ter sido feito para mim.
— Pode me ajudar a fechar? — Falei ao atendente. Saí do provador e ele colocou as duas mãos no próprio rosto.
— Menina, esse vestido foi feito pra você. — Disse. Eu apenas sorri de forma educada. Ele veio até mim com as mãos prontas para me ajudar com o zíper, e eu me virei de costas.
— Acha que meu noivo vai gostar? — Questionei, fingindo interesse.
— Gostar? Você está praticamente embrulhada para presente, querida. — Ele riu e eu também. Subiu o zíper em minhas costas, e eu virei para me olhar no grande espelho. — O que acha?
— Realmente, é perfeito. Ótima escolha. — Olhei para a parte de trás, as costas, a bunda...
Saí para me mostrar ao Otto, que aplaudiu ao me ver. Eu dei graças a Deus que resolvemos isso rápido.
O restante do dia foi mais interessante ainda. Fomos a um spa, tomei banho de ofurô, fiz massagem, máscara facial de não sei o que, fizemos as unhas e o cabelo. Otto participou de tudo.
O sapato que escolhemos era cravejado de cristais, a bolsa era perfeita, os brincos e o colar também.
Na hora correta, Otto me levou até meu ponto de encontro com Nikolai. Nunca estive tão linda, cheirosa, maquiada e arrumada na minha vida.
— Boa sorte e divirta-se. — Otto falou e eu sorri.
— Obrigada pelo dia, Otto. Eu me senti uma Cinderela. — Ele segurou minhas duas mãos e uma delas, ele puxou e deu um beijo carinhoso.
— Você é. Espero passar muitos dias no spa com você. Por favor, divirta-se com meu chefe e tire o mau humor dele na base da sentada. — Ri ao ouvir. Nosso dia realmente foi divertido, gostei dele.
Desci do carro e fiquei ao lado da estátua esperando aquele homem. Eu já o vi por foto: Loiro de olhos azuis, descendente de italianos.
Um carro preto, ainda mais bonito do que andei durante o dia, estacionou e um homem de terno começou a vir em minha direção. Meu coração acelerou e por um instante, mas eu me lembrei que esse homem me roubou do garoto que gostava e fechei a cara. Ter um relacionamento com um príncipe encantado parece bom para qualquer pessoa, menos pra mim. Considerando que estou sendo obrigada a ficar com ele, não é interessante. Casamentos arranjados são uma grande bosta.
Nikolai se aproximou de mim olhando-me de cima a baixo. Ele sorriu de forma maliciosa e me ofereceu a mão.
— Parece que minha princesa foi muito bem cuidada hoje. — Eu entreguei minha mão. Ele aproximou minha mão de sua boca e enquanto a beijava, me olhou nos olhos, com seus grandes olhos azuis.
— Fui. Otto é um excelente amigo. — Sorri, tentando esconder o nervosismo. A verdade é que ser chamada de princesa por um homem desse fez meus joelhos virarem gelatina. E eu odiei isso. Foco, Elena, você odeia esse homem e você não vai ficar encantadinha por esse cretino. Não mesmo.
— Você está uma deusa. — Disse, com um sorriso canalha no rosto. Ele me ofereceu o braço, para que eu o pegasse. — Vamos.
Caminhamos até o carro, onde ele abriu a porta para que eu entrasse. Depois, entrou também.
— Estou à sua altura ou esperava mais? — Questionei, enquanto estávamos no carro. Ele soltou uma risada anasalada, enquanto dirigia com apenas uma das mãos. Apoiou a outra em minha coxa, próxima ao joelho. Aquilo me fez sentir um frio na barriga.
É a primeira vez que saio com um homem mais velho.
— Você conseguiu fazer com que eu ficasse inseguro, Elena. Estou ansioso e inseguro. Essa é a verdade.
— Obrigada. — Eu fingi estar confiante. Levei minha mão até a dele e entrelacei nossos dedos. Ele continuou olhando para frente, dirigindo. — Devo ser carinhosa com você? Eu não sei o que fazer. Estou puta com você mas ao mesmo tempo, tenho medo de você cancelar o casamento... Esse casamento é importante para os meus pais e eu não quero decepcioná-los.
— Vou fazer com que isso não seja difícil pra você. Eu nunca a forçarei a nada, acredite. — Eu respirei fundo ao ouvir.
— Tá.
— Sim. Aliás, hoje irei te pedir em casamento, afinal, nosso casamento está marcado e eu nunca sequer saí com você. Finja surpresa, chore, me abrace, faça o que quiser. Estou te avisando para que se prepare pois a noite será linda.
— Não se preocupe. Sou uma boa atriz, vou fingir estar adorando tudo isso. — Ele virou o rosto finalmente para mim. Soltei a mão dele e cruzei os braços, olhando para frente.
— Minha “boa atriz” parece raivosa. Dê um balo sorriso e me devolve minha mão. — Falou, agarrou minha mão e lançou um olhar para nossas mãos agora unidas, enquanto um sorriso lateral surgiu em seus lábios. Senti meu sangue subir por meu rosto. Não apenas pelo sorriso, mas pela forma com que ele me olhou. Confiança, Elena. Exale confiança.
— Elena ficou vermelha? — Debochou. — O que faz quando está se sentindo assim, Elena?
— Assim como, Nikolai?
— Quando se sente constrangida. Sem confiança nenhuma. O que faz? — Perguntou.
— Eu finjo. — Ele sorriu com satisfação.
— Continue assim. No meu mundo, ou você é confiante, ou é pisado. Você vai encontrar mulheres extremamente fúteis e agressivas. Seja melhor que elas. E mais confiante também... Seu pai te arranjou um casamento com um ricaço, mas esse ricaço também é dono de um Cartel. Por favor, se comporte como rainha da porra toda.
— E se eu não estiver confiante... — Ele me interrompeu enquanto eu tentava falar.
— Você finge. Como disse que faz. — Ele piscou um dos olhos para mim e continuou dirigindo.
Meu Deus, essa noite vai ser complicada. Isso porque eu serei pedida em noivado por Nikolai, um homem que não conheço, rico pra caralho e que trabalha com negócios duvidosos e ilícitos. Controlar a tremedeira e manter a confiança está se tornando cada vez mais difícil.
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