
Casada com o Dono do Cartel
Capítulo 3
NIKOLAI NARRANDO
Elena é perfeita. Essa mulher vai me deixar louco, sinto isso. Vai ser muito difícil controlar meus instintos perto dela, mas espero conseguir.
— Elena, como hoje irei te pedir em casamento... Precisaremos nos beijar. Sabe disso, não sabe? Sei que é a primeira vez que nos vimos, mas os fotógrafos estarão lá e precisamos validar esse noivado. Precisamos parecer apaixonados.
— Sei.
— Serei o mais respeitoso que puder. Você é minha noiva, as coisas tem que parecer intensas... Mas tomarei cuidado para não ir longe demais. As pessoas precisam acreditar que...
— Que eu te amo e que você me ama. Eu já entendi. Eu estou com raiva disso, queria deixar claro, mas como disse... Estou disposta a fazer o que for preciso. — Ela disse, sorrindo de leve. — Sou boa em atuar.
— Então vai dar tudo certo.
— Acredito que sim.
Estacionei o carro no estacionamento do Palácio.
— Preciso ser carinhosa com você? — Ela questionou. — Preciso, né?
— Exatamente.
— Eu não gostei da parte que tenho que morar com você. — Reclamou. — Eu queria... Eu queria viver minha vida normal e... Ai, que droga, eu devia ter dito não para o meu pai.
— Você terá seu quarto. Não sou um monstro, não está vendo? Eu paguei um dia maravilhoso pra você com meu amigo Otto, você não gostou?
— Gostei... Foi bom, mas eu estou com medo. — Ela confessou.
— Nós teremos uma conversa sobre seus medos. Eu não pretendo fazer nada que você não queira, Elena, acredite.
Olhei para os olhos castanhos, bem maquiados. Por Deus, que mulher linda. Ela tirou o batom da pequena bolsa que carregava e também um espelhinho. Passou o batom nos lábios e os juntou para espalhar melhor.
— Já está linda do jeito que está. — Comentei. — Não precisa de mais maquiagem.
— Uma futura esposa de um homem como você não pode ser apenas linda. Tem que ser perfeita, pelo que entendi. Meu pai me disse o tipo de homem que você é... Eu vou dar o meu melhor pra não estragar tudo. — Ela piscou um dos olhos para mim e eu sorri de forma maliciosa.
— Boa garota.
Eu saí do carro, dei a volta e abri a porta para ela. Ofereci minha mão, que ela pegou e eu gentilmente a ajudei a sair do carro. Ofereci meu braço e ela o pegou, e assim, caminhamos para o restaurante juntos. Assim que chegamos na recepção, eu varri o local com os olhos. Vi vários dos meus colegas do Cartel, outras pessoas desconhecidas e aquilo me fez sorrir de forma lateral. Na fila, esperando para sermos atendidos, parei atrás de Elena e apoiei minhas duas mãos em sua cintura. Ela estava de costas, virou o rosto para mim e eu sorri. Ela apoiou as duas mãos nas minhas e puxou meus braços, para que eu a abraçasse. Fiquei surpreso quando ela fez isso.
— Está confortável? — Sussurrei, próximo ao ouvido dela. Vi sua pele arrepiar e eu comecei a pensar em todo tipo de promiscuidade possível. Ela respirou fundo, parecia nervosa, talvez por ser a primeira vez dela fazendo algo assim, afinal, ela era apenas uma garotinha... Uma garotinha gostosa de dezenove anos, pronta para ser devorada pelo lobo mau.
— Estou. Sou sua noiva, preciso agir como tal...
Finalmente fomos atendidos. Eu a soltei, por mais que não quisesse. Além de gostosa, estava deliciosamente cheirosa. Passar as mãos nas costas dela, quase despidas, me deu vontade de puxar o zíper que segurava o vestido no lugar. Não faria isso no meio dos outros... Mas em particular, com certeza faria se ela deixasse.
Sentamos à mesa, e eu pedi um vinho caro. Apoiei minha mão na mesa e ela levou a mão até a minha.
— E você, está confortável? — Ela perguntou. Eu sorri de forma maliciosa.
— Mais do que imagina. Enquanto o vinho não chega, que tal uma dança na pista do outro lado do restaurante? — Eu apontei para o local.
Há uma linda pista de dança, onde uma música ao vivo tocada em um violino e um piano. Vez ou outra o pianista canta, como é o caso dessa música. É um cover de Heather, de Conan Gray. Uma música extremamente bonita, e bem lenta. Alguns casais se divertem na pista. Ofereço minha mão para Elena, em pé, para que se levante. Ela segura minha mão e sorri, me acompanhando até a pista. Ao chegar ali, apoio minhas duas mãos em sua cintura e ela apoia ambas em meu peito, as deslizando por ali. Seu rosto baixo, logo se levanta para olhar em meus olhos. Ela passa os braços ao redor de meu pescoço e sorri.
— Gosto de dançar. — Comentou.
Fiquei em silêncio. Minhas mãos em sua cintura foram ousadas o suficiente para tocar em sua pele exposta das costas, e eu a sentia, deslizava meus dedos por suas costas como se fosse um livro em braile.
Ela começou a mexer no cabelo de minha nuca, em um carinho leve.
— Já disse que está linda, mas preciso dizer novamente. Você é a mulher mais linda daqui. — Ela sorriu e olhou para baixo por alguns instantes. O cabelo dela é longo, quase até a cintura, e está solto e com ondas leves.
— Obrigada. — Seus olhos mais uma vez encontraram os meus.
Nossas bochechas, levemente encostadas, se desencostaram quando fiz meu rosto ficar de frente para o dela novamente. Encostei minha testa na dela, fazendo também que nossos narizes se tocassem. Ela continuava acariciando meu cabelo da nuca, de forma despreocupada. Fechou os olhos, deixando a música a levar. Eu a guiava sem pressa, ao ritmo da música. Uma mulher bem educada como ela sabe mesmo como dançar e seguir um homem. Ela deve ter tido aulas com os melhores professores.
Minhas mãos caminharam por suas curvas, até o final de suas costas. É, eu me aproveitei um pouco. Pouco tempo depois, vi que nosso vinho estava sendo colocado em nossa mesa.
— Vamos, o vinho chegou. — Avisei. Desfizemos o abraço e eu a levei até nosso lugar novamente. O garçom serviu o vinho em nossas taças e eu tomei um gole. Me impressionei ao ver que ela cheirava o vinho, rodando-o dentro da taça de forma leve.
— Excelente. — Comentou.
— Entende de vinhos? — Perguntei, curioso.
— Entendo de muita coisa, Nikolai. — Eu sorri ao ouvir o que ela disse. Minha futura esposa é surpreendente.
Tomei um gole do vinho e ao soltá-lo, peguei sua mão.
— Vou me ajoelhar na sua frente e te pedir em casamento, Elena. — Avisei.
— Faça. Estou ansiosa para ser pedida pelo meu amado namorado... Que acabei de conhecer. — Ela riu de si mesma, debochando.
— Não zombe, Elena. Você vai acabar se apaixonando por mim. Acredite.
— Só um homem muito solitário e incapaz de arrumar uma mulher por conta própria seria capaz de aceitar um casamento arranjado. — Ela disse.
Garotinha rebelde.
— Ou talvez um homem que tenha batido os olhos na filha de seu amigo e dito “é essa que eu quero e vou ter a todo custo.” — Pisquei um dos meus olhos ao falar.
— Não seria mais fácil tentar me conquistar? — Perguntou.
— Não seria mais fácil tentar te conquistar depois de você já ser minha? Elena, sou eu contra eu mesmo agora. A chance de te conquistar é quase cem por cento.
— Você é um cretino egocêntrico. — Ela resmungou. — Esse casamento é culpa sua.
— É, é culpa minha, mas seu pai amou a ideia de fazer esse casamento. Ele vai ter um lucro do caramba e a empresa falida dele vai crescer. — Ela cruzou os braços ao me ouvir e bufou. — Desfaz essa cara agora.
— Sim senhor. — Resmungou.
Eu tirei uma caixinha preta, me ajoelhei na frente de Elena e abri a caixinha. Ela colocou as duas mãos em seu próprio rosto, fingindo surpresa.
— Elena, quero que seja minha esposa. Você é tudo que eu procurava em uma mulher. Aceita?
Ela parecia realmente nervosa, e essa foi a parte mais divertida. As pessoas ao redor começaram a observar. Ela concordou com a cabeça e ofereceu a mão.
— Sim, Nikolai! Você tem alguma dúvida? — Eu me levantei após colocar o anel no dedo dela, e ela se levantou também, me dando um abraço apertado. Eu a abracei de volta também. Elena me odeia e está fingindo tão bem que eu quase acreditei que seu abraço foi real. O que uma filha não faz pelo pai falido, não é mesmo?
Elena encostou os lábios nos meus de forma demorada, e eu apenas correspondi. Afastou o rosto do meu e sorria, olhando em meus olhos.
— Isso foi perfeito. — Comentei.
Viramos o centro das atenções e fomos aplaudidos após o sim.
— Dei o meu melhor. — Eu ri de um jeito bastante cretino. Ainda estávamos abraçados e falávamos baixo um com o outro.
— Se tivesse dado seu "melhor", Elena, estaria sem roupa na minha cama. — Ela sorriu de forma maliciosa.
— Tadinho de você, Nikolai. O único “melhor” que você vai ver, é esse: Eu, dando um selinho em você na frente dos outros.
— Me provoca mesmo, menina. Em duas semanas ou menos você vai estar sentada em mim, gemendo meu nome. — Vi a pele dela se arrepiar ao que eu disse isso.
— Você não sabe nada sobre mim. Eu sou muito resistente. — Afirmou.
Como se eu não gostasse.
— Eu só estou controlado porque estamos na frente dos outros, se não, estaria te provocando o suficiente pra você engolir cada uma das suas palavras sobre resistência. — Ela riu maliciosamente.
— É? Eu tenho pena de você, porque se você acha que eu vou ceder fácil, você está enganado. Você pode ser meu futuro marido, mas eu não vou facilitar as coisas pra você.
— Eu acho que você vai cair na minha lábia como um patinho, amor. — Afirmei.
— Egocêntrico.
Ela me soltou, e voltamos a sentar à mesa. Pedimos um prato, mas sinceramente, eu já não conseguia pensar em nada que não fosse comer a Elena. Eu não sei nem se vou conseguir me segurar dentro do carro, ou se aguentarei chegar lá. Eu a quero, porra, eu a quero muito. Como vou fazer pra me controlar? Sério, como vou me controlar com uma mulher assim?
Depois de um belo jantar, eu estava cheio e ela aparentemente também.
— Vamos embora? — Disse.
— Vamos, vamos sim. — Falou.
Ela parecia assustada, afinal, pela primeira vez iria ser levada para a minha casa. Agora, Elena é oficialmente minha noiva. As coisas dela haviam chegado hoje a tarde na minha casa e os empregados organizaram tudo no guarda roupa no quarto que preparei para ela.
Fiquei pensando em como foi dançar com ela naquela pista. Vai ser difícil resistir à essa mulher e por algum motivo, tudo que ela disse e fez despertou algo dentro de mim que eu não sou capaz de lidar. Não mesmo.
— Tudo bem? — Perguntou.
— Sim.
— Parece atormentado. — Eu dei risada. Estou atormentado porque eu tenho a porra da mulher perfeita no meu banco do carona, ela vai casar comigo... Porém não pelo motivo que eu gostaria.
— Estou. Muitos problemas no meu trabalho, se você quer saber. — Eu menti de forma descarada.
Ela olhou para a janela e suspirou.
— É um saco, problemas de trabalho sempre são um saco. Quer conversar?
— Não tem muito o que falar. Pessoas são falsas, pessoas cobrando coisas de mim que não estão ao meu alcance de resolver... Enfim. — Eu continuava dirigindo e apoiei a mão em uma das coxas dela. — Nós vamos nos casar no mês que vem. Precisa ser logo, como você sabe.
Ela respirou fundo e deu os ombros.
— Tudo bem, eu não tenho muita escolha, fazemos como for melhor pra você. Quer ajuda para preparar isso? Eu já cuidei de festas de casamento no restaurante e ao menos será divertido... Eu acho. — Concordei com a cabeça.
— Pode ser. Pareça uma noiva feliz e ansiosa para casar comigo, não se esqueça. Não é legal que você fique com aquela cara de bunda que você fez quando estávamos prestes a ficar noivos.
— Cara de bunda? — Ela deu risada. — Não se preocupe. Vou até escolher o vestido dos meus sonhos, acredite, estou suuuuper ansiosa pra me casar com você. — Ela deu risada.
— Por que está rindo? — Perguntei.
— Porque eu nunca quis me casar. A vida é engraçada... Minha irmã está surtando porque sou eu que vou casar com você, não ela. Ela tentou de todo jeito casar contigo, sabia?
— Ah, ela queria? — Concordou comigo ao me ouvir.
— Queria. Ela acha você o maior gato. Aliás, por que não escolheu ela? — Falou.
— Porque eu queria você.
— Eu deveria me sentir lisonjeada? — Perguntou e eu ri.
— Entenda como quiser. Foi amor a primeira vista.
— Que amor mais puro o seu... Oferecer dinheiro pra se casar com uma mulher é realmente muito romântico. — Ela disse, piscando os dois olhos de maneira irônica.
Tudo que eu podia fazer era rir.
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