Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Casa di Giulietta

Casa di Giulietta

Sofrendo com um bloqueio criativo severo, uma romancista viciada em trabalho decide deixar tudo para trás e viajar em busca de inspiração. O destino escolhido é Verona, o cenário histórico de Romeu e Julieta. O que Helena jamais imaginou era que, ao desembarcar na Itália, deixaria de apenas escrever sobre o amor para vivenciá-lo intensamente. Ao conhecer Giovanni de Luca, ela descobre que sua própria vida pode se tornar a história mais apaixonante de todas.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 1

— Helena, você não acha loucura da sua parte viajar para escrever um novo livro? — Mariane, minha melhor amiga, anda de um lado para o outro pelo meu quarto enquanto eu me preocupo unicamente em guardar poucas peças de roupas dentro da única mala que levarei para minha viagem.

— Loucura é eu ficar sem fazer nada diante desse bloqueio criativo. Nanny, esse é o pior bloqueio que eu já tive! Nunca fiquei mais de três meses sem escrever nada... — Mordo meus lábios nervosa e me sento sobre a mala já cheia. — Eu preciso respirar novos ares e buscar por alguma inspiração, algo que me destrave, entende?

— Geralmente, dar um tempo é o suficiente. — Minha amiga caminha até mim e senta do meu lado me abraçando.

Sei que ela está preocupada assim como todos da minha família. Não disse nada sobre meu destino para ninguém, sinto que essa viagem precisa ser algo só meu, sinto que ela pode ser a chave para o melhor livro de romance que já escrevi. Portanto, prefiro que cada detalhe dessa viagem seja inédito.

—Não vai mesmo me dizer para onde vai? — Com sua cabeça deitada no meu ombro, Mariane tenta mais uma vez arrancar de mim a informação que todos querem.

— Não vou contar para ninguém. — Digo pela... Milésima vez? — É uma coisa que eu preciso viver comigo mesma antes de mostrar para todos através da minha escrita. — Me ajuda a fechar, vai! — Me ajoelho sobre a mala e aguardo Mariane fechar o zíper da mesma.

— Vai levar só uma mala mesmo? — Pergunta ao estranhar minha única mala de tamanho médio.

— E minha mala de mão. — Estendo a mala de mão com meu computador para que ela veja. — É mais que o necessário. — Dou de ombros sobre seu olhar julgador.

— Helena, seja verdadeira e me responde uma coisa... — Mariane me olha maliciosamente e sorri — Você não arranjou um namoro virtual e está indo conhecer o cara não, né?!

É impossível não rir diante da desconfiança absurda da minha melhor amiga. Mariane sabe, melhor do que ninguém, o como tenho dificuldade de me relacionar com pessoas, quem dirá namorar.

— Somos amigas tempo o suficiente para você saber que eu sou ótima ao escrever romances e terrível vivendo-os.

— Isso me preocupa. — Diz ao colocar minha mala no chão. — Depois do...

— Não fala o nome dele. — Um arrepio toma minha espinha quando percebo de quem Mariane quer falar.

Pode passar cinco, dez, quinze, vinte anos... Ethan nunca será um assunto fácil para mim.

— Ele gostaria de te ver feliz. — Toca meu ombro e acaricia ao local com seus dedos.

— Estou feliz. — Sou curta e grossa. — Toma — Estendo a chave do meu apartamento para Mariane que pega depois de revirar os olhos para mim. — O carro que vai me buscar chegou. — Me apresso a abraçá-la depois que percebo a notificação no visor do meu celular. — Não se preocupe comigo. Manterei contato e voltarei em breve.

— Nem vai me deixar te levar até o aeroporto, Lena?

— Nops. — Sorrio e separo o abraço encarando-a — É algo só meu, Nanny... — Saio do meu quarto com minhas malas e Mariane atrás de mim. — Até breve, amiga! — Digo assim que abro a porta do apartamento e atravesso-a sem me dar a oportunidade de ouvir Nanny responder-me.

Fecho a porta do meu apartamento e apresso-me a pegar o elevador. Para minha alegria, o elevador não demora a atender o meu chamado e logo abre as portas para mim. Em pouquíssimos minutos eu já estou dentro do carro cumprimentando o motorista de aplicativo de meia idade que descubro se chamar Francisco. Chico, como pediu que eu o chamasse, me trouxe, entre risadas e um papo bem descontraído, até o aeroporto internacional onde tive que me despedir dele.

Com o passaporte em mãos, na sala de embarque, olhando pela imensa janela transparente aviões decolarem, um sorriso se instala em meu rosto. É um novo início para mim.

O maior desespero para um escritor é precisar entregar um livro e vivenciar o bloqueio criativo. Estou há meses no olho do furacão do pior bloqueio que já tive. Já rascunhei incontáveis enredos que não foram para frente. Já chorei, me desesperei, enfrentei crises de ansiedade. Porém, finalmente consegui enxergar uma luz no fim do túnel. Para sair desse terrível poço, preciso me libertar, preciso me permitir explorar novas táticas e viajar será uma delas.

Uma voz alta se faz ouvir. Ela não chama meu nome. Ao invés disso, ela chama pelo nome do meu destino e o número do meu voo. Meu estômago quase salta pela minha boca e põe para fora todo o milkshake que tomei durante a tortuosa espera. Com as pernas trêmulas, me levanto e caminho até o portão de embarque. O caminho não é muito longo até eu estar sentada em minha poltrona admirando a linda manhã de céu azul no Rio de Janeiro. Aquele sorriso largo? Ele ainda está bem aparente enfeitando meu rosto. É impossível não sorrir.

Daqui a poucas horas eu estarei pisando na cidade que foi inspiração para o grande Shakespeare romancista. Um frio na barriga me assombra ao cair a ficha de que eu realmente estou fazendo valer a ideia maluca que tive antes de dormir há uma semana atrás. Como eu cheguei aqui eu não sei, no entanto, tenho plena certeza que estou no caminho certo. Às vezes é necessário sair do casulo, ter novas perspectivas, explorar novas táticas, para se chegar no destino almejado. Eu estava saturada demais para escrever algo bom. Eu precisava me libertar e foi isso que fiz.

Mas não é uma viagem qualquer.

Como uma romancista e eterna admiradora de Shakespeare, me permitirei viajar até a cidade de um dos casais mais famosos dos romances. Verona sempre foi uma cidade que me chamou atenção e que me seduziu. Espero que tal cidade me proporcione inspiração suficiente para escrever um novo romance. Verona sempre foi um sonho meu. Depositei na realização desse sonho, todas as minhas esperanças para conseguir superar-me e entregar no meu novo livro, o melhor de mim.

Você pode gostar

Capa do romance A Última Herdeira da Lua Rubra
9.5
Adrián Salvatore, CEO e herdeiro da linhagem Lua Prateada, vive isolado por muros emocionais e segredos sobrenaturais. Ele acredita ser o fim de sua raça até contratar Rúbia Moreau, uma arquiteta renomada, para um projeto nas montanhas. O encontro desperta uma conexão intensa, mas o passado sombrio de Adrián ameaça esse vínculo. Entre perigos ocultos e revelações, os dois últimos sobreviventes devem escolher entre a dor do passado ou um futuro sob a lua.
Capa do romance Amor inesperado  Amor
8.3
Após onze anos, a escritora Scarlet Larsson retorna ao Texas para superar um bloqueio criativo. Seu pai a presenteia com uma estadia em uma cidade fantasma, mas a viagem vira um caos quando sua irmã leva uma amiga falsa. Lá, Scarlet se apaixona pelo arrogante Blake, que a rejeita em favor da rival fútil. Humilhada e injustiçada, a ruiva decide erguer a cabeça e partir, jurando jamais perdoar o homem que desprezou seu coração em meio ao deserto texano.
Capa do romance Ele assassinou meu pai por ela
9.8
Arthur abandonou-me no altar 98 vezes por Katarina, a mulher que ele realmente amava. Eu o via como meu salvador, sem saber que ele planejou a morte do meu pai para roubar seu fígado para ela. Após tentar me assassinar para satisfazer o ciúme da amante, ele me jogou de um penhasco. Sobrevivi, mudei de identidade e me tornei uma cientista espacial renomada. Quatro anos depois, retorno da missão para executar minha vingança definitiva contra os dois.
Capa do romance Escolhendo o Meu Alfa
8.1
Lissandra vive sob o jugo de quem a despreza, ocultando um legado gélido e perigoso. Para conquistar sua liberdade, ela arrisca tudo em uma fuga desesperada, mas acaba no centro de uma disputa territorial intensa. Portadora de um segredo capaz de moldar o destino do continente, ela se torna o alvo de perseguidores implacáveis. Em um mundo de traições e sede de poder, Lissandra deve decidir seu próprio caminho e definir qual alfa merece sua lealdade e seu coração.
Capa do romance Forasteiro Abastado - Recompensa Maldita
8.4
Dione chega à Nova Filadélfia para buscar um prêmio do destino e presentear a filha, Marina, em seu aniversário. Carregando a culpa de ter sido um pai ausente, ele vê no dinheiro a chance de um recomeço honesto. Contudo, a fortuna atrai ganância e perigos inesperados. Entre a adrenalina de Mercedes e a sedução de Lisa, o forasteiro enfrenta dilemas amorosos que o forçam a confrontar o passado e buscar uma redenção profunda para orgulhar sua pequena.
Capa do romance Herederos Alfas
9.4
Sob uma lua de sangue, o Clã Lua Vermelha ruiu em chamas e traição. Anos após o sumiço da última herdeira, o Alfa do Clã Estrela Sombria governa com soberania absoluta. Porém, o destino ressurge quando ela retorna sem memórias, mas com uma marca proibida latente. O Alfa a reconhece instantaneamente pelo toque e instinto. Unidos por um poder ancestral e condenados pelo passado, eles enfrentarão guerras e segredos para cumprir o que a lua decretou.