Capa do romance A Última Herdeira da Lua Rubra

A Última Herdeira da Lua Rubra

9.5 / 10.0
Em A Última Herdeira da Lua Rubra, o CEO Adrián esconde sua linhagem de lobo enquanto a arquiteta Rúbia projeta seu refúgio. Este romance explora segredos antigos e o destino dos últimos sobreviventes. Leia este werewolf romance novels e descubra ficção e mistério nesta web novel.
Resumo de A Última Herdeira da Lua Rubra
Adrián Salvatore, CEO e herdeiro da linhagem Lua Prateada, vive isolado por muros emocionais e segredos sobrenaturais. Ele acredita ser o fim de sua raça até contratar Rúbia Moreau, uma arquiteta renomada, para um projeto nas montanhas. O encontro desperta uma conexão intensa, mas o passado sombrio de Adrián ameaça esse vínculo. Entre perigos ocultos e revelações, os dois últimos sobreviventes devem escolher entre a dor do passado ou um futuro sob a lua.
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A Última Herdeira da Lua Rubra Capítulo 1

Quando o chamado é mais forte, e é a única que eu respondo.

ADRIÁN SALVATORE PETRONIK

36 ANOS.

É sempre assim em Barcelona.

Quando o inverno chega, eu não sinto frio. Nunca senti. O que eu sinto é outra coisa. Uma inquietação que começa silenciosa, quase imperceptível, e cresce dentro do peito até se tornar impossível de ignorar. Não é o vento cortando as ruas. Não é a névoa que se instala sobre os prédios antigos do Eixample. É um chamado que não depende da temperatura, não depende do calendário, não depende de nada que possa ser explicado em uma reunião de conselho.

Uma necessidade de me afastar.

De silenciar o mundo.

De ficar só.

E é sempre ela que me chama.

A lua prateada.

Ela surge sobre a cidade como um lembrete de que, por mais alto que eu esteja, por mais vidro e aço me cercando, existe algo em mim que não pertence a esse cenário urbano. Eu observo a lua refletida nas fachadas espelhadas dos edifícios e sinto o peso do que carrego se mover sob a pele, como se despertasse com o frio do inverno.

Todos os anos é igual.

Quando dezembro se aproxima, eu começo a contar os dias sem perceber. As reuniões ficam mais longas. O conselho mais impaciente. Os investidores mais exigentes. Minha equipe observa cada gesto meu esperando decisões rápidas, números fechados, estratégias perfeitas. Eu entrego tudo. Entrego resultados, lucros, expansão. Mas nada disso me atinge de verdade.

O que me atinge é a proximidade da lua cheia.

E do chalé.

O chalé nas montanhas é simples, discreto, isolado do mundo. Não há luxo exagerado ali. Apenas madeira antiga, lareira de pedra, o cheiro constante da terra úmida e o silêncio absoluto que não existe em Barcelona. É o único lugar onde eu posso respirar sem precisar sustentar a postura de CEO mais jovem da Europa, sem precisar vestir a máscara do homem que nunca falha.

Ali eu corro.

Ali eu me lembro de quem sou.

Ou do que sou.

Mas ainda não é hora de ir.

Estou parado diante da janela do meu apartamento, no último andar, observando as luzes da cidade pulsarem como um organismo vivo. Abaixo de mim, carros cruzam avenidas, pessoas entram e saem de restaurantes, casais discutem, riem, se beijam. Vidas seguem seus próprios rumos, acreditando que o mundo é exatamente o que conseguem enxergar.

Eu poderia ter qualquer uma dessas vidas se quisesse.

Mas eu não quero.

A batida na porta do quarto interrompe meus pensamentos.

Duas batidas suaves. Confiantes.

Ela entra antes que eu responda.

O vestido preto delineia o corpo dela com precisão. O salto alto está pendurado nos dedos. O perfume invade o quarto antes mesmo que ela feche a porta. Ela se move com a segurança de quem já esteve ali outras vezes e sabe que será recebida.

- Você sempre fica assim depois. Distante. Como se eu não estivesse aqui.

Eu não respondo de imediato. Mantenho o olhar na cidade. O reflexo dela no vidro é mais nítido do que sua presença física atrás de mim.

Ela se aproxima até quase tocar minhas costas.

- Por que você é sempre tão frio, Adrián? Você nunca quer assumir nada com mulher nenhuma. Eu sou só mais uma?

Viro o rosto lentamente.

- Eu não procuro mulheres. São vocês que vêm até mim. Eu entrego o que querem. Vocês me entregam o que eu quero.

Minha voz não se altera.

Ela arqueia a sobrancelha.

- E o que você quer?

- Minha paz.

Ela sorri, aproximando o corpo do meu, os dedos deslizando pelo colarinho da minha camisa.

- Então, antes que eu te dê sua paz, me dê o que eu vim buscar.

O beijo parte dela.

Intenso, urgente, carregado de expectativa. Não há romantismo ali. Não há promessa. Apenas necessidade física, simples e direta. Eu correspondo porque é o que se espera de mim. Porque meu corpo responde com eficiência. Porque é fácil.

As mãos encontram pele. O vestido desliza pelo corpo dela e cai no chão. Minha camisa segue o mesmo destino. Não há palavras entre nós. Apenas respiração acelerada e o ritmo conhecido de algo que não deixa marcas.

Eu nunca prometo nada.

Nunca insinúo nada.

Nunca ofereço mais do que o momento.

Ela busca prazer. Eu entrego.

Eu busco silêncio. Elas entregam.

Quando tudo termina, eu me afasto primeiro.

Levanto da cama sem olhar para trás. Visto a camisa com calma, ajusto os botões como se estivesse me preparando para uma reunião qualquer. Caminho até o bar discreto no canto da sala e sirvo um uísque. O líquido âmbar desce queimando, a única sensação que realmente permanece depois que o quarto volta ao silêncio.

Retorno à janela.

A lua está mais alta agora.

Ela se move na cama atrás de mim.

- Posso dormir aqui essa noite?

Não olho para ela.

- Eu já te dei o que você veio buscar. Agora me dê minha paz.

O silêncio que se segue é carregado de irritação contida. Ouço o som do zíper sendo puxado, o tecido deslizando contra a pele, o salto sendo calçado com firmeza.

- Você é impossível.

A porta se fecha com força.

Fico sozinho.

Sempre sozinho, e gosto assim.

Apoio a testa no vidro frio e fecho os olhos por um instante. A cidade continua viva lá embaixo, alheia ao que existe nas sombras.

Não é você.

O pensamento surge como sempre surge, sem que eu precise convidá-lo.

Não é nenhuma delas.

Eu não sei quem é você. Não sei onde está. Não sei sequer se existe. Mas sei que ainda não encontrei. E enquanto não encontrar, nada do que me oferecem é suficiente para preencher o espaço que cresce dentro de mim toda vez que a lua aparece.

A lua prateada me observa do alto.

Sinto o chamado aumentar a cada noite que se aproxima da lua cheia. O corpo começa a reagir antes da mente aceitar. Os músculos ficam tensos. Os sentidos mais aguçados. O sono se torna leve demais, superficial demais.

Eu poderia ignorar.

Mas nunca ignoro.

Em poucos dias estarei dirigindo para as montanhas. Deixarei Barcelona para trás, o concreto, as reuniões intermináveis, os contratos bilionários e as mulheres que confundem desejo com sentimento.

Vou para o chalé.

Para o silêncio.

Para a floresta que não me julga.

Ali eu posso correr.

Ali eu posso ser inteiro.

A cidade lá embaixo continua acreditando que monstros pertencem aos livros, às lendas antigas, aos filmes exagerados. Humanos caminham pelas ruas convencidos de que o mundo é exatamente o que veem.

Eles não sabem.

E é melhor que continuem não sabendo.

Endireito o corpo e termino o uísque de um gole só.

A lua reflete no vidro, e por um segundo meus olhos parecem absorver a mesma tonalidade prateada que ilumina o céu.

Não é você.

Mas eu vou continuar procurando.

Porque todos os invernos ela me chama.

E eu sempre atendo.

Fecho os olhos e minha respiração muda.

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