Capa do romance Divórcio de Aniversário: A Ascensão da Minha Rainha

Divórcio de Aniversário: A Ascensão da Minha Rainha

7.9 / 10.0
No dia do nosso aniversário, meu marido exigiu o divórcio, alegando ser um plano temporário para proteger sua amante grávida. Após ser abandonada em uma tempestade e coagida a doar sangue sob ameaças contra a memória de meus pais, percebi sua crueldade. Ele me via apenas como um recurso descartável, esperando submissão eterna. Contudo, ele subestimou minha força. Agora, a esposa dedicada ressurge como uma rainha pronta para tomar seu império e destruir seu mundo.

Divórcio de Aniversário: A Ascensão da Minha Rainha Capítulo 1

Meu marido me entregou os papéis do divórcio no nosso aniversário. Era uma "manobra temporária", ele disse, para acalmar sua amante grávida até que ela desse à luz ao seu herdeiro.

Depois, ele me abandonou para morrer em uma tempestade e me forçou a doar meu sangue para salvá-la, ameaçando profanar o túmulo dos meus pais quando recusei.

Ele me chamou de "bolsa de sangue" e esperava que eu aguardasse pacientemente seu retorno.

Ele achava que conhecia sua esposa prática e amorosa.

Ele estava prestes a conhecer a rainha que tomaria sua coroa, sua empresa e seu mundo inteiro.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Alice Ribeiro

Meu marido me entregou os papéis do divórcio no quinto aniversário da empresa que construímos do nada. Ele chamou aquilo de "uma manobra legal temporária".

O papel, nítido e pesado, parecia gelado contra a ponta dos meus dedos, um contraste brutal com o calor da taça de espumante que eu tinha acabado de pousar. Do lado de fora da janela da cobertura, São Paulo brilhava, uma galáxia de luzes que tínhamos conquistado juntos. Aqui dentro, o cheiro do jantar especial que passei a tarde toda preparando enchia o ar, o testamento de uma celebração que acabara de morrer.

"Eu não estou entendendo", sussurrei, minha voz soando como a de uma estranha. Meus olhos percorreram o texto em negrito: Petição de Dissolução de Casamento. Abaixo, em letras bem digitadas, estavam nossos nomes: Caio Lopes e Alice Ribeiro.

Caio afrouxou a gravata, seus movimentos casuais, como se estivesse discutindo os resultados trimestrais. "É simples, Alice. A Kátia está grávida."

O nome dela me atingiu como um soco no estômago. Kátia Werner. Sua nova, e ridiculamente jovem, assistente executiva. O ar fugiu dos meus pulmões em uma corrida dolorosa. A taça de cristal, as luzes da cidade, o rosto perfeitamente bonito de Caio — tudo se transformou em um borrão nauseante. Cinco anos. Cinco anos do que eu pensei ser uma parceria, uma história de amor escrita em noites em claro programando e sonhos compartilhados. Tudo isso, uma mentira.

"Grávida?" A palavra parecia cacos de vidro descendo pela minha garganta. "Você... você me disse que nunca quis filhos. Nós concordamos. Por causa... por causa do que aconteceu comigo." Meu trauma do passado, uma ferida tão profunda que construímos todo o nosso futuro em torno de protegê-la. Ele me abraçou durante os pesadelos e jurou que eu era tudo o que ele precisaria.

Ele teve a decência de desviar o olhar, sua atenção caindo sobre a luz trêmula da vela entre nós. "As coisas mudam."

"Uma manobra temporária", repeti, as palavras com gosto de cinzas. Minha mente se embaralhava, tentando encontrar uma versão da realidade onde isso fizesse sentido. Isso tinha que ser um teste. Um jogo cruel e elaborado para apaziguar uma amante instável. "Você quer que eu assine isso... como uma farsa? Para acalmá-la?"

"Exatamente", disse ele, um sorriso aliviado tocando seus lábios, como se eu finalmente tivesse entendido um conceito de negócio complexo. Ele se inclinou para frente, sua voz baixando para aquele tom familiar e persuasivo que ele usava para fechar negócios. "Ela precisa de segurança. Um contrato. Assim que o bebê nascer e ela estiver estabelecida, podemos rasgar isso. Nada vai realmente mudar entre nós, Alice. Você ainda será minha sócia. Minha esposa, em todos os sentidos que importam."

"Você quer se divorciar de mim, casar com ela, ter um filho com ela, e então espera que eu simplesmente... espere?" Eu o encarei, procurando pelo homem com quem me casei. O homem que uma vez traçou a cicatriz na palma da minha mão e me disse que era um mapa da nossa jornada compartilhada. Ele tinha sumido. Em seu lugar havia um estranho, um monstro usando seu rosto.

"Ela é jovem. Um pouco instável. Isso vai acalmá-la", ele explicou, ignorando completamente o furacão que me devastava por dentro. "Pense nisso como um investimento em paz e sossego. Não podemos ter um escândalo afetando a empresa, não agora."

"Então eu sou apenas... um item no seu plano de gerenciamento de crise?"

"Não seja dramática." Ele estendeu a mão sobre a mesa, cobrindo a minha. Seu toque, que antes parecia um lar, agora queimava como uma marca de ferro. Eu recuei, puxando minha mão como se tocasse uma chama.

A rejeição se registrou em seu rosto, um lampejo de irritação. "Alice, nós construímos este império juntos. Você e eu. Isso não muda."

"Tudo acabou de mudar!" Minha voz falhou, o som ecoando na sala silenciosa e opulenta. "Você vai ter um bebê com outra mulher! Você está me pedindo o divórcio! Você enlouqueceu?"

Ele suspirou, o som carregado de impaciência. "Eu sabia que você ia exagerar. Olha, depois de um ano, talvez dois, eu arranjo um divórcio discreto dela. Vou prover para ela e para a criança, claro. Então você e eu podemos nos casar de novo. Ninguém precisa nem saber."

Uma clareza fria e apavorante começou a se instalar no meu peito. "E ela? E o bebê? O que acontece com eles quando você terminar com sua família 'temporária'?"

Ele deu de ombros, um gesto de indiferença suprema. "Ela terá um acordo que a deixará bem para o resto da vida. O garoto terá um fundo fiduciário. É o que homens na minha posição fazem, Alice. É prático." Ele se recostou, a imagem da calma e da razão. "E para te mostrar meu compromisso, eu nem vou contestar a divisão de bens. Você fica com seus cinquenta por cento da empresa. Vai se mudar para o apartamento de luxo nos Jardins. É um bom negócio."

Um bom negócio. Ele estava falando sobre o fim do nosso casamento, a destruição do meu mundo, como se fosse uma transação imobiliária. O homem gentil e amoroso que eu conhecia havia desaparecido. Ele não tinha sido roubado; ele nunca existiu. Este narcisista frio e calculista era o verdadeiro Caio Lopes.

"O que você esperava, Caio?" perguntei, minha voz estranhamente calma. "Esperava que eu te agradecesse?"

"Eu esperava que você fosse inteligente", ele retrucou, sua paciência finalmente se esgotando. "Esperava que você entendesse o que está em jogo. Eu ainda te amo. Você é a única mulher que eu já vi como minha igual."

A lembrança dele sussurrando essas mesmas palavras anos atrás, sob um céu cheio de estrelas em nossa lua de mel, me trouxe uma nova onda de náusea. Ele amava minha mente, minha ambição, minha parceria. Ele amava o que eu podia ajudá-lo a construir. Mas ele nunca me amou de verdade.

"Você está certo", eu disse, as palavras vazias e sem vida. "É um ótimo negócio."

Peguei a caneta que ele tão atenciosamente havia deixado ao lado dos papéis. Seu peso parecia imenso em minha mão trêmula.

Ele me observava, um sorriso presunçoso de vitória já se formando em seus lábios. Ele achava que tinha vencido. Achava que eu cederia, como sempre fiz, pelo bem da empresa, pelo nosso bem. Ele não tinha ideia de que o "nós" a que ele se referia acabara de ter uma morte violenta.

Enquanto meus dedos se apertavam em torno da caneta, o celular dele vibrou na mesa. Ele olhou para a tela, e toda a sua postura mudou. O CEO frio desapareceu, substituído por um olhar de preocupação tão terna que me roubou o fôlego.

"Oi, meu bem", ele murmurou no telefone, sua voz uma carícia suave. "Não, claro que você não está me incomodando. O que foi? Você está bem?"

Eu assisti, congelada, enquanto ele ouvia, a testa franzida de preocupação. Assisti enquanto seu rosto se inundava de adoração, um olhar que ele não me dava há anos. Ele estava olhando para o celular, mas estava vendo ela. Sua nova família.

"O médico disse o quê? Ok, não entre em pânico. Fique exatamente onde está. Estou a caminho." Ele se levantou, guardando o celular no bolso, seus olhos já distantes. Ele já tinha partido.

Ele parou na porta, virando-se para mim como se lembrasse de um detalhe menor. "Apenas assine, Alice. Conversamos amanhã. Me espere aqui."

Então ele se foi. A porta se fechou com um clique, me deixando sozinha com as ruínas da minha vida. O jantar especial estava intocado, seu aroma rico agora uma zombaria doentia.

Me espere aqui.

Uma risada amarga e histérica borbulhou do meu peito. Era o som de uma mulher se quebrando.

Eu não esperei. Peguei minha bolsa e os papéis do divórcio e saí daquela cobertura, deixando as velas queimarem sobre nossa última ceia.

Dirigi direto para o escritório do meu advogado, minhas mãos firmes no volante. As luzes da cidade se borraram através das minhas lágrimas, não mais um símbolo da nossa vitória, mas uma testemunha da minha desolação. Empurrei os papéis sobre a mesa dele.

"Dê entrada", eu disse, minha voz resoluta. "Amanhã, logo cedo."

Ele olhou para o documento, depois para o meu rosto. "Alice, você tem certeza? Há um período obrigatório de reflexão de sessenta dias, mas uma vez que isso for protocolado..."

"Eu tenho certeza", cortei-o, as palavras como pedra na minha boca.

Não havia como voltar atrás. Eu tinha acabado de atear fogo à minha própria vida, e tudo o que eu conseguia sentir era o frio arrepiante e libertador.

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