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Capa do romance Caçada: Além de uma Vida

Caçada: Além de uma Vida

Stella Venator, de 27 anos, lida com o fardo de sua linhagem de caçadores e as cicatrizes de uma tragédia familiar. Após um encontro surpreendente e um gesto nobre alterarem sua trajetória, ela passou a residir em Capitólio, no Vaticano. Agora, cercada por magia e mistérios, Stella enfrenta dilemas cruciais e novas revelações que prometem transformar seu futuro. Entre suspense e perigos, ela deve decidir qual caminho seguir nesta jornada intensa.
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Capítulo 1

Stella Venator

Olá, me chamo Stella Venator, tenho 27 anos, venho de uma linhagem de caçadores sobrenaturais. Moro atualmente em Capitólio, no Vaticano, cenário onde perdi meus pais há onze anos…

Após perdê-los naquela maldita noite, fui morar com os Bellator. Os caçadores, quando têm filhos, apadrinham outros caçadores caso eles não resistam a alguma batalha. Assim, nos ensinam de onde nossos pais pararam. Foi o que aconteceu comigo.

Bom, no nosso ramo lidamos com duas espécies: vampiros e lobisomens. A primeira raça do mundo chamamos de “anciões”, e os que vieram depois deles são os “humanóides”, para simplificar, humanos transformados.

Eu não tenho nada contra os “humanóides”, porque muitos deles não machucam os humanos. Um ou outro é pego tentando, porém sempre damos um jeito neles. Agora, por escolha própria, preferi caçar os “anciões” quando precisei passar pela minha segunda iniciação isso mesmo, “segunda”, porque a primeira foi um caos.

Primeiro porque meus pais caçavam “anciões”, e eu, como filha, desejo continuar o legado deles, mesmo que já não estejam mais presentes, infelizmente.

Quando estou na caçada, me sinto vingada ao matar um deles. Ainda não tenho certeza do porquê, mas acredito que seja porque os vi matar meus pais e não tive tempo de fazer nada… não pude!

Foi uma noite terrível para os caçadores que perderam suas vidas, muitos deles, até mesmo iniciandos. Acreditando que seriam poucas criaturas, saímos em menor número, por se tratar de uma iniciação e não de uma caçada oficial.

Mas, quando chegamos lá, apareceram dezenas deles. Estou viva porque um homem surgiu do nada e conseguiu me ajudar a sobreviver até o ataque terminar.

Eu não lembro muito bem do seu rosto, mas seus olhos nunca mais saíram da minha memória. Mesmo sem nunca mais tê-lo visto, fico com a sensação de que o conheço quando me lembro dele. Porém, não tem como… de onde eu o conheceria, se só o vi naquela noite?

Eu tinha apenas 16 anos… Até hoje me pergunto o que ele é e o que fazia lá naquela noite, pois ele não foi conosco.

Depois que passamos pela iniciação, formamos duplas, podendo ser do mesmo sexo ou não. O meu parceiro é Liam Bellator. Lembra dos Bellator que me criaram após a morte dos meus pais? Então, eles tinham um filho, e crescemos juntos, porque a família dele era muito amiga da minha.

Ele não é mais velho, temos a mesma idade. O iludido tem apenas alguns meses a mais e acredita que é bem mais velho por isso. Escolhemos um ao outro porque já nos conhecemos, e eu o tenho como meu irmão, e acredito que ele pense o mesmo.

Apesar de às vezes brigarmos, não ficamos um sem o outro. Eu amo muito os Bellator, porque estiveram ao meu lado quando mais precisei.

Porém, hoje estamos há um mês longe de casa, morando aqui no Vaticano. Ao longo dos anos, percebemos que os anciões estão começando a agir de maneira estranha, fora do padrão deles.

Vampiros e lobisomens são rivais há décadas. Porém, há vários relatos de caçadores dizendo que eles estão deixando de lutar entre si e atacando juntos os caçadores tanto nós quanto os humanos, que estão começando a ter noção da nossa verdadeira realidade.

E isso não pode acontecer. É por isso que existimos: para protegê-los.

Fomos mandados para cá porque havia vários relatos de humanos terem visto criaturas horrendas que os atacavam, drenando todo o seu sangue.

Sem contar algumas pessoas encontradas com partes dos corpos decepadas isso é obra dos lobisomens, acredite.

Estamos caçando, mas sem sucesso. Não encontramos um sequer durante todos esses dias aqui. Isso é frustrante.

Então, como em mais uma noite normal para mim, estou saindo do meu apartamento usando uma legging preta, melhor para se movimentar, uma segunda pele cinza e uma jaqueta marrom por cima. Meu cabelo está amarrado em um rabo de cavalo, e estou usando botas de cano alto.

Estou dormindo mal desde o primeiro dia que cheguei. Então estou um pouco mal-humorada. Não sei o porquê… se são as caçadas sem sucesso ou os olhos daquele homem de onze anos atrás, que não saem da minha cabeça desde que pisei aqui.

Estou próxima do carro, mas, ao olhar para dentro, Liam não está. Observo em volta e o vejo sentado em uma mesa, bebendo em um bar.

— Ele é maluco… — murmurei.

Caminhei até ele, que ao me ver abriu um sorriso. Liam está usando uma jaqueta preta, botas e calça preta. Sentei na cadeira ao seu lado e perguntei:

— Está de luto?

Ele franziu a testa enquanto bebia e sorriu ao responder:

— Estou. Por aqueles miseráveis que vamos tirar da face da terra.

— Hum, por sorte não será mais uma caçada fracassada! — afirmei, revirando os olhos.

— Por que está estressada tão cedo, Stella?

— Liam, eu acredito que tenha nascido estressada! — ri ao pensar nisso.

Ele também deu um breve sorriso, mas respirei fundo ao continuar:

— Não consigo dormir direito desde que chegamos aqui.

— Por que não consegue dormir?

Não posso dizer que o motivo é o homem que me ajudou há onze anos, aqui nessa mesma cidade. Uma hora dessas ele já deve estar muito velho… ou morto.

Não sei quem ele é, mas todas as noites parece que vejo seus olhos diante de mim. Sinto que o conheço. Mas de onde? E por quê? Não faço ideia.

Não posso dizer isso ao Liam, porque ele começaria com suas piadas sem graça.

— Ah, não sei direito… Deve ser essa caçada estressante.

Como ele me conhece, franziu a testa, percebendo que não estou falando a verdade, mas apenas sorriu.

— Então me acompanhe no álcool hoje!

— Você está maluco? Beber antes de caçar? Só você mesmo! Depois que morrer bêbado, eu ainda vou procurar sua alma para te dar uma surra! — encarei ele séria.

— Relaxa! O maninho aqui não fica bêbado tão fácil! — respondeu, cínico.

— Você lembra o que estamos caçando, né?

— Sim. Relaxa, você está muito tensa.

Como ele pode ser tão tranquilo? Para mim, é sempre como se fosse a primeira vez. Quando os vejo, sinto um frio percorrer minha espinha. Não vou negar: sinto medo. Mas é o meu trabalho, então tenho que enfrentar.

Depois que ele terminou de beber, seguimos até o carro, uma BMW i8 preta, quatro lugares. Segundo ele, presente da família. As portas se abrem para cima.

— Hoje eu dirijo!

— É todo seu.

Sorri e me sentei ao lado do motorista. Nossas armas já ficam no carro; apenas minhas adagas permanecem nos suportes das botas.

Seguimos para uma área mais afastada da cidade, composta por bosques e montanhas à beira de rios local perfeito para criaturas se esconderem e atacar turistas desprevenidos durante a noite.

— Stella, está tudo bem mesmo? Você parece perdida.

— Estou apenas pensando demais.

Estamos seguindo as coordenadas do local onde foram avistadas criaturas na noite anterior.

— Chegamos, mana. Se prepara.

Liam saiu do carro, pegando suas armas e colocando-as na cintura. Ele carrega uma pequena mochila com granadas específicas para ambas as criaturas, além de uma espingarda de precisão com munição apropriada.

Eu peguei minha espada e a prendi nas costas. Também estou com duas armas: uma com balas de prata misturadas com acônito, outra com balas de verbena com pequenos fragmentos de estaca.

Os anciões são extremamente ferozes e impiedosos. Criaturas sem humanidade, que matam tudo o que se move à sua frente.

Nossa única vantagem é que os “anciões” não podem sair durante o dia, assim como os lobisomens que não assumem forma humana.

Mas, durante a noite, deixam apenas rastros de sangue.

— Pronta, Stella?

— Sim. Vamos.

A lua cheia ilumina tudo ao nosso redor. Seguimos atentos.

Meu instinto nunca falha. Senti algo se aproximar pelas costas.

— Está vindo!

Gritei ao retirar minha espada.

Uma criatura surgiu da neblina, voando em nossa direção rápida demais.

Liam apontou a arma, mas, antes do disparo, ela mudou de direção e veio para cima de mim, com garras afiadas prontas para me agarrar.

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