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Capa do romance Caçada: Além de uma Vida

Caçada: Além de uma Vida

Stella Venator, de 27 anos, lida com o fardo de sua linhagem de caçadores e as cicatrizes de uma tragédia familiar. Após um encontro surpreendente e um gesto nobre alterarem sua trajetória, ela passou a residir em Capitólio, no Vaticano. Agora, cercada por magia e mistérios, Stella enfrenta dilemas cruciais e novas revelações que prometem transformar seu futuro. Entre suspense e perigos, ela deve decidir qual caminho seguir nesta jornada intensa.
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Capítulo 2

Stella Venator

— Sai daí, Stella!! — Liam gritou.

Posicionei meus pés firmes no chão, girei o pulso e parei a espada com a lâmina apontada para aquela criatura. Porém, o barulho do tiro que Liam deu me tirou a concentração.

Olhei para ele e só vi o gesto de suas mãos, avisando para que eu saísse da frente do ancião. Ao retornar minha atenção à criatura, consegui avistar suas garras abertas se aproximando. Por instinto, pulei para o lado e ela passou direto.

Rapidamente o segui com os olhos e observei ele perder o controle e rolar no chão até bater contra uma árvore, que se quebrou com o impacto e a velocidade na qual ele estava. Voltei minha atenção para Liam e um lobisomem surgiu do nada e o agarrou pelas costas.

Rápido, me levantei para socorrer meu irmão, mas avistei o ancião vampiro se recompondo e ficando em pé.

— Droga, eles realmente estão nos atacando juntos!

Fiquei parada ao perceber que minha espada estava longe de mim, mas nesse meio-tempo observei o rosto daquela criatura.

Em dois pés e olhando na minha direção, seu rosto parecia o de um morcego, bem maior, com aproximadamente dois metros de altura, ou até mais. Tinha orelhas enormes e pontudas, olhos pequenos e um nariz como se fosse invertido para dentro, contendo apenas os buracos. Além das presas enormes, todos os dentes eram pontiagudos.

Suas asas eram presas entre os braços e o corpo; em suas mãos e pés havia garras enormes e afiadas. Imagine ter que lidar com isso todos os dias da sua vida, durante a noite. Respirei fundo quando notei o sangue escorrendo da sua boca pelo corpo. Ele devia ter se alimentado há poucos minutos, então estava mais forte do que um ancião não alimentado.

Me olhando ferozmente, ele correu na minha direção, quase saltando. Uma visão horrível. Qualquer pessoa normal veria isso e correria ou morreria ali mesmo.

Liam havia se libertado do lobisomem e também estava correndo na minha direção, enquanto vi o ancião vampiro se aproximar de mim. Porém, em outro salto surpresa, o lobisomem pegou Liam, arrastando-o para longe.

— Liam!!

Gritei ao tentar correr para ajudar meu irmão.

— Que merda está acontecendo aqui? Os anciões deveriam lutar entre si, não nos atacar juntos!

No meio do caminho, senti um forte impacto contra meu corpo. Meus ossos estalarem. Que dor!

Fui lançada contra uma árvore. Ela não quebrou, mas quase quebrou meus corpo, estalaram novamente. Minha expressão de dor foi nítida quando escorreguei até o chão.

Enquanto ele se aproximava de mim, grunhindo horrivelmente, esperei que chegasse mais perto e retirei minha arma da cintura, com balas de verbena. Diante de mim, ele abriu os braços, revelando suas asas uma visão aterrorizante. Senti minhas pernas tremerem, mesmo tendo experiência com essas criaturas. Ao deixar o peito à mostra, mirei rápido e atirei duas vezes.

Interrompendo suas garras que estavam prestes a me atacar, observei que ele rugiu como se estivesse sentindo muita dor. Se acertar o coração é fatal, mas, se errar, eles ainda conseguem lutar. Tentei me afastar enquanto ele dava alguns passos para trás, ainda fazendo aquele barulho grotesco, alto e horrível de se escutar.

Porém, em suas últimas forças, ele conseguiu me acertar com sua enorme mão, me arremessando contra outra árvore. Apenas senti o vento percorrer meu corpo ao fechar os olhos, esperando o impacto.

Fiquei sem ar, mas logo me recuperei ao procurar meu irmão no campo de visão. Mais distante, vi Liam por baixo do lobisomem, tentando alcançar sua arma ao lado. Porém, o ancião estava prestes a lhe dar um golpe mortal. Ao ver aquilo, senti um arrepio na espinha.

Ele estava prestes a matá-lo.

Mesmo com o corpo dolorido, me recompus rapidamente e corri na direção deles. Ao trocar as balas de verbena pelas de acônito, comecei a atirar na direção do ancião lobisomem. A cada projétil que o acertava, ele grunhia. Mas a pior cena foi vê-lo cravar suas garras no peito do meu irmão. Por um momento, parei ouvindo um zumbido nos meus ouvidos. Meus olhos se encherem de lágrimas.

Cai na real quando o animal deixou meu irmão caído ali e se voltou contra mim, bufando e babando. Procurei minha espada feita de prata, mas estava muito distante. Não teria chances de alcançá-la. Apenas minhas adagas e a arma para me defender.

O ancião ficou de quatro patas e, uivando, começou a correr na minha direção ferozmente. Mas a única coisa que eu conseguia ver era meu irmão caído lá atrás.

— Eu tenho que ajudá-lo!

Quando percebi que ele se aproximava, comecei a correr na direção oposta, ele veio atrás de mim. A neblina estava quase impossibilitando nossa visão. O barulho de galhos e árvores se quebrando com ele trombando era aterrorizante. Ao olhar para trás vi que ele estava próximo, voltei minha atenção para frente e avistei uma árvore. Pulei e subi um pouco com os dois pés, dando um mortal e parando atrás da criatura.

Não tive tempo de fazer muita coisa. Ele se virou tentando me abocanhar. Rápido, me abaixei, desviando do ataque, rolei para o lado e me levantei em seguida, começando a correr atirando nele. Um lobisomem é mais difícil de acertar, pois corre sobre quatro patas.

Merda! Ouvi o barulho da arma avisando que estava sem munição. Soltei a arma no chão e, correndo, alcancei minhas adagas. Parei, e vi que ele havia saltado para me atacar.

— Agora é tudo ou nada!

Segurei minhas adagas ao contrário nas mãos, pronta para o confronto. Quando ele se aproximou com as patas erguidas, fui interrompida por alguém que parou rapidamente na minha frente, segurando minha espada e decepando a cabeça da criatura tão naturalmente como se, em vez de ser um monstro enorme de ossos e pele, fosse um simples vegetal.

Enquanto o corpo caiu de um lado e a cabeça do outro, tive certeza de que não era Liam. O misterioso homem estava de costas para mim. Observei ele abaixando a espada, enquanto o sangue escorria pela lâmina e pingava no chão.

— Diogo! — falei quando ele se virou para me olhar. O nome saiu com um sentimento tão forte de familiaridade que parecia que o conhecia há anos.

— Maya! — ouvi sua voz rouca sair de seus lábios. Sua expressão parecia de surpresa, tanto quanto a minha.

Fiquei paralisada quando ele veio lentamente com a mão, tentando tocar meu rosto.

— S... tella!

Ouvi a voz de Liam dizer meu nome. Comecei a sentir uma forte dor de cabeça. Ajoelhei no chão, levando as mãos à cabeça. A dor interrompeu qualquer pensamento. Durante meus gemidos, imagens começaram a passar diante dos meus olhos.

A imagem que vejo é de um lugar totalmente diferente: um campo verdejante e um homem de olhos azuis, cabelos castanhos claros, extremamente lindo, estendendo a mão para alguém. Espera… estou vendo através dos olhos da pessoa que está diante dele. Vejo apenas uma mão feminina segurando a dele.

— S... tella!!

Ouvi a voz de Liam novamente. Ele parecia preocupado e fraco ao mesmo tempo. Enquanto isso, observo o rosto do homem que segura a mão da mulher através dos olhos dela.

— Ah!!

Outra forte dor, e tudo sumiu diante dos meus olhos. Agora parece que voltei à realidade, e o homem está ajoelhado na minha frente. Ele parece o mesmo homem da visão. Ele me olha preocupado. Ao perceber que olhei em seus olhos, segurou minha mão.

— Está tudo bem?

Ao ouvir sua voz novamente, outra dor se iniciou.

— Que dor terrível… sinto como se algo quisesse abrir minha cabeça!

Agora sua voz ecoava dentro da minha mente várias vezes:

— Te amo, te amo, te amo.

— Que droga é essa? Ah!...

Minha cabeça parecia que ia explodir. O homem à minha frente parecia atordoado e preocupado. Consegui ver Liam tentando se levantar, cambaleando. Segurei o ombro do homem à minha frente, e ele me ajudou a levantar. Ainda olhando em seus olhos, passei por ele, deixando-o ali, corri até Liam, tentando entender o que havia acabado de acontecer.

— Calma, maninho. Você vai ficar bem!

Apoiei ele no meu corpo para ajudá-lo a se levantar. Liam é pesado, então precisei fazer muita força para ajudá-lo a caminhar. Devagar, e aparentando sentir dor, ele me acompanhou. No caminho, procurei aquele homem, mas ele já não estava mais lá.

Por que eu o chamei de Diogo? Quem é ele? Por que tudo isso aconteceu?

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