
SEGUNDA CHANCE PARA O BILIONÁRIO - SÉRIE AMORES DOS BILIONÁRIOS - PARTE 1
Capítulo 2
Minha vida não é fácil. Sinceramente, estou pensando em desistir dos meus sonhos. Não quero deixar mamãe e vovó sozinhas. Naquela noite terrível, perdi minha irmãzinha e meu pai. Sei que ele estava apavorado com tudo o que estava acontecendo, e foi muito difícil, mas a vovó está conosco, nos ajudando em tudo. Ela tem sido a nossa base.
O homem que era meu agressor foi preso meses depois e condenado à prisão perpétua. Outros abusos foram descobertos, e até que ele matou algumas pessoas. Também contabilizaram como tentativa de homicídio o que ele fez com minha mãe e como assassinato o que fez com Milena, além de nos causar danos psicológicos. Após um tempo, a vovó descobriu que ele foi queimado vivo na cadeia.
Depois disso, saímos de Cuba e agora moramos em Granada, na Nicarágua.
Olho mais uma vez para o papel em minhas mãos e sinto minhas pernas bambas. Se eu não estivesse sentada agora, estaria de cara no chão.
— E aí, Luna? Você não abriu ainda? — pergunta a Sr.ᵃ Salinas enquanto limpa o balcão.
Olho para ela quando se aproxima e puxa a cadeira, sentando-se ao meu lado. Dou uma olhada ao redor da pequena confeitaria, que está vazia. É quase hora de fechar, e o ambiente está tranquilo.
— Sou incapaz de abrir! — coloco o envelope sobre a mesa. — Não sei se fiz bem ao me candidatar a uma faculdade tão distante. Como minha avó e minha mãe vão ficar? Preciso estar aqui para ajudá-las — digo, olhando em seus olhos.
Ela pega minha mão e me dá um sorriso tranquilizador.
— Você sabe que sou responsável pela sua candidatura à bolsa e também sabe que tenho grande estima por você. Quando você se mudou para o outro lado da rua, eu havia acabado de perder minha Loren, você sabe disso. Por isso me apeguei tanto a você e à sua família... muito mais a você! Sei que minha Loren estaria fazendo isso agora. Por isso te encorajei. E se eles não te aceitarem na faculdade este ano, você tenta de novo no próximo ano e, ao invés de se candidatar a duas faculdades, tente em quatro! Sei do seu potencial, e nós acreditamos em você, Luna — diz ela enquanto enxuga a lágrima que escorre pelo meu rosto.
Respiro fundo. Quando estou aqui com ela, é como se todos os meus problemas não existissem. Quando fiz quinze anos, vim trabalhar aqui e consegui terminar o ensino médio antes do esperado, graças a ela. Ela me incentiva diariamente a ter um futuro melhor.
Pego o envelope novamente e o abro. Tiro o papel de dentro e parece que meu coração vai explodir ou parar.
— Não posso, senhora! — digo, entregando o papel para ela.
Ela sorri e termina de abrir. Os segundos parecem virar horas, e os minutos, uma eternidade. Ela olha para mim e, depois, para o papel novamente.
— Por favor, não me deixe ansiosa assim! — digo.
A Sr.ᵃ Salinas dobra o papel, coloca-o sobre a mesa e pega minhas mãos logo em seguida.
— Lembre-se sempre que o fracasso não é o fim! É apenas um desvio no caminho, de onde você sairá com maior aprendizado e sempre acreditando em você! — diz ela.
Eu a encaro, tentando absorver suas palavras. Meus olhos se enchem de lágrimas ao pensar que não consegui.
— Parabéns, querida, você foi aceita em Harvard — ela finalmente diz.
Eu não consigo dizer nada, apenas olho para ela, piscando várias vezes, sem acreditar.
A Sr.ᵃ Salinas me entrega o papel, e eu o olho sem saber o que fazer. As aulas de inglês com ela me ajudaram tanto, e os cursos intensivos também. De repente, me levanto da cadeira, derrubando-a. O sorriso em seus lábios é de uma pessoa orgulhosa. Ela se levanta, abre os braços e eu me jogo neles. Ela me aperta e diz com a voz embargada:
— Estou orgulhosa, princesa. Parabéns pelo seu esforço. E sempre me mande uma mensagem, me ligue! Não se esqueça de mim, ok?
Ela se afasta e pega minhas mãos.
— Sempre vou lembrar da senhora aqui... — digo, apontando para o meu coração.
Ela me puxa de volta para outro abraço.
— Agora vá contar a novidade, tenho certeza de que elas ficarão felizes por você!
Sorrio e a abraço novamente. Assim que a solto, arrumo a cadeira que havia caído e saio correndo da confeitaria. Atravesso a rua e paro no portão de casa.
Meu coração está acelerado, e o desespero me toma. Tenho certeza de que o sorriso que estava em meu rosto desapareceu. Nunca contei a elas que queria fazer faculdade, nem que faria a prova online para ganhar a bolsa. Quando terminei a escola, comecei a trabalhar em tempo integral com a Sr.ᵃ Salinas para ajudar nas despesas da casa e não causar problemas para minha mãe com questões de gastos. Mas agora, ao pensar nisso, sinto que fui egoísta e fiz algo errado ao esconder delas algo tão importante para mim.
Me assusto quando sinto braços envolvendo meus ombros. Estava tão perdida em meus pensamentos que nem percebi a Sr.ᵃ Salinas se aproximando.
— O que você está esperando para entrar? — Ela olha para mim e, ao perceber minha expressão, o sorriso desaparece de seus lábios. — O que aconteceu?
— Não contei nada a elas. Fui egoísta, pensando só em mim, no meu futuro...
— Para! Você realmente precisa pensar em você, no seu futuro!
— Mas eu não quero deixá-las aqui.
— Prometo que vou cuidar delas para você! Não se preocupe, princesa — ela diz, enxugando uma lágrima que escorre pelo meu rosto. — Você não as terá para sempre, e sabe que tem que seguir seu próprio caminho. Pense que pode retribuir os cuidados delas indo para a faculdade, se formando, trabalhando e ajudando-as. Sei que você se preocupa com elas, e tenho certeza de que eu, sua mãe e sua avó vamos apoiá-la. Ficaremos felizes em vê-la crescer.
Eu apenas aceno.
— Agora vamos entrar, estarei aí com você!
Ela pega minha mão e eu sorrio para ela. Então, abro o portão e entro na casa.
Assim que abro a porta, vejo minha mãe descascando umas batatas e minha avó no fogão. Quando percebem nossa presença, elas sorriem. A Sr.ᵃ Salinas solta minha mão, vai até minha avó e a abraça, depois vai até minha mãe, fazendo o mesmo.
— Como vão vocês?
— Estamos bem, e você, minha querida?
— Estou muito bem, principalmente pelas notícias que Lunna tem para contar a vocês.
— Que novidades, filha? — minha mãe pergunta.
Ela continua descascando as batatas, mas, quando percebe que não falo nada, olha para mim.
— O que aconteceu? Está tudo bem? — Ela puxa sua cadeira de rodas para longe da mesa e vem em minha direção.
— Tudo bem, mãe, eu... — Mostro o papel para ela, e ela me encara sem entender.
Mamãe pega o papel, abre e, ao ler, seus olhos se arregalam. Ela olha para mim, depois para o papel e fica em silêncio por alguns minutos, que parecem uma eternidade. Observo uma lágrima escorrer por sua bochecha e meu coração dispara.
— Não acredito, isso é sério?
— O que aconteceu? — Vovó diz, chegando mais perto. Mamãe se vira para olhar para ela.
— Nossa garota foi aceita na faculdade!
— Sério? — Vovó sorri. Mamãe passa o papel para ela, que lê e me olha com lágrimas nos olhos. - Parabéns, minha pequena, estou tão orgulhosa de você.
Ela me abraça e sinto uma onda de alívio tomar conta de mim.
Logo depois, minha mãe se aproxima, e eu me ajoelho para ficar na altura dela.
— Parabéns, filha. Fico muito feliz e orgulhosa de ver que você está seguindo um belo caminho.
Me afasto um pouco e ela olha para mim, enxugando minhas lágrimas.
— A senhora não está com raiva de mim?
— E por que eu estaria?
— Eu não disse nada!
— Filha, se você queria me surpreender, conseguiu! Fico feliz em ver que você está crescendo e trilhando seu próprio caminho.
Sorrio e olho para a Sr.ᵃ Salinas, que levanta o polegar em aprovação.
Vou ajudar minha mãe a descascar as batatas, enquanto a vovó volta para as panelas e a Sr.ᵃ Salinas lava a louça na pia. A conversa da noite foi sobre mim, todas ficaram orgulhosas, e aquele sentimento de egoísmo que eu achava que mamãe e vovó pensariam desapareceu. Fiquei feliz e faria qualquer coisa para ajudar ambas e retribuir tudo o que fizeram por mim!
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