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Capa do romance Atrás de você!

Atrás de você!

O mundo de Kattie desmorona após o desaparecimento misterioso de sua mãe em uma favela carioca. Determinada a resgatá-la, ela deixa o conforto da casa paterna para se unir à irmã caçula em uma rotina de perigos constantes. Em meio ao caos dessa busca, seus caminhos se cruzam com os de um influente traficante local. Entre conflitos e sentimentos intensos, nasce uma paixão proibida que desafia a realidade violenta e questiona se é possível transformar um destino perdido.
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Capítulo 3

O tiro me fez levantar assustada o barulho era como aqueles que eu via nos filmes de ação não ousei abrir a janela ou ir até perto da porta. O segundo tiro me fez dar um passo para trás, mas era estranho, pois não ouvi mais nada além do tiro como se todos naquele lugar estivessem acostumado o que eu acreditava que era exatamente o caso, todos estavam acostumados as casas abertas de certa forma mostrava que eles não tinha medo ou tudo estava normal para eles de certa.

-- Não se preocupe -- disse Mia atrás de mim com uma prancha de cabelo em sua mão -- isso acontece o tempo todo.

Ela disse indo em direção ao seu quarto peguei a minha coisas a seguindo a casa não era grande, mas parecia um cubículo havia dois quartos e eu fiquei com o antigo quarto da nossa mãe. Ele era estreito cabendo somente a cama e pequena cômoda do lado dela e mais nada caberia naquele lugar. Joguei minha mochila e a bolsa na cama e coloquei embaixo da cama minha mala olhei mais uma vez para o relógio, então voltei para sala de estar.

-- Vai em algum lugar ? Perguntei vendo ela sentar no sofá calçando um tamanco que eu nem ousaria usar tinha uma certa preferência por tênis o conforto era sempre minha aliada.

-- Olha -- disse ela se levantando já pegando a bolsa -- estou saindo -- disse ela em um sorriso nada amigável -- tem comida na cozinha, mas precisa fazer -- ela me fez um olhar azedo quando percebeu que eu não estava nada contente com as suas palavras -- volto daqui a pouco.

-- Não devia sair -- disse quando ela virou as costas para mim -- você não tem aula amanhã ? Ela riu a risada era uma mistura de deboche com escárnio e outra coisa que não pude entender. Ela virou seu rosto em minha direção e colocando a mão na cintura puxando o cabelo para trás de suas costas.

-- Primeiro você não é a minha mãe -- disse ela ainda sorrindo -- é segundo nem minha mãe dizia o que tenho que fazer. Se havia algo que estava acostumada eram pessoas arrogantes eu sorri em sua direção colocando a mão em minha cintura também.

-- Não sou sua mãe -- disse ela -- mas se eu sair daqui o abrigo espera por você -- o sorriso no rosto de Mia desapareceu eu sabia que o policial Jom havia vindo falar com ela sobre como tudo ocorreria, pois insisti para que ele fizesse isso, pois precisava de uma carta na manga para domar a minha inimiga -- então, volte ás 22h.

Não houve uma resposta dela, apenas virou as suas costas e saiu para as ruas tive que correr para fechar a porta em seguida. A única coisa que passava em minha cabeça é que teria que ir atrás dela caso não voltasse, mas tentei não pensar naquilo no momento e decidi especionar a casa. Pelo estado em que estava era possível concluir que Mia não fazia uma fachina nela a dias, tirei meu tênis guardando no quarto.

Joguei fora quase metade da comida dela e limpei toda a sujeira que meus olhos podiam ver era óbvio que depois do desaparecimente de minha mãe ela iria fazer tudo que desse na telha até mesmo esquecer de cuidar da casa. Quando entrei no quarto dela tudo que queria fazer era tacar fogo no lugar as roupas espalhadas tudo misturado sujas e limpas é uma bagunça que quase desisti do que estava fazendo. Olhei para relógio nem percebendo que já havia dado nove horas e voltei apressada para a cozinha e tudo que pude comer naquele lugar era um miojo.

-- Pai -- disse atendendo sua ligação no segundo toque -- estou bem -- respondi rápidamente -- comi uma ótima comida -- disse colocando o prato do miojo na pia -- Mia já está na cama -- menti mordendo minha unha logo e seguida e outra pergunta já veio -- foi fácil encontrar o caminho.

Quando desliguei fui para o sala peguei meu casaco já passava das onze da noite e Mia ainda não havia voltada, assim como também havia rejeitado quatro de minhas ligações. Andei pelo beco percebendo que devia ter perguntando antes o local da festa eu não tinha certeza se seria naquele morro ou ela tinha ido para um outro lugar do rio. Tudo que fiz foi andar virando sempre o rosto certificando que lembraria do caminho de volta para casa. Duas pessoas viam atrás de mim vestidas para uma verdadeira festa, então deixei que passassem em minha frente e as segui de longe, cruzei com força meus braços tentando conter o frio através de meu casaco.

-- Como consegue andar assim.

Disse a mim mesma vendo a menina da frente usando uma mini saia e uma blusa de alcinha tão fina que era capaz de ver tudo debaixo do pano seu capanheiro segurava seus ombros e ambos riam descendo aquelas escadas. Fiquei do lado de fora vendo a movimentação do que parecia mais um galpão cheio de luzes e um baruho de uma música, olhei pelo lado de fora esperando ver algum sinal de Mia, mas sabia que dá onde eu estava era impossível que eu conseguisse vâ- la, mas tentei duas vezes ligar para ela na esperança de ser atendida.

Quando nenhuma resposta foi me dada eu me atrevi a entrar com um casaco de velhinha é a calça jeans branca entrei pelos portões com os seguranças me revistando com um olhar estranho em minha direção. Bebida era distrubuida aos montes e eu tinha certeza que muitos naquele lugar eram menores de idade, assim como Mia. Havia um cheiro insuportável de mocanha, parei de andar pegando meu celular, mas não era para Mia que pretendia ligar era para a policia.

-- Nós encontramos de novo. Levantei meu olhar para o garoto de hoje cedo e coloquei o celular no bolso rapidamente o meliante sorria em minha direção segurando latinha de cerveja o cheiro de álcool era tão irritante que dei um passo para trás.

-- Ao que parece sim. Repeti voltando a andar pelo local o mileante ao invés de seguir seu caminho decidiu me seguir e parecia ser uma espécie de celebridade, pois todos paravam para falar algo com ele ou apenas comprimentar.

-- Está perdida ? Disse ele puxando meu braço esquerdo impedindo que eu colidisse com um homem que carregava uma caixa de cerveja para perto do bar, dei um passo para trás parando perto dele e pude ver de longe que algumas pessoas encaravam nós dois.

-- Não estou perdida -- mas era uma verdadeira mentira sabia quem eu estava procurando, mas não sabia onde ela estava -- estou procurando minha irmã.

-- Você está no pé dela é ? Perguntou ele bebendo mais um gole de sua cerveja como se isso fosse algo muito sexy de ser feito. Com um longo suspiro desviei o rosto da direção do esquisito, então voltei para o seu rosto novamente.

-- Sabe onde ela está ? Ele sorriu balançando a cabeça lentamente um gesto que me deixava cada vez mais nervosa com a situação.

--Acho que sim -- disse ele -- acho que não -- repetiu levantando a mão e colocando descaradamente em meu cabelo -- depende do que eu ganho. Bati a minha mão na dela fazendo ela voar para longe e senti certas pessoas olhando em nossa direção assustadas com minha atitude, mas será que ninguém havia visto a dele. Coloquei o corpo pra frente e cruzei os braço em um gesto de proteção e não abaixei a cabeça nem quando seu rosto se tornou mais duro.

-- Te fiz um pergunta -- falei mais agressiva -- a resposta é sim ou não. Ele desceu a cabeça em minha direção fazendo com que eu tivesse que alongar meu pescoço para trés, ele não sorria e mantinha o rosto fechado em um olhar obscuro segurou meu queijo, mas não ousei me mover também o intimidando um passo dele e eu socaria sua parte de baixo.

-- Sabe quem eu sou ? Foi a sua resposta e senti que estava perdendo meu tempo além de minha mãe desaparecida estava em uma festa procurando Mia e havia este menino que estava com uma autoestima maior do que ele pensava ter.

-- Não é Jesus Cristo -- retruquei de má vontade indo para trás me tirando de suas mãos -- é se não há mais nada a dizer, não temos mais motivos para estarmos no mesmo local.

-- Como é que é ?

Foi a única resposta que ouvi dele permanecia dando voltas pelo local e senti que algumas meninas me davam empurrões e não duvidava que meu cabelo era puchado por alguém, mas estava tão preocupada em encontrar Mia que este tipo de coisa passou dispercebido pelos meus olhos. Quando andei por todos os lados e percebi que ela não estava naquele local decidi voltar para casa na esperança que ela estivesse no sofá da sala me esperando. Saí da festa vendo que ele vinha atrás de mim dei lhe um olhar azedo que o fez parar um pouco, mas ele retribuiu com um sorriso e continuo vindo atrás de mim pelo caminho de volta para casa. Pensei em ligar para a polícia, mas fiquei quieta, pois ele também poderia estar indo para casa.

-- Espero que sua casa seja por aqui também -- falei de má vontade -- por que se estiver me seguindo...

-- Continue andando patroa -- disse ele indo lentamente atrás de mim enquanto praticamente eu corria -- só estou fazendo a sua segurança.

Não respondi, corri para casa feito louca e tranquei a porta em seguida não tive coragem de ver do lado de fora e me virei na esperança de ver Mia, mas ela não estava na sala nem na cozinha e muito menos no sofá. Peguei um edredon um travesseiro e me joguei no sofá sabendo que aquele era o único lugar que ela passaria para voltar para casa só esperava que ela estivesse em segurança, amanhã, pensei comigo mesma antes de fechar os olhos séria um grande dia de novo.

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