Capa do romance Guto o dono do complexo da maré ( Vol 2 )

Guto o dono do complexo da maré ( Vol 2 )

8.1 / 10.0
Em Guto o dono do complexo da maré ( Vol 2 ), Guto busca recomeçar após nove anos de prisão. Mas o retorno à favela traz perigos que testam sua redenção. Leia este mafia novel e descubra se o destino mudará nesta emocionante romance story disponível para ler online.
Resumo de Guto o dono do complexo da maré ( Vol 2 )
Após nove anos de cárcere, Guto finalmente conquista a liberdade e planeja abandonar sua vida pregressa para recomeçar do zero. No entanto, seus planos de mudança são interrompidos ao retornar à favela. Diante de uma descoberta chocante que desperta sentimentos intensos de fúria e angústia, ele desiste de sua transformação. Consumido pelo que encontrou, Guto decide ignorar o futuro e se isolar completamente do mundo ao seu redor.
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Guto o dono do complexo da maré ( Vol 2 ) Capítulo 1

Olá meninas, antes de começar eu quero avisar que essa história é a continuação do livro 1, nome - Guto o dono do complexo da maré, está disponível aqui no Lera. Conto com a ajuda de todas vocês para alcançar uma boa qualidade de visualizações, curtidas e comentários neste segundo livro. Obrigada !

( Nove Anos Depois )

*_Guto narrando_*

Eu não tô acreditando que a minha liberdade chegou, tá parecendo que a ficha ainda não caiu, várias paradas estão se passando na minha mente agora, pra quem ficou trancado sem poder ver a família e isolado de tudo por nove anos sabe como é isso, só quem já passou pelo sofrimento de tá atrás das grades sabe que é a pior sensação de tá vivendo por viver todos os dias, e hoje eu tô felizão que eu vou poder respirar livre desse lugar, vou poder ver a rua, voltar pro meu morro, encontrar a minha mulher e o meu filho que deve tá um moleque grandão agora, porra meu coração tá até acelerado aqui, tô contando os segundos pro meu advogado chegar e me tirar logo desse inferno...

O meu mano PL que assumiu as responsabilidades durante todo esse tempo, meu irmão merece todo respeito e consideração, com certeza a minha favela ainda deve tá do mesmo jeito que eu deixei, não paro de pensar na Duda e no meu filho, desde que eu fui preso o meu pensamento sempre foi neles, só de pensar as lágrimas cai, meu filho cresceu sem um pai presente do lado por causa desses vermes, eu fico me perguntando quantas vezes ele deve ter perguntado pra mãe dele sobre mim, eu nem sei o nome do meu filho, esse bagulho machuca o meu coração, eu tava todo feliz quando descobri que a minha mulher ia me dar um filho, eu sempre quis ser pai, e quando eu pude receber esse presente eu já tava longe, é foda, a vida errada não compensa, pode ganhar vários dinheiros, ter poder, autoridade pra mandar isso e aquilo, mas quando cai no sofrimento é que a mente começa a pensar que podia ser tudo diferente, e o preço que eu paguei por seguir no crime foi esse, ficar privado sem poder ver o meu filho crescer e sem dar uma assistência pra minha mulher, esse bagulho é que me deixa mais revoltado..

Por várias vezes eu fui dormir de madrugada de tanto pensar, a cela que eu tava era só pra mim tá ligado ? tinha um ventilador, um colchão fino, e um vaso, era só isso que eu tinha, e o ventilador fui eu que mandei o meu advogado trazer, era mó calor nos primeiros dias, parecia o inferno de tão quente, eu pingava de suor, uma vez ou outra os cana me levava pro pátio pra mim pegar um sol, mas não é a mesma coisa de tá na rua, é tudo cheio de grade até o teto, eu via o sol nascer quadrado, e era bagulho só de dez minutos, não tinha nem tempo pra respirar direito, a comida horrível, tudo feito de qualquer jeito, parecia até comida de porco, e eu tinha comer pra não passar fome tá ligado ? aqui dentro eles trata nós igual bicho, visita eu nunca pude receber, desde que eu vim parar nessa maldita prisão eu nunca tive visita de ninguém, só do meu advogado e era bem raro ele vim, o doutor tentou até entrar com um pedido de autorização familiar para Duda vim me visitar, mas o desgraçado do juiz negou, e assim eu tive que ir me virando sozinho até hoje, pra tomar banho eu tinha que ser acompanhado por uns três policiais, era banho de gato, no mínimo cinco minutos, as vezes não dava nem tempo de tirar o sabão do corpo, pra sair da cela eu tinha que tá algemado, os cana tava sempre em cima me vigiando, bagulho é sufocante, cadeia de segurança máxima é a pior que tem, toda cadeia é ruim, só de ficar trancado é péssimo, mas aqui é horrível mesmo, cheio de restrição..

Eu tô com 36 anos, fiz vários aniversários aqui dentro, tô me sentindo acabado e velho, aqui nós não tem como se cuidar, meu cabelo tá enorme, tô com cara de maluco, antes de ver a minha mulher eu quero passar em qualquer barbearia só pra melhorar a minha aparência, a Duda deve tá mais linda ainda, ela sempre foi linda, rostinho de princesa, eu não quero chegar lá desse jeito, quero impressionar a minha mulher e quero mostrar pro nosso filho que o pai dele também é bonito, meu moleque deve tá com uns 8 anos, já deve tá até namorando escondido, eu na idade dele era pirado, fazia várias besteiras, pegava um monte de garotinhas na escola, meu pai ficava doido comigo, era surra direto, mas eu vou ser um pai mais tranquilo, meu filho nunca vai apanhar de mim, e eu nem tenho esse direito, por culpa minha ele não me conhece, mas hoje eu vou poder abraçar o meu filhote com toda força, tô emocionado com essa parada, eu vou chorar pra caralho quando eu ver eles, to nem aí pra minha postura de dono de morro, quando o assunto é família não tem um que seja forte... Eu não sei oque aconteceu lá fora o tempo que eu passei aqui, só vou descobrir quando eu sair, mas eu espero que esteja tudo do mesmo jeito que eu deixei..

Agora eu to numa sala de vidro toda fechada, daqui de dentro eu não consigo ouvir nada que os polícia tão falando do lado de fora, tô agoniado e impaciente, já andei de um lado pro outro, já sentei e me levantei várias vezes e nada do doutor chegar pra liberar a minha soltura, eu tô enlouquecendo de tanto esperar, penso e continuo andando de um lado pro outro dentro desse quadrado pequeno de vidro que me colocaram, se passam uns minutos e eu olho pra frente, vejo o meu advogado chegando e falando com os cana, eu paro de andar e fico olhando pra eles enquanto o meu coração bate forte, o polícia se aproxima da porta e abre deixando o doutor entrar, eles entram juntos pra ficar vigiando.

Guto : Porra doutor, demorou em - Eu falo bolado.

Advogado : Me desculpe senhor Gustavo, eu tive um imprevisto - Ele fala e coloca a maleta em cima da mesa.

Policial : Peço que vocês me sigam - Ele me olha de cara feia.

Eu me seguro pra não encarar o filho da puta de volta, o meu advogado me olha e caminha seguindo o cana, eu vou indo atrás e nós saímos da sala de vidro indo em direção à uma outra sala.

Policial : Esperem aqui - Ele manda nós parar.

Eu olho pro infeliz com raiva e ele entra na sala e fecha a porta na nossa cara.

Guto : Desgraçado - Eu falo e aperto os dedos.

Advogado : Se controle senhor, qualquer palavra dita pode te complicar - Ele me olha fixamente.

Eu concordo e nós ficamos esperando por bastante tempo, o polícia sai da sala e fala me olhando.

Policial : O delegado ta esperando, pode entrar.

Advogado : Obrigado - Só ele agradece.

Eu entro junto com o meu advogado na sala do tal delegado, o verme me olha com desprezo.

Delegado : Você teve sorte de ter o seu alvará hoje em moleque, por mim você ficaria aqui por mais uns trinta anos - O desgraçado fala e sorrir.

Quando eu penso em responder o meu advogado me olha me repreendendo e entra na frente.

Advogado : Bom dia Senhor, eu estou aqui para receber os papéis que comprovam o alvará de soltura do meu cliente, por favor - Ele fala de forma educada com o miserável.

Eu fico olhando tudo sem dizer uma palavra, eu não vou dar oque esse desgraçado quer, se eu cair nas provocações dele eu posso acabar preso de novo, deixo o meu advogado resolver os bagulhos com ele, os dois conversa enquanto eu observo, quase vinte minutos depois o delegado de merda entrega o papel, eu assino e passo pro meu advogado.

Delegado : Até logo - Ele fala debochando da minha cara.

Guto : Até nunca mais - Eu falo e dou as costas.

Vou andando do lado do meu advogado, passamos por vários policiais e eles fazem a revista, logo somos liberados, o meu coração vai batendo ainda mais acelerado quando eu vejo o portão e sei que tô perto de sair, uma enorme felicidade é oque eu tô sentindo agora, papo reto, a minha liberdade chegou porra, penso comigo mesmo enquanto caminho de cabeça erguida, os policiais abrem o portão e eu finalmente saio do lugar onde eu fiquei tantos anos preso, eu olho tudo a minha volta e levanto os braços agradecendo a Deus.

Guto : OBRIGADO SENHOR, O CASTIGO FOI SEVERO MAS NÃO ME MATOU - Eu grito felizão comemorando.

Advogado : O senhor conseguiu a sua liberdade, agora aproveite bem e tente não ser preso outra vez - Ele aperta a minha mão.

Guto : Valeu doutor, você foi foda, ficou do meu lado esse tempo todo, vai ter recompensa já é ?

Advogado : Depois a gente conversa sobre isso, agora nós precisamos ir para o aeroporto para voltar para o Rio de Janeiro.

Guto : Porra é mermo, tanto tempo preso que eu esqueci até que tô em Brasília (Distrito Federal)

Advogado : Não se preocupe, de jatinho é uma hora e meia, vamos - Ele me chama pra entrar no carro.

O doutor Everaldo entra no carro e eu faço o mesmo sentando no banco do carona, ele logo dirige e eu fico viajando enquanto olho a paisagem das ruas, tanto tempo vendo só paredes que tudo parece novo, to igual criança curiosa quando ver novos lugares, a liberdade é algo valiosa e que é preciso saber aproveitar, e aqui tô eu, voltando pro meu RJ pra matar a saudades das pessoas que eu amo....

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Guto o dono do complexo da maré ( Vol 2 ) de Conteúdos

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