Capa do romance Armadilha para uma noiva em fuga

Armadilha para uma noiva em fuga

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Para salvar uma amiga de um casamento forçado com o frio Fernando Alcântara, Natália assume sua identidade. O plano era enganar Carlos, o atraente primo do noivo, e fugir durante a viagem ao Mato Grosso. Contudo, a sedução e imprevistos a levam direto à fazenda. Descoberta, ela é obrigada pelo autoritário Fernando a ocupar o lugar da noiva. Agora, presa em uma armadilha que ela mesma criou, Natália enfrenta a fúria de um homem que deseja domá-la e um amor perigoso.

Armadilha para uma noiva em fuga Capítulo 1

O movimento no escritório era intenso, a impressora trabalhava quase sem parar e documentos eram anexados e assinados.

- Bem, e o que pretende fazer depois que encerramos por aqui? - perguntou Natália Moretti, ajeitando a pasta de documentos sobre a mesa.

- Pretendo voltar para o escritório no Rio. - respondeu Cristina Farias, sem desviar o olhar da pilha de papéis que organizava. - E você? já que seu contrato com a empresa terminou? Eles gostaram muito dos seus serviços e estão dispostos a te contratar definitivamente.

Natália respirou fundo, cruzando os braços como quem se protegia de um pensamento incômodo.

- Ainda não sei. Eu só aceitei esse trabalho para ficar bem longe do Ricardo e do Rio. 

Cristina arqueou as sobrancelhas, curiosa.

- Você ainda não superou aquele canalha, não é?

Natália apenas assentiu, tentando afugentar as lágrimas. A dor ainda era muito forte e o coração parecia uma ferida aberta como se nunca fosse cicatrizar. 

- Então, por que não vai para a Europa? Você é fluente em várias línguas, arrumaria um emprego facilmente. O Thomas tem uma agência na França e, se depender de mim, darei ótimas referências.

Natália deu um sorriso breve, mas sem entusiasmo.

- Pode ser... Mas primeiro vou voltar para meu estado. Aceitei a proposta para pesquisar e elaborar um projeto que criará um novo polo turístico. O Espírito Santo tem um potencial enorme, que começa a ser notado pelo restante do país e até do mundo.

Cristina apoiou-se na mesa, interessada.

- E o que tem lá de tão especial, se mal falam dele nas mídias?

- Belas praias, serras com clima europeu... - Natália gesticulava, como se já estivesse vendo os cenários diante dos olhos. - Você sai da praia e, em poucas horas, está em um chalé nas montanhas, tomando vinho em frente a uma lareira.

Cristina sorriu.

- Falando assim, parece mesmo um destino ideal para todos os gostos.

- Sim, e com um bom plano estratégico podemos mostrar isso ao mundo.

Houve um instante de silêncio, quebrado apenas pelo som dos grampeadores e vozes distantes de outros setores. Cristina fechou uma pasta, suspirando levemente.

- Não vou mentir pra você, Nat... vou sentir falta daqui.

Natália a fitou surpresa.

- Sério? Pensei que não suportava São Paulo.

- A vida noturna tem seu charme, os bares, as boates e... os homens, é claro. - completou, com um brilho malicioso nos olhos.

Natália riu, mas um riso amargo. Diferente da amiga, evitava homens a todo custo. Sempre que saíam juntas, Cristina se divertia com as paqueras da noite, enquanto Natália dispensava todos.

As duas, embora diferentes na aparência, chamavam atenção por onde passavam, não apenas pela altura um pouco acima da média, mas também pelo magnetismo que irradiavam. 

Cristina representava a beleza tipicamente brasileira: cabelos castanhos que caíam em ondas suaves, olhos escuros e profundos, e um corpo de curvas bem delineadas. Já Natália carregava em si a herança europeia evidente em seus traços delicados: grandes olhos azuis, de brilho intenso e expressivo, cabelos loiro-dourados que refletiam a luz como fios de sol. Seu corpo esguio, com cintura fina, quadris largos e pernas longas bem torneadas, conferia-lhe uma elegância quase etérea. Juntas, contrastavam e ao mesmo tempo se completavam, formando um duo impossível de passar despercebido.

- O que foi? Nem todos são uns cretinos como Ricardo? - Cristina colocou a mão na cintura e fingiu indignação teatral.

- Não é isso. Só não gosto de ser importunada e ouvir cantadas machistas e baratas. Acham que podem controlar nossas vidas, que não conseguimos viver sem eles e nos tratar como objetos, como se fôssemos suas propriedade. Veja o que está acontecendo com a Cecília.

Cristina fechou o semblante.

- O que tem a Cecília haver com isso? 

- Cecília está morando com a gente há mais de seis meses e ainda não contou nada para o tutor dela. Ele pensa que ela continua no internato de freiras.

Cristina suspirou.

- Ela já não é mais criança. Deve estar só esperando a hora certa pra contar.

- Não, Cris. Ela tem medo dele. - Natália parecia realmente preocupada. - E também não contou que está namorando. Ela e o Pedro já estão juntos há quase um ano.

- Cecília sempre foi tímida e insegura.

- Mas desde que começou a namorar com Pedro, ela vem mudando. Criou coragem de sair do internato, foi morar conosco... e quando se casarem, tenho certeza de que ele vai ajudá-la ainda mais.

Cristina a olhou, surpresa.

- E será que o tutor vai concordar? -  Cristina tinha dúvidas que o tal tutor aprovasse a escolha de Cecília.

- Claro! - Natália sorriu cúmplice. - Antes de viajar para o Nordeste, ele me confidenciou que vai pedi-la em casamento assim que voltar. Pedro é um homem responsável e respeitador, além do mais tem um ótimo emprego como diretor.

Cristina ergueu o queixo, duvidosa.

- Acho que para aquele tutor, pode ser pouco. Veja, desde que conhecemos Cecília, em quantos empregos ela conseguiu se manter?

Natália soltou uma risada.

- Que eu saiba, só um, e foi como recepcionista. Durou menos de um mês, um verdadeiro desastre.

- Então me diga? Onde ela arruma dinheiro para pagar o aluguel, ajudar nas despesas da casa e comprar aquelas roupas caras e acessórios de luxo, sem falar nas bolsas de grife e jóias? 

Os olhos de Natália se arregalaram.

- Está dizendo que aquelas joias são verdadeiras?

- Sim. Eu sei reconhecer jóias verdadeiras de falsas. - Afirmou Cristina.

Natália levou a mão à boca, surpresa.

- Então... aquele aquele colar de safira que ela me emprestou era de verdade?

- Claro. O tutor provavelmente administra a herança desde a morte dos pais. Não acho que vá aceitar que se case com um simples diretor.

- Cecília já é maior de idade e ele não poderá impedir ela se casar com quem ela quiser.

- Tenho minhas dúvidas. - Disse Cristina. - Vamos terminar logo com isso e depois sair para comemorar.

Natália balançou a cabeça, encerrando o assunto sobre Cecília. Cada uma tinha seus próprios problemas e, no momento, ela precisava se concentrar na sua própria vida que estava um caos.

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