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Capa do romance Apaixonado pelo Meu Quase Irmão

Apaixonado pelo Meu Quase Irmão

No último ano escolar, a vida de Peter muda drasticamente ao se mudar para a casa do noivo de sua mãe. Lá, ele é obrigado a conviver com Logan, um jovem arrogante e misterioso que desperta sentimentos contraditórios. Embora as famílias esperem uma relação fraternal, a tensão entre eles cresce através de provocações e olhares intensos. Sob o mesmo teto, ambos lutam contra uma atração proibida, desafiando os limites do que é permitido entre futuros irmãos.
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Capítulo 1

Peter

Março de 2022. Foi quando tudo virou de cabeça pra baixo. Não de um jeito trágico, daqueles que te tiram o chão com uma tragédia, mas também estava longe de ser perfeito.

Minha mãe diria que foi para melhor. E talvez para ela tenha sido mesmo. Mas, para mim? Definitivamente, não. Era meu último ano do ensino médio, a reta final. Eu deveria estar contando os dias para a formatura com meus amigos, planejando a viagem de fim de ano, vivendo cada momento intensamente para me despedir do colégio e da cidade onde cresci.

Em vez disso, eu estava me despedindo de tudo. Empacotando minha vida e me mudando para outra cidade. Outro estado. Outro mundo.

A Califórnia.

Não importa o quanto minha mãe tentasse, aquilo nunca pareceu uma boa ideia. Ela falava em sol, praias, oportunidades, uma vida nova.

E o mais frustrante é que ela sabia. Ela sempre soube ler meus silêncios, mesmo quando eu achava que estava escondendo bem meus sentimentos. Mas, dessa vez, a distância entre a gente começou a pesar, e, ainda assim, ela insistia naquele otimismo irritante, como se o tempo fosse dar um jeito em tudo e curar o que, para mim, parecia distante.

Eu, como sempre, obediente. O filho bonzinho. O que não dá trabalho. Aquele que aceita a decisão dos adultos sem reclamar. Pelo menos, eu era assim. Até agora. Desde que ela anunciou o noivado com o tal do Mark e decidiu que nos mudaríamos para San Diego, alguma coisa em mim… rachou. A sensação era a de que eu tinha me tornado um convidado de honra na minha própria vida, assistindo a um roteiro que não foi escrito por mim.

Naquele dia, o dia da partida, eu estava parado ao lado do caminhão de mudanças, com o Liam, meu melhor amigo, ao lado. O sol de fim de tarde agora tinha tom de despedida. Nós dois com a cara de quem vai ser enterrado vivo. Ele tentava parecer forte, me dando tapinhas nas costas e forçando sorrisos. Eu nem isso. Apenas sentia o peso do momento.

Minha mãe se aproximou, o rosto marcado por uma mistura de tristeza e esperança, com a mão no meu ombro.

“Está na hora, meninos.”

Não consegui nem olhar para ela. As palavras ficaram presas na minha garganta. Só me virei e abracei o Liam com força, um abraço que era mais uma tentativa desesperada de me agarrar ao que estava ficando para trás.

Eu queria que aquele momento durasse para sempre. O cheiro da jaqueta dele, o som da respiração, a sensação de que éramos, por um momento, as únicas pessoas no mundo.

“Assim que chegar, me mostra tudo, okay? Manda fotos da casa, da praia, de tudo!”, ele pediu, tentando soar animado, mas a voz saiu embargada, traindo a emoção que ele tentava esconder.

“Te vejo em julho”, prometi, forçando um sorriso que não chegou aos meus olhos. Era o nosso plano. Ele me visitaria nas férias. Naquele momento, parecia uma eternidade.

No carro, encostei a testa no vidro e fiquei vendo ele ficar para trás. Primeiro, a figura dele na calçada. Depois, o bairro. Aos poucos, tudo o que me era familiar desapareceu. A sensação era de estar indo embora de mim mesmo, de deixar para trás a versão de Peter que eu conhecia.

“Mãe, cadê minha mochila?”, perguntei, sentindo falta dos fones de ouvido. Eles eram meu escudo contra o mundo, o ruído branco que abafava o que eu não queria ouvir.

“No porta-malas.”

“Pode parar o carro? Quero pegar meus fones.”

“Só na próxima parada.”

“Ótimo. Vamos ficar em silêncio até lá, então.”

Sim, foi infantil. E sabia que a machucou. Mas era o que eu conseguia dar no momento. Minha raiva era uma couraça, e eu não conseguia tirá-la.

Ela suspirou, o som ecoando no silêncio do carro, mas não deixou passar. “Entendo que esteja chateado, mas isso não te dá o direito de ser grosseiro. Olha pra mim.”

Respirei fundo, sentindo uma pontada de culpa, mas virei o rosto, incapaz de encará-la.

“Eu sei que você não queria isso”, ela continuou, a voz firme e suave ao mesmo tempo. “Mas espero que, com o tempo, a gente consiga encontrar um equilíbrio. Eu continuo sendo sua mãe, e você sabe que eu jamais faria algo pra te prejudicar. Então, pelo menos, mantém o respeito.”

A culpa me bateu forte. Ela estava certa. Não tinha culpa por ter se apaixonado por alguém que morava longe. E eu não era mais criança.

“Desculpa, mãe.”

Ela sorriu, um sorriso pequeno, aliviado, e tirou um par de fones do porta-luvas. “Esqueci de colocar na mochila.”

“Obrigado”, murmurei, envergonhado, enquanto afundava nos sons da minha playlist favorita. A música se tornou a trilha sonora de um filme em preto e branco, onde eu era o único espectador.

A viagem durou quase nove horas. Nos primeiros quilômetros, até cantamos juntos, mas logo caímos no tédio. Eu mandava mensagens para o Liam entre uma parada e outra, contando detalhes triviais da estrada. Ela, concentrada na direção, parecia carregar um peso que eu ainda não conseguia nomear. Um peso que ia muito além do noivado com Mark.

Quando finalmente chegamos à nova casa — depois de paradas desconfortáveis e silêncios longos —, eu não esperava sentir absolutamente nada. Mas a realidade me atingiu em cheio.

A casa era grande, imponente, elegante. Cheia de janelas enormes, que pareciam convidar o sol para entrar, e com um jardim perfeitamente cuidado. Nunca vivi em um lugar assim. Minha mãe tinha se virado sozinha a vida inteira, e agora tudo parecia ter saído de uma revista de arquitetura. Tudo isso porque o Mark, o novo noivo, era um empresário de sucesso. A diferença entre a minha vida anterior e esta era gritante.

Ela parou o carro na entrada e buzinou. Logo ele apareceu na porta com um sorriso largo, que parecia saído de um comercial de pasta de dente.

Eu já o conhecia — de vista, de videochamadas rápidas e com uma qualidade ruim. Eles namoraram à distância por meses. Nunca tive tempo de formar uma opinião concreta sobre ele, mas sabia que minha mãe não se entregaria a qualquer um. Mark devia valer a pena. Só que, naquele momento, eu não conseguia enxergar nada além do desconforto de ser o estranho na equação.

“Seja bem-vindo, Peter!”, ele disse, animado, colocando as mãos nos meus ombros com uma familiaridade que me fez recuar um passo.

“Obrigado por me receber”, respondi, sem saber onde enfiar as mãos.

“Agora essa casa também é sua.”

Minha mãe sorria, mas seus olhos procuravam alguém. Olhava para a porta, depois para a varanda, para os lados. A tensão se instalou.

“Onde está o Logan?”, ela perguntou antes que eu pudesse.

Mark hesitou. Franziu a testa, desconfortável, e seu sorriso perdeu um pouco do brilho. “Saiu com amigos. Me desculpem… não achei que ele fosse sumir logo hoje. Já mandei mensagem, mas ele não respondeu.”

“Está tudo bem. Ele só precisa de um tempo para digerir a novidade”, minha mãe respondeu, tentando amenizar a situação. Mas a voz dela revelava uma preocupação que ela não conseguia disfarçar.

Eu tentei quebrar o clima: “A gente vai entrar ou vai passar a noite no jardim?”

Risos educados, mas por dentro, eu já me preparava para o que viria.

Logan, o filho dele e o verdadeiro problema. A parte mais incômoda dessa mudança, que nem tinha começado ainda

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