Capa do romance Desejos Proibidos - Um amor além do tempo

Desejos Proibidos - Um amor além do tempo

7.8 / 10.0
Simon e Noah iniciam uma conexão profunda na juventude, transformando amizade em um amor que desafia preconceitos e a condição hormonal de Simon. Separados por chantagens, ameaças e rejeição familiar, os dois enfrentam anos de dor e manipulação social. Entre escândalos e batalhas judiciais, eles buscam forças em aliados para superar ciclos de opressão. É uma jornada intensa sobre identidade e coragem, onde o sentimento resiste ao tempo para garantir a liberdade de amar.

Desejos Proibidos - Um amor além do tempo Capítulo 1

NOAH BENSON

Simon chegou na escola nova numa terça-feira de sol calado. Ainda no fundamental, com a mochila maior que ele e os olhos perdidos entre corredores desconhecidos. Noah o viu de longe, sentado sozinho no banco perto da quadra, desenhando no caderno enquanto o recreio acontecia em volta dele como um ruído abafado. Havia algo em Simon que não tentava agradar, e isso intrigou Noah mais do que qualquer coisa.

-Legal esse dragão - foi a primeira coisa que disse. Simon olhou surpreso, depois sorriu.

-É um basilisco - Foi assim. Uma frase, um sorriso, e a amizade nasceu sem cerimônia - como nascem as amizades que duram.

Os anos passaram com videogames, desenhos compartilhados, tardes na casa da avó de Noah e uma cumplicidade silenciosa. Eles sabiam o que o outro estava sentindo mesmo sem falar. Mas o ensino médio trouxe mudanças: novos corpos, novos medos, novas verdades difíceis de esconder.

Simon começou a evitar certas atividades - educação física, por exemplo. Usava moletons largos, mesmo no calor. Noah percebeu, mas respeitou o silêncio do amigo. Até aquela noite em que foram dormir na casa de Noah, e Simon teve febre. Estava envergonhado, com o rosto úmido de dor e vergonha.

Noah

- Simon, você está bem? - Pergunto, minha voz carregada de preocupação.

- Vai dormir, Noah. Eu estou bem... uhmmm.

Seu tom soa arrastado, e uma expressão de desconforto cruza seu rosto.

Franzo a testa, inquieto. - Cara, por que está gemendo? Está sentindo dor? Você está suando pra caramba.

Movo-me rapidamente e coloco a mão em sua testa. O calor intenso me faz recuar ligeiramente.

- Simon, você não está bem porra nenhuma. Você está ardendo em febre! Vou ter que chamar a mamãe...

Dou um passo para trás, decidido a buscar ajuda, mas antes que eu possa me afastar, sinto sua mão agarrar firmemente meu braço, impedindo-me de levantar-se.

Seus olhos estão semicerrados, e sua respiração irregular. - Não, Noah... eu... eu vou ficar bem. Assim que amanhecer, eu vou pra casa e resolvo isso... uhmmm.

Seus dedos apertam meu braço por um instante antes de afrouxarem, como se toda sua força estivesse se esvaindo.

- Cara, deixa eu chamar minha mãe, ela pode ajudar. Sei lá, te dar um remédio, fazer alguma coisa. - Minha voz carrega preocupação enquanto observo seu rosto suado e tenso.

Simon balança a cabeça lentamente, seu olhar perdido no teto. - Não... uhmm... ela não poderá fazer nada. Eu já estou acostumado. Vai dormir, eu aguento até de manhã...

Passo uma mão pelos cabelos, frustrado. - Eu não vou conseguir dormir com você assim, Simon... deixa eu te ajudar. Me diz o que você tem.

Ele desvia o olhar, cerrando os lábios por um instante. - Você não vai entender... me deixa quieto.

Minha inquietação aumenta. Hesito por um instante e, então, estendo a mão, pousando-a sobre seu peito, na região do tórax, tentando entender se há algum ferimento.

Assim que meus dedos tocam sua pele, ele solta um gemido alto e seu corpo enrijece.

Minha expressão se contorce em preocupação imediata. - O que você tem aí, cara? Tem algum machucado? Levou alguma pancada?

- Para de fazer perguntas, Noah. Vai dormir e me deixa quieto. - Sua voz soa tensa, irritada, mas há um peso nela que me faz hesitar.

Meu peito aperta. - Me deixa ver, Simon. Me deixa te ajudar. Você está me deixando nervoso.

Ele vira o rosto para o lado, evitando meu olhar. Seus ombros tremem ligeiramente.

- Você não vai entender... - Sua voz vacila, e então ele começa a chorar. - Ninguém entende. Você também não vai querer ser mais meu amigo. Eu sou uma aberração, cara.

Minha garganta seca. Meu coração bate forte.

O que pode ser? O que ele tem que o deixa assim?

Me inclino um pouco mais para perto, minha expressão firme, mas suave.

- Você é o meu melhor amigo, Simon. Confie em mim. Me deixa te ajudar.

Simon veste um moletom com zíper na frente. De repente, me dou conta de que, desde que nos conhecemos, nunca o vi sem camisa. Ele está sempre coberto, seja com camisetas largas ou com aquele moletom que parece uma espécie de escudo.

Além disso, usa uma faixa cobrindo a região dos seios. Meu olhar se detém nesse detalhe, algo que nunca questionei antes.

Seu corpo é um pouco mais cheio que o meu-não exatamente acima do peso, mas longe da definição atlética da maioria dos caras da escola com quem andamos. Sempre achei que ele não tirava a camisa por vergonha, por não querer expor um corpo que não se encaixava nos padrões.

Mas agora, algo me diz que há mais do que isso.

E Ele continua gemendo e respirando com intensidade. O suor escorre por sua testa, sua expressão uma mistura de dor e angústia.

Minha inquietação cresce. Tento abrir seu moletom para entender o que há de errado, mas ele reage imediatamente, segurando meu pulso com força.

- Não! - Sua voz sai trêmula, quase um grito.

Mas eu insisto. Tento novamente, minha determinação se sobrepondo à resistência dele. Com um movimento mais firme, consigo abrir o zíper-e então congelo, meu coração disparando com o choque do que vejo.

- Cara... o que está acontecendo? O que é isso? - Minha voz sai alarmada, quase vacilante.

Os seios dele são maiores do que o normal para um homem, os bicos bem pontudos, a pele avermelhada, tensa. Há algo visceral na cena, algo que eu não consigo compreender de imediato.

Ele se encolhe, as lágrimas escorrendo pelo rosto.

- Me deixa em paz, Noah... - A dor em sua voz é cortante, quase insuportável.

Mas eu não consigo recuar. Meu peito aperta com a necessidade de entender.

- Só me explica... para eu poder te ajudar, Simon. - Insisto, minha mão ainda pairando próxima ao tecido aberto.

- Eu já falei que ninguém entende... - Ele chora, sua voz embargada de frustração e desespero. - Eu nasci com um distúrbio hormonal. E... meus seios produzem leite...

Ele desvia o olhar, como se as palavras fossem difíceis demais de pronunciar.

- Isso ocorre devido a um fenômeno chamado galactorreia, que é a secreção de leite sem relação com gravidez ou lactação. É um caso raro em homens, mas acontece... e eu fui um dos sorteados pelo destino.

Seu tom vacila, como se a revelação trouxesse alívio e, ao mesmo tempo, um peso imensurável.

Minha mente trabalha rápido, tentando processar o que ele acaba de dizer.

- Você produz leite? - Murmuro, quase para mim mesmo. E então tudo começa a fazer sentido-o inchaço, os bicos protuberantes, a tensão na pele.

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