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Capa do romance Apaixonado pelo Meu Quase Irmão

Apaixonado pelo Meu Quase Irmão

No último ano escolar, a vida de Peter muda drasticamente ao se mudar para a casa do noivo de sua mãe. Lá, ele é obrigado a conviver com Logan, um jovem arrogante e misterioso que desperta sentimentos contraditórios. Embora as famílias esperem uma relação fraternal, a tensão entre eles cresce através de provocações e olhares intensos. Sob o mesmo teto, ambos lutam contra uma atração proibida, desafiando os limites do que é permitido entre futuros irmãos.
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Capítulo 2

Peter

Desde que minha mãe conheceu o Mark naquele aplicativo de namoro — um daqueles encontros que parecem roteiro de filme, mas que na nossa vida real raramente dão certo —, eu soube que a história com o filho dele não seria fácil.

Logan.

Ele parecia ser do tipo complicado. Eu ouvia minha mãe, discretamente, no telefone com as amigas, comentando sobre as brigas frequentes entre ele e o pai, sobre como ele não aceitava ver outra mulher ocupando o lugar que a mãe dele tinha deixado. Um lugar que ficou vago, não por tragédia… mas por escolha. Ela o abandonou. E eu acho que essa escolha é o que mais dói. A ideia de ser deixado para trás por alguém que deveria te amar incondicionalmente.

Mark, alheio a tudo isso, estava me mostrando a casa como se fosse um corretor de imóveis, apontando cada detalhe com um entusiasmo que eu não conseguia corresponder. Eu tentei acompanhar — não só por educação, mas porque, para ser justo, o lugar era lindo. Meu quarto era quase o dobro do que eu tinha antes, com uma janela enorme que dava para o quintal. Pela primeira vez em semanas, algo me pareceu... bom. Não perfeito, mas bom.

Mas aí meu estômago roncou alto, rompendo o silêncio e a formalidade daquela visita guiada. Mark ficou visivelmente constrangido. Ele tinha esquecido de pedir o jantar.

“A comida deve estar chegando”, avisou, checando o celular. “Desculpa, a empolgação me fez esquecer completamente.”

Quando a campainha tocou, eu fui atender achando que era o entregador. E foi aí que vi Logan pela primeira vez.

Bom, vi fragmentos do rosto dele, ao menos.

Ele estava na varanda, aos beijos com uma garota bonita, de cabelo escuro e sorriso fácil. Alice, descobri depois. Os dois pareciam imersos em uma bolha, completamente alheios ao mundo ao redor.

“Finalmente”, Mark murmurou, vindo por trás de mim, com a voz carregada de frustração. “Pedi pra você estar aqui quando eles chegassem. Isso é pedir demais, Logan?”

Logan mal olhou para o pai, ou para mim. Pareceu nem notar minha existência. Eu só me recolhi, evitando mais problemas.

“Você decidiu trazer uma estranha pra nossa casa e quer que eu participe do circo?”, disparou, ríspido, sem se mover um centímetro para dentro.

“Você sabia de tudo desde o começo. Eu tentei incluir você em cada etapa. Só porque estou me casando de novo não significa que vou viver sozinho para sempre.”

“Tanto faz”, ele respondeu, empurrando Alice para dentro de casa com um movimento brusco.

Mark suspirou, ajeitando a postura. Sua voz, antes ríspida, tornou-se gentil ao se dirigir à garota.

“Alice, querida, hoje é só a família. Espero que entenda.”

Ela assentiu, com um sorriso compreensivo, e saiu sem protestar. Eu percebi a irritação de Logan quando ela cedeu tão facilmente. Pareceu que ele estava esperando uma briga, um drama. E, sem a briga, a raiva dele se voltou para o único alvo disponível.

“Isso não é justo. Ela é a única que está do meu lado.”

“E eu? Eu tô aqui, Logan. Você só precisa deixar.”

A tensão na sala era tão espessa que dava para cortar com uma faca. Minha mãe e eu nos entreolhamos, desconfortáveis, como se estivéssemos espiando uma discussão privada que não deveríamos presenciar. Senti uma vergonha alheia enorme, um desconforto que me fez querer voltar para o carro e continuar a viagem de nove horas.

Mark tentou amenizar: “Me desculpem por isso. O jantar está chegando”, disse, antes de sair para o jardim, talvez em busca de ar fresco.

Minutos depois, Logan entrou na sala, nos lançou um olhar gelado e subiu as escadas sem dizer uma palavra. Nem um “oi”, nem um aceno. Apenas o silêncio e o som de seus passos pesados sumindo no corredor. Era a maneira dele de dizer: “Vocês não são bem-vindos aqui.”

A janta foi um completo fiasco. Logan apareceu, sentou à mesa com a expressão fechada, e respondeu a tudo com monossílabos. Mark tentou puxar assunto, minha mãe, Sarah, sorriu como se estivesse em um comercial de margarina, tentando desesperadamente criar uma atmosfera de paz. Mas por dentro, a gente sabia: aquela mesa não era de uma nova família, era de um campo minado prestes a explodir.

Depois da confusão, fui para o meu quarto e tentei distrair a mente. Tinha prometido uma videochamada com o Liam, mas até isso eu esqueci. Meu cérebro estava em modo sobrevivência.

Na manhã seguinte, acordei com fome e fui até a cozinha com a esperança de conseguir uma refeição em paz. Só que, claro, o universo tem um senso de humor meio cruel.

Logan estava lá.

De costas, preparando o café como se fosse o dono do mundo. Meu primeiro instinto foi sair de fininho. Mas alguma coisa me impediu. Talvez o orgulho. Talvez a raiva. Talvez o fato de que, por mais babaca que ele fosse, eu ainda teria que conviver com ele por tempo indefinido. A gente precisava, no mínimo, se apresentar.

Me aproximei devagar, como se estivesse lidando com um animal selvagem prestes a morder.

“Bom dia. Me chamo Peter. É um prazer te conhecer.”

Estendi a mão, esperando ser ignorado.

Mas ele olhou para mim. De cima a baixo. Com olhos escuros e intensos — do tipo que te fazem esquecer onde está por um segundo. E, para minha surpresa, ele apertou minha mão.

“Logan. Foi mal pela situação de ontem.”

Foi tudo. Só isso. Uma frase curta e a mão dele, grande e fria, na minha. Mas eu considerei uma vitória pessoal.

A voz dele era baixa, quase rouca. Os cabelos caíam sobre os olhos dando um ar pesado que combinava com a energia. Mas ele era... bonito. Logan era muito bonito, por mais que eu odiasse admitir devido à antipatia dele.

Ele vestia o uniforme do colégio. Uma jaqueta de tom vermelho-escuro com listras brancas no braço e ponta da manga, com uma blusa branca de tecido fino por baixo.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele se virou e subiu as escadas. Não foi exatamente um diálogo, mas considerando o histórico, era quase um milagre.

Fiquei sozinho na cozinha, encarando uma meia torrada como se fosse uma sentença de morte. O café queimava na minha garganta, mas ajudava a manter a ilusão de normalidade.

Então, ouvi buzinas lá fora. Fui até a janela e vi Logan correndo até o carro de Alice. Eles se beijaram como se fossem protagonistas de um drama adolescente barato. Eu revirei os olhos, enojado e — talvez — um pouco hipnotizado. O tipo de beijo que faz você pensar se já viveu algo assim. E eu não, definitivamente não vivi nada assim nos meus frustrados dezessete anos de vida.

Minha mãe apareceu atrás de mim, espiando por cima do meu ombro.

“Por que essa cara?”

“Esse menino é esquisito”, respondi, sem tirar os olhos da cena lá fora.

“Ele só precisa de tempo. Logo vocês vão ser como irmãos”, disse ela, otimista como sempre.

“Eca, mãe. Por favor”, murmurei, largando o café e a torrada.

“Está sem fome de novo?”

“Só não estou com vontade.”

Mentira. Eu estava faminto. Mas não tinha energia para lidar com ninguém. Subi para o quarto, passei pela porta do Logan com uma curiosidade que me incomodou, e me joguei na cama.

Coloquei os fones e afundei na única coisa que ainda fazia sentido: música.

Mas, enquanto me perdia nas batidas, uma ideia atravessou meu peito como um choque.

Eu ia viver com esse cara. Dormir sob o mesmo teto. Comer na mesma mesa. E o pior de tudo: eu não conseguia tirar esse jeito esquisito do Logan da cabeça.

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