Capa do romance Apaixonada pelo meu querido tio

Apaixonada pelo meu querido tio

9.1 / 10.0
Mary é uma jovem doce que sempre lidou com o descaso dos pais. Ao completar dezoito anos, sua rotina muda drasticamente com a mudança da família para Hollywood. Nesse novo cenário, ela encontra em William o carinho que nunca teve. Apesar da diferença de idade e do laço familiar, nasce uma conexão proibida e irresistível. Agora, ambos enfrentam o dilema entre a razão e o desejo, cientes de que viver esse amor intenso trará consequências que precisarão encarar juntos.

Apaixonada pelo meu querido tio Capítulo 1

MARY COLLINS

Passei as mãos pelas caixas do meu quarto, conferindo se a mais importante de todas está devidamente fechada. Deus me livre dos meus livros caírem, acabarem sendo amassados ou com uma dobra que seja em alguma de suas folhas, pior ainda se for na capa. Meu coração doi só de imaginar alguma dessas cenas de tortura. 

Tudo bem, talvez eu esteja exagerando só um pouquinho de nada. Como mamãe ama pontuar, às vezes eu posso ser extremamente cuidadosa com os livros. Em minha defesa, sou extremamente apaixonada pela literatura, pelos diversos mundos que consigo conhecer através da leitura. Tudo bem que já tenha conhecido diversos países com os meus pais, mas isso é diferente. 

Quando leio, vivo uma nova história de amor, conheço novas pessoas e, às vezes, um novo mundo. Eu não sei explicar, mas esse universo todo já faz parte de mim com uma intensidade tão grande que não me vejo mais sem os meus livros, sem os ensinamentos e o turbilhão de emoções que eles me trazem. Pode ser estranho uma menina da minha idade estar falando isso, mas eu não sou como as outras e, sendo sincera, eu amo isso. 

Odeio a perspectiva de que todos devem ser iguais, principalmente no modo de pensar. Ou aquele conceito de andar apenas com pessoas que de certa forma são parecidas comigo. A graça está exatamente em conhecer gente diferente, aprender um pouco da realidade dela e ensinar um pouco da minha. Uma troca de informações, histórias da vida e gargalhadas. Acho que é por isso que entre todos os clichês que amo, um dos meus preferidos é o tal do “ Os opostos se atraem”. 

Respirei fundo, olhando para o meu quarto com uma sensação nova no peito. Foram anos morando nessa casa, tendo esse lugar como lar e agora vamos nos mudar. Claro que tudo vai continuar igual, todas as coisas no seu devido lugar, afinal essa só vai deixar de ser a nossa residência principal para se tornar uma de passeio. Ainda assim, um sentimento novo se apossa do meu peito. Um pouco de medo misturado a ansiedade de como vai ser a minha vida daqui pra frente. 

Para muitos posso estar fazendo uma tempestade em um copo d’água, afinal quem não gostaria de se mudar para Hollywood? Mas não é tão fácil assim mudar de escola no meio do ano letivo, ainda mais quando você está cursando o último ano do ensino médio. Merda, eu vou ser a novata que não conhece ninguém!

_ My daughter.- Mamãe, carinhosa como sempre, chama por mim.

“Minha filha”

Respirei fundo, sentindo seus braços passarem por meus ombros, levando-me para um abraço apertado e carinhoso. Estou em casa agora, no lugar em que eu estiver com a minha amada família, estarei em casa. 

_ Mamãe.- Deitei a cabeça em seus ombros, sentindo sua mão entrar em meus cabelos, fazendo um delicioso cafuné, do jeitinho que amo.

_Pronta, minha princesa?- Perguntou.

_ Com um pouco de medo, confesso. Mas estou ansiosa, quero descobrir o que vai acontecer nessa nova aventura.- Fui o mais sincera possível.

Uma coisa que os meus pais sempre me ensinaram foi a sinceridade, ser o mais sincera possível com eles. Nunca menti para nenhum deles, acho que eu não conseguiria fazer isso, mesmo que tentasse muito. Eles sabem muito de mim, desde o primeiro crush ao primeiro beijo. Mesmo que tivesse deixado meu pai bem revoltado, afinal sua princesinha havia beijado alguém na boca e nenhum pai está pronto para isso. 

Pergunto-me qual será a sua reação quando as coisas deixarem de ser beijos e algumas mãos bobas. Ainda não cheguei aos finalmentes, mesmo que alguns paqueras insistam bastante com isso. Acho que o fato de ser uma romântica nata fez com que eu aumentasse os meus padrões. Não vou me entregar a qualquer um, permitir que alguém me toque com mais intensidade, alguém que eu tenha total certeza de que vai me jogar para escanteio depois de um curto período de tempo. 

Eu quero um romance dos meus livros, um clichê para chamar de meu. Quero me entregar a pessoa que faz o meu coração disparar, as borboletas voarem por meu ventre e um sorriso bobo toda vez que os nossos olhares se prendem. Vou me entregar por amor, não porque fui movida pelo desejo. 

_ Eu prometo que vai ser divertido, você vai gostar…

_As grandes estrelas estão lá.- Continuei a falar junto dela, terminando a frase que minha mãe mais repetiu nesses últimos dias. 

Pelo meu amor aos livros, minha mãe acredita que eu vou amar estar lá devido a cinematografia. Em Hollywood estão os grandes filmes, aqueles que muitas das vezes foram inspirados em livros. Mas sejamos sinceros, os filmes sempre acabam por estragar os livros, que são bem melhores.

_ Estou falando isso toda hora?- Sorriu sem jeito.

_ Humm.- Olhei para cima, como quem está pensando, mordendo o canto inferior dos lábios.- Ao menos uma vez por dia.

Parei com os meus gestos, olhando diretamente para os seus olhos, ganhando um sorriso lindo como resposta.

_ Eu só quero garantir que você está bem, que vai gostar.- Respondeu tranquilamente.

_ Fique tranquila, mamãe. Pode ser um pouco complicado no início, mas eu vou conseguir me adaptar rápido e transformar dele o meu lar.-Sorrir de lado.

Amo desafios, sair da monotonia e tentar descobrir o novo aos poucos. Claro que é bom ficar um pouco na zona de conforto, mas também pode ser bem interessante explorar e se aventurar no que não se sabe. 

_ E eu vou fazer tudo que está ao meu alcance para ajudá-la nessa missão.-Falou confiante, certa de si.

_ I love you.- Fiquei na ponta dos pés, beijando a sua testa. Nosso gesto de amor e carinho, já virou costume. 

_ I love you too, reason for my living. 

“Também te amo, razão do meu viver.”

Soltei um dos maiores sorrisos que consegui, sentindo aquele quentinho gostoso na barriga. Não há nada melhor do que isso, receber um olhar carinhoso, ao mesmo tempo amoroso das pessoas mais importantes da minha vida. Meus pais me criaram, são o que eu tenho de mais importante nessa vida toda, receber esse tipo de carinho deles é como um abraço quentinho ou o mundo nas minhas mãos. Não importa como, tudo acaba dando no mesmo, porque a felicidade e a realização que me proporcionam são similares. 

_ Vamos? Seu pai está nos esperando lá embaixo, precisamos pegar um avião.- Falou com o seu tom bem humorado de sempre, tirando um sorriso meu.

Concordei com a cabeça, caminhando até a minha mala de uma cor mais neutra. Coloquei a mochila com o meu Ipad, meu iphone, o fone, algumas coisas que preciso e é claro que não pode faltar em nenhuma hipótese, meu amado livro. 

_ O resto podemos deixar aqui, certo?- Pedi apenas para concordar com a cabeça.

_ Leva só o que você vai precisar dentro de três dias, até lá já vão ter levado as nossas coisas mais importantes.- Minha mãe concordou com a cabeça, observando-me com a maior calma possível.

_ Vou poder comprar mais lá?- Segurei firme na alça da minha mala, encarando ela com os meus olhinhos brilhando como quem está pedindo por algo muito importante.

Não posso negar que eu tenho o meu lado patricinha, por assim dizer, sempre acaba por aparecer. Eu fui criada na parte nobre da Califórnia, sendo filha única eu sempre tive tudo que quis, na hora que desejei. Preciso confessar que amo a vida que tenho, o luxo que o sobrenome dos meus pais me proporcionam, assim como eles. Somos uma família da alta sociedade e mesmo que algumas pessoas não gostem disso, muitos conhecidos e queridos nesse meio todo. 

_ Amanhã mesmo vamos ao shopping, se assim desejar.- Concordou com a cabeça, tirando um sorriso meu.

_ Já vou montar uma lista com as coisas que preciso, não posso esquecer nada.- Afirmei com convicção, puxando a minha mala.

_ Como se você não fosse ao shopping quase toda semana.- Minha mãe debochou da minha cara, circulando os seus braços na minha nuca. Começamos a caminhar juntas em direção às escadas. 

_ E você não me acompanhou todas essas vezes?- Fiz a pergunta retórica, vendo um sorriso ladino na minha mãe.

Já faz parte da nossa rotina, toda semana nós temos um momento desse, como ela ama pontuar, de mãe e filha. Lá nós contamos todos os nossos segredos, fortalecemos as nossas ligações. Gargalhamos das nossas palhaçadas, ou das coisas que acontecem ao nosso redor. São momentos simples e genuínos, mas que significam tanto. Nem sempre precisa ser shopping, qualquer momento que temos, apenas nosso, são especiais. 

_ Agora você me deixou sem argumentos, não pode fazer isso com a sua mãe.- Defendeu-se.

_ Tem alguma lei que me proíbe?- Questionei com um sorriso, vendo minha mãe revirar os olhos quando, mais uma vez, a deixei sem nenhum argumento. Eu sou especialista em fazer isso.

_ Achei que iria precisar subir e puxar vocês pelas mãos, mais um pouco e perdemos o voo.- Papai, com o seu drama de sempre, falou assim que paramos no pé da escada. 

_ Querido.- Minha mãe, graciosa como sempre, chamou por ele com a sua voz suave e em passos lentos foi até ele, repousando um singelo beijo em seus lábios assim que se encontram.- Não seja dramático, nossa princess estava se despedindo de seu quarto. “Princesa”

Sorri, enquanto encarava os dois, senti algo tão bom no meu coração. Meus pais possuem um casamento digno dos livros, regado de cumplicidade, amor e muito companheirismo. Eles são o meu maior exemplo, meu maior espelho. Jamais vou aceitar alguém que não me trate com o mesmo que papai trata a mamãe, ou que o seu olhar não brilhe de forma tão intensa quanto os olhos da morena toda vez que vê o homem que decidiu dividir a vida.

_ Além do mais, papai, tenho certeza que aquele avião não vai decolar enquanto não estivermos nele.- Pontuei sabiamente, deixando a mala nos pés da escada e descendo apenas com a minha mochila.

Não demorou muito e o nosso mordomo veio até nós, pegando a minha mala e a levando para o carro. Antes dele sumir do meu campo de visão, fiz questão de agradecer ele pelo serviço prestado. Isso é algo que os meus pais sempre me ensinaram e com muito orgulho coloco em prática. Preciso ser grata ao que as pessoas fazem por mim, mesmo que seja algo simples. Dizem que as coisas mais belas estão, justamente, na simplicidade. Certo?

_ Como tem tanta certeza, my love?- Seus braços, carinhosamente, circularam os meus ombros, abraçando-me de uma forma carinhosa. Sorrir grandemente com o seu gesto de carinho, sentindo o delicado beijo na minha testa. “Meu amor”

_ Não sei, talvez porque o jatinho é nosso e esteja esperando apenas pela nossa presença?- Falei em tom de pergunta, permitindo, o tempo todo, que o tom de deboche fosse claro na minha fala. 

Convenhamos, por mais que pareça soberba ou algo parecido falar isso, não estou errada. Graças a Deus nossa situação financeira nos permite isso, por que não aproveitar?

_ Espertinha.- Sorriu.- Ainda assim, seu tio está nos esperando para o almoço, não podemos fazer desfeita. 

Meu querido tio William, quando soube que iríamos nos mudar para Hollywood, se ofereceu para nos recepcionar em sua casa com um delicioso almoço. Como a casa que iremos ficar não está totalmente mobiliada, ou com as reformas finalizadas, vamos ficar esse tempo com o meu tio. Provavelmente não vai ser por muito tempo.

Quando eu era pequena, por volta dos nove anos, vivia na casa dele. Por ser o irmão mais novo do meu pai, e o único, estávamos sempre com ele. Lembro-me da minha tia, Megan, esposa do meu tio, naquela época era viva e a melhor tia que uma criança poderia querer. Eu era nova quando ela morreu, tinha por volta dos dez anos, ainda assim sofri bastante pela sua partida. 

Foi a última vez que vi meu querido tio, ele estava devastado por perder o amor da sua vida. Não sei como está atualmente, mas espero muito que tenha superado e até mesmo se entregado a um novo amor. Sempre o admirei pelo homem que ele é, merece tudo de bom. 

_ Estou ansiosa para ver o meu querido tio.- Soltei um sorriso ladino. 

_ I am too.-Beijou os meus cabelos, começando a caminhar comigo para fora da casa. “ Eu também”

Antes de entrar no carro, olhei mais uma vez para a minha amada casa. Vou sentir saudades de chamar esse lugar de lar, mas sei que vou me acostumar com o novo.

_ Está levando a roupa para você trocar no avião?- Minha mãe perguntou assim que entramos no carro. 

Olhei para o meu look escolhido, tentando achar o que tem de errado. Peguei uma calça de moletom preto, um cropped preto e o meu all star de sempre. Vamos pegar um avião, não me arrumei toda para isso, apenas me preocupei em ficar confortável.

_ Por que? Só estamos nos mudando.- Tentei argumentar.

_ Meu amor, você sabe que a mídia ama nos acompanhar, provavelmente já estão nos esperando. Embora você esteja linda assim, não quer sair nas principais páginas toda desleixada.- Minha mãe argumentou, encarando-me com carinho.

Bem, aqui está o lado difícil de ser quem somos. Às vezes eu só quero exercer o meu direito de estar feia, sair sem me preocupar com o assédio da imprensa ou algo do gênero, apenas ser eu mesma. Embora usar roupas de marcas e ter sempre um look de arrasar seja encantador, a cobrança que vem junto não é tão glamourosa assim. 

_ Tem roupas na mala, consigo montar um look legal.- Expliquei e a minha mãe concordou.

É, estamos mudando de estado, mas, pelo visto, muitas coisas vão se manter do mesmo jeito. Não sei como vão ser as coisas daqui para frente, se algo vai mudar ou continuar do mesmo jeito. Ainda assim, estou ansiosa para descobrir e me jogar nessa nova aventura. Quem sabe na cidade de Hollywood eu não tenha a chance de viver o meu romance dos livros!

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