
Angel Volume 1
Capítulo 3
Angélica ficou super animada com o passeio, cheia de expectativas em relação a Guto, imaginando quando seria o próximo encontro. Eles se falaram alguns dias durante a semana e se viram apenas uma vez. Angélica saiu à noite para correr na avenida com Fernanda e postou uma foto nos status, que Guto viu. Ele mandou mensagem perguntando se ela queria vê-lo. Angélica disse que não podia demorar. Ele foi até lá. Fernanda já tinha ido embora quando ele chegou. Ele estacionou o carro na rua de trás da pracinha, Angélica entrou e lhe deu um beijinho. Guto colocou o boné virado para trás e falou com deboche, olhando os retrovisores:
— Só isso, morena? Do jeito que você falou na mensagem, achei que ia me agarrar tal, chegar tirando a roupa, sentando para me mostrar o tanto de vontade, saudades.
Angélica respondeu com ironia: — Ué, só eu que tenho que ir atrás? Está com a agenda cheia aí e quer graça! Para de caô, cara.
Ele disse, abrindo o porta-luvas: — Alaaaaa, ó as ideias tortas. Isso é só porque eu não gosto, vê se você gosta aí.
Ele pegou uma sacolinha de chocolates da Cacau Show e deu na mão de Angélica. Curiosa, ela abriu para ver. Eram trufas de licor. Angélica falou impressionada: — É sério? Licor?
Ele disse como quem não entendeu: — É, sei lá, peguei qualquer um. E aí, tudo bem? Nem tive tempo de pegar no celular hoje!
Angélica, quase chorando, abriu uma trufa. — Aham... E você?
Ele estava olhando para ela. Angélica ofereceu, tentando não chorar, com um nó na garganta. Ele falou, reclinando mais o banco: — De boa. Se eu soubesse que você ia ficar triste, eu não tinha trazido. Vem aqui.
Angélica tirou os tênis e sentou no colo dele de lado, com os pés no banco do passageiro. — Não estou triste, só é difícil. Complicado! — respondeu, abrindo outra trufa.
Ele estava acariciando-a. — Posso imaginar — disse ele. Angélica colocou um pedaço na boca dele e deitou-se encolhida, encostando a cabeça no ombro dele.
— Obrigada por não gostar e por comprar por acaso. Você esqueceu a nota na sacola, comprou no caminho para cá — ela falou.
Ele sorriu, beijando a mão dela. — É, né?!
Não era um simples sabor ou uma trufa qualquer, aquilo lembrava sua mãe, e Angélica contou isso a ele, o quanto era importante para ela tudo o que a fazia sentir a presença da mãe. Falou também como seu pai não gostava de nada em casa que a lembrasse. O modo como ele a ouviu de verdade e a delicadeza de lhe dar justamente aquilo a emocionaram muito. Ficaram um pouco ali sem nem conversar. Angélica já tinha ganhado a semana toda só de vê-lo. Depois de quase uma hora, ele a levou embora. Ela agradeceu pela trufa, e ele disse que precisava de pontos extras com ela, porque no fim de semana teria uma viagem de trabalho. Angélica achou legal da parte dele dar uma "satisfação", mas não gostou porque não confiava nele, era como se soubesse que ele não estava dizendo a verdade. Despediu-se com um abraço muito apertado.
Ele ficou fora o fim de semana inteiro. Conversaram apenas uma vez. Angélica não saiu para lugar nenhum, ficou pensativa, insegura, criando paranoias, mas como estava apaixonada por ele, procurou não se apegar a elas.
Ele voltou e avisou que queria vê-la. Deu certo apenas dias depois, em um dia que o pai de Angélica ia trabalhar. Ela foi depois da aula. Guto a buscou perto da faculdade, e eles se beijaram assim que ela entrou no carro. Ele a levou para conhecer seu estúdio. Entrou abraçado a ela, beijando-a com carinho. Angélica se fez de difícil, imaginando o momento em que matariam a saudade. Ele se ofereceu para fazer uma tatuagem nela. Angélica começou a escolher, meio hesitante, mas aceitou a sugestão dele de fazer uma estrela no bumbum. Era uma loucura, pois fez escondido do pai, e se ele soubesse, a daria uma surra. Afinal, ele era um policial super careta, conservador e preconceituoso. A faculdade de Angélica foi mais uma escolha dele do que dela. Ela só queria a aprovação paterna, mas quando via qualquer sinal de correção ou desprezo, que ela julgava errado, logo aprontava para compensar o esforço perdido. E ele sempre a quis como um exemplo.
Angélica ficou de calcinha para fazer a tatuagem e falou para ele antes de começar: — Você sempre faz isso? Deixa mulheres de calcinha aqui?
Ele riu. — Eu não, aqui não. Mas se você quiser pode tirar, só que aí eu não me responsabilizo pelo meu lado profissional.
Assim que ele terminou, passou pomada e tirou foto. Angélica falou de forma provocativa, levantando-se: — Pode se sentar e tomar cuidado com as suas mãos bobas.
Ele estava arrumando as coisas e disse com um olhar malicioso: — Por quê? Quer que eu sente?
Angélica tirou toda a roupa. — Porque eu vou sentar em você e eu já estou muito excitada só de imaginar.
Ele se aproximou e a beijou, falando eufórico enquanto tirava a própria roupa: — Que isso, hein, morena? Assim você me quebra! Caralho, Angel.
Angélica o colocou na cadeira, encostou-a na mesa, sentou no colo dele e começaram a se beijar. Ele falou carinhosamente, olhando nos olhos dela enquanto acariciava seu cabelo e suas costas: — Você é maluca, né?! Com você não tem tempo ruim!
Angélica falou com vergonha: — Na verdade, tem, só que você ainda não precisa ver esse meu lado.
Ele perguntou curioso o que ela escondia de tão vergonhoso. Angélica disse que nada demais. Voltaram a se beijar. Ela ficou pensativa, imaginando o que ele pensaria dela se soubesse que era depressiva e tomava remédios, e sobre as crises de ansiedade e pânico então, nem cogitava contar aquilo tudo.
Acabou se distraindo com suas paranoias enquanto ele beijava seu pescoço e chupava seus seios. Ele percebeu que ela estava distante e parou. — Oww, que foi?
Angélica disse que não era nada e o beijou sutilmente. Ele a abraçou cada vez mais forte. Ela colocou a cabeça em seu ombro, e ficaram em silêncio, apenas ouvindo e sentindo a respiração um do outro, sem roupas. Angélica beijou o pescoço dele e sussurrou em seu ouvido: — Quero você dentro de mim! Por favor?!
Ele fez contato visual e fez o que ela pediu, voltou a abraçá-la e disse que ela não precisava fazer nada se não quisesse mais. Angélica estava até então sem se mexer, mas começou a rebolar lentamente, sentindo-o cada vez mais fundo. Olhando em seus olhos, ela falou: — Com você eu sempre quero!
A conexão íntima entre eles era algo que Angélica nunca havia experimentado antes. Não se tratava apenas de sexo ou tesão, era algo mais profundo. Ela sentia uma entrega total, sem controle ou pudor, desde o primeiro beijo. Qualquer toque dele, por menor que fosse, a fazia ser inteiramente dele, e ele percebia isso.
Depois de um longo tempo de beijos e carícias, Guto disse que tinha um compromisso e que precisavam terminar logo. Angélica respondeu que ele podia terminar, mas ela não conseguiria. A verdade era que ela havia tomado seus remédios controlados corretamente, e isso a deixava diferente. Ele pediu para ela se levantar, por favor, educado como sempre, pegou sua mão e a levou até a mesa, deitando-a de bruços. Disse que a faria gozar, e Angélica concordou. Ele já conhecia seus pontos fracos, e eles atingiram o clímax juntos. Guto a cobriu de beijos, explicou que não podia desmarcar o compromisso e que lhe daria mais atenção assim que possível. Angélica disse que tudo bem. Foi ao banheiro se trocar e ouviu Guto falando ao celular. Ela não conseguiu entender o que era, mas o achou nervoso e irritado. Ele disse que não poderia levá-la e deu dinheiro para ela pegar um carro por aplicativo. Ao se despedirem, ele a beijou na calçada e disse que ligaria. Mais tarde, naquela noite, ele mandou mensagem perguntando se ela estava bem. Angélica só viu a mensagem na manhã seguinte e respondeu que estava tudo bem.
Dias depois, ele a convidou para ir ao estúdio. Foi uma semana difícil para Angélica; seu pai estava brigando e a humilhando por causa das notas, sempre jogando na cara tudo o que lhe dava. Ela disse a Guto que estava de TPM e tinha provas. Ele disse que isso não tinha nada a ver e que ela podia ir mesmo assim. Convidou-a para sair à noite em outra cidade, onde estava tendo um festival de churros, que Angélica adorava. Ela acabou aceitando o convite. Seu pai tinha ido à missa naquela noite. Angélica esperou ele sair e se trocou às pressas, colocando uma saia preta curta, um cropped preto, maquiagem básica e salto alto. Guto a buscou na rua de trás. Assim que ela entrou no carro, ele lhe deu um selinho e falou animado:
— E aí, morena, tudo bom? Foi difícil te encontrar, hein? Achei que não ia mais querer sair comigo!
Angélica respondeu sem jeito: — Tudo indo, e aí? Você me ofereceu comida, eu tive que aceitar!
Ele respondeu rindo: — Eu sempre quero te comer, já te falei isso.
Angélica sorriu sem jeito. Ele estava dirigindo e segurou sua mão carinhosamente, dizendo que estava brincando, não muito, mas que sentiu sua falta. Angélica fez carinho na mão dele e disse: — Desculpa, eu estava com a cabeça cheia por causa da faculdade e umas coisas em casa. Também achei que você não ia querer mais!
Ele disse que só queria aproveitar a noite deles e perguntou se ela estava a fim de algo diferente. Angélica, curiosa e pensando em besteira, respondeu: — Acho que sim, me fala, o que é?
Ele fez suspense com graça e começou a cantar uma música que falava sobre sexta-feira. Foram conversando sobre as leis, e Angélica explicou várias "entrelinhas" para ele. Todo entretido, ele fez várias perguntas e disse que nunca quis estudar, que o negócio dele era viver da arte. Foram ao festival de churros. Assim que desceram do carro, ele se aproximou e a beijou intensamente. Angélica, abraçada a ele, disse que queria o churros.
— É, eu tô ligado que você quer. Bora lá, a noite só tá começando! Vai dormir comigo, né? — ele respondeu.
Angélica disse que não podia dormir fora. Foram caminhando de mãos dadas, e enquanto estavam na fila, ele falou sério:
— Eu fiz alguma coisa para você? É que aquele dia no estúdio, você ficou diferente e eu não sei. Passou pela minha cabeça que talvez eu não te tratei bem. Angel, pode falar, se eu te fiz alguma coisa para você ficar assim e não querer mais dormir comigo, ficar me evitando.
Super constrangida, Angélica disse que não tinha nada a ver. Sem acreditar, ele respondeu irônico: — Ahhh, beleza, então. Vai querer do quê?
Elas fizeram o pedido e ficaram quietos. Quando pegaram os churros, Angélica ofereceu o dela, mas Guto não quis. Angélica falou apreensiva: — Meu pai anda pegando no meu pé. Não é nada com você!
Ele respondeu irônico: — Aham.
Super chateada, Angélica respirou fundo, tentando não chorar, e começou a falar nervosa: — Guto, desde que minha mãe se foi, eu não sou mais a mesma e eu tenho fases, tá bom?! Não quero que você veja algumas delas e esses dias eu não estava bem, foi isso o que aconteceu.
Ele se aproximou, pareceu surpreso e disse que ela não precisava se explicar. Ofereceu água e foi comprar. Voltou falando das barracas, mudando de assunto. Angélica disse que não queria mais e que, na verdade, preferia sair dali. Foram para o carro, e ele falou meio sem jeito: — E aí, onde quer ir? Está a fim de ir para algum rolê? Balada?
Angélica disse que só queria ficar com ele e começou a mexer no som. Ele ficou falando de uns artistas e do trabalho dele, encostou o carro no meio do nada e falou, pegando um maço de cigarros no porta-luvas: — E aí? Vamos fumar um? Quantas leis está a fim de infringir hoje?
Angélica disse que algumas, saiu do carro e sentou no capô ao lado dele. — Por que não desligou os faróis? Não tem nada aqui, é melhor não chamar atenção — falou sem entender.
Enquanto fumavam, ele respondeu: — Está com medo? Eu que não vou ficar no escuro aqui, está maluca?!
Angélica disse que não tanto quanto ele e ficou ouvindo-o contar histórias sobre as aventuras de quando ia acampar no meio do nada. Ele a pegou encarando-o com admiração e perguntou o que ela estava pensando.
— Ahhh, em você — Angélica respondeu.
— Em mim?! Ata! Deve estar de saco cheio de me ouvir, né?! — ele disse sério.
Angélica deitou-se no capô e o puxou para cima dela. — A gente pode conversar depois, quero você.
Ele se encaixou entre as pernas dela, e eles começaram a se beijar intensamente. Só com isso, Angélica já ficava excitada sem nenhum esforço. Ele levantou seu cropped e começou a chupar seus seios. Angélica falou apreensiva: — Ei, não é melhor a gente sair daqui?
Ele riu. — E por que você acha que eu deixei o farol ligado? Para te ver melhor, enquanto a faço minha!
Angélica respondeu rindo, levantando a saia enquanto ele beijava suas coxas. — Eu fico louca com você. Senti sua falta!
Antes de começar a beijá-la ali, ele disse que ela poderia demonstrar o quanto sentiu sua falta. No meio do nada, à luz do luar e dos faróis do carro, ele a beijou intensamente, como se ela fosse uma fruta doce e madura, sedento por ela. Ele a fez gozar em sua boca e, antes que ela recuperasse o fôlego, a beijou com toda a sua vontade e a possuiu ali mesmo, no capô. Angélica nem tirou a roupa, e foi sua maior aventura. Beijaram-se o tempo todo, e ele pediu para ela olhar para ele, algo difícil de fazer quando seu orgasmo se aproximava. Atingiram o clímax juntos. Angélica disse que queria ir para a casa dele, mas para não dormir. Ele respondeu debochado: — Com a vontade que eu estou de ter você, não vou te deixar dormir nem meia hora, pode ter certeza disso.
Foram para a casa dele, rindo da situação. Angélica disse que precisava se limpar. Ele perguntou se podia tomar banho com ela. Angélica falou surpresa, com ironia e rindo: — Por favor?!
Chegando lá, Angélica entrou na frente, tirou os sapatos e jogou a bolsa na cama. Ele se aproximou e a beijou, tirando suas roupas e acariciando seu corpo todo. Quando Angélica ficou nua, ele falou, olhando em seus olhos enquanto tirava suas próprias roupas: — Você é muito gostosa e eu fico louco com você, Angel.
Angélica foi para o banheiro rindo, entrou primeiro, e Guto logo a seguiu, agarrando-a e pegando-a no colo. Eles sempre usavam camisinha, mas Angélica percebeu que ia acontecer sem proteção. Disse que queria retribuir o agrado. Ele a soltou, e Angélica começou a beijar sua boca, pescoço e desceu, chupando-o com muita vontade. Pediu para ele gozar em sua boca. Ele falou surpreso: — Tem certeza? De boa mesmo?
Angélica sorriu e voltou a chupá-lo enquanto o masturbava ao mesmo tempo. Ele ficou enlouquecido com ela. Ficaram meia hora no chuveiro apenas abraçados, sentindo a água quente. Ele desligou o chuveiro e perguntou se ela queria alguma coisa. Angélica respondeu, enrolando-se na toalha: — Além de você? Não!
Ele sorriu e disse: — Bem que eu queria ser o suficiente para você.
Angélica soltou a toalha e se aproximou. — Então seja!
Ela ficou mais um tempo com ele, e aconteceu mais uma vez do jeito que eles mais gostavam, "papai e mamãe" se beijando muito. Ele pediu para ela dormir ali, mas Angélica disse que não tinha como. Ele disse que o encontro deles já tinha valido muito a pena, a levou embora e, na despedida, a chamou de safada, dizendo que ela ia aparecer nas fotos de algum satélite. Angélica riu. — Mas valeu a pena! Obrigada pela noite inesquecível.
Ele disse que realmente foi marcante e ficou na esquina olhando de longe até ela entrar. No dia seguinte, cedo, Angélica acordou com o pai gritando com ela. Não conseguiu sair no fim de semana, mas na segunda-feira cedo matou aula e foi ao estúdio ficar com Guto. Ele nem ia trabalhar, só foi para encontrá-la. Assim que Angélica chegou, ele a pegou no colo, cheio de desejo, e foram para o sofá que tinha lá. Angélica tirou a camiseta, e Guto disse que não queria fazer nada, chamou-a de safada, dizendo que ela deveria estar estudando e que ele se sentia mal por incentivá-la a matar aula. Angélica começou a rir muito. Ele falou: — É sério mesmo, só hoje e você dá seus pulos para a gente se ver de noite.
Angélica disse que então deviam aproveitar a manhã toda. Como ficavam dias sem se ver, quando dava, eles iam direto aos "finalmentes" e não perdiam tempo. Se viram três ou quatro vezes depois. Angélica dizia que ia correr ou que ia à casa de Fernanda, e sua madrasta a dava cobertura mesmo sem saber o que ela estava aprontando.
Já havia se passado um mês desde que eles estavam juntos, e Angélica começou a se incomodar com algumas coisas. Percebeu que não era paranoia, mas algo real e comum: não podia mexer no celular dele, ele sumia às vezes por horas, dias, vivia ocupado e depois fazia algo para agradá-la, compensando o vácuo, dando chocolates, levando-a a motéis diferentes. Mas era chato, eles não conheciam a família um do outro, nem os amigos. Tudo bem que eles apenas ficavam, não havia nada sério, mas já estavam em um ponto de grande intimidade, e Angélica já estava muito envolvida, gostando dele. Ela fez outras duas tatuagens escondidas: uma frase na costela em homenagem à mãe e um ramo de flores na coxa, perto da virilha.
Houve uma briga em casa por causa do seu cartão de crédito. O pai disse que ia tirá-lo porque ela não sabia usar, sendo que Angélica havia comprado um tênis e um livro para a faculdade. Naquele dia, teve duas crises de ansiedade horríveis. Saiu escondida e foi para a rua só para poder ligar para Guto. Eles tinham marcado de ir a um pagode no sábado, e Angélica havia insistido para ir e conhecer os amigos dele. Ela foi sentar em uma praça e mandou mensagem à noite desmarcando, dizendo que tinha acontecido um imprevisto. Ele quis saber o que tinha acontecido, ligou e perguntou se ela estava bem. Angélica começou a chorar, tentando disfarçar, e disse que precisava desligar, pois estava vindo outra crise. Ele disse que ia vê-la e que era para ela dar um jeito e ir encontrá-lo. Quando a crise passou, ela mandou mensagem dizendo onde estava. Ele foi buscá-la, chegou todo sério, sentou ao lado dela, a abraçou. Angélica disse que não podia demorar. Ele ficou encarando-a em silêncio, e ela se segurava para não chorar. Preferiu não contar o que aconteceu em casa, morria de vergonha, principalmente porque seu pai tinha boas condições e também porque ela nunca tinha trabalhado fora. Ele disse que precisavam sair dali. Entraram no carro, e Angélica ficou quieta durante todo o trajeto. Foram para um lugar não muito longe, no meio do mato. Ele continuou em silêncio, olhando para ela e fazendo carinho. Angélica falou cabisbaixa:
— A gente pode dormir na sua casa?
Ele respondeu exultante: — Claro, mas tem certeza? Não quero te colocar em mais problemas em casa. Brigou com seu pai? O que aconteceu?
Angélica enxugou as lágrimas que insistiam em cair. — Eu já sei fazer isso muito bem sozinha, me colocar em problemas. Não foi nada demais, eu nem sei por que ainda fico chateada, deveria estar acostumada já! Vamos? Por favor?
Ele ligou o carro e foram para a casa dele. Ele aconselhou Angélica a começar a se esforçar um pouco na faculdade, porque era nítido que ela não estava levando a sério. Angélica disse que não foi escolha dela e que não gostava daquilo. Ele respondeu: — Você gosta pelo menos um pouco, vai, pensa no seu futuro, e seu pai nem sempre vai estar aqui para cuidar de você, Angel. Você ainda é muito nova, sei que sua vida não é tão fácil sem sua mãe, mas ela com certeza ia querer te ver bem, no caminho certo.
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