Capa do romance Aquela que o Don não pôde deixar partir

Aquela que o Don não pôde deixar partir

8.9 / 10.0
Em Aquela que o Don não pôde deixar partir, Mariana é vendida ao submundo, mas um estranho paga sua liberdade. Neste romance de mafia novel com elementos de action, ela enfrenta um jogo de poder e segredos. Leia esta web novel e descubra se Mariana foi salva ou entregue a um novo inferno.
Resumo de Aquela que o Don não pôde deixar partir
Mariana viveu fugindo de quem deveria protegê-la, mas acaba vendida como mercadoria no submundo. Em um leilão sombrio, um estranho misterioso paga uma fortuna para tê-la. Presa em um jogo de poder, ela confronta o homem que parece conhecer seus segredos mais íntimos, como o significado de uma rosa vermelha. Sem saber se foi resgatada ou se entrou em um novo inferno, Mariana encara um destino repleto de luxúria, perigos e revelações fatais.
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Aquela que o Don não pôde deixar partir Capítulo 1

Capítulo 1

Mariana Bazzi

- Nem acredito que é real... ainda hoje estarei livre desse lugar - sussurrei para mim mesma, com os olhos marejados ao encarar os papéis impressos e assinados sobre a mesa do escritório.

Agarrei os documentos contra o peito como se minha vida dependesse disso - e, de certa forma, dependia.

Saí quase saltitando entre as mulheres do cassino, com um sorriso no rosto, levando a pequena sacola com minhas poucas coisas. Guardei os papéis lá dentro com o cuidado de quem carrega um tesouro.

Lágrimas escorriam, mas dessa vez eram de alívio. O presente de aniversário de vinte anos mais precioso que eu poderia receber: a minha liberdade.

Hoje faz exatamente dez anos que fui vendida para esse cassino. Um acordo nojento de covardia, por quem deveria me proteger: meu pai. Mas não... hoje eu não queria pensar nisso. Hoje, eu voltaria pra casa. Veria o rosto da minha mãezinha de novo. Sentiria o abraço das minhas irmãs mais velhas.

Subi as escadas desse inferno quase correndo, sentindo o coração bater descompassado. Mas meu sorriso morreu no instante em que o vi.

- O que está fazendo aqui? - perguntei, alarmada, olhando para os lados. - Você não tem mais direito de se dirigir a mim depois de tudo o que fez.

Ele mascava um de seus malditos chicletes com desdém, como se minhas palavras fossem piada.

- Não queria ver sua mãe? Suas irmãs? - abriu os braços com falsa simpatia. - Então entra logo no carro. Ou eu vou embora... e você nunca mais vai vê-las.

Engoli seco. Alguma coisa estava errada. Muito errada. Mas... e se ele estivesse dizendo a verdade? E se realmente fosse a única chance de vê-las?

Entrei.

O silêncio no carro era sufocante. Não o encarei uma única vez. A paisagem passava como um borrão e meu coração se apertava à medida que nos aproximávamos de casa.

Quando ele parou o carro, desci imediatamente. Vi que estava no telefone, parado no gramado. Ignorei-o. Saí correndo, atravessando o jardim como uma criança faminta por colo.

- Mamãe? Mãezinha? - minha voz ecoou pelo vazio.

Nada.

Chamei, andei por todos os cômodos, o desespero crescendo a cada segundo. Bebidas e mais bebidas caras espalhadas. E então... sobre a mesa da sala, pastas transparentes. Papéis estavam dentro. Tremendo, abri a primeira.

O nome da minha irmã.

"Ela foi vendida?"

Abri outra. Outro nome. Outra venda.

- Não, não pode ser... - sussurrei, em pânico, puxando a próxima, sentindo o ar sumindo.

Data de hoje? Uma venda recente?

Quando comecei a procurar o nome, senti a presença dele atrás de mim e um calafrio me fez estremecer.

- Larga isso agora! - berrou.

- Como pôde fazer isso?! Você mentiu! - atirei a pasta sobre a mesa. - Você vendeu minhas irmãs! Elas não estão aqui! E a mamãe? Cadê ela?!

- Bom, são bonitas, me renderam um bom dinheiro - meu corpo todo tremia.

- Onde elas estão? Cadê a minha mãe? - dei um passo pra trás.

- Não interessa - olhei para os lados vendo a quantidade absurda de caixas para entrega. A minha mãe costurava pra fora, e pelo visto andou trabalhando dia e noite para ter tanta coisa pronta.

- Você está mentindo! Cadê minha mãe? - falei mais alto.

- Morreu - disse, seco. - Não aguentou o ritmo. A fraca resolveu costurar uns extras e...

Meus punhos cerraram, o sangue ferveu. Já passou dois anos desde a última vez que a vi, o dia em que fugi e ela foi me buscar numa fundação que me acolheu. Me lembro como se fosse hoje...E eu só queria ficar com ela, e esse monstro a obrigou a me levar, depois me fez assinar esse maldito documento que dizia me libertar na data de hoje.

- VOCÊ A MATOU! ENCHEU ELA DE TRABALHO ENQUANTO ENGORDAVA E GASTAVA O DINHEIRO QUE GANHOU VENDENDO AS PRÓPRIAS FILHAS! - bati com força no peito dele.

Ele reagiu com violência. Agarrou meus cabelos e me empurrou até a mesa.

- Que se foda! Você também já está vendida. Olha aqui! - esfregou meu rosto nos papéis, machucando meu nariz.

- Seu nojento! Eu não vou a lugar nenhum! Não vou mais deixar aqueles porcos imundos me tocarem! Vá você para cama deles! Fica fazendo filhas em inocentes por aí, para vender depois! Que espécie de monstro você é? - gritei, tentando me soltar. Ele me deu um tapa forte, me lançando contra as caixas ao lado.

- Mulheres só servem pra isso. Você devia agradecer - cuspiu, repulsivo.

A dor me alimentou. Agarrei uma das caixas e acertei sua cabeça com tudo.

A porta estava escancarada. Corri.

Atravessei o portão, me joguei no jardim. Galhos arranhavam minha pele, o chão úmido me fazia tropeçar. Caí com força. Joelhos rasgados. Vi algo se mover entre as árvores.

Não...

Antes que pudesse fugir novamente, algo me atingiu pelas costas. Mãos ásperas. Me agarraram, me ergueram. Outro homem segurou meus pulsos com força.

- Me solta! - gritei, em pânico. - Não me levem de volta pra ele! Por favor!

Eles me arrastavam, e eu não conseguia reagir. Tudo se esfarelava. Até que...

Motores rugiram como trovões.

Vários carros de luxo derraparam diante da casa. A poeira subiu. As portas abriram de uma vez, e vários homens de preto desceram em silêncio ensurdecedor. O próprio ar pareceu parar.

Um deles se destacou.

O andar firme, imponente. Cabelos negros, lisos, caíam sobre parte do rosto. Óculos escuros, mesmo de noite. A aura dele não gritava poder - ela o sussurrava com uma elegância perigosa. Ele se aproximou sem pressa, como se o mundo ao redor lhe pertencesse.

- Soltem a Maryam, vim buscá-la - sua voz era baixa, mas cada palavra cortava como faca.

Tirou os óculos. Os olhos frios, impassíveis, analisaram cada detalhe.

- Quem te enviou? O velho Ezequiel? - ouvi a voz nojenta novamente.

- Sim. Alguém se opõe?

Um calafrio percorreu minha espinha. Todos conheciam o nome. Ezequiel: o velho que comprava mulheres como quem coleciona raridades. Ninguém jamais via seu rosto. E aquelas que iam... não voltavam.

Meu coração colapsou. Estava perdida de novo. O maldito do meu pai gargalhou, sabendo da minha desgraça.

Os capangas me soltaram. Eu tremia. Mas encarei meu pai.

- Mesmo que eu morra com aquele demônio... ainda assim, prefiro isso a viver mais um segundo ao seu lado.

Ele levantou a mão pra me bater. Mas não chegou a completar o gesto.

O homem de preto surgiu como sombra. Segurou o braço dele com uma força sutil, e num movimento rápido, torceu até o estalo ecoar.

- AHHHH! - meu pai gritou.

- Foi só um aviso - disse encostando uma arma no pescoço dele - Ela é minha! Ninguém encosta nela.

E então ele olhou para mim.

Pela primeira vez, alguém me olhava... e não era com desejo, pena ou desprezo.

Ele me estudava, como se quisesse decifrar minhas cicatrizes, como se enxergasse o que ninguém mais viu. Seus olhos eram escuros como a noite, frios como aço, mas... não me assustavam. Pelo contrário.

Fui atraída por aquele olhar, fiquei ali parada por alguns segundos, em seguida acordei de repente.

Espera aí... Ele disse "minha"?

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Aquela que o Don não pôde deixar partir de Conteúdos

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