
Amor, Traição E Capoeira
Capítulo 2
O barulho da multidão era ensurdecedor, mas para Marcelo "Cebola" Souza, soava como a mais doce música, o som da vitória de seu filho, João Pedro, ecoava por toda a arena do torneio regional de capoeira, uma vitória que representava duas décadas de dedicação, suor e um amor inabalável. Marcelo, um mestre de capoeira respeitado, sentia o peito inflar de orgulho enquanto via João Pedro, com o troféu em mãos, sorrindo para ele do centro da roda, mas a celebração foi abruptamente interrompida.
Como uma nuvem escura em um dia de sol, sua ex-esposa, Ana Paula, abriu caminho pela multidão, seu rosto era uma máscara de falsa preocupação, e ao seu lado, com um sorriso presunçoso nos lábios, estava Ricardo, amigo de infância dela e uma sombra constante no passado de Marcelo.
"Marcelo, precisamos conversar," disse Ana Paula, sua voz tentando soar razoável, mas carregada de uma tensão que Marcelo conhecia muito bem.
A música parou, os risos cessaram, e todos os olhos se voltaram para o trio, a atmosfera festiva se desfez, substituída por uma curiosidade mórbida, João Pedro, percebendo a mudança no ambiente, desceu do pequeno palco e se aproximou, sua expressão era de confusão e lealdade.
"O que está acontecendo, pai?" ele perguntou, colocando-se instintivamente ao lado de Marcelo.
Ricardo deu um passo à frente, ignorando completamente João Pedro, seu olhar fixo em Marcelo, seu sorriso se alargou, tornando-se cruel.
"Acabou a farsa, Marcelo," ele disse, sua voz alta o suficiente para que todos ao redor ouvissem, "É hora de João Pedro saber a verdade, é hora dele conhecer o verdadeiro pai dele."
Um murmúrio percorreu a multidão, os parentes de Ana Paula e Ricardo, que haviam chegado com eles, começaram a se posicionar, formando um semicírculo ameaçador, seus rostos exibiam uma mistura de ganância e triunfo antecipado.
João Pedro franziu a testa, olhando de Ricardo para sua mãe com incredulidade.
"Do que você está falando? Meu pai está bem aqui," ele disse, sua voz firme, apontando para Marcelo, "Você ficou louco?"
Ana Paula colocou a mão no ombro de João Pedro, um gesto que deveria ser de conforto, mas que pareceu possessivo.
"Filho, escute," ela começou, adotando um tom de vítima, "Seu pai... Marcelo... ele não podia ter filhos, nós fizemos uma fertilização in vitro, mas ele tem oligospermia, uma condição que o torna praticamente estéril."
Ela fez uma pausa dramática, deixando a informação pairar no ar, os familiares dela balançavam a cabeça em falsa compaixão, enquanto os de Ricardo sorriam abertamente, antecipando a riqueza que acreditavam estar prestes a herdar.
Ricardo, saboreando o momento, continuou o ataque.
"Eu ajudei sua mãe, João Pedro, eu sempre a amei, e para garantir que você viesse ao mundo, eu fiz o que era preciso," ele declarou, seu peito estufado de arrogância, "Eu troquei as amostras de sêmen na clínica, o filho é meu, biologicamente meu."
O choque silenciou a multidão, a acusação era tão audaciosa, tão cruel, que parecia saída de uma novela barata, João Pedro olhou para Marcelo, seus olhos buscando uma negação, uma explosão de raiva, qualquer coisa que desmentisse aquela história absurda.
Mas Marcelo permaneceu calmo, sua postura relaxada, seus olhos, antes cheios de orgulho paterno, agora continham uma frieza cortante, ele olhou para Ricardo, depois para Ana Paula, e finalmente para as duas famílias interesseiras que os cercavam. O barulho, os olhares, a tensão, nada parecia abalá-lo.
Ele simplesmente ergueu uma sobrancelha, sua voz saindo tranquila e clara em meio ao silêncio tenso.
"Vocês trouxeram o teste de paternidade?"
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