
Amor, Traição E Capoeira
Capítulo 3
A pergunta de Marcelo, tão calma e inesperada, pegou Ricardo e Ana Paula de surpresa, eles esperavam gritos, negações, desespero, não aquela serenidade desconcertante, por um momento, Ricardo ficou sem palavras, seu sorriso presunçoso vacilou.
Foi o pai de Ricardo, um homem corpulento com a mesma arrogância do filho, quem quebrou o silêncio, ele deu um passo à frente, tentando usar sua presença física para intimidar Marcelo.
"Não seja ridículo, Marcelo! Ricardo acabou de confessar," ele bradou, sua voz retumbando no ginásio, "Este menino é um da nossa família, um campeão! É sangue do nosso sangue, e nós viemos para buscá-lo."
Ele estendeu a mão para tocar o ombro de João Pedro, um gesto de posse, mas o jovem recuou bruscamente, seu rosto contorcido em desprezo.
"Tire a mão de mim," João Pedro rosnou, sua lealdade a Marcelo inabalável, "Eu não sou nada seu, meu único pai é Marcelo Souza, o homem que me criou, que me treinou, que esteve ao meu lado todos os dias da minha vida."
Ele se virou para Ana Paula, a decepção em seus olhos era palpável.
"E você, mãe? Como pôde fazer isso? Trazer esse homem aqui, neste dia, para dizer essas mentiras?"
Ana Paula recuou, seu papel de vítima sendo minado pela resistência feroz do filho, ela olhou para Ricardo em busca de apoio, e ele, recuperando a compostura, decidiu levar a aposta ao máximo.
"Já que você duvida, Marcelo," disse Ricardo, com um tom desafiador, "Então vamos fazer o que você sugeriu, vamos fazer um teste de DNA, aqui e agora, para que todos vejam a verdade, para que não reste nenhuma dúvida de que João Pedro é meu filho e que você é uma fraude."
A multidão murmurou em concordância, a promessa de um drama televisionado ao vivo era irresistível, os parentes de Ricardo e Ana Paula sorriam, certos da vitória, eles viam os bens de Marcelo, sua academia, sua casa, tudo passando para as mãos deles através do "herdeiro" recém-revelado.
Marcelo olhou para João Pedro, cujo rosto estava pálido de raiva e confusão, ele colocou uma mão firme no ombro do filho, um gesto de tranquilidade e força.
"Não se preocupe, filho," ele disse em voz baixa, apenas para João Pedro ouvir, "A verdade sempre aparece, confie em mim."
João Pedro assentiu, a calma de seu pai era contagiante, ele respirou fundo, endireitou os ombros e encarou os acusadores com uma nova determinação.
Os parentes de Ana Paula começaram a zombar de Marcelo, "Ele está com medo," disse uma tia, "Ele sabe que a mentira acabou."
"Vinte anos vivendo às custas do filho dos outros," acrescentou um primo, "Que vergonha."
Ana Paula, vendo que estava perdendo o controle da narrativa, aproximou-se de Marcelo com uma expressão de falsa compaixão, ela tocou seu braço, um gesto que ele imediatamente repeliu.
"Marcelo, querido, não torne as coisas mais difíceis," ela sussurrou, sua voz melosa escondendo a ganância em seus olhos, "Nós podemos fazer um acordo, você não precisa sair de mãos abanando, apenas admita a verdade, pelo bem do João Pedro, pense no futuro dele, um futuro com seu pai biológico, um futuro de riqueza que Ricardo pode oferecer."
A menção à riqueza expôs seu verdadeiro motivo, não era sobre a verdade ou o bem-estar de João Pedro, era sobre dinheiro, sempre fora sobre dinheiro.
Marcelo a olhou com um desprezo que a fez recuar, ele não disse uma palavra, apenas se virou para Ricardo.
"Você quer o teste? Ótimo," disse Marcelo, sua voz agora ressoando com uma autoridade inquestionável, "Eu já tenho um pronto."
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