
AMOR PROIBIDO - VOLUME 1
Capítulo 2
NÃO QUERO ir ao baile dos vaqueiros – declarou Winslow Grange, categórico, olhando para os outros homens com expressão hostil.
Na verdade, todos eram hostis.
Jason Pendleton conhecia seu capataz muito bem e sorriu ante a certeza de Grange.
– Você irá se divertir. Será uma pausa…
– Pausa? – Grange ergueu os braços e se virou. – Estou de partida para a América do Sul com um grupode agentes secretos para destituir um ditador sanguinário…
– É por isso mesmo – retrucou Jason. – Você precisa dar um tempo.
Grange se virou de novo, com as mãos nos bolsos da calça jeans.
– Ouça, não gosto muito de aglomerações de pessoas, não me entroso muito bem.
– E você acha que eu gosto? Tenho de me relacionar com presidentes de empresas, agentes do governo,auditores federais… mas eu supero. Você também dará um jeito.
– Acho que sim. – Grange soltou a respiração ruidosamente. – Faz tempo que não lidero uma equipe deguerra.
– Você foi ao México para libertar minha mulher, que tinha sido sequestrada pelo seu atual chefe –relembrou Jason, erguendo uma sobrancelha.
– Aquilo foi uma incursão. Estamos falando de guerra. – Grange apoiou a arma na cerca e deixou oolhar se perder na imensidão verdejante e no gado pastando. – Perdi homens no Iraque.
– Mas por causa das ordens de seu comandante, se bem me lembro. Não foi culpa sua.
– Vibrei quando ele foi levado à corte marcial.
– Foi benfeito. – Jason encostou-se à cerca. – Verdade seja dita, você sabe comandar. Isso é umaqualidade valorosa para um chefe de estado que luta para restaurar a democracia em um país. Se você ganhar, e acredito que ganhará, erguerão uma estátua em sua homenagem em algum lugar.
Grange soltou uma gargalhada.
– Mas o baile é uma tradição local. Vamos todos e ao mesmo tempo, fazemos donativos para as importantes causas regionais. Além disso, dançamos e nos divertimos. Você se lembra do que é diversão, não?
– Seus amigos ex-militares, tementes a Deus… – Jason suspirou.
– Não comece por mim – pediu Grange. – Lembre-se de que por causa da minha experiência comomilitar a sua Gracie não jaz em uma cova.
– Penso nisso todos os dias.
Jason meneou a cabeça. Aquele não era um assunto que ele gostava de lembrar. Gracie quase morrera.
O namoro deles fora difícil, mas agora estavam casados e esperando o primeiro filho. Gracie teve a impressão de estar grávida assim que eles se casaram, mas se enganara. Agora, porém, estava grávida de seis meses, e eles estavam felizes juntos. Entretanto, o caminho até o altar fora árduo.
– Eu ia convidá-la para sair antes de vocês se casarem – disse Grange para provocar Jason. – Tinha atécomprado um terno novo.
– Você não vai perdê-lo, porque ainda está na moda. Por que não o usa para ir ao baile? – sugeriu
Jason, sorrindo. – Além do mais, você não tem do que reclamar. Eu lhe dei terras e embriões de gado Santa Gertrudes legítimo.
– Você não deveria ter feito isso – afirmou Grange. – Foi um exagero.
– Não foi, não. Você é o empregado mais valioso que tenho aqui. Isso tudo foi um bônus merecido.
– Obrigado. Mas não precisava acrescentar ao pacote Ed Larson e sua filha.
– Peg é um doce, e cozinha como um anjo.
– Ela está sempre atrás de mim, dizendo bobagens… – Os olhos de Grange brilharam.
– Ela tem 19 anos… claro que diz bobagens.
– Por Deus, ela está tentando me seduzir! – desabafou Grange com o rosto vermelho.
– Você sabe que a época vitoriana acabou, não é? – Jason arqueou uma sobrancelha.
– Não estou disposto a fazer joguinhos com uma garota de 19 anos. Eu já vou à igreja, pago meusimpostos e faço doações para caridade. Nem beber eu bebo!
– Desisto. Você é uma causa perdida. – Jason meneou a cabeça.
– Basta olhar em volta para encontrar causas perdidas. Temos a maior taxa de divórcios, a pior economia e as mais mesquinhas empresas da Terra…
– Lamento, mas tenho de ir a Nova York na semana seguinte ao dia de Ação de Graças.
– Não vou demorar tanto para expor meu ponto de vista.
– Terá de pregar em outro lugar. Voltando ao assunto do baile, se você não levar Peg ao baile, não terácom quem ir.
– Irei sozinho – resmungou Grange.
– Se fizer isso será assunto de primeira página para todo mundo.
– Não vou levar Peg! – exclamou Grange por entre os dentes. – Ela e o pai trabalham para mim.
– Se quiser, posso listar os nomes de várias pessoas que levaram empregados a bailes passados – disseJason em tom de brincadeira.
Grange já sabia quem estaria nessa lista; muitos deles acabaram se casando. Ele não queria dar nenhuma chance de isso acontecer.
– Será por apenas três horas, Grange. Que mal há nisso? Além do mais, você sairá de viagem dois diasdepois.
– É verdade.
– Pense nas lembranças felizes que levará consigo.
– Peg não tem dinheiro para comprar um vestido novo. – Grange passou os dedos por entre os espessoscabelos negros.
– Há uma nova butique na cidade. A designer, Bess Truman, está investindo para crescer e irá vestir metade das moças solteiras da cidade com seu estoque. Você se lembra de Nancy, a farmacêutica? Ela apareceu na televisão local com um vestido verde da coleção de Bess. Bonnie, a assistente dela, tem um vestido vermelho de parar o trânsito, literalmente. Até mesmo Holly, que trabalha com elas, tem um dourado. Bess já emprestou um vestido para Peg usar.
– Você vai me contar a cor do vestido? – indagou Grange em tom sarcástico.
– Você terá de esperar para ver. – Jason sorriu. – Gracie disse que é o vestido mais bonito de todos.
Grange ainda não parecia muito convencido.
– Convide-a, Grange. Já faz tempo que você anda circulando sozinho, sem sair com ninguém. É hora dese lembrar das razões pelas quais homens gostam de mulheres.
– Foi Gracie que mandou você falar comigo, não foi? – Grange estreitou os olhos.
– Desejos de uma mulher grávida, do tipo sorvete de morangos com picles, manga com gelo, as amigassendo convidadas para os bailes… – Jason fitou Grange com olhos brilhantes. – Creio que você não vai querer desapontar Gracie, não é?
– Certo, pode bater no meu ponto fraco.
Jason sorriu abertamente.
– Vou testar as armas e exercitar meus homens, mas posso tirar a noite livre e levar Peg a um baile parao qual não tenho a menor vontade de ir. Por que não?
– Seja legal com ela, está bem, Grange? Pelo menos uma vez.
– Detesto coisas legais. Eu não sou legal. Fui capitão de um pelotão no Iraque.
– Vai ser bom praticar seu charme quando tiver de convencer os insurgentes a se render a seu chefe, ogeneral.
– Não preciso de charme para isso. Tenho várias armas automáticas e algumas granadas para essafinalidade.
Jason se limitou a balançar a cabeça.
PEG ESTAVA na cozinha quando Grange entrou pela porta lateral da casa. Apesar dos protestos, Jason o presenteara com a fazenda junto com a casa. Grange ainda era tecnicamente o capataz de Jason na imensa propriedade chamada Pendleton Comanche Wells. Quando tivesse tempo, Grange pretendia formar seu próprio rebanho e reformar o enorme elefante branco, transformando-o numa casa menor. Jason era o responsável pelo pagamento de Ed, e Grange pelo de Peg.
Grange nunca deixara de reconhecer a generosidade de Jason. Ele fazia questão de pagar suas dívidas e achava que devia muito a Grange por ter salvado Gracie. Grange recusara uma oferta em dinheiro, e Jason deu outro jeito para recompensá-lo: a terra, a casa e embriões de gado. Tudo aquilo valia uma pequena fortuna, mas seria impossível convencer Jason do contrário quando se determinava a fazer alguma coisa. Fora uma recompensa e tanto.
Por outro lado, aquela tinha sido uma missão muito perigosa e arriscada. Grange e seus homens podiam ter morrido, mas efetuaram o resgate em pouco tempo e sem nenhum acidente sério. Ele tinha esperança de que o feito se repetisse quando invadisse Barrera, país de Emilio Machado, e retomasse o poder de um cruel ditador.
Peg tinha 19 anos, cabelos loiros compridos, olhos verdes e um sorriso travesso. Ela e o pai viviam sozinhos havia cinco anos, desde a morte da mãe, vítima de um câncer agressivo. Os dois acabaram trabalhando para Jason Pendleton, e agora trabalhavam para Grange.
Nenhum deles se importou com a troca de patrões. Ed adorava ser capataz na pequena propriedade de Grange, pois continuava com o mesmo salário, e o trabalho era bem melhor, o que lhe proporcionava mais tempo livre.
Peg, por sua vez, tinha a única obrigação de cozinhar para os três, e essa era a sua especialidade. Muito embora a cozinheira de Jason viesse de vez em quando para pedir tortas e bolos. Peg nunca se importava. Ela amava cozinhar.
– Você deveria estar na faculdade – disse Grange sem nenhum preâmbulo ao entrar na cozinha, onde elaacabara de colocar um bolo de carne no forno.
– Claro. Vou para Harvard no semestre que vem. Lembre-me de pedir para meu pai pagar a mensalidade – respondeu ela, olhando para ele e rindo, enquanto mexia as batatas na panela com água.
– Existem bolsas de estudos.
– Minhas notas não foram boas o bastante para me candidatar.
– Você pode trabalhar e estudar.
Peg se virou para olhar para ele e precisou levantar o rosto para fitá-lo nos olhos. Ela estava com o cabelo preso, e a camiseta mostrava manchas de gordura, pois nunca usava avental. – E o que eu estudaria? – perguntou Peg, apontando o garfo para ele.
– Economia doméstica.
– Acha mesmo que vou para a faculdade e dormir num dormitório misto?
– Como?
– Estou falando de um dormitório onde homens e mulheres dividem os cômodos sem se conhecerem.Você imagina que eu tiraria a roupa ao lado de um homem que não conheço?
– Você só pode estar brincando.
– Não estou, não. Há quartos para casais casados. Os outros não têm muita escolha, podem dormir comhomens ou mulheres. – Peg o encarou, antes de prosseguir: – Fui criada de um jeito específico, e é por isso que moro num lugar onde as pessoas pensam como eu. Li um livro de um sujeito chamado Toffler. Há 30 anos ele anteviu que haveria pessoas em ritmos diferentes da sociedade e que não se ajustariam muito bem aos padrões. – Deu de ombros. – Desajustada, essa sou eu; não pertenço a lugar nenhum. Bem, com exceção de Jacobsville ou Comanche Wells.
Grange admitiu que não gostava da ideia de Peg dormindo num quarto misto e com pessoas desconhecidas. Por sua vez, ele próprio não gostaria de ser forçado a viver com uma mulher que não conhecesse bem. Como o mundo havia mudado em apenas uma década!
– Bem, acho que você está certa. – Ele encostou-se à parede. – Mas poderia estudar pela internet.
– Já pensei a respeito.
Grange analisou o rosto dela, a boca bem desenhada, o queixo redondo e o pescoço elegante. Os olhos eram sua característica mais bonita, mas o cabelo preso e a ausência de maquiagem não a favoreciam. – São apenas fatores que desviam a atenção – comentou ela, ao perceber que ele a encarava.
– Como? – indagou ele, piscando.
– Estou falando do meu rabo de cavalo e da falta de maquiagem. É assim que mantenho meus admiradores afastados. Os homens acham que uma garota que não curte roupas bonitas e maquiagem deve ser inteligente. Como eles não gostam de mulheres inteligentes…
– Se eu quisesse uma namorada, gostaria que ela fosse inteligente. Eu me formei em Ciências Políticascom mestrado na Língua Árabe.
– Não acredito! Você fala Árabe? – perguntou ela, levantando o garfo.
– Sim, e vários dialetos.
– Oh… – Peg suspirou e fechou os olhos.
Não tinha ideia de que ele era tão culto, e de repente sentiu-se inferior. Grange acabara de sugerir que ela fizesse faculdade. Será que sua mente não era tão desenvolvida quanto a dele? E por isso ele ia mandá-la embora?
Grange franziu o cenho ao percebê-la tão preocupada. Lembrou-se do que Jason dissera sobre a designer que dera vestidos para as moças da cidade e sorriu. Bem, afinal não tinha nenhum plano de convidar outra garota.
– Que tal ir ao baile dos vaqueiros comigo? – perguntou Grange de repente.
Peg passou da tristeza profunda para a euforia em questão de cinco segundos.
– Eu?!
– Bem, seu pai não ficaria muito bem num vestido de baile…– O baile…?
– Isso mesmo. Odeio festas, mas acho que aguento por umas duas horas.
Peg limitou-se a menear a cabeça, ainda sem acreditar no que tinha ouvido.
– Você quer ir? – perguntou Grange de novo, porque ela estava com cara de quem… Na verdade, elenão sabia de quê.
– Sim! – gritou Peg, soltando o garfo, que foi parar dentro da pia.
– Ótimo lance, você podia ser jogadora profissional – comentou ele, rindo.
– Não jogo futebol.
Grange começou a dizer que se referia a basquete, mas Peg não estava prestando atenção, tão radiante ficara com a novidade.
– Eu só estava brincando.
– Tudo bem.
– Vou voltar ao trabalho. – Grange se desencostou da parede. – Vamos sair às seis horas, no sábado.Eles servirão canapés e algumas outras coisas, por isso acho que você não precisa fazer jantar, a não ser alguma coisa para seu pai. – Está bem…
Grange sorriu e saiu da cozinha.
Peg só voltou à realidade quando a água das batatas levantou fervura, espirrando no fogão. Espetou uma batata com um garfo limpo e colocou a panela da pia.
Sentia-se a própria Cinderela. Fora convidada para ir ao baile! Arrumaria o cabelo e o rosto para deixar Grange orgulhoso de sua companhia. Seria a melhor noite de sua vida! Quando começou a espremer as batatas, teve a sensação de estar nas nuvens.
– EU SOUBE que vocês vão ao baile – brincou Ed Larson com Peg depois do jantar com Grange.
Ela corou mais uma vez. Tinha sido assim durante a refeição inteira. Foi com grande alívio que viu Grange sair para o estábulo.
– Vamos, sim. Fiquei de queixo caído quando ele me convidou. Aposto que Gracie mandou o maridoobrigá-lo a fazer isso – disse ela com uma pontinha de tristeza. – Garanto que Grange disse que não ia.
– Que bom que vai. – Ed tomou um gole de café. – Dizem os boatos que Grange e os outros guerrilheiros partirão em breve com Emilio Machado. A revolução não será nada boa.
– Mas já? – perguntou Peg sem pensar.
Ela sabia sobre a missão de Grange. Era difícil guardar segredos numa cidade pequena. Além disso, Rick Marquez, cuja mãe adotiva, Barbara, era dona do café de Jacobsville, era filho do general Machado.
– É sim.
– Mas ele vai morrer!
– Nada disso. Grange foi um boina-verde no Iraque e voltou para casa. Ele vai ficar bem.
– Você acha mesmo? Sério?
– De verdade.
– Por que as pessoas precisam lutar? – indagou Peg depois de um suspiro.
– Às vezes por razões estúpidas, outras por razões patrióticas, ou para impedir que um ditador matepessoas em suas casas por terem questionado suas leis – disse Ed, com o olhar perdido no infinito.
– Nossa Senhora!
– O governo do general Machado era democrático, com ministros escolhidos com cuidado. Ele viajoupelo país conversando com o povo para entender suas necessidades reais. Criou comitês especiais com representantes de grupos indígenas no conselho. Chegou inclusive a negociar com países vizinhos para criar uma política de comércio livre que beneficiaria ambos os lados. – Ed meneou a cabeça antes de continuar: – Aproveitando que Machado estava viajando, aquela víbora chamou alguns comparsas para liderarem as forças militares do país e tomou o governo.
– Que cara bacana… – comentou Peg com sarcasmo.
– Ele também era o braço direito do general. Seu nome é Arturo Sapara. Arturo liderou o golpe deestado, depois fechou as emissoras de rádio e TV e colocou representantes em todos os jornais, que se reportavam diretamente a ele. Sapara controla toda a mídia, coloca câmeras em todo lugar e espiona a população. Se alguém é contra o que ele faz… essa pessoa simplesmente desaparece. Foi o que aconteceu com dois professores universitários há alguns meses.
– Nossa…
– Há quem diga que coisas assim não acontecem, mas são inevitáveis quando as pessoas fecham osolhos para as injustiças.
– Eu não sabia que era tão grave assim.
– Machado diz que não vai ficar parado vendo todo o seu trabalho pela democracia escorrer pelo ralo.
Levou meses para formar uma contradefesa, mas agora ele tem homens e dinheiro, e vai entrar em ação.
– Espero que ele vença – comentou Peg, fazendo uma careta. – Não quero que Grange morra.
– Você o está subestimando. Ele tem sete vidas, como um gato. Além disso, tem uma mente aberta; poresse motivo tem um valor inestimável para o general. – Os olhos de Ed começaram a brilhar quando começou a contar: – Durante a Segunda Guerra Mundial, um marechal de campo alemão, Rommel, foi enviado para o norte da África com um pequeno contingente de soldados, em comparação aos ingleses. Mas ele queria dar a impressão de possuir um batalhão maior. Então ele fez com que seus soldados marchassem numa parada militar, virassem a esquina e voltassem, deixando a impressão de que eram inúmeros homens. Rommel dispunha também de ventiladores enormes, motores de avião presos atrás dos caminhões para levantar a poeira do deserto e fazer parecer que seu contingente militar era maior do que era na realidade. A oposição foi enganada por muito tempo. É isso que eu chamo de ter uma visão ampla.
– Nossa… Nunca ouvi falar desse oficial alemão.
– Como?! – Ed a encarou, perplexo. – Você não estudou a Segunda Guerra Mundial na escola?
– Claro que sim. Aprendi sobre um general chamado Eisenhower, que depois se tornou presidente.
Ah… tinha também aquele sujeito, Churchill, que era um líder inglês.
– E o que aprendeu sobre Montgomery e Patton?
– Quem foram esses?
Ed terminou o café e se levantou.
– Vou citar as palavras de um professor de Harvard, George Santayana: “Aqueles que não se lembramdo passado estão condenados a repeti-lo.” E, só para constar, a história ensinada na escola precisa ser revista.
– História moderna. Para mim, tudo não passa de uma porção de datas e fatos insignificantes.
– Coisas lendárias.
– Se você acha…
Ed olhou para a filha, sorriu e desistiu do assunto.
– O mundo estará nas mãos de pensadores superficiais quando os mais velhos se forem.
– Não sou superficial – protestou ela. – Eu apenas não gosto de História.
– Mas Grange gosta.
– É mesmo?
– Sobretudo História Militar. Sempre falamos a respeito.
– Acho que vou recorrer à internet. – Peg encolheu os ombros.
– As prateleiras estão cheias de livros. Literatura real e honesta!
– São árvores mortas, papai. É preciso matar uma árvore para fazer um livro, quando existem tantosbons e-books para vender em toda a web.
Ed balançou as mãos e se dirigiu para a porta.
– Daqui a pouco você vai me dizer que concorda que todas as livrarias e bibliotecas fechem no paísinteiro.
– Acho tudo muito triste. Muita gente não pode comprar nem livros usados. As bibliotecas têm toda essatecnologia de graça. O que farão as pessoas quando não tiverem outro jeito de aprender a não ser indo à escola?
– Essa é a fala de uma filha minha. – Ed voltou para abraçá-la, soltando-a em seguida.
– Você quer um pedaço de torta? – gritou Peg quando ele já havia saído.– Daqui a uma hora, quando o jantar se assentar!
PEG AQUECEU o café e saiu da casa com uma caneca na mão, em direção ao estábulo. Lá, encontrou Grange sentado numa cadeira com assento de palha lidando com uma vaca Santa Gertrudes que paria pela primeira vez. Ele era muito ligado àquele animal; dera a ela o nome de Bossie. Ela estava sofrendo.
– Maldito touro que fez isso… – murmurou Grange, aceitando o café com um sorriso. – Se eu soubesseque ela estava prenhe, não a teria comprado de Tom Hayes.
Peg sabia do que ele estava falando. Uma vaca que paria pela primeira vez tinha de ter um novilho pequeno. Mas aquela fora fecundada por um touro, que geraria um filhote com peso acima do recomendado e prejudicaria a mãe.
– Tomara que ela tenha uma boa hora.
– E ela terá, se eu pagar para o veterinário se sentar aqui a noite inteira para ajudá-la.
– O dr. Bentley Rydel faria isso de graça. Ele ama os animais.
– Ah, sim, o cunhado dele é um deles. Quero dizer, um animal.
– Você tem raiva dos soldados mercenários, não é? – comentou ela.
– Não de todos. Os homens de Eb Scott são uma exceção. Mas Kell Drake, o cunhado de Rydel, tinhauma carreira mi
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