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Capa do romance AMOR PROIBIDO - VOLUME 1

AMOR PROIBIDO - VOLUME 1

Administrar um rancho no Texas era simples para o ex-combatente Winslow Grange, mas as selvas da América do Sul trazem novos perigos. Em uma missão na Amazônia, ele reencontra Peg Larson, a filha de seu antigo capataz. Se antes ele tentava sufocar a atração que sentia por ela, agora a proximidade torna o desejo inevitável. Determinada, Peg quer provar seu valor em combate, desafiando Winslow a enfrentar o território mais arriscado de todos: o coração.
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Capítulo 3

Capítulo Dois

–O QUE seu cunhado anda fazendo? – indagou Grange ao convidado.

Bentley Rydel franziu a testa antes de responder:

– Kell Drake sempre muda de assunto quando o questiono. Mas ele e um de seus amigos estão envolvidos em algum projeto com armas na África do Sul. Nem me dou o trabalho de perguntar. – Bentley interrompeu Grange, que ia começar a falar: – É perda de tempo. Ele estava trabalhando em alguma coisa com Rourke, mas soube que ele vai viajar com você.

– Rourke… – Grange suspirou e balançou a cabeça. – Esse é uma figura.

– Quem é ele? – Peg quis saber.

– Alguém que você nem precisa conhecer – disse Grange categórico. – É um…

– Por favor. – Bentley ergueu a mão para impedir Grange de continuar. – Estamos na companhia de umasenhorita.

– É verdade – concordou Grange e, sorrindo para Peg, deu um gole no café.

– Bem, Rourke pertence a uma categoria especial. Até mesmo o chefe de polícia, Cash Grier, evitaencontrar-se com ele. E pensar que Grier já trabalhou com muitos canalhas na sua época. O fato é que Kilraven, que costumava trabalhar como agente federal infiltrado do departamento de Grier, quase saiu aos socos com Rourke por causa da mulher com quem se casou.

– É um mulherengo, não é? – indagou Ed, aproximando-se do grupo.

– É difícil dizer, mas ele acha que sim – respondeu Grange.

– Rourke é bem relacionado – disse Bentley em tom de brincadeira. – Dizem que é filho ilegítimo dobilionário K.C. Kantor, que esteve à frente da maioria dos conflitos nos estados africanos.

– Já ouvi falar dele. – Ed meneou a cabeça. – É um homem fascinante.

– Ele nunca se casou. Dizem que se apaixonou por uma mulher que virou freira. Ele tem um afilhado quese casou com uma moça de uma rica família de fazendeiros do Wyoming.

– Nossa! – exclamou Ed. – Cada uma que a gente ouve!

– É verdade. – Bentley consultou o relógio e se levantou. – Preciso me apressar, tenho uma cirurgiadaqui a trinta minutos. Obrigada pelo café, Peg. – Sorriu-lhe.

– Por nada. Dê lembranças à sua esposa. Cappie estava mais adiantada que eu na escola, mas eu aconheci. Ela é um amor.

– Vou dizer a ela. Até mais.

Os homens acompanharam Bentley até a van, e Peg tirou a mesa do café. Depois de colocar a louça na máquina, subiu para o quarto para arrumar os acessórios que usaria em sua grande noite de baile. Cinderela é meu nome, pensou.

PEG ADORAVA plantar, especialmente mudas de flores. Até a primavera, as mudas de jacintos, tulipas e narcisos que estava plantando floresceriam em todo o seu esplendor de cores.

Os jacintos tinham um aroma melhor do que os perfumes mais refinados e caros. E Peg entendia de perfumes caros, pois passava horas nas lojas abrindo os frascos e sentindo a fragrância. Nunca tivera dinheiro suficiente para comprar um, mas adorava sentir os perfumes luxuosos quando passeava pelo shopping center em San Antonio. Não era sempre que saía da fazenda, mas aproveitava cada minuto quando tinha oportunidade.

Depois de plantar a última muda, Peg se ergueu. Sua camiseta estava suja de terra, e provavelmente o cabelo também. Mas adorava mexer na terra, assim como a esposa de Jason, Gracie, que costumava lhe mandar as mudas. As pessoas apaixonadas por jardinagem se tornavam amigas com facilidade por compartilharem o amor pelas plantas.

Grange estacionou o carro ao lado do estábulo e se aproximou dela, admirando o canteiro.

– Estou bem próxima ao melhor adubo que há.

Ele levou alguns segundos para entender que ela se referia ao esterco do gado, orgânico e muito eficaz.

– Entendi.

– A sra. Pendleton me mandou as mudas de seu jardim. Você não se importa…– Não, divirta-se.

– Meu pai foi ao mercado. Você não quer me raptar enquanto ele está fora?

Fazer insinuações sensuais era o jeito como Peg costumava provocá-lo, e o estava atingindo de um jeito preocupante.

– Não, não quero – respondeu ele, seco.

– Puxa vida, você está na era do gelo… Todo mundo se diverte hoje em dia.

– Você inclusive?

– Claro que sim. Tenho vida sexual ativa desde os 14 anos.

Grange arregalou os olhos, procurando disfarçar o susto. Peg não parecia uma moça fácil, mas será que estava enganado?

– Isso não tem nada de mais, Grange! Você é tão retrógado!

Calado, Grange seguiu para dentro do estábulo. Não achava que Peg fosse promíscua, mas era antiquado demais para achar que o estilo de vida mais liberal era salutar, apesar de muita gente pensar assim.

Peg não deixou por menos e foi atrás dele, balançando uma pazinha.

– Escute aqui, as pessoas não precisam seguir antigas doutrinas que já não são mais pertinentes nomundo moderno – desabafou ela. – Não existe um seriado de televisão em que as pessoas não durmam juntas antes do casamento.

Grange virou-se para responder:

– É por isso que eu não assisto à televisão.

– Você é o típico homem que imagina que as mulheres são santas. E todas deveriam se vestir de maneirarecatada e não abrir a boca. – Peg jogou a pazinha para longe e partiu para cima dele. – Sou uma ameaça para você, não é? Você está louco por mim, mas acha que sou muito jovem e inocente…

Sem que ela esperasse, Grange a segurou pelos braços e a prensou entre a parede do estábulo e seu corpo forte. Antes que Peg pudesse protestar, ele a beijou com uma avidez inesperada, levando o coração dela a bater em total descompasso.

– Sua danada… – sussurrou ele sem deixar de beijá-la, enquanto viajava com as mãos pelos quadrisarredondados, pressionando sua masculinidade intumescida contra as coxas macias de Peg.

Ela se arrependeu de tê-lo provocado, e agora estava morrendo de medo. Fora beijada uma única vez, por um garoto mais tímido do que ela, e o contato lhe causara asco. Desde que se apaixonara por Grange não namorara ninguém.

Agora ele tinha aceitado a oferta, imaginando que ela fosse uma mulher experiente, mas Peg mal sabia o que fazer. Pior: ele a estava assustando.

Peg nunca sentira com tamanha proximidade o membro rijo de um homem, e era tão ameaçador quanto a língua que agora se infiltrava em sua boca com uma volúpia totalmente desconhecida para a sua pouca experiência.

– Por… Por favor… – Peg espalmou as mãos no peito largo e o empurrou para trás, quando conseguiuvirar o rosto por alguns segundos.

A mente de Grange estava em turbilhão. Peg tinha o gosto do mais refinado champanhe. O corpo macio, quente e um perfume delicado que se amoldara perfeitamente ao seu, levando-o aos céus como nenhuma outra mulher fora capaz de fazer.

Peg já havia se deitado com outros homens, pelo menos era o que propagava. Mas, assim que voltou à realidade, Grange percebeu as mãos miúdas sobre seu tórax e o pedido para que parasse. Afastando-se um pouco, olhou no fundo dos olhos dela e entendeu que, ao contrário do que dizia, ela não tivera experiência alguma com outros homens.

– Fique quieta! – ordenou ele, quando Peg tentou fugir da proximidade intimidante.

A voz de comando a deixou petrificada. Ela engoliu em seco algumas vezes, enquanto Grange se afastava devagar, virando-se de costas.

Grange estava tenso, mas ela nem percebeu, de tão trêmula que estava, ainda encostada à parede com os braços cruzados sobre o peito. Aos poucos notou que seu corpo estava estranho, os seios, mais cheios, e uma sensação estranha entre as pernas. Deveria ter prestado mais atenção às aulas de Biologia em vez de ler livros de Arqueologia enquanto o professor explicava sobre contracepção e outros detalhes clínicos. Era uma aula muito enfadonha, mas pelo menos agora ela sabia que entre a teoria e a prática havia um longo caminho.

Passados alguns minutos, Grange respirou fundo e virou-se para Peg novamente. Ela evitou encará-lo de tão corada, nervosa e abalada que se sentia. A vulnerabilidade dela o levara a extremos. Assim, ele se aproximou e tomou o rosto delicado em suas mãos grandes, forçando-a a olhar em seus olhos.

– Sua pequena mentirosa… – Grange sorria.

Peg engoliu em seco de novo, embora achasse que ele não estava bravo.

Inclinando a cabeça, Grange beijou-lhe as pálpebras, sentindo o sabor das lágrimas que começavam a escorrer.

– Não chore – murmurou. – Você está em segurança.

Os lábios de Peg tremeram. Da mesma forma como estranhara o beijo agressivo de minutos antes, nunca tinha recebido uma manifestação de tanto carinho por parte de um homem como naquele instante.

Peg colocou as mãos sobre o tecido aflanelado da camisa, sentindo os músculos firmes e as batidas do coração de Grange, e procurou absorver toda a ternura dos lábios dele sobre sua pele.

– Agora já sabemos que insinuações falsas e agressividade fora de hora podem gerar mal-entendidos,não é? – murmurou ele.

– Tem razão. Eu deveria ter prestado mais atenção às aulas de Biologia em vez de ficar lendo livros deArqueologia escondido.

– Arqueologia? – indagou ele, arqueando uma sobrancelha.

– Ah, gosto de cavar a terra – respondeu ela, esboçando um sorriso. – Adoro plantar, desenterrarrelíquias… Tem algo a ver, não acha?

– Se você diz… – retrucou ele, rindo.

– Você está bravo? – Peg o encarou, sentindo-se vulnerável.

– Bravo não, mas um pouco envergonhado. – Grange meneou a cabeça.

– Por quê? A culpa foi minha. Eu passei dos limites. Sinto muito.

– Eu também. – Grange suspirou.

– Ainda vai me levar ao baile? – perguntou, preocupada.

– Mais do que nunca.

– Está bem.

– Agora, saia daqui – pediu ele, beijando-a na ponta do nariz. – Tenho de ver como está minha novilha.– Vaca. Agora ela já é mãe.

– Está bem, tenho de ver como está minha vaca.

Peg sorriu e começou a se afastar.

– Peg? – Grange a chamou, o nome soando como magia. – Meu pai era pastor.

Peg sentiu o sangue subir-lhe ao rosto, envergonhada por tudo o que já tinha dito a ele.

– Ah, meu Deus…

– Ele não era fanático, mas tinha uma consciência rígida de como a vida devia ser, diferente de outraspessoas mais permissivas. Segundo meu pai, a única coisa que separa os seres humanos dos animais é a nobreza de espírito que caminha junto com o respeito. A religião, ele dizia, junto com as artes, é o fundamento de uma civilização. Se uma das duas coisas falhar, a sociedade seguirá o mesmo caminho.

– Um dos meus livros de Arqueologia fala sobre a civilização egípcia – comentou Peg, voltando para oceleiro. – Primeiro cultuavam as artes, depois a religião praticada durante séculos. Roma, no entanto, foi absorvida por tantas outras culturas e nacionalidades que, como não se misturavam, o império acabou se dividindo em oriente e ocidente, depois de um conflito interno.

– Você deveria fazer faculdade de Antropologia.

– Se eu tivesse a chance, seria ótimo.

– Jason Pendleton doa algumas bolsas de estudos para várias universidades. Não tenho dúvida de queele mandaria você, se quisesse mesmo ir.

– Uau! Será?

– Acho que sim.

– Bem, tem aquele problema de morar em dormitórios mistos – disse ela, relutante, referindo-se aoassunto daquele mesmo dia, quando falara de uma experiência que não possuía.

Grange pensou que poderia lembrá-la daquilo, uma vez que alguém que não queria viver em um alojamento conjunto não aprovaria dormir com qualquer um.

Mas nada comentou.

– Você poderia morar fora do campus – sugeriu ele, tomando uma mecha do cabelo dela na mão.

– E quem tomaria conta de você e do meu pai? – Peg fitava os olhos escuros.

Grange sentiu uma pontada no peito. Até aquele momento não tinha avaliado como Peg cuidava bem deles. Havia sempre roupa limpa nas camas, móveis sem poeira, lanchinhos enfiados na sela do cavalo quando ele ia inspecionar as cercas da fazenda, e seu casaco sempre escovado e pendurado em algum lugar à mão.

– Você me mima demais – disse ele depois de um minuto, sério. – Isso não é bom. Passei a maior parteda vida no Exército, e não quero amolecer agora.

– Isso nunca acontecerá. Você possui a mesma aspereza refinada de Aníbal ao lutar com Cipião Africano, o famoso general romano, durante as guerras púnicas.

– Como sabe disso e não reconhece os nomes de Patton e Rommel? – perguntou ele, aturdido.

– Você gosta de História Moderna, e eu, de História Antiga. – Peg encolheu os ombros e sorriu. – Umadas estratégias de Aníbal era jogar potes de cerâmica cheios de cobras venenosas no deque dos navios inimigos. Aposto que os tripulantes pulavam como grilos para o mar.

– Que garota malvada… – Grange balançou o dedo indicador e mordiscou o lábio, ainda inchado pelobeijo. – Se bem que essa tática é boa para se usar nas guerras modernas.

– Ah, não iria dar certo. Grupos de ativistas iriam protestar nas ruas contra os maus-tratos às serpentes.

– Acho que você tem razão. – Grange começou a rir. – Segundo os chineses, vivemos em tempos interessantes.

Peg arqueou as sobrancelhas, sem entender.

– Trata-se de uma antiga predição chinesa. “Tempos interessantes” se refere a uma época difícil.

– Entendo.

Grange estudou os traços delicados de Peg. Ela não tinha uma beleza padrão, mas era dona de um rosto de linhas fortes, lindos olhos verdes e uma boca muito tentadora para se beijar. Mesmo contra a vontade, seus olhos não se desviavam daqueles lábios.

– Chega de brincadeira, Peg. Eu entro em ebulição muito rápido, e você não está preparada para o quepode acontecer.

Ela ia protestar, mas optou por ficar quieta.

– Jogue sal na ferida.

Grange avançou alguns passos e a segurou pelos ombros.

– Eu não estava reclamando. – Ele escolheu bem as palavras. – Não sou um aproveitador. Não gosto dehomens que tratam mulheres como objetos descartáveis. E o mundo moderno está cheio deles.

– Traduzindo, você acha que as pessoas têm de se casar primeiro – disse Peg o que lhe veio à cabeça ecorou, lembrando-se de que ele podia pensar que era uma insinuação de um pedido de casamento.

Sim, era o que ela queria, mas não pretendia ser brusca demais.

– Não vou dizer que não penso em casamento, mas não já. Estou prestes a participar de uma operaçãoperigosa. Não posso estar com a cabeça em outro lugar quando as balas começarem a voar, concorda?

O estômago de Peg se contraiu. Seria horrível se Grange se ferisse longe de casa e ela não pudesse cuidar dele. Decididamente não pensaria na pior das hipóteses. De jeito nenhum!

– Não precisa ficar nervosa – reprovou Grange. – Tenho experiência nessas táticas militares para nãome ferir. Sou bom nisso. É por esse motivo que o general Machado quer que eu lidere a missão.

– Eu sei. Meu pai garantiu que você é um líder nato. Ele acha que foi uma pena você ter deixado oExército.

– Acredito, como meu pai, que as coisas acontecem por uma razão e que as pessoas aparecem na nossavida na hora certa e com um propósito.

– Eu também acho.

Peg esboçou um sorriso, e Grange colocou o dedo indicador sobre os lábios dela.

– Fico feliz que você tenha entrado na minha vida – disse com voz suave, mas recuou em seguida. –Porém, somos apenas amigos, por enquanto. Entendeu?

– Você vai me reembolsar os contraceptivos? – perguntou ela, audaciosa.

Grange caiu na risada e saiu do estábulo balançando a cabeça.

– Isso é um “não”? – gritou ela.

Ele bateu a mão no ar e continuou andando. Peg abriu um sorriso.

NO DIA da festa dos vaqueiros, Peg estava tão nervosa que queimou uma fornada de biscoitos que assava para o café da manhã. Era a primeira vez que isso acontecia, desde que aprendera a cozinhar aos 12 anos de idade.

– Sinto muito – disse ao pai e a Grange.

– Um escorregão em um mês não é um desastre, mocinha – brincou Grange. – Os ovos com bacon estãoótimos, e já comemos mais pão do que o necessário.

– Pão modificado – murmurou Ed.

Grange e Peg olharam para ele sem entender.

Ed deu uma tossidela antes de iniciar a explicação:

– Hoje em dia boa parte dos grãos são modificados geneticamente, e os rótulos não dizem o que foi ounão alterado. Não faz muita diferença. O pólen proveniente de colheitas modificadas é transportado pelo ar e acaba chegando a colheitas normais. Acho que os gênios de laboratório não previram que o pólen pode viajar.

– O que há de errado com a modificação genética? – indagou Grange.

– Tenho um estudo sobre isso, vou lhe emprestar. – Ed suspirou. – As pessoas não deveriam bagunçar aordem natural das coisas. Existem boatos de que isso começará a ser feito com gente, em fertilizações in vitro, mudando a cor dos cabelos, dos olhos, e coisas assim. – Inclinou-se para a frente. – Já ouvi falar que cientistas costumam misturar genes humanos e de animais nos laboratórios.

– Isso é verdade – interveio Grange. – Há estudos para modificar a estrutura genética para se tratardoenças genéticas.

Ed o encarou e apontou o dedo indicador na direção de Grange.

– Espere um pouco. Se for assim, logo teremos humanos com cabeça de pássaro, de chacal e coisas dogênero, tal como os hieróglifos egípcios. Você acha que aquilo foi invenção dos egípcios? Aposto dez dólares como eles estavam tão avançados quanto nós atualmente e criaram essas coisas!

Peg se levantou e olhou preocupada ao redor.

– O que você está fazendo? – perguntou Ed.

– Estou verificando se não há ninguém com redes por aqui. Shh!

Grange começou a rir.

– Ed, essa é uma teoria muito louca.

– Acho que estou me deixando contaminar por Barbara Ferguson, dona do Barbara’s Café em Jacobsville. De vez em quando ela se senta comigo no almoço e conversamos sobre coisas que vemos em sites de notícias alternativas.

– Lembre-se de que esses sites são como a imprensa marrom – advertiu Grange. – Lembro que Barbaraafirmou que um equipamento elétrico poderia sustentar um impulso eletromagnético se armazenado numa garrafa de Leyden. É o mesmo que uma gaiola de Faraday. Ela ficou muito brava quando eu a corrigi, mas peguei meu smartphone e mostrei a ela uma referência científica. Barbara estava se baseando numa fonte desinformada.

– Droga. Acho que vou ter de jogar fora minha garrafa de Leyden. – Ed deu risada.

– Não se esqueça de me mostrar se você montar uma – pediu Grange.

– Não espere isso de mim – respondeu Ed. – Tive aulas de Pecuária, não de Física.

– Eu desisti das aulas de Física logo nas primeiras três semanas do segundo grau; pedi transferênciapara Biologia. – Peg suspirou. – Adoro física, mas é muito para a minha cabeça.

– Tive aulas na faculdade – disse Grange. – Tirei notas boas, mas eu adorava Ciências Políticas.

– Você vai acabar fazendo parte do governo do general Machado – brincou Ed. – Talvez como umoficial de alta patente, como comandante supremo das Forças Armadas.

– Eu pensei nisso também. Haverá muitas oportunidades para refazer as forças governamentais e promover boas mudanças na política.

Ao ouvir isso, Peg sentiu um aperto no coração. Se Grange aceitasse fazer parte de um novo governo na América do Sul, ele talvez não voltasse para casa, mesmo que o golpe desse certo.

Olhou para ele de soslaio, estudando-o. Ele era o que havia de mais importante na sua vida. Peg não dormira direito desde o beijo inesperado e apaixonado no celeiro. Depois daquele beijo, Peg teve certeza de que Grange a desejava, pois não fizera esforço algum para esconder. Contudo, ele não estava à procura de uma esposa.

A tristeza momentânea de Peg devia estar evidente, tanto que chamou a atenção de Grange, que a encarou. E foi como se uma faísca saísse daqueles olhos e atravessasse seu corpo inteiro. Ela corou e virou o rosto o mais rápido possível, para evitar que o pai suspeitasse de que algo acontecera sem seu conhecimento.

Ed era muito sensível, mas limitou-se a olhar de um para outro, sem dizer nada.

MAIS TARDE, Ed interpelou a filha antes que ela entrasse no quarto para se vestir para o baile:

– O que está havendo entre você e Grange?

– Infelizmente, nada. O pai dele era pastor, e Grange não é de ter aventuras românticas.Ed começou a rir antes de responder:

– Você só pode estar brincando!

– Não, só estou repetindo o que ele mesmo disse. – Ela gesticulou, levantando as duas mãos. – Grangenão bebe, não fuma e não transa. Acha que as pessoas têm de se casar primeiro. Não que ele queira se casar com alguém.

– Que bom. – O rosto de Ed se iluminou.

Grange subira vários pontos em seu conceito.

– Ou seja, ele vai me levar à festa, mas não me convidar.

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