
Amor Ferido, Destino Escrito
Capítulo 2
O barulho da boate era ensurdecedor, as luzes estroboscópicas piscavam sem parar, mas nada conseguia abafar o zumbido de humilhação na minha cabeça. Há apenas uma semana, minha vida tinha desmoronado. Cinco anos. Cinco anos da minha vida, da minha carreira, do meu dinheiro, tudo investido em Ricardo. E para quê? Para ele me chutar para fora da vida dele no momento em que a minha conta bancária secou.
Ele se tornou um músico de sucesso, com meu suor e sacrifício. E eu? Eu estava falida, abandonada e, pior de tudo, publicamente humilhada por ele, que agora me acusava de ser uma interesseira. A ironia era tão cruel que quase me fazia rir.
"Mais uma", pedi ao barman, empurrando o copo vazio. Eu só queria esquecer.
Foi então que um rapaz se sentou ao meu lado. Ele era jovem, com um sorriso fácil e olhos que brilhavam mesmo na penumbra da boate.
"Dia difícil?", ele perguntou, sua voz era calma e agradável.
Eu dei de ombros. "Você não faz ideia."
"Eu sou Pedro", ele disse, estendendo a mão. "O DJ desta noite. Vi você aqui sozinha e parecia precisar de companhia."
Eu hesitei, mas apertei sua mão. "Ana Lúcia."
Ficamos conversando por um tempo que eu não soube medir. Pedro era engraçado, leve. Ele me fez sorrir, uma coisa que eu não achava que seria capaz de fazer tão cedo. O álcool começou a fazer efeito, e eu me senti um pouco mais solta, mais ousada. Eu me inclinei para perto dele, sussurrei algo no seu ouvido e ele riu, passando o braço pelos meus ombros.
Naquele momento, senti um toque familiar e uma onda de calor subiu pelo meu corpo. Era um sentimento bom, um que eu não sentia há muito tempo.
Mas o destino, em sua crueldade infinita, decidiu que a minha noite de esquecimento não seria completa sem mais uma dose de humilhação.
"Ora, ora, vejam só quem está aqui."
A voz de Ricardo cortou o barulho como uma faca.
Eu me virei, e lá estava ele, com sua nova namorada, uma loira alta e esguia, pendurada em seu braço. Eles me olhavam com desprezo.
"Não perde tempo, não é, Ana Lúcia?", disse Ricardo, com um sorriso zombeteiro. "Mal terminamos e você já está caçando outro homem para bancar seus luxos."
A nova namorada dele riu, um som agudo e desagradável.
"Não seja tão duro, querido. Ela provavelmente está desesperada. Ouvi dizer que a lojinha de design dela faliu."
Cada palavra era um soco no meu estômago. O sangue subiu ao meu rosto, uma mistura de raiva e vergonha. Pedro, ao meu lado, ficou tenso.
Eu me levantei, cambaleando um pouco.
"Saiam daqui", minha voz saiu trêmula, mas firme. "Agora."
Ricardo levantou as mãos em falsa rendição.
"Calma, estressadinha. Só estávamos dando um oi."
Quando eles se viraram para ir embora, a namorada dele olhou para mim por cima do ombro e disse, com a voz carregada de veneno:
"Que nojenta. Uma mulher desesperada é realmente uma visão patética."
Aquilo foi a gota d'água. As lágrimas que eu segurava com tanta força finalmente escaparam, queimando meu rosto.
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