
Amante Fugitiva: O Chefe da Máfia Implora de Joelhos
Capítulo 3
Meu celular vibrou na mesa de cabeceira, vibrando contra a madeira escura como um sinal de alerta.
Eu não precisava olhar para saber quem era.
Sofia.
Toda manhã às 9h, como um relógio, ela enviava uma foto.
Dante servindo café. Dante amarrando a gravata. Dante beijando a testa do bebê.
Eram instantâneos digitais da vida que me foi negada — evidências de tudo que ela havia roubado.
Hoje, no entanto, a foto era diferente.
Era um close-up de seu pulso, adornado com a pulseira de esmeraldas da minha mãe.
A legenda dizia: Venha buscar se quiser.
Eu encarei a tela até minha visão embaçar e meu aperto no celular deixar meus nós dos dedos brancos.
Eu deveria ter ignorado.
Eu deveria ter ficado no meu quarto e feito minhas malas para o exílio que o Don havia me prometido.
Mas aquela pulseira era a única coisa que minha mãe me deixou antes que o câncer a levasse.
Era minha história, meu último elo com um mundo onde eu era amada, e Sofia a estava usando como um troféu de guerra.
Caminhei até a suíte VIP na mansão principal, minhas pernas pesadas como chumbo.
Os guardas me deixaram entrar sem uma palavra. Eles conheciam a hierarquia e sabiam que eu estava na base dela.
Sofia estava sentada na chaise longue, parecendo uma rainha em sua corte.
Ela sorriu quando me viu, tocando a pulseira com um dedo perfeitamente cuidado.
"Olha só a vira-lata, vindo implorar na mesa", ela zombou.
"Devolva, Sofia", eu disse, minha voz firme apesar da batida violenta no meu peito. "Não pertence a você."
Ela se levantou, alisando a frente de seu vestido de seda.
"Tudo que Dante toca me pertence agora. Incluindo isso."
Ela abriu o fecho da pulseira e a segurou, balançando-a sobre o chão de mármore.
"Ajoelhe-se", ela disse.
Eu congelei.
"Ajoelhe-se e admita que você não é nada, e eu te darei."
Eu olhei para as esmeraldas captando a luz.
Pensei no sorriso cansado da minha mãe em seus últimos dias.
Lentamente, dolorosamente, eu me ajoelhei.
Engoli meu orgulho, sentindo o gosto de bile na garganta.
"Por favor", sussurrei.
Sofia riu, seus olhos brilhando com pura malícia.
"Ops."
Ela abriu a mão.
A pulseira bateu no chão.
O som do ouro quebrando e das esmeraldas se estilhaçando ecoou como um tiro na sala silenciosa.
Eu encarei as ruínas da minha herança, paralisada.
Antes que eu pudesse me mover, a pesada porta de carvalho se abriu.
Dante entrou, seguido de perto por seus pais, Don Lorenzo e Isabella.
Sofia instantaneamente se jogou no chão, explodindo em lágrimas teatrais.
Ela agarrou o próprio braço, onde um hematoma novo e raivoso estava se formando — provavelmente autoinfligido momentos antes.
"Ela machucou ele!", ela gritou, apontando um dedo trêmulo para mim.
"Ela tentou pegar o bebê! Eu tentei impedi-la e ela torceu meu braço!"
Eu olhei para cima, dos restos quebrados da pulseira da minha mãe, atordoada.
Eu não tinha chegado a três metros da criança.
Dante olhou para Sofia, depois para mim.
Ele viu sua esposa chorando. Ele viu o hematoma.
Então, seu olhar desceu.
Ele viu a herança quebrada no chão.
Ele a reconheceu. Eu vi o lampejo de reconhecimento em seus olhos.
"Levantem-na", Don Lorenzo latiu.
Dois guardas me ergueram.
"Eu não fiz isso", eu disse, fixando os olhos em Dante. "Dante, olhe para mim. Eu não toquei nele. Eu vim pela pulseira."
Dante desviou o olhar.
Ele encarou a parede, a mandíbula tão cerrada que pensei que seus dentes iriam quebrar.
Ele sabia.
No fundo, ele tinha que saber.
Mas admitir que eu era inocente significava admitir que sua esposa era um monstro, e isso desestabilizaria a aliança familiar.
"O chicote", disse Isabella, sua voz fria e absoluta.
"Vinte chibatadas. Por ferir a linhagem."
"Não", eu ofeguei, o ar saindo dos meus pulmões. "Dante, por favor."
Dante fechou os olhos.
Ele não deu um passo à frente.
Ele não falou em minha defesa.
"Prossigam", ele disse suavemente.
A palavra me quebrou mais do que o chicote jamais poderia.
Ele havia sancionado minha tortura.
Eu ri então.
Borbulhou do meu peito, um som histérico e quebrado.
Eu ri da minha própria estupidez por acreditar que o amor importava em uma sala cheia de monstros.
Os guardas me arrastaram para o pátio.
Eles amarraram meus pulsos ao poste de ferro, me esticando.
Ouvi o estalo do couro cortando o ar antes de senti-lo.
A primeira chibatada rasgou minha camisa e mordeu minha pele como um ferro em brasa.
Eu gritei.
Eu gritei o nome de Dante.
Mas enquanto a segunda, terceira e quarta chibatada caíam, meus gritos se transformaram em silêncio.
Eu não o procurei mais.
Fechei os olhos e deixei a escuridão me levar, rezando para que, quando acordasse, não sentisse mais nada.
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