
Adorava-o, Açoitada por Ele
Capítulo 2
Liv fez uma única mala. Roupas, artigos de higiene. Nada mais importava.
Ela estava deixando seu apartamento perto da FAAP, indo para a casa de campo tranquila de seu pai por um tempo.
Enquanto esperava pelo carro, Marcos Torres saiu do elevador no prédio do escritório de seu pai.
Ele estava com Bela.
A mão de Bela estava em seu braço, possessiva.
Marcos usava um terno novo, caro, perfeitamente ajustado.
Uma leve marca de batom, um tom que Bela costumava usar, era visível em seu colarinho.
Os olhos de Liv piscaram sobre a marca, depois se desviaram rapidamente.
Uma dor surda, agora familiar.
"Olivia", disse Marcos. Sua voz era fria, formal.
Ele parou, bloqueando ligeiramente seu caminho. Bela ficou ao lado dele, um sorrisinho presunçoso brincando em seus lábios.
"Confio que você não vai causar mais... perturbações."
Suas palavras eram um aviso, afiado e claro.
Ele se referia à presença dela, à sua própria existência.
Liv olhou para baixo. "Não, Sr. Torres."
Ela usou o sobrenome dele. Parecia estranho, mas certo.
Ele enrijeceu. Um lampejo de algo – surpresa? Irritação? – cruzou seu rosto.
Ele estava acostumado com o "Marcos" adorador dela.
Bela escolheu aquele momento para dar um passo à frente, pressionando-se mais perto de Marcos.
Ele automaticamente colocou o braço em volta da cintura dela, puxando-a para perto.
Uma exibição pública. Uma reivindicação.
"Querido", disse Bela, sua voz doce como mel, "deveríamos ir. A reunião de planejamento para a nova ala."
Ela olhou para Liv, depois de volta para Marcos.
"Marcos está tão ocupado, sabe. Assumindo tanta responsabilidade na empresa agora."
Ela estava marcando seu território.
"A Bela será um grande trunfo", afirmou Marcos, seus olhos em Liv. "Ela tem um gosto impecável. Ela supervisionará todo o design de interiores dos meus projetos futuros. E, claro, da nossa casa."
A mensagem não dita: Bela era a dona da casa, a futura Sra. Torres, em tudo menos no nome.
Liv sentiu uma onda fria percorrer seu corpo. Diminuída. Irrelevante.
"Você é uma estranha aqui agora, Olivia", disse Marcos, sua voz desprovida de qualquer calor.
Não um tom cruel, apenas uma constatação de fato.
Como dizer a ela que o céu era azul.
Liv conseguiu um pequeno sorriso autodepreciativo. Não alcançou seus olhos.
"Eu entendo, Sr. Torres."
Ela iria embora. Não apenas da cidade por um tempo, mas de todo este mundo tóxico. Permanentemente.
O motorista de seu pai chegou. Ela acenou uma vez para Marcos e Bela, depois se afastou.
Ela não olhou para trás.
As semanas seguintes foram um borrão de silêncio forçado.
Seu pai tentou protegê-la.
Ela ficou na casa de campo, caminhando pela mata, tentando respirar.
Ela evitou notícias da cidade, mas trechos chegavam até ela.
Marcos e Bela eram inseparáveis.
Jantares luxuosos, eventos de caridade, festas do setor.
Ele estava, segundo relatos, mimando Bela, atento a todos os seus caprichos.
Novos brincos de diamante para Bela, "só porque sim".
Uma viagem de fim de semana a Paris para a "inspiração" de Bela.
Isso confirmava a profunda conexão deles, ou pelo menos, a conexão que Bela havia forjado com sucesso e que Marcos agora abraçava.
Liv sentiu um estranho distanciamento. Era como assistir a um filme sobre a vida de outras pessoas.
Uma tarde, Liv começou a limpar seu antigo quarto no apartamento da cidade de seu pai, para o qual ela havia retornado brevemente antes da decisão de ir para o campo.
Ela encontrou uma caixa de lembranças.
Desenhos de Marcos. Convites de galas antigas onde ela esperava que ele a notasse.
A pedra de granito.
Ela a pegou, depois a jogou em um saco de lixo com o resto.
Era hora de deixar ir.
Ela estava levando o saco para o duto de lixo do prédio quando as portas do elevador se abriram.
Marcos Torres saiu.
Ele estava visitando o pai dela.
Ele viu o saco em sua mão. Ele a viu.
"Olivia. Você tem estado... quieta."
Seu tom era indecifrável. Nem hostil, nem amigável. Apenas observador.
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