
Adorava-o, Açoitada por Ele
Capítulo 3
"Eu não estive te evitando, Sr. Torres", disse Liv, sua voz uniforme.
Ele ergueu uma sobrancelha. "Não? Você desapareceu. Sem ligações, sem mensagens. Depois do... incidente."
Seu olhar era perscrutador, intenso.
"Eu não te amo mais", afirmou Liv calmamente.
Era a verdade. A paixão havia se transformado em outra coisa – um entendimento amargo.
Um músculo se contraiu na mandíbula de Marcos. Irritação. Incredulidade.
"Não seja ridícula, Olivia."
Ele viu o saco de lixo que ela segurava. O canto de um esboço, o perfil dele, estava visível.
"Isso é mais um dos seus joguinhos?", ele acusou, sua voz endurecendo. "Tentando chamar minha atenção com drama?"
Ele ainda achava que ela era uma garota apaixonada fazendo jogos manipuladores.
Ele não conseguia conceber que ela pudesse genuinamente tê-lo superado.
Sua arrogância era espantosa.
"Eu não estou jogando, Sr. Torres."
A frustração de Liv era uma faixa apertada em volta do peito.
"Meus sentimentos eram genuínos. E agora, eles genuinamente se foram."
Ela enfiou a mão no saco, tirou um punhado de cartas antigas que havia escrito para ele, mas nunca enviado.
Confissões tolas e infantis de adoração.
Ela as rasgou ao meio, depois em quartos, e deixou os pedaços caírem no saco.
"Viu? Foram-se."
Marcos a observava, sua expressão indecifrável, mas tensa.
Ele provavelmente pensou que isso era apenas uma tática mais elaborada.
Sua mandíbula se contraiu. "Você está sendo infantil."
Ele não conseguia, ou não queria, ver a verdade.
Uma semana se passou. Silêncio.
Liv não tinha mais nada a dizer a ele.
Marcos, ela ouviu através das atualizações relutantes de seu pai, continuava convencido de que ela estava apenas fingindo.
Ele esperava que ela cedesse, que voltasse correndo, implorando por sua atenção.
Ele estava errado.
Um jantar de família foi organizado pelo lado da família de seu pai. O aniversário de uma tia.
Marcos estava lá, um convidado de seu pai. Bela estava, é claro, em seu braço.
Liv era uma figura secundária, a jovem prima "problemática".
Bela, no entanto, foi tratada como realeza.
A noiva não oficial de Marcos.
Uma tia-avó idosa até mesmo colocou uma joia de família, um delicado pingente de safira, na mão de Bela.
"Para quando você se juntar oficialmente à nossa família, querida. Pertenceu à minha avó."
Bela sorriu radiante, seus olhos se voltando para Liv por uma fração de segundo. Um pequeno brilho triunfante.
Liv não sentiu nada além de um cansaço maçante.
A conversa do jantar inevitavelmente se voltou para Marcos e Bela.
"Então, quando é o grande dia?", outro parente perguntou, piscando.
Marcos sorriu, um sorriso charmoso e praticado. "Estamos pensando na primavera. Bela adora as cerejeiras."
Bela encostou a cabeça no ombro dele. "Será perfeito."
A nova realidade estava se solidificando, se tornando oficial.
Liv se desculpou, alegando dor de cabeça.
Mais tarde naquela noite, enquanto Liv estava empacotando as últimas coisas do apartamento da cidade para se mudar para o campo mais permanentemente, a mãe de Marcos, uma mulher severa e consciente da sociedade chamada Eleonora Torres, a encurralou.
"Olivia", disse Eleonora, sua voz afiada. "Acho que é hora de você entender uma coisa."
Liv esperou.
"Marcos nunca foi para você. Ele precisa de uma mulher de substância, de sofisticação. Não de uma... garota volúvel."
Sua desaprovação pela paixão passada de Liv era clara. Sempre esteve lá, não dita.
"Você vai deixá-lo em paz. Você vai deixar esta família em paz."
As palavras eram duras, uma ordem clara.
Liv sentiu uma pontada distante de dor, um eco de mágoas passadas.
"Eu estou indo embora, Sra. Torres", disse Liv em voz baixa.
"Estou me mudando para o campo. E depois, pretendo estudar no exterior."
Ela já havia se candidatado, sido aceita em um programa de fotografia em Paris. Bem longe.
"Na verdade", acrescentou Liv, pegando algo em sua bolsa, "vou me casar."
Ela tirou um e-mail impresso. Uma aceitação muito recente e impulsiva de uma proposta de um jovem gentil e estável que seu pai havia discretamente apresentado a ela meses atrás, alguém que ela inicialmente descartou, mas com quem se reconectou recentemente online. Uma escolha segura. Um caminho diferente. O nome dele era Heitor.
Os olhos de Eleonora Torres se arregalaram ligeiramente, depois se estreitaram em suspeita. Mas o e-mail parecia legítimo.
Uma onda de alívio percorreu o rosto de Eleonora. "Bem. Isso é... sensato."
De repente, Marcos estava lá. Ele havia entrado na sala silenciosamente.
Ele tinha ouvido. Seu rosto era uma máscara de choque.
"Noiva?", ele disse, sua voz tensa.
Então, para o espanto de todos, especialmente de Liv, ele disse: "Olivia, se você precisar de alguma coisa... qualquer coisa... para sua nova vida, eu providenciarei. Considere um... presente de casamento. Sem limites."
Bela, que o havia seguido, ofegou. Seus olhos, fixos em Marcos, estavam arregalados de incredulidade e um lampejo de ciúme cru.
Liv encarou Marcos. Isso era outro jogo? Ou uma culpa estranha e possessiva?
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