
Acusação e Anel: O Preço da Vingança
Capítulo 2
A insistência dos meus antigos colegas de faculdade era irritante, mas aqui estava eu, no dia seguinte ao meu regresso ao Brasil, sendo arrastada para uma reunião de ex-alunos. O barulho no salão de festas era alto, uma mistura de música pop antiga e conversas animadas sobre carreiras, casamentos e filhos. Eu me sentia deslocada, uma estranha nesse mar de rostos que um dia foram tão familiares. Cinco anos em Portugal me mudaram de maneiras que eles jamais entenderiam.
Tentei me esconder em um canto com uma taça de vinho, esperando que o tempo passasse rápido, mas não tive essa sorte.
"Ana Paula! Você finalmente voltou!"
A voz era de Ricardo, o melhor amigo de Pedro. Ele se aproximou com um sorriso largo, o mesmo sorriso despreocupado que eu lembrava da faculdade. Atrás dele, o grupo se abriu, e meu coração parou por um instante.
Lá estava Pedro.
Ele parecia mais maduro, o terno caro acentuando seus ombros largos e a postura confiante de um homem de sucesso. Seus olhos encontraram os meus através da sala, e um silêncio constrangedor caiu sobre o nosso pequeno círculo. Ele caminhou na minha direção, seus passos firmes e deliberados, ignorando todos os outros.
O ambiente na sala, que antes era barulhento e festivo, pareceu esquentar de uma forma sufocante. Todos os olhares se viraram para nós.
Então, o impensável aconteceu.
Diante de todos, Pedro se ajoelhou. Ele tirou uma pequena caixa de veludo do bolso do paletó e a abriu, revelando um anel de diamante que brilhava sob as luzes do salão.
"Ana Paula" , ele disse, sua voz ressoando no silêncio repentino. "Case comigo."
Um suspiro coletivo percorreu a multidão. As pessoas ao redor sorriam, cochichavam, esperando a cena romântica que eles achavam que estava se desenrolando. Eles esperavam que eu aceitasse de imediato, com lágrimas de felicidade. Afinal, todos se lembravam de como eu, com muita insistência e um amor que beirava a tolice, conquistei o coração de Pedro, o rapaz mais popular da universidade.
Mas ninguém parecia se lembrar do resto.
Ninguém parecia se lembrar da cerimônia de formatura, cinco anos atrás. Naquele dia, que deveria ser o mais feliz da minha vida, Pedro subiu ao palco. Mas não para me parabenizar. Ele me acusou publicamente de plagiar minha monografia, usando provas falsas para me incriminar por fraude em exames e por praticar bullying contra colegas. Ele fez tudo isso para proteger outra mulher, Maria Clara, sua amiga de infância.
Como resultado, a universidade revogou meu diploma e me expulsou da cerimônia sob os olhares de desprezo e pena de todos. Naquele dia, meu mundo desabou. No dia seguinte, eu estava em um avião, partindo sozinha para Portugal, com nada além de um coração partido e uma reputação destruída.
Agora, de volta, o melhor amigo de Pedro, Ricardo, se aproximou de mim, percebendo minha hesitação. Ele se inclinou e sussurrou, como se estivesse me contando um segredo benevolente.
"Depois que você foi embora, Pedro usou os contatos da família para recuperar seu diploma. Ele guardou para você."
Ele fez uma pausa, esperando que essa informação me comovesse.
"Mesmo depois de tantos erros, ele nunca te esqueceu e sempre te esperou. Ele diz que, se você quiser, sempre será a esposa dele."
As palavras de Ricardo soaram distantes, como um eco de um filme ruim. Pedro. O nome já não provocava a dor aguda de antes. Era apenas um som, vazio de significado. Olhei para o rosto dele, o homem que um dia amei mais do que a mim mesma, e senti uma calma gelada. O tempo, a distância e uma nova vida haviam curado feridas que eu pensei que seriam eternas.
"Ricardo" , eu disse, minha voz firme, cortando o sussurro dele. "Diga ao seu amigo que eu agradeço a oferta."
Virei meu olhar para Pedro, que ainda estava ajoelhado, o anel estendido, a esperança brilhando em seus olhos.
"Mas não, obrigada."
Minha recusa foi clara e final.
"Esse amor que ele oferece" , continuei, minha voz um pouco mais alta para que os curiosos ao redor pudessem ouvir. "Para mim, já não tem valor algum."
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