Capa do romance Desejo Iminente

Desejo Iminente

8.3 / 10.0
Melissa Lancaster vive assombrada por um passado cujas marcas são indeléveis, e Adam Leal é a prova viva disso. O que nasceu como uma amizade profunda tornou-se uma paixão avassaladora que o tempo não conseguiu curar. Separados por mágoas e um segredo guardado sob sigilo absoluto, eles se reencontram em meio a uma tensão explosiva. Agora, Melissa busca redimir erros antigos enquanto luta contra uma luxúria incontrolável e um desejo iminente que ameaça consumi-los.

Desejo Iminente Capítulo 1

Olho para Blake através do meu espelho retrovisor e vejo o mesmo jogar compenetrado em seu celular algum jogo idiota que contenha tiros e tudo que um garoto da sua idade gosta.

Suspiro quando sei que estamos cada vez nos aproximando de rosas-dos-ventos.

Quando saí dessa cidade há nove anos, não pensei que voltaria.

Naquela noite em meio a uma decisão que até hoje não sei se foi a mais acertada a se fazer.

Tenho meus segredos, uma culpa, e alguém a quem devo perdão.

Adam Leal!

Não sei como reagiria diante dele se o visse agora, e tenho receio da sua reação diante de mim.

Meus pensamentos começam a viajar quando nós nos conhecemos.

Um garoto franzino de olhos verdes que adorava me olhar de um jeito estranho.

Em todos os momentos da escola ou mesmo na rua. Seus olhos brilhantes sempre me acompanhavam.

Mas nunca nos falamos, nem sequer um “oi”. Tinha vontade de me comunicar com ele, porém, percebia por seu modo de agir e quando se sentava para lanchar sozinho, que era tímido assim como eu.

Mas tudo mudou em um dia quando estava indo embora da escola para minha casa e o pneu da minha bicicleta lilás com alguns adesivos das super poderosas, estava furado.

Timidamente Adam me ofereceu ajuda empurrando minha bicicleta até minha casa, que ficava a duas quadras da dele. Uma distância razoavelmente pequena.

Desse dia em diante, começamos uma espécie de amizade. Adam era sempre gentil, prestativo, protetor. Sua companhia se tornou essencial em minha vida.

No começo das férias de julho conhecemos Alex, o vizinho de Adam, e recém-chegado na cidade.

Os pais de Alex o matricularam na mesma escola em que estudávamos.

Apesar de ser um menino rico e com algumas frescuras, Alex, até que era legal.

Os meses se passaram, e com eles anos, e minha amizade com os dois se tornou algo extremamente valioso e raro de se encontrar.

Às vezes implicávamos um com o outro. Nada tão relativo como Adam e Alex.

Os dois acreditaram que eu não percebia ter uma espécie de disputa entre os dois pela minha atenção. Algo que durou até os dezesseis anos de Adam, que era o mais velho de nós.

Adam se tornou fechado, arrogante, diria até frio.

Começou a agir como seus colegas babacas, criando sua própria fama entre as meninas da escola e até fora dela. E o que eu ouvia me deixava possessa.

Aquele garoto abandonou as aulas em geral, e o time de futebol em que era o capitão.

Suas notas iam tornando-se pior, e isso nos preocupava.

Quando digo nós, me refiro a Alex e a mim.

Seus amigos verdadeiros.

Não aqueles sem noção que andavam com ele, pegando carona na fama de badboy garanhão, de Adam.

Com o afastamento de Adam, Alex sempre foi meu porto seguro. Aquele garoto loiro de olhos castanhos e sorriso fácil, conseguia me arrancar boas risadas. Sempre que me via triste, arrumava algo para me animar.

Mas um final de ano se aproximava e eu e os garotos, tínhamos sempre um ritual.

Trocávamos presentes.

No último ano, Alex me deu um livro de Jane Austen, e Adam uma trilogia de cinquenta tons de E. L. James.

Cai na gargalhada diante desse presente de Adam. O que esse garoto tinha na cabeça? Presentear uma garota de quinze anos com um conteúdo tão… impróprio?

Com os meus dezesseis completos, tive uma certa curiosidade em ler. Já escutei algumas garotas falarem e minha imaginação trabalhava a mil, só em escutar alguns trechos.

Não sei o que havia acontecido comigo, com o meu corpo naquela época. Na verdade, sei sim!

Hormônios!

Como nunca tive uma amizade feminina, há não ser minha irmã Luciana, que estava prestes a entrar em uma faculdade de direito, não tinha muito com quem desabafar.

Luciana sempre buscava me orientar conscientemente, sempre na presença da nossa mãe que nos encorajava.

Minha mãe era enfermeira, e sempre conversava com lu e eu. Nos alertando sobre os prazeres e cuidados que devemos tomar com o sexo. Sexo seguro! Como ela sempre repetia.

Comecei a sair com alguns garotos e sempre rolava uns amassos, mas nunca passava disso. Não me sentia pronta para mais.

Às vezes Alex ficava irritado, dizia que do jeito que eu estava, iria ficar com má fama.

Não me incomodava. Que falassem o que bem quisessem. Só porque sou mulher acreditam que devem me tachar como algo.

Já não via Adam há algum tempo.

No dia que se dignou a vir à escola, flagrei sem querer ele pegando uma menina de jeito no banheiro feminino. Eles nem me notaram e continuei estagnada lá assistindo aquela cena, hipnotizada.

Parecia estar em um show de porno, ao vivo e a cores. O jeito que ele a prensava na parede, como mordia e lambia o pescoço da menina, me deixava de… boca seca.

A saia dela estava enrolada até a cintura e observando com seus quadris estavam se tencionando fortemente… ponho minhas mãos na boca chocada.

Estavam transando?

Caminho em passos lentos para trás e distraidamente ainda observando a cena acabo colidindo minhas costas contra a porta, assustando os dois.

Eles se afastam minimamente.

A garota me olha assustada.

Já Adam parece não se importar de ser eu a assistir seu showzinho.

Seus olhos me fitaram intensamente, vejo um brilho de puro prazer e malícia neles. Um sorriso de canto apareceu em seus lábios e foi o ponto para eu conseguir piscar e sair do transe em que eu estava.

Viro em meus calcanhares saindo quase correndo daquele banheiro.

Porém, imagens daquele dia, de Adam, não saíram da minha mente.

Tentei sair com alguns garotos, mas nenhum me fez sentir como naquele dia. Afoita, pernas bambas, boca seca, excitada.

Uma ideia meio absurda passou pela minha cabeça e fiquei remoendo ela por longos dias. Até criar coragem e ter a oportunidade perfeita.

O vejo do lado de fora, do Struck, sozinho e me aproximei lentamente.

Ele tragava um cigarro desenhado algo em um caderno velho de capa marrom.

Ficamos tanto tempo afastados um do outro que nem me lembrava dessa sua mania de desenhar aleatoriamente.

— Posso falar com você?— Questionei e cruzei os braços.

Ele retirou o cigarro dos lábios soprando toda a fumaça em minha direção.

Comecei a tossir freneticamente e o idiota se pôs a sorrir.

Apertei os olhos observando suas covinhas que continua uma graça apesar de toda a sua pose de Badboy, e seu par de coturnos pretos, uma jaqueta de couro da mesma cor. O que falar do seu piercing no lábio inferior…

— Espero que esteja gostando do que vê. — Debochou e se levantou indo para sua caminhonete velha.

— Espera! — Ele se virou me lançando um olhar mortal.

— Quê? Já se cansou do Alex, e resolveu me procurar, é isso? Pois, já lhe aviso que perdeu seu tempo. — Rosnou de braços abertos.

O Adam à minha frente é totalmente diferente daquele garoto, gentil, amável que conheci anos atrás.

Ele entra na sua caminhonete já ligando a mesma. Ele pode ter mudado, mas eu continuei a mesma e ele sabe que quando quero, sou insistente.

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