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Capa do romance A Vingança Fria e Suprema da Esposa Genial do Bilionário

A Vingança Fria e Suprema da Esposa Genial do Bilionário

Com a filha entre a vida e a morte, uma mulher descobre que seu marido, Risco, a traía publicamente com Marfim. Pior: ele planeja usar a própria filha para um transplante de medula ilegal em benefício da amante. Ele acredita que ela é apenas uma esposa fútil, ignorando que ela é a genial cientista 'Fantasma'. Agora, ela usará seu intelecto brilhante e recursos secretos para salvar a criança e destruir o império do homem que a traiu cruelmente.
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Capítulo 2

Emelie encarou a tela. O nome Clifton pulsava em letras brancas contra o fundo preto.

Três segundos se passaram.

Ela deslizou o dedo na tela para atender.

"Emelie?" A voz de Clifton soou, rica e profunda. Ao fundo, o tilintar de taças de cristal e o murmúrio de risadas educadas eram audíveis. "Estou no Gala, Emelie. Você sabe que o conselho espera que eu cultive os mercados asiáticos esta noite. Gavin disse que você mandou uma mensagem sobre uma febre."

Cultivar.

Emelie soltou uma risada curta e seca. Soou como algo se quebrando.

"É assim que você a chama agora?" perguntou Emelie. Sua voz estava rouca, esfolada pelos gritos. "Uma oportunidade de mercado? Ou Eleanora é apenas uma 'cliente' esta noite?"

Silêncio do outro lado. O barulho de fundo pareceu diminuir, como se Clifton tivesse se afastado ou coberto o microfone.

"Não comece com isso, Emelie. Não esta noite. Eu vi a mensagem sobre a febre. Lily está bem?"

"Ela parou de respirar, Clifton."

Emelie ouviu uma inspiração súbita do outro lado.

"Ela teve uma convulsão", continuou Emelie, encarando as portas fechadas da sala de trauma. "Os pulmões dela se encheram de sangue. Tive que forçar o médico plantonista a tratar uma Hemorragia Alveolar Difusa porque o protocolo padrão era lento demais. Estou sentada no chão do pronto-socorro, encharcada, coberta de vômito."

"Eu..." A voz de Clifton vacilou. "Eu não sabia que era tão grave. Estou indo. Estou saindo agora."

"Não se incomode", disse Emelie. "O show acabou. Ela está estável."

"Emelie, me escute-"

Ela desligou.

Ela deixou o celular cair no colo e encostou a cabeça na parede, fechando os olhos.

Memórias a assaltaram. Oito anos atrás. Um Clifton mais jovem, parado na chuva do lado de fora do funeral de seu pai, segurando um guarda-chuva sobre ela. Ele a havia olhado com tanta intensidade naquela época. Havia prometido cuidar dela.

Quando aquele homem morreu?

Horas se passaram em um borrão de monitores apitando e sapatos de borracha rangendo.

Por volta das 4:00 da manhã, as portas se abriram. O Dr. Aris saiu. Ele parecia exausto, mas havia uma nova expressão em seu rosto quando olhou para Emelie. Respeito. Beirando o medo.

"Ela está estável", disse ele em voz baixa. "Os esteroides funcionaram. O sangramento parou. O oxigênio dela voltou a 96%."

Emelie soltou um suspiro que sentia estar segurando por horas. "Obrigada."

"Sra. Wilder", o Dr. Aris hesitou. "Aquele diagnóstico... a percepção da vasculite. Aquilo foi... intuitivo. Pouquíssimos médicos teriam percebido isso em uma imagem inicial."

"Eu leio muito", disse Emelie, levantando-se e tirando a poeira de sua calça de seda arruinada. "Posso vê-la?"

Ela se sentou ao lado da cama de Lily pelo resto da noite, segurando a mãozinha de sua filha, envolta em esparadrapos e tubos. Ela não dormiu. Apenas observou o subir e descer do peito de Lily, contando cada respiração.

Por volta das 7:00 da manhã, a exaustão finalmente a venceu. Sua cabeça pendeu sobre o colchão.

Quando ela acordou, a luz entrava pelas persianas.

A cama estava vazia.

Emelie se levantou de um salto, sua cadeira caindo para trás com um estrondo. "Lily?"

Uma enfermeira — não a da noite anterior — entrou apressada. "Sra. Wilder? Ah, que bom, a senhora acordou."

"Onde está a minha filha?" exigiu Emelie, o pânico apertando sua garganta.

"O Sr. Wilder providenciou uma transferência há cerca de uma hora", disse a enfermeira, checando o prontuário. "Ele a transferiu para o St. Jude's Private Recovery Center na parte nobre da cidade."

"Ele a levou?" Emelie sentiu o sangue sumir de seu rosto. "Sem me acordar? Sem o meu consentimento?"

"O Sr. Wilder invocou a cláusula de procuração médica de emergência em seu acordo pré-nupcial", disse a enfermeira, se desculpando. "A equipe jurídica enviou por fax. Concede a ele o poder primário de tomada de decisão em situações de cuidados intensivos. Ele a queria em uma instalação mais... privada."

Privacidade.

Ele não queria que os paparazzi vissem sua filha doente em um hospital público depois de ele ter saído para festejar com sua amante. E ele tinha a papelada legal para garantir que Emelie não pudesse impedi-lo.

Emelie saiu do hospital sob o sol da manhã. A tempestade havia passado, deixando a cidade limpa e reluzente.

Mas o mundo dela estava cinza.

Ela chamou um táxi. Não estava com as chaves do carro; o manobrista ainda estava com elas.

Quando entrou na cobertura, o silêncio era ensurdecedor. Não estava apenas quieto; estava oco.

Ela subiu as escadas, passou pelo quarto principal e entrou em seu enorme closet.

Trancou a porta.

Ajoelhou-se no canto mais distante, atrás das fileiras de vestidos de grife que mal usava. Puxou uma tábua solta do assoalho que estava coberta por uma sapateira.

Debaixo havia um cofre.

Ela digitou o código: 1-9-8-5. O ano de nascimento de seu pai.

Lá dentro havia um laptop pesado e reforçado. Parecia antiquado, um tijolo de máquina, mas era uma estação de trabalho segura, feita sob medida, disfarçada de tecnologia antiga.

Ela o colocou no pufe de veludo e o abriu. Pressionou o botão de ligar.

A tela não mostrou um logo do Windows ou um ícone da Apple. Iniciou em uma tela preta com linhas de comando verdes.

VERIFICAÇÃO BIOMÉTRICA NECESSÁRIA.

Emelie colocou o polegar no leitor.

ACESSO PERMITIDO. BEM-VINDA, GHOST.

A área de trabalho apareceu. Estava repleta de estruturas moleculares complexas, simulações de dobramento de proteínas em 3D, rodando através de uma conexão remota com um cluster de supercomputadores, e um cliente de e-mail seguro com a assinatura digital do departamento de pesquisa da ETH Zurich.

Um e-mail não lido estava no topo, marcado em vermelho.

De: Dr. Lucas Vance

Assunto: RT303 - Fase 1 Concluída

Emelie clicou nele.

Ghost,

A simulação se confirmou. A molécula que você projetou... está se ligando aos receptores virais perfeitamente. Estamos prontos para a Fase 2. Mas precisamos de você. O conselho está fazendo perguntas sobre quem está por trás da pesquisa. Não consigo mais enrolá-los.

Emelie passou os dedos sobre as teclas. Por cinco anos, ela havia sido Emelie Wilder, a esposa-troféu. A mulher dos almoços sociais. A mulher que sorria e assentia.

Mas antes disso, ela era a protegida do Dr. Garvin Glover.

Ela começou a digitar.

Prossiga para a Fase 2. Inicie os testes cegos. Enviarei o protocolo modificado esta noite. Minha identidade permanece confidencial. Sem exceções.

Ela apertou enviar.

O som de uma porta da frente pesada batendo no andar de baixo a fez pular.

Clifton.

Emelie fechou o laptop com força, enfiou-o de volta no cofre e recolocou a tábua do assoalho. Levantou-se, despiu as roupas sujas e vestiu um robe de seda.

Destrancou a porta do closet e entrou no quarto no momento em que Clifton entrava.

Ele estava com uma aparência péssima. Sua camisa de smoking estava desabotoada, seus olhos, injetados. Cheirava a uísque velho e perfume caro.

"Emelie", ele suspirou, passando a mão pelo cabelo. "Fui ao hospital, disseram que você tinha saído."

Emelie se virou para o espelho, pegando uma escova de cabelo. Começou a escovar seus cabelos emaranhados com movimentos lentos e rítmicos.

"Vim para casa tomar um banho", disse ela. Sua voz estava calma. Aterradoramente calma.

"Eu transferi a Lily", disse Clifton, observando o reflexo dela. "A imprensa... eu não podia arriscar que tirassem fotos dela intubada. O St. Jude's é melhor. Os melhores médicos do mundo."

"Tenho certeza", disse Emelie.

Clifton se aproximou dela. Ele enfiou a mão no bolso e tirou um cartão preto. O cartão Centurion. Titânio pesado.

Ele o colocou sobre a penteadeira.

"Compre para ela o que ela precisar. Brinquedos, roupas. Compre algo para você também. Você parece... cansada."

Emelie olhou para o cartão. Ele brilhava à luz do sol.

Era dinheiro de culpa. Uma compensação por sua ausência. Uma chupeta para a esposa.

"Obrigada, querido", disse Emelie. Ela se virou e lhe ofereceu um sorriso de porcelana perfeito. Não alcançava seus olhos. Seus olhos estavam mortos.

Clifton piscou. Ele esperava gritos. Esperava lágrimas. Essa conformidade robótica o perturbou mais do que qualquer chilique poderia.

"Certo", ele murmurou, afrouxando a gravata. "Tenho um jantar de família hoje à noite. Minha mãe vem. Você precisa estar pronta às sete."

"Claro", disse Emelie. "Estarei pronta."

Clifton demorou-se por um momento, olhando para ela como se tentasse resolver um quebra-cabeça, depois se virou e entrou no banheiro.

Assim que a água do chuveiro ligou, o sorriso de Emelie desapareceu.

Ela abriu a gaveta da penteadeira e jogou o cartão preto lá dentro, enterrando-o sob uma pilha de batons.

Pegou o celular e discou para Harper Cole.

"Harper", disse Emelie, encarando seu próprio reflexo. "Prepare os papéis."

"Divórcio?" perguntou Harper, com a voz baixa. "Emelie, você tem certeza? A equipe jurídica dos Wilder é um tanque de tubarões. Eles vão te devorar viva."

"Eu quero a guarda total", disse Emelie, sua voz dura como diamante. "E quero metade dos bens. Comece a investigar."

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