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A Vingança Fria e Suprema da Esposa Genial do Bilionário

Com a filha entre a vida e a morte, uma mulher descobre que seu marido, Risco, a traía publicamente com Marfim. Pior: ele planeja usar a própria filha para um transplante de medula ilegal em benefício da amante. Ele acredita que ela é apenas uma esposa fútil, ignorando que ela é a genial cientista 'Fantasma'. Agora, ela usará seu intelecto brilhante e recursos secretos para salvar a criança e destruir o império do homem que a traiu cruelmente.
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Capítulo 3

A biblioteca estava em penumbra, os pesados painéis de carvalho absorvendo a luz da tarde. Emelie sentou-se à imponente escrivaninha de mogno de Clifton, um documento aberto à sua frente.

O Acordo Pré-nupcial.

Ela percorreu as linhas com o dedo.

...em caso de dissolução do casamento, a segunda parte (Emelie Glover) renuncia a todos os direitos a pensão alimentícia, sustento conjugal e a qualquer reivindicação sobre o patrimônio da Wilder Enterprises...

...a custódia de qualquer filho nascido do casamento será, por padrão, da primeira parte (Clifton Wilder), a menos que seja provado inapto...

Era uma sentença de morte. Se ela fosse embora agora, sairia sem nada. Sem dinheiro. Sem casa. E o pior de tudo, sem a Lily.

Seu celular vibrou sobre a mesa. Harper.

"Estou vendo a cópia digital que você enviou", disse Harper, sua voz metálica saindo pelo alto-falante. "É blindado, Em. Ele te prendeu direitinho. Você precisa de uma vantagem. Uma vantagem séria."

"Que tipo de vantagem?"

"Escândalo", disse Harper sem rodeios. "Ou independência financeira. Você precisa ser capaz de gastar mais que ele no tribunal, ou destruir a reputação dele a ponto de ele fazer um acordo para se livrar de você."

Independência financeira. Emelie pensou no laptop no cofre. A patente RT303 poderia valer bilhões. Mas se ela a revelasse agora, ainda casada, metade dela — talvez toda ela, sob as cláusulas de propriedade intelectual do acordo pré-nupcial — poderia pertencer a ele.

"Vou encontrar algo", sussurrou Emelie.

A campainha tocou. Um som alegre e melódico que ecoou pela casa silenciosa.

Emelie franziu a testa. Não estava esperando ninguém.

Ela saiu da biblioteca para o mezanino com vista para o foyer.

A Sra. Higgins estava abrindo a porta, com um sorriso largo e bajulador estampado no rosto.

"Ah, Srta. Hardy! Que surpresa adorável!"

O sangue de Emelie gelou.

Eleanora Hardy entrou esvoaçante no foyer. Ela usava um vestido de caxemira cor de creme que combinava com a gravata que Clifton usara na noite anterior. Segurava uma sacola de compras grande e brilhante da FAO Schwarz.

Ela parecia radiante. Saudável. O contraste perfeito para a exaustão pálida e insone de Emelie.

"Olá, Sra. Higgins", a voz de Eleanora era como mel líquido. "Ouvi dizer que a pequena Lily não estava bem. Trouxe algo para animá-la."

Emelie agarrou o corrimão da escada. Seus nós dos dedos ficaram brancos.

Ela desceu as escadas lentamente, seus saltos estalando no mármore como tiros.

"Lily não está aqui", disse Emelie.

Eleanora ergueu o olhar, fingindo surpresa. Ela apertou a sacola contra o peito. "Ah, Emelie. Não tinha visto você aí."

"Eu moro aqui", disse Emelie, chegando ao último degrau. Ela bloqueou o caminho para a sala de estar. "Ao contrário de você."

O sorriso de Eleanora não vacilou, mas seus olhos endureceram. "Clifton não te contou? Ele me pediu para vir. Achou que Lily talvez precisasse de... um acalento. Nós temos uma conexão tão forte, sabe. As aulas de piano e tudo mais."

"Minha filha está em uma clínica se recuperando de uma insuficiência pulmonar", disse Emelie, a voz trêmula de raiva contida. "Ela não precisa de uma professora de piano. Ela precisa da mãe dela."

"Bem", Eleanora deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Emelie. Ela baixou a voz para que a Sra. Higgins não pudesse ouvir. "Talvez se a mãe dela não tivesse sido tão histérica no hospital, Clifton não teria precisado transferi-la. Ele me contou tudo. Como você gritou com os médicos. Vergonhoso."

Emelie sentiu vontade de esbofeteá-la. Era uma coceira física na palma da mão.

"Saia", sussurrou Emelie.

"Senhoras?"

A voz de Clifton trovejou da porta. Ele tinha acabado de entrar, sacudindo a chuva do guarda-chuva.

Ele olhou do rosto furioso de Emelie para os olhos grandes e cheios de lágrimas de Eleanora.

"Clifton", fungou Eleanora, virando-se para ele. "Eu só queria deixar um ursinho de pelúcia. Emelie está... chateada."

Clifton suspirou, um som de profundo cansaço. "Emelie, por favor. Eleanora é uma convidada. Não seja rude."

"Ela não é uma convidada", disse Emelie, apontando para a porta. "Ela é o motivo pelo qual você não estava lá quando sua filha parou de respirar."

"Já chega!", esbravejou Clifton. "Eleanora, fique para o jantar. Por favor."

Emelie observou enquanto seu marido conduzia sua amante para a sala de estar, a mão dele demorando-se na curva das costas dela.

O jantar foi uma sessão de tortura.

Eles se sentaram à longa mesa de jantar, Clifton na cabeceira, Eleanora à sua direita, Emelie à sua esquerda.

Eleanora dominou a conversa. Falou de arte, da gala, do desempenho das ações da Wilder Foundation. Ela falava com Clifton como se Emelie não estivesse ali.

Emelie empurrava um pedaço de aspargo pelo prato. Sentia-se invisível. Um fantasma em sua própria vida.

Bzzz.

O celular de Emelie estava sobre a mesa. A tela se acendeu.

Lembrete do Calendário: Dever Conjugal.

Horário: 22:00.

Emelie encarou a notificação. A secretária de Clifton, eficiente como sempre, havia agendado a vida sexual deles. Uma vez por mês. Como uma reunião de diretoria.

Eleanora olhou de relance para o celular, viu a notificação e sorriu com desdém. Um curvar de lábios minúsculo e cruel.

Emelie virou o celular com a tela para baixo.

Às 22:00, Clifton entrou no quarto principal. Ele havia tomado banho. Cheirava a sabonete, mas por baixo, Emelie ainda conseguia sentir o cheiro fraco e enjoativo do perfume de Eleanora que se impregnara nele durante o jantar.

Emelie estava sentada na cama, vestindo uma camisola de flanela de gola alta. Lia um grosso periódico médico.

Clifton afrouxou o roupão. Olhou para ela com expectativa.

"Está tarde", disse ele. Não era uma pergunta.

Ele se sentou na beira da cama e estendeu a mão para o ombro dela.

Emelie se encolheu. Fechou o periódico com um estalo.

"Não", disse ela.

Clifton congelou. Sua mão pairou no ar. "Perdão?"

"Eu disse não. Não estou me sentindo bem."

"Você parece bem", disse Clifton, franzindo a testa. "Já faz um mês, Emelie."

"Acho que peguei o que quer que a Lily tenha", mentiu Emelie com naturalidade. Ela o olhou nos olhos. "O médico disse que é altamente contagioso. Dispersão viral."

Clifton recuou. Sua obsessão por higiene, geralmente uma peculiaridade, transformou-se em alarme genuíno. Ele se levantou imediatamente, limpando a mão no roupão.

"Você deveria ter dito algo antes", ele murmurou, recuando em direção à porta.

"Acabei de dizer", disse Emelie.

"Tudo bem. Vou dormir no quarto de hóspedes. Tenho uma reunião cedo de qualquer maneira."

Ele se virou e saiu, fechando a porta com um pouco de força demais.

Emelie soltou um longo suspiro, seus ombros relaxando. Ela apagou o abajur.

Na escuridão, seu celular se acendeu novamente. Um número desconhecido.

Uma mensagem de texto.

Era uma foto.

Mostrava o sedã preto de Clifton estacionado em frente a um prédio de apartamentos de luxo. O prédio de Eleanora.

O registro de data e hora era de dois minutos atrás.

Ele não tinha ido para o quarto de hóspedes. Tinha ido para a casa dela.

Emelie não chorou. Ela salvou a foto.

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